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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Vou estar sempre em Missão!

 

Vânia Sofia Silvares da Costa, nasceu há 28 anos em Castelo Branco, é solteira tirou o curso de Contabilidade e Gestão Financeira na Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova. É filha de Felisbelo Alves da Costa e de Maria Joana Silvares, baptizada a 5 de Agosto de 1979 e crismada 4 de Junho de 1995. Trabalhou durante 6 anos no Gabinete de Contabilidade de Mário Rui Dias e agora prepara-se para partir em missão para Moçambique, no dia 25 de Janeiro.
- Feita a tua apresentação, diz-me onde e quando nasceu o desejo de seres missionária leiga?
O desejo de ser missionária nasceu acerca de 12 anos atrás, quando fui a um encontro de jovens dos Missionários Combonianos, em Coimbra. Nesse encontro vi uma apresentação de power-point de um missionário, onde vi a situação de crianças pobres e indefesas e, foi quando, tive a consciência que não basta ficar indignada, é preciso fazer alguma coisa! Ai, o "bichinho"da missão entrou e nunca mais saiu.
- Essa tua vocação foi acompanhada pelos Missionários Combonianos. Fala-me um pouco dessa fase da tua vida.
Tudo começou quando o. Sr. Cunha, catequista do 10° volume da catequese, me convidou para pertencer ao GJAMSJO, Grupo de Jovens de Acção Missionária de S. José Operário.
Este grupo tinha contacto com os Missionários Combonianos, os quais nos convidavam para irmos aos encontros de jovens em Coimbra e Santarém.
Agora recordo com saudade esses encontros, onde havia tantos jovens vindos de todo o país para convivermos e conhecermos mais e melhor a palavra de Deus.
Para alem dos encontros de jovens, participei, em 1997, na SEM -Semana de Experiência Missionaria, que consistiu numa semana de oração e de acção com os mais necessitados. Ai senti que a minha vida tinha mais sentido, pois estava a utiliza-la de uma forma útil, em favor de alguém que mais necessitava! Foi, de facto, a " confirmação da minha vocação como missionaria, utilizar a minha vida em favor dos mais necessitados.
- -Um ano depois participei noutra actividade dos .Missionários Combonianos - Projecto Missão. Um verdadeiro acampamento durante uma semana na freguesia de Porto de Ovelha, do Concelho de Almeida, cujo objectivo foi a oração e animação daquela população nomeadamente nas eucaristias, actividades lúdicas e outras coisas que a população necessitou. Recordo agora que fizemos uns jogos tradicionais e um baile onde a população participou e com imensa, alegria! Julgo que Deus também ficou alegre!
Entretanto comecei a tirar o curso superior e a trabalhar e não tive nem tempo nem disponibilidade para continuar a ir aos encontros dos missionários, no entanto continuei a frequentar o grupo de jovens da paroquia e a dar catequese como forma de alimentar a minha fé. Retomei, depois em 2004, no grupo dos Leigos Missionários Combonianos, com a certeza que queria receber a formação para ser Leiga Missionaria Comboniana.
Essa formação incluiu 2 anos de formação, encontros na FEC - Fundação, Evangelização e Culturas em Portugal, e um curso de Formação Missionária e viver em comunidade durante 3 meses e meio em Espanha.
- Houve certamente dificuldades que tiveste de ultrapassar. Quais foram as principais e como conseguiste vence-las?

