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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

3º Encontro da FEC – Missão, Culturas e Religiões

Foi nos passados dias 11 e 12 de Março que decorreu a 3ª sessão de formação da FEC – Fundação Fé e Cooperação – subordinada ao tema Missão, Culturas e religiões. Desta vez, toda a formação decorreu na Casa dos Franciscanos Capuchinhos, em Fátima. O formador Ir. Vítor Lameiras, da Ordem Hospitaleira São João de Deus.

 

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Só somos confrontados com a nossa cultura, quando conhecemos outra.

 

O sábado começou com o tema da Inculturação, como desafio de aproximação. O orador fez um breve esclarecimento, acerca do conceito de inculturação. Afirmou que inculturação decorre da capacidade de entrarmos em diálogo com outras culturas e nunca, a imposição da nossa própria cultura. Está intimamente ligada aos valores da fé cristã, e a sua adaptação a um contexto cultural diferente. 

 

A tarde prosseguiu após um almoço partilhado, falámos sobre a Missão e culturas em Diálogo. E aqui tivemos a oportunidade de refletir sobre muitos pré-conceitos que poderão existir sobre as outras culturas e que, acima de tudo, os valores evangélicos patentes em todo o mundo e em todas as culturas, são os mesmos. Não são valores “só dos cristãos” mas sim, valores universais. E que valores evangélicos são estes? São valores que nos permitem o diálogo entre culturas: acima de tudo, o amor (“amar até ao limite de amar o inimigo e de dar a vida”), a tolerância, a humildade, o espirito, a doação, a aceitação, o sacrifício, a confiança, a fé, o ser fiável, a capacidade de escuta ativa, a abertura ao “diferente”, o desapego. Certos de que a nós compete-nos semear, não no compete colher.

 

Tendo a perfeita noção de que, a missão não existe enquanto mecanismo de fuga e a partida, essa, exige uma inteireza da nossa parte, exige um coração aberto ao novo, uma disponibilidade total da nossa alma, exige honestidade e humildade, valores enraizados no mandamento maior: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei”

 

A certeza única que nos acompanha é a certeza do amor, um amor gratuito, este é o principal valor que dará vida à missão.

 

Em seguida, vimos um vídeo sobre a experiência de missão da Catarina Lopes (da equipa da FEC) Timor-Leste. E deste vídeo, fica-nos a imagem de uma grande Missionária. Verdade seja dita: em todas as formações a Catarina nos surpreende e nos faz pensar sobre algo, sobre a sua experiência Missionária e sobre os frutos que nela foram produzidos. Do vídeo ficaram-nos algumas frases que escrevia no seu diário de bordo durante a missão lá e que partilhou connosco:

 

"Aqui (em Timor Leste) chora-se a morte porque se celebra a Vida."

"Compete-nos semear. Não nos compete colher."

"Achei que ia salvar o Mundo (...). Descobri que o Mundo me salvou a mim."

 

E após este vídeo emocionante, mãos à obra: prosseguimos com uma atividade prática de "Tu a tu". Ou seja: o irmão Vítor lançou o desafio de falarmos um par sobre os nossos valores através das mãos. E aqui se desenrolou uma atividade interessante de conhecimento do outro e da sua forma de se dar a conhecer através das mãos. O que, acima de tudo, requer uma atitude de escuta ativa e de "não julgamento" do outro. No fim, cada um transmitiu ao grupo aquilo que o outro lhe tinha falado de si quer com palavras, quer com as mãos. Concluímos que as mãos e o modo como elas se relacionam com o mundo falam muito de nós e que é necessário olhar o outro sem preconceito. Um olhar que, certamente, é necessário quando estamos em relação entre culturas, em inculturação, envolvidos, dentro da outra cultura.

 

E mais uma atividade prática nos foi proposta pelo irmão Vítor em grupos em que havia um grupo (que encarnou uma população portuguesa específica) com necessidades específicas e um outro grupo de missionários. O objetivo era que o grupo com necessidades informasse o grupo de missionários quais as necessidades que tinham e que, desta forma, o grupo de missionários primeiro identificasse quais as capacidades/valências/dons que tinha, de que forma poderia responder às necessidades solicitadas, quais as características da população em causa (ritmo de vida, cultura, tradição, costumes, escolaridade, etc.) e, em segunda instância, em conjunto com o outro grupo concretizasse um plano de ação/missão com objetivos, metodologia e tempo. Desta atividade sortiram várias conclusões, nomeadamente: a existência de uma dificuldade de comunicação entre grupos e intra grupo, a importância da atitude de humildade de saber dizer "eu não consigo".

 

Já à noite ouvimos o testemunho Missionário da Daniela Pereira da Juventude Hospitaleira, que partilhou a sua experiência de missão de um ano, em Moçambique. Uma experiência que a marcou para a vida, pelo menos era isso que reflectiam os seus olhos e a fragilidade da sua voz. O sábado terminou com a oração no Santuário de Fátima. Bem junto de Maria, houve oportunidade de refletir acerca de tudo o que ouvimos, e entregar-lhe o dia seguinte.17191397_1649721365043650_4779940407367523601_n.jp

 

O Domingo começou com trabalho de grupo à semelhança daquilo que tinha sido feito no sábado: um trabalho no qual nos foi proposto uma dinâmica na qual haviam também dois grupos – um grupo de missionários que se preparavam para missão e do qual eram selecionados 4 candidatos para partir; um outro grupo que encarnou um povo de África à sua escolha. O grupo dos “Africanos” selecionou a República Democrática do Congo, identificando como problemáticas a exploração infantil e as condições de saúde. Apresentadas as problemáticas aos missionários “candidatos”, estes apresentaram-se a si e as suas motivações/capacidades/dons. Esta foi uma dinâmica ativa que nos permitiu, entre outras, alcançar uma perspetiva das dificuldades que a formação implica, nomeadamente: a dificuldade no encontro das necessidades especificas do país uma vez que não sabemos muitas coisas especificas de outras culturas; há muitos candidatos mas nem todos podem ir: um momento difícil na formação – o aceitar-se frágil, incompleto, a caminho, incapaz e que isso não é mau. Quando perdemos a capacidade de questionar, perdemos a capacidade de viver intensamente o Dom da vida. Quem Ama, Erra.

O encontro findou da melhor forma, com a Eucaristia no Santuário de Fátima.

 

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Por: Carolina Fiúza e Neuza Francisco