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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Porque uma cama é uma cama...

 

“Quão facilmente abordamos as situações

cheios de vontade de partilhar algo nosso,

e quanto perdemos por agir assim...”

 

Pude viver belos e intensos momentos em Dadim na última vez em que lá estive a trabalhar, durante dois meses no tempo da seca, no Programa de Emergência Alimentar.

 

No regresso à cidade de Awassa estava muito feliz por me juntar de novo ao Mark, por voltar à Clínica Bushulo e ao contacto com os meus pacientes e colegas de trabalho. Mas, de certa forma, a adaptação não foi fácil pois uma parte de mim ainda desejava estar junto das pessoas de Dadim.

 

Há algo de mágico nos pastores, no seu estilo de vida e no terreno acidentado de suas terras que realmente me atrai. Talvez sejam momentos como estes que passo a relatar:

 

Eu tinha ido numa sexta-feira à tarde com a Ir. Annie à clínica para ver uma mãe e a sua filha de 9 meses, que tinham sido ambas admitidas com pneumonia. Quando entrámos no quarto, a mãe estava sentada na beira segurando a sua filha de forma desajeitada.

 

A Ir. Annie pediu-me ajuda para colocar o colchão no chão, onde a mãe poderia estar mais confortável. Depois de movermos o colchão, a mãe sentou-se na beira do mesmo, de forma tão desajeitada como antes. É como se ela nunca tivesse visto antes uma “cama” (como nós as conhecemos). Um momento depois, dois rapazes aproximavam-se com peles de animais debaixo dos braços. A Ir. Annie olhou para eles e voltando-se para mim sussurrou: “Não há problema, deixemo-los fazê-lo à sua maneira”. Observamos silenciosamente como a mãe pegou nas peles de animal, estendeu-as no chão junto à cama e ali se deitou com a criança. Em pouco tempo estavam ambas a dormir profundamente.

 

Que vida tão diferente da nossa!

Podemos todos adaptar-nos a pessoas e sítios diferentes, mas o conforto que encontramos nas nossas coisas, alimentos, língua e hábitos irão sempre encher o nosso coração de paz.

 

Partilhei esta história com uma amiga que comentava o dom que seria podermos fazer “pause” e voltar para trás – Então poderíamos ver o mundo a partir de outro ponto de vista que não o nosso. Quão facilmente abordamos as situações cheios de vontade de falar ou de partilhar algo nosso, e quanto perdemos por agir assim!

 

Por: Mark e Maggie Banga

LMC’s Norte americanos na Etiópia

Fonte: LMC EUA