Como cristã, tenho o compromisso de anunciar o Reino de Deus. Para mim, o Reino de Deus é um mundo onde há paz, justiça, saúde, alimento para todos. Apesar de poder acontecer aqui e agora, tal Reino parece estar longe de existir enquanto, houver pessoas gananciosas. Se há possibilidade para todos vivermos bem, porque isso não acontece? “Se o Sol é de todos, porque a terra não é"? Alguns Homens -apoderaram-se da terra; como de um bem próprio, mas quem lha "vendeu"? Deus construiu o mundo para todos os homens que vivem nela e por isso, não se justifica haver pessoas a morrer de fome enquanto outros desperdiçam tanta coisa. É injusto algumas pessoas terem de mais à custa de outros e esses outros não terem nada. O colonialismo e a exploração das multinacionais em países subdesenvolvidos é a prova disso.
É esta realidade e são estes os sentimentos de indignação que me levam a ter coragem para fazer alguma coisa por aqueles, que não tem nada e, ao longo destes anos todos, Deus, através das pessoas que vai colocando no meu caminho, tem me ajudado a superar as minhas dificuldades
Quando sentimos que há pessoas que gostam de nós e que estamos estáveis a nível profissional, é complicado largar isso tudo, Mas estou certa que, quem gosta de mim de verdade nunca vai deixar de gostar e, quanto ao trabalho, eu agora estou por Deus e, quando voltar, Deus estará por mim!
- Agora Moçambique, concretamente a cidade de Maputo está à vista: porquê Moçambique, como te sentes preparada para a tua missão? Concretamente o que esperas realizar neste pais africano?
Porque Moçambique? Realmente é uma boa pergunta, mas não sei responder. Só sei que, desde o momento em que tomei esta decisão na minha vida, a minha ideia foi sempre, se possível, Moçambique.
Quanto a me sentir preparada para a missão, julgo que sim (só terei a certeza "quando lá chegar!).
Os anos de formação nos Leigos Missionários Combonianos, os encontros da FEC - Fundação Evangelização e Culturas e o curso de Formação Missionaria em Madrid, contribuíram para me sentir preparada, mas também com um sentimento de uma grande responsabilidade! Tal como eu, há muitas pessoas que querem ajudar estes países onde há falta de tudo, mas temos que saber ajudar! Quero dizer com isto que tem que haver um grande respeito pela população que vamos encontrar, nomeadamente pela sua cultura e suas tradições! Lembro-me de um caso apresentado num dos encontros da FEC. Uma equipa quis ir ajudar um povo africano. Aperceberam-se que as mulheres perdiam muito tempo em ir buscar agua ao rio, que ficava distante da população. Resolveram, então, fazer um poço no meio da vila. Após a construção, verificaram que as mulheres continuavam a ir ao rio. Só depois, analisaram a situação e perceberam que as mulheres, enquanto iam buscar água ao rio, aproveitavam para conversar. Quero dizer com este caso, que por mais boa vontade que tenhamos de ajudar, temos que saber ajudar.
Sem dúvida que é muito mais fácil dar o peixe em vez de ensinar a pescar (como diz; o provérbio), mas há que estar atento a realidade, a cultura que se vai encontrar nestes países e sobretudo respeitar. Depois, o que se puder fazer de encontro as suas reais necessidades, faz-se!
Concretamente, o projecto que estou inserida é dar apoio numa escola de lª à 6ª classe e na pastoral num bairro de Maputo, em Moçambique. Apesar de ser importante o que vou fazer, durante este tempo de formação também aprendi que, neste tipo de acções, mais importante que fazer é saber estar. A nossa presença já é um sinal de esperança para estas pessoas que, vamos encontrar, por isso acima de tudo tenho que saber estar, como sinal do amor de Deus por eles.
- Vais ser enviada pela tua comunidade paroquial de S. José Operário. Que esperas desta comunidade?

Qualquer pessoa que é enviada necessita de 2 tipos de apoios: material e espiritual. A missão de Benfica, em Maputo, agradece qualquer apoio monetário que a comunidade queira dar.
Espero também que a comunidade me apoie nesta minha decisão e que reze por mim, assim tal como por todos os missionários.
- Só Deus sabe o futuro, mas dependendo de ti por quanto tempo vais para a missão?
Tudo esta nas mãos de Deus, mas por mim, e considerando missão ad gentes, ou seja, missão fora da minha comunidade, vou por 2 anos.
Mas se considerar missão como modo de anunciar o Reino de Deus, é por toda a vida. Como baptizada tenho esse dever. Eu acredito que Deus nos ama e que quer o nosso bem! E que o Seu Reino é onde há vida, amor, alegria, saúde, paz, justiça, e respeito pelos outros e pela natureza. Resta-me fazer por viver assim e fazer para que os outros também assim vivam. Deste modo, considero que vou estar sempre em missão.

 

Entrevista publicada no jornal Reconquista