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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Carta aos confrades em situação de violência e de guerra

 
Alguns países africanos estão sob o domínio da violência e da guerra, em particular o Sudão do Sul e a República Centro-Africana. Os nossos missionários que lá trabalham decidiram ficar com as pessoas para partilhar com elas a própria vida. Uma escolha corajosa que nos faz recordar como São Daniel Comboni continua a amar e a fazer causa comum com os mais pobres e abandonados na África de hoje através destes confrades. A mensagem abaixo é uma carta de apreciação, encorajamento e afecto da Direcção Geral dos Missionários Combonianos e dos superiores provinciais a estes confrades para que possam, por sua vez, consolar as pessoas com quem eles compartilham as suas vidas.

 

“Consolai, consolai o meu povo,

é o vosso Deus quem o diz.”
(Is 40, 1)

 

Queridos confrades, irmãs e leigos missionários combonianos
do Sudão do Sul e da República Centro-Africana

 

Saudamos-vos em nome de Jesus, o Senhor da Missão.

 

Durante estas duas semanas de encontro, oração e reflexão que nós, superiores das circunscrições, tivemos com a Direcção Geral do nosso Instituto, seguimos com preocupação a situação de violência que se está a viver nos vossos países. Recusamos a indiferença e, por isso, vos dirigimos estas palavras de comunhão e de fraternidade.

 

Dor e morte continuam a marcar indelevelmente o caminho da missão. O testemunho de presença, de “estar com” de todos vós nesta realidade de violência irracional e injustificada leva-nos a animar-vos a descobrir que São Daniel Comboni continua a amar e a fazer causa comum com os mais pobres e abandonados da África de hoje através da vossa presença. O vosso testemunho torna a sua presença viva e actual.

 

Estamos igualmente conscientes dos interesses políticos e económicos que provocaram uma crise profunda opondo os componentes de uma sociedade multiétnica e multirreligiosa. Fragilizou-se assim a convivência pacífica e fraterna de longos anos partilhados num mesmo território. A crise humanitária gerada não tem precedentes. Também sabemos que as portas de muitas das nossas paróquias e casas de formação foram abertas para acolher, acompanhar e consolar milhares de refugiados e deslocados. É, sem dúvida, uma faceta do ministério missionário da “consolação” de um povo em busca de paz. Comungamos dos vossos riscos e perigos, da vossa solidariedade e coragem.

 

Recordamos-vos as palavras que o nosso pai e inspirador escreveu uma semana antes de morrer: “Que aconteça tudo o que Deus quiser. Deus nunca abandona quem nele confia. Ele é o protector da inocência e o vingador da justiça. Eu sou feliz na cruz, que levada de boa vontade por amor de Deus gera o triunfo e a vida eterna” (Escritos 7246). E as suas palavras no leito de morte: “Coragem para o presente, mas sobretudo para o futuro.”

 

Rezamos para que cesse todo o tipo de violência e de violação dos direitos humanos, para que a paz, a justiça e a reconciliação rompam o horizonte do “humanamente impossível” e encontrem um lugar no coração dos homens e mulheres de boa vontade nos vossos países.

 

Abraçamos-vos com ternura e carinho e temos-vos presentes nas nossas orações e nos nossos corações. Que São Daniel Comboni cuide de cada um de vós e das pessoas que vos foram confiadas.

 

Superior Geral e seu Conselho
Superiores provinciais e delegados
Direcção Geral dos Missionários Combonianos

 

 

República Centro-Africana - Quando a guerra chegou a Mongoumba

 

 

 

 

"vale a pena “sofrer” pela missão!"

 

 

Caríssimos  LMCs, amigos, familiares, conhecidos…

A todos PAZ e BEM!

 

Aqui estou mais uma vez para vos falar um pouco sobre a situação do país e de como tentamos dar continuidade às nossas actividades apesar do clima de instabilidade em que vivemos. Hoje falo em nome pessoal, sem a Tere pois não tivemos tempo de escrever em conjunto.

 

Quando escrevemos em Janeiro, a Teresa e eu, falávamos dos nossos medos e angustias. Hoje, o tema não mudou só que, de espectadores longínquos. Passamos a espectadores mais próximos das cenas de violência e mesmo “vítimas de ameaças”.

