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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

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Desemprego juvenil em Moçambique

  

 

"Enquanto a economia funcionar em função do lucro,

jamais resolverá as necessidades básicas

e prementes dos seres  humanos:

a maior das quais é ser feliz".  

 

 Já por várias vezes abordei neste espaço alguns problemas que afligem os jovens moçambicanos. Já aqui escrevi várias vezes, por exemplo, sobre os problemas na educação. Neste número, quero abordar um problema sério no seio dos jovens Moçambicanos: o desemprego.

 

Em Moçambique, as taxas de desemprego estão acima dos 40% nas zonas urbanas, sendo que grande parte da população jovem vive do sector informal, uma vez que o mercado tem uma série de limitações para jovens recém-formados, mesmo em áreas técnico-profissionais.

Uma alternativa que tem sido muito propagada por vários sectores da sociedade, dentre políticos, empresários, académicos, etc., é aquilo a que muitos chamam AUTO-EMPREGO. Mas o auto-emprego só existe quando estão agrupadas duas componentes: capital e conhecimento.

 

Os Jovens podem ter o conhecimento, mas a grande questão é:

onde vão buscar recursos financeiros

para arrancarem com as suas iniciativas?

 

 

Os Jovens podem ter o conhecimento, mas a grande questão é: onde vão buscar recursos financeiros para arrancarem com as suas iniciativas? Que fundo ou iniciativa existe em Moçambique para apoiar iniciativas de geração de postos de trabalho e de riqueza para a Juventude Moçambicana? Quantos jovens são empregados em Moçambique anualmente? Os números do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP) apontam para menos de 10 mil jovens anualmente, num universo de mais de 3 milhões de jovens Moçambicanos espalhados pelo País.

 

A Juventude já deu em Moçambique exemplos de coragem,

bravura, sacrifício e luta e não se deve pensar

que estas virtudes já não existem.

 

É preciso que um País respeite a sua juventude e demonstre isso com acções. A Juventude já deu em Moçambique exemplos de coragem, bravura, sacrifício e luta e não se deve pensar que estas virtudes já não existem. Não basta dizer-se que os jovens devem ir aos distritos, é preciso que os distritos tenham algo que atraia os Jovens.

 

É preciso que o Governo não defraude as expectativas dos jovens que passaram a sua vida a estudar e agora procuram emprego. É sabido, que quando a taxa de desemprego é alta, sobem proporcionalmente outros flagelos sociais. Falo por exemplo da criminalidade.

 

É sabido, que quando a taxa de desemprego é alta,

sobem proporcionalmente outros flagelos sociais.

 

Nos últimos anos, no país em geral e com mais destaque para a cidade e província de Maputo, o crime tem atingindo proporções alarmantes, e dimensões hediondas. No passado, os crimes mais regulares neste país eram os de furto de pequena escala cometido geralmente no período da noite (roubo de galinhas, brincos, celulares, assaltos a casas, etc.). Agora, sentimos nos últimos tempos uma evolução na tipificação do crime para execução de pessoas, violações de menores, tráfico de pessoas, vendas de órgãos, assaltos a mão armada de viaturas, residências, bancos, instituições públicas e privadas, etc., chegando os meliantes a matar para lograr os seus intentos, acções estas em que os criminosos executam em plena luz do dia.

 

 
 

Se o Estado não se esforçar em proporcionar emprego para os jovens, a criminalidade vai crescer cada vez mais. E parece que não se tem esforçado nada. Repare-se por exemplo nos grandes projectos de investimento estrangeiro que existem neste momento no país: para além de todas as injustiças conhecidas que são cometidas contra a população, de que benefício está a usufruir o Estado Moçambicano? Por exemplo, qual é o real papel do Investimento directo estrangeiro, principalmente os grandes projectos em curso no País, na promoção de postos de trabalho para jovens?

 

"A propriedade privada dos meios de produção é a grande causa de todos os males e calamidades que afectam a humanidade. Enquanto a economia funcionar em função do lucro (pois esse é o móbil dos capitalistas), jamais resolverá as necessidades básicas e prementes dos seres humanos: a maior das quais é ser feliz".

 

Fonte: Batuques da Savana

Por: Carlos Barros, LMC

 
 

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