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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Ecos do Curso de Espiritualidade Comboniana

No fim-de-semana de 15 a 17 de Junho alguns de nós (Emília, Bárbara, João, Anabela e Pedro) participamos no curso de espiritualidade missionária: À escuta do Espírito – horizontes e itinerários de S. Daniel Comboni seus filhos e filhas. Neste curso participaram, não só, os LMC, mas também muitos animadores missionários ou candidatos a tal de muitas paróquias espalhadas pelo país, desde Famalicão até Lisboa, passando por Viseu, Coimbra e Santarém.

 

Na sexta-feira fomos recebidos pela Comunidade da Maia, especialmente pelo Pe Claudino, anfitrião da casa e também um dos responsáveis pelo curso.

 

No sábado podemos participar em três palestras que, no fundo, resultaram também da vivência que cada uma das pessoas que as orientaram tem da espiritualidade missionária. A primeira temática foi abordada pela Adília Pascoal (Missionária Secular Comboniana) e disse respeito à mulher no espírito de Comboni na regeneração da África. Comboni, no seu tempo, foi um visionário. No Plano da Regeneração da África, Comboni apercebeu-se que precisaria das mulheres não só na retaguarda como beneméritas, principalmente na Europa, mas igualmente na linha da frente nos haréns dos muçulmanos onde a presença das mulheres era mais facilmente tolerado do que a dos homens.
Em seguida “nosso” Pedro (Leigo Missionário Comboniano) falou-nos do Catolicismo e do papel que os leigos têm na Igreja. O grande desafio lançado aos leigos foi o de se virarem para o exterior, pois a Igreja é mais do que quatro paredes. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34). Este é o grande ensinamento que nós enquanto Igreja, enquanto irmãos no sangue de Cristo devemos seguir. Os católicos estão unidos em Cristo, amam-se em Cristo, sofrem em Cristo, vivendo pelo Reino de Deus.
À tarde o Pe Claudino Ferreira (Missionário Comboniano) mostrou-nos uma facete, para alguns desconhecida, de Comboni. O título da problemática apresentada foi a animação missionária global de S. Daniel Comboni na Igreja e na Sociedade – itinerários para hoje. Evangelização e animação têm uma profunda incidência no carisma de Comboni, ele demonstra grande ânimo nesta sua missão: “só disponho de uma vida para a salvação daquelas almas, quisera ter 1000 vidas para as consumir neste fim”. A missão para Comboni faz-se em conjunto, ele descreve-a como “um pequeno cenáculo de apóstolos para a África, um ponto luminoso que envia ao centro da Nigrícia tantos raios quantos são os zelosos e virtuosos missionários que dele saem”.
O dia de trabalho terminou com uma vigília onde rezamos pelos cristãos perseguidos na Ásia, para que o Espírito Santo continue a brilhar por aquelas paragens, ainda que essa luz tente ser, constantemente, ofuscada.

No domingo começamos com os Cenáculos de Oração Missionária e o seu papel nas paróquias. O Pe Claudino explicou a todos os presentes a importância da existência destes pequenos cenáculos. A missão só é possível através de uma identificação crescente com a missão de Jesus, não é só preciso conhecê-las mas, igualmente, implicar-se nessa missão. O grande objectivo destes cenáculos é que os paroquianos animem missionariamente outros paroquianos. João P. II à data da beatificação de Comboni fala da importância de “continuar a difundir esta válida iniciativa pastoral nas paróquias para dar vigor à consciência missionária de todos os baptizados”. 

Em seguida o Pe Tavares (Missionário Comboniano) falou-nos de Antonio Roveggio – sucessor de Comboni na missão da África Central. Depois da morte prematura de Comboni o Instituto ficou “sem pai”, ninguém sabia como dar continuidade ao trabalho iniciado por Comboni. O Pe Tavares explicou-nos os grandes problemas que houve para manter vivo o ideal missionário do trabalho começado por Comboni, tendo sido os Jesuítas que alguns anos depois da sua morte assumiram o Instituto em Verona, no entanto, alguns missionários que sobreviveram a Comboni e se encontravam no Egipto não estivessem de acordo com as novas “regras” do Instituto. A juntar a tal facto a mahadia (revolta de extremistas islâmicos no Sudão) levou ao encerramento da missão no Sudão, fazendo reféns vários missionários e missionárias obrigados à conversão, pois não interessava aos extremistas criar mártires do cristianismo, por isso, estes missionários estiveram à mercê das suas atrocidades durante 17 anos. Foi neste contexto difícil que Antonio Roveggio tentou manter vivo o legado de Comboni.
Ainda antes do almoço a Irmã Dorinda (Missionaria Comboniana) deu-nos o seu testemunho, enquanto missionária no Sul do Sudão. As populações desta região vivem numa pobreza extrema: é um território onde não há nada e tudo é preciso. Ela deu-nos um exemplo, bastante, ilustrativo da vivência sudanesa do catolicismo… O catequista Paulo Shalo, durante os 21 anos de guerra manteve viva a presença de Deus, habilitando-se com isso a ser perseguido diariamente pelos extremistas islâmicos, Graças a Deus resistiu e continua o seu importante papel de evangelização nos Montes Nuba.

Não pensem, no entanto, que apesar de o fim-de-semana ter sido de trabalho intenso não houve tempo para o convívio entre todos os participantes no encontro. Foram também organizados plenários de discussão realizados nas diferentes tribos africanas (à boa maneira missionária!) em que fomos divididos… Bem como momentos de profunda oração.

 

Este encontro serviu para alimentar o nosso espírito católico e missionário, abrindo-nos horizontes sobre qual o caminho a seguir na vida e no mundo: amar.

 

Bárbara Cunha