 

Os protagonistas mudaram, os “rebeldes” Seleka deram lugar aos “libertadores” Anti-balaka e a grupos de jovens que se autos denominam de auto defesa, estão presentes em todas as aldeias tendo como principal objectivo destruir tudo o que é muçulmano.

 

Quando a Seleka chegou a Mongoumba nada de grave aconteceu à população, em grande parte devido à intervenção do presidente da camara (muçulmano). Com a progressiva tomada de posição dos Anti-balaka ou Siriri, os muçulmanos começaram a temer pela sua segurança. Quando as ameaças subiram de tom as mulheres e as crianças partiram para o país vizinho, tendo ficado apenas os homens que resistiram algum tempo apesar das ameaças tentando preservar alguns bens. Como não se sentiam em segurança nas suas casas, pediram asilo e dormiram algumas noites na missão, em casa dos missionários, mas também eles partiram tendo deixado à guarda dos padres duas motas e alguns artigos pessoais.

 

 

Enquanto, que na capital os maiores problemas e confrontos foram ente a Seleka e os Anti-balaka, em Mongoumba e noutras aldeias próximas foram e continuam a ser, grupos de jovens locais, incontroláveis, que em nome dos Anti-balaka começaram a criar a confusão, destruindo, roubando e queimando tudo o que é muçulmano e ameaçando quem de algum modo ajudou ou protege os poucos bens por eles deixados. São jovens adultos, pequenos bandidos que sob o efeito de drogas e álcool se deixam manipular por pessoas mais velhas que de algum modo tentam aproveitar a situação de caos para atingir objetivos pessoais. Têm todo o tipo de armas artesanais desde lanças, espadas, “machetes” a armas de caça. Formam um grupo bizarro vestido de forma bizarra, uns fardados como verdadeiros militares, outros parecendo saídos de um cortejo carnavalesco e todos, usam e abusam de amuletos não faltando ao conjunto crucifixos e terços, pois quase todos se dizem cristãos!

 

"O que mais nos tocou nesta onda de violência 

foi a indiferença e o silêncio

quer das autoridades quer da população em geral"

 

O que mais nos tocou nesta onda de violência que assolou o nosso pequeno paraíso foi a indiferença e o silêncio quer das autoridades quer da população em geral. No Domingo a seguir às primeiras pilhagens foi feito um apelo em todas as igrejas, para um momento de oração junto da mesquita com o objetivo de alertar e sensibilizar para evitar a profanação e destruição do templo, mas a participação ficou reduzida a uma vintena de pessoas. Um apelo que caiu no vazio. Algumas horas mais tarde os martelos começaram a sua ação destruidora, que ninguém tentou evitar. Um espaço que poderia vir a ser aproveitado para outros fins é hoje um montão de destroços.

 

 

 

Da indiferença e silêncio grande parte da população passou a aplaudir as ações das milícias como se de heróis se tratassem. Facto que se verificou quando o grupo de “auto defesa” foi intimar o vice presidente da camara a entregar um fugitivo, não muçulmano, vindo de outra localidade, onde era procurado sob a acusação de ter denunciado cristãos às forças da Seleka. E o mesmo, mas de forma mais discreta quando foram exigir as motas dos muçulmanos escondidas na casa dos padres, onde entraram armados, de forma agressiva e arrogante. As motas, assim como o resto das coisas dos muçulmanos foram entregues na presença do comissário da polícia, (que não tem poder, mas sempre é uma autoridade) com documento de entrega assinado pelos receptores. Apesar da tensão o padre Jesus conseguiu gerir as coisas de modo que o grupo não aproveitou nada dos bens que no dia seguinte foram entregues aos Anti- balaka sediados a 20km de Mongoumba.

 

"Não compreendemos esta onda de ódio e violência

contra pessoas com quem cresceram e viveram em harmonia"

 

Não compreendemos esta onda de ódio e violência contra pessoas com quem cresceram e viveram em harmonia numa localidade onde até ao momento nada de mal tinha acontecido, de onde os muçulmanos partiram de forma discreta… não compreendemos este ódio. É verdade que os relatos do que se passou e continua a passar noutras zonas do país influencia de forma negativa toda a gente. Ninguém diz uma palavra a favor dos chadianos sejam da Seleka, da MISCA ou simples civis. Toda a gente fala contra o Chade esquecendo que nem todos os muçulmanos do país são chadianos.

