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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

28 meses no Uganda

Caterina Fausti é uma LMC Italiana que trabalha no Uganda desde 2009 na Diocese de Lira, com o Bispo Comboniano Mons. Giuseppe Franzelli.

É médica no hospital “Papa João XXIII” de Aber, hospital diocesano situado numa zona rural onde a população pertence ao povo Langi. 

 

“Precisamos de testemunhos. A fé vivida de forma simples e coerente é que nos faz crescer e nos dá força.”

 

 

 

Estou no Uganda desde Agosto de 2009. A experiência de vida nesta realidade tão diferente da nossa enriqueceu-me e fortaleceu-me. Tornou-me mais consciente e grata por aquilo que tenho recebido.

O que mais me tem deixado perplexa não é a pobreza material das pessoas, mas sim a outra pobreza. Valores que estão enraizados na nossa cultura e pelos quais Daniel Comboni deu a vida, como a liberdade e a dignidade de cada ser humano, ainda são por aqui espezinhados.

 

No hospital, estando todos os dias em contacto com a gente, vejo tristeza e sofrimento. A família sofre, ser mulher é sofrer. A mulher é propriedade do marido, é comprada com um dote de poucas vacas e torna-se sua escrava por toda a vida. As mulheres são frequentemente espancadas e sobrecarregadas de trabalho. É a mãe que deve pensar no sustento dos filhos, que deve trabalhar nos campos levando-os com ela e os mais pequenos ás suas costas. É a mãe que deve pensar na educação dos filhos pagando as suas propinas. São as mulheres e as crianças que vão ao poço buscar a água e ao mato para apanhar a lenha. A mulher é obrigada a “partilhar” o marido com outra mulher (a co-wife) e a ter numerosos filhos, conforme a vontade do chefe de família. Sendo uma fonte de riqueza para as famílias de origem, as  mulheres são muitas vezes vendidas muito jovens.

 

 

“Existe muita promiscuidade e esta é a causa de uma elevada prevalência da Sida nesta região. Os filhos crescem nesta confusão e sofrimento e, não poucas vezes, tornam-se órfãos ainda pequenos.”

 

Apesar dos Langi serem cristãos praticantes (sobretudo católicos aqui no norte), não se costumam casar. Fazem-no raramente, depois de muitos anos de convivência, mediante o sacramento do Matrimónio Católico mas segundo as leis tribais. A fidelidade no casal não é um valor, existe muita promiscuidade e esta é a causa de uma elevada prevalência da Sida nesta região. Os filhos crescem nesta confusão e sofrimento e, não poucas vezes, tornam-se órfãos ainda pequenos.

 

Hà poucos meses, Aber recebeu uma família de LMC’s, Maria Grazia, Marco e Francesco (ver artigo de 11 de Outubro). Um grande dom para a nossa comunidade. Precisamos de testemunhos. A fé vivida de forma simples e coerente é que nos faz crescer e nos dá força.

 

Rezemos por esta jovem Igreja e pela Africa, para que através de Cristo sejam quebradas as correntes de todas as escravaturas.

 

Por Caterina Fausti, LMC Itália

Fonte: www.comboni.org