 

A nossa situação é precária, não somos bem vistos, mesmo tentando agir com a máxima discrição temos tomado algumas medidas impopulares como a suspensão, durante uma semana, de todas as atividades da paróquia (com excepção da missa). Não nos acusaram abertamente de ter protegido os muçulmanos, mas correram rumores que o padre Jesus era visto como pró- chadiano por ter estado vários anos em Missões no Chade. Ficamos na expectativa de possíveis ameaças, mas até ao presente nada aconteceu.

 

Faz algum tempo o silêncio da noite em Mongoumba devia-se ao facto das pessoas saírem para se refugiarem na floresta, hoje também há silêncio, não porque as pessoas partem, mas porque ao cair da noite se recolhem a casa para evitar confrontos numa terra onde não há autoridade e é rara a noite que não se ouvem tiros.

 

"Hoje, ainda há muitas pessoas a viver na floresta

porque não conseguem, por falta de meios,

reparar as casas que foram totalmente queimadas."

 

Comparando com o que se tem passado no resto do país e mesmo noutras vilas e aldeias da região a nossa situação continua a ser privilegiada “Deus continua a proteger Mongoumba”! Mbata, localidade a 40km da nossa, cuja paróquia foi assegurada até Dezembro pelos Missionários Combonianos de Mongoumba, foi parcialmente destruída tendo havido alguns mortos, muçulmanos e não muçulmanos. Hoje, ainda há muitas pessoas a viver na floresta porque não conseguem, por falta de meios, reparar as casas que foram totalmente queimadas.

 

 

As situações mais tensas na nossa diocese têm tido lugar nas paróquias de Ngoto e Boda que já foram pilhadas várias vezes, inclusive as missões que da última vez ficaram sem os carros, motas e mesmo alguns móveis. Nessas localidades há conflitos frequentes entre muçulmanos e não muçulmanos sendo o nosso Bispo, D. Rino, o principal mediador entre as duas partes.

 

"As milícias anti-balaka, que se dizem cristãos,

são incitados e manipulados por homens com sede do poder."

 

As forças francesas e africanas têm tentado em conjunto desarmar e neutralizar os rebeldes da Seleka, que deixaram a capital mas continuam activos noutras zonas do país. Por outro lado com a tomada de posição dos “libertadores” Anti-balaka começou a perseguição aos muçulmanos tendo havido verdadeiros massacres. As milícias anti-balaka, que se dizem cristãos, são incitados e manipulados por homens com sede do poder. D. Nzapalainga, arcebispo de Bangui, que desde o início dos conflitos é acompanhado pelo Imã e por um Pastor representante das igrejas protestantes num esforço comum pelo restabelecimento da paz, disse há dias que, em conjunto, pedem que todos os que utilizam e manipulam os jovens sejam responsabilizados a nível nacional e internacional.

 

No meio de toda esta confusão surgem pequenos sinais de esperança, o Bispo de Bangassou, D. Aguirre, diz que na sua diocese as milícias de autodefesa foram neutralizadas logo no início pelas comissões de mediação inter-religiosa e que em algumas paróquias iniciou cursos de formação que são frequentados por jovens católicos, protestantes e muçulmanos.

 

"quem diz que a missão é fácil?"  

 

Apesar da instabilidade e tensão em que vivemos temos continuado a trabalhar em todos os projetos de forma normal tentando ser resposta a esta missão a que fomos enviadas. Por vezes é difícil, há momentos de desânimo, mas quem diz que a missão é fácil?  

Muitos produtos começam a faltar (sal, açúcar, medicamentos…), os funcionários não recebem os salários e o dinheiro em circulação começa a diminuir, mas… há sempre um mas… as ONGs chegam em força e com as ONGs chegam: dinheiro, medicamentos, alimentos, roupas agua potável… e também um emprego bem remunerado mesmo que seja temporário.

 

Para finalizar apenas tenho a dizer que vale a pena “sofrer” pela missão!

É sempre bom sabermos que alguém pensa em nós, que não estamos sós!

Continuamos a contar com as vossas orações.

 

Unidos pela PAZ, um abraço.

 

Por: Élia Gomes, LMC na RCA

Sacramentos e vida, que ligação?

 

 

A Eucaristia, é o maior dos Sacramentos

e o momento da mais perfeita comunhão

entre Deus e o Homem.”

 

No fim de semana de 14, 15 e 16 de fevereiro, os leigos em formação encontraram-se, novamente, na Casa dos Missionários Combonianos , em Coimbra, lugar que já nos é familiar e, cujo Acolhimento nos permite sentir como se estivessemos em casa.

 

O tema: Sacramentos e vida, que ligação? teve como formador o Missionário Comboniano da Comunidade da Maia, P. Silvério Malta, a quem agradecemos a disponibilidade e gentileza por se ter deslocado a Coimbra.

 

Mais uma vez o tema escolhido, contribuiu para um aprofundamento da fé, e para compreendermos melhor que os sacramentos são um dom de Deus, e têm o poder de nos santificar.

 

Embora todos os Sacramentos sejam relevantes para a nossa vida, “cada Sacramento faz de Deus o nosso melhor Amigo.”

 

No que respeita aos 7 Sacramentos, é importante referir, ainda, que, tanto o Sacramento da Ordem, como o Sacramento do Matrimónio, são sinais do amor de Deus para com a humanidade.

 

Estes Sacramentos, conferem uma graça especial para a pessoa desenvolver a sua vocação na sociedade, servindo os irmãos, e uma missão particular na Igreja, ao serviço da edificação do povo de Deus, contribuindo para a salvação dos outros.

 

Também a Assembleia Geral dos Leigos Missionários Combonianos (LMC) se reuniu nesse fim de semana, em Coimbra, tendo, os momentos de oração, refeições e de lazer, proporcionado um são convívio entre todos.

 

 

Saudações Missionárias

 

Por: Rufina Garcia

Assembleia LMC: Momento de (re)lançar desafios e de Respirar fundo

 

 

 

 

 

 

"Nas nossas orações,

a “Alegria do Evangelho” foi lida e rezada à luz da alegria,

sofrimento e esperança dos LMC em missão

e dos povos aos quais somos enviados."

 

No passado fim-de-semana realizamos aquela que foi, para nós, a segunda Assembleia Nacional. Encontrámo-nos na nossa amada casa de Coimbra e aproveitamos este tempo para olhar e reflectir sobre o tempo presente e, sobretudo, sobre o tempo futuro.

 

Com a graça de Deus, chegamos ao fim da revisão do nosso diretório (que esperamos que venha a ser aprovado em breve) e, perante a realidade das nossas Comunidades de Vida, traçamos linhas orientadoras para o futuro tendo em conta os desafios lançados na Assembleia Internacional dos LMC em Dezembro de 2011 na Maia.

 

  
 

Quisemos, como habitualmente, viver esta Assembleia com a presença das pessoas que se encontram em formação. Assim, com elas, partilhamos os momentos de oração, de refeição e de lazer, vivendo estes momentos à luz da Exortação Apostólica “Alegria do Evangelho”. Foi, pois, com esta alegria e com a ajuda do P. Silvério Malta (MCCJ) que, estando em Assembleia, permanecemos em comunhão com os formandos e com toda a Família Comboniana.

 

Nas nossas orações, a “Alegria do Evangelho” foi lida e rezada à luz da alegria, sofrimento e esperança dos LMC em missão e dos povos aos quais somos enviados.

 

 
 

De facto, a crescente violência na República Centro Africana e a instabilidade política em Moçambique deixam-nos inquietos, sofredores e em comunhão com os LMC aí presentes e com estes povos vítimas destas situações, mas, é também por esta cruz, que encontramos força para o nosso caminhar e esperança na fé d’Aquele que venceu a morte e a dor.

 

Por: Susana Vilas Boas, LMC

 
 

TVE em Carapira Moçambique


Ver vídeoPueblo de Dios - Carapira: una gran familia


O programa "Pueblo de Dios" da TVE passou por Carapira e produziu uma reportagem que passamos a partilhar.

Nesta reportagem está também assinalada a presença da Comunidade Internacional LMC ali presente através das nossas Liliana (recentemente chegada a Portugal) e Márcia, do Flávio do Brasil e da Bety do México.

Esperamos que gostem!