Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

“Na minha pequenez se detiveram Seus olhos…”

1.jpgChegou a altura de partilhar o que me vem no coração depois de um mês de experiência missionária em Carapira. Tenho alguma dificuldade em organizar as ideias e começar, pois muitas emoções me vêm ao coração… vou procurar escrever um pouco sobre como cresci nesta caminhada.

Primeiro, vou falar um pouco da nossa rotina: tínhamos, todos os dias, momentos de oração. Começávamos e terminávamos o dia em oração, com a comunidade apostólica e da nossa comunidade. Logo no início foram apontados vários trabalhos em que precisavam da nossa colaboração e fomos construindo a nossa rotina em torno desses trabalhos, no Instituto Técnico e Industrial de Carapira e no lar das irmãs; e acompanhávamos os missionários e missionárias nas visitas que faziam a pessoas e comunidades. Participámos, ainda, nas celebrações que se viveram por aqueles dias dos 70 anos da presença Comboniana em Moçambique, os 150 anos da fundação do instituto dos MCCJ e os 25 anos do assassinato do irmão Alfredo Fiorini. E tínhamos as tarefas e momentos específicos da vida em comunidade, da nossa “comunidade Fé e Missão”.

Duas coisas me enchiam o coração: a primeira era um sentimento de pequenez; a segunda era uma grande serenidade, mas uma serenidade alegre. Sentia-me pequeno e leve, alegre, em paz.

2.jpg

Senti-me pequeno porque fui vendo o melhor e o pior que há em mim. Aprendi mais sobre mim – conheci-me melhor. Fui percebendo os meus limites e os meus dons com mais nitidez. Fui descobrindo limites que não conhecia e qualidades que não pensava ter. E ao crescer sentia-me pequeno. Porque fui percebendo que os trabalhos que íamos fazendo, embora importantes e feitos com toda a dedicação que podíamos dar, não mudam o mundo como queremos. Porque a diferença está em pequenos gestos de amizade, de amor, que crescem e dão fruto. Sentia-me pequeno, sobretudo, porque foi muito mais o que recebi do que aquilo que dei: da comunidade apostólica que acolheu generosamente; da comunidade de Carapira; das comunidades que visitávamos; das pessoas que nos encontravam; das crianças e jovens com quem passávamos mais tempo, no Instituto (a escola industrial) e no lar das Irmãs; e das pessoas com quem fiz comunidade, os restantes membros do Grupo Fé e Missão.

Senti-me, ao mesmo tempo, em paz, porque tinha o coração cheio. Cheio de amor, de alegria. Cheio de Deus. A cada dia que passava, percebi melhor que estava ali porque Deus me quis falar ali. E sentia-O muito próximo, em momentos concretos, na oração, nos trabalhos, nas pessoas que me iam tocando o coração. E percebi que Ele me ia guiando, me ia ajudando a conhecer-me melhor. Isto ajudou-me a ser mais sensível, mais genuíno. Mais eu. Aquele eu que Deus já conhecia e eu ainda não – o meu verdadeiro Eu…

 

Olho para este caminho. Como estava na partida e como estou na chegada. Como mudei: como Deus se deteve na minha pequenez, e como pegou nessa pequenez e foi construindo algo de bonito.

Como fui tocado por Ele. E sinto-me feliz por olhar e por saber que vivi intensamente. Por saber que vivi aquele tempo apaixonado por Cristo e pelas pessoas. E que quero continuar assim, de coração cheio, grato por todas as maravilhas que Deus fez e por tudo o que recebi das pessoas que por mim passaram, os muitos testemunhos de fé e amor que me foram tocando e me fizeram crescer.

Filipe Oliveira (Fé e Missão)

3.jpg

 

A nossa casa - Notícias das LMC Paula e Neuza

Chegar à missão é chegar a casa. Não a que nos viu crescer, outra que agora nos acolhe, onde agora dormimos, crescemos e amamos. Chegar à missão é chegar ao povo. Não o que nos viu nascer, outro que nos recebe de braços abertos como se fossemos filhas que tornaram a casa. Chegar à missão é abraçar outro povo. Não aquele que nos viu nascer mas aquele que de braços abertos se predispõe a crescer connosco. Cada pessoa é mundo e tem mundo para nos contar. Em cada pessoa encontramos Deus e é esse Deus e esse mundo que hoje pretendemos mostrar-vos. É nesta paisagem que todos os dias acordamos na confiança e adormecemos no agradecimento. Nesta missão que não é só nossa mas de todos, queremos que percorram cada dia e cada história connosco.

 

LMC's Paula e Neuza

 

 

Partir ao Teu encontro...

1.jpg

No passado dia 17 de Agosto eu e os meus 7 colegas do grupo Fé e Missão partimos para uma longa viagem desde Lisboa até ao aeroporto de Nampula. Não para fazer férias, mas sim para fazer um mês de experiência missionária na comunidade Comboniana de Carapira. Agora que estou de volta a Portugal, só posso dizer que foi um mês inesquecível que colocou Moçambique para sempre no meu coração!

O terreno principal da nossa missão foi o Instituto Técnico Industrial de Carapira (ITIC), onde colaborámos em diversas atividades, consoante os dons de cada um. No meu caso, sendo eu estudante de Matemática, tive a oportunidade de colaborar na revisão da contabilidade, no apoio ao setor pedagógico e no esclarecimento de dúvidas aos alunos durante o estudo noturno. Mas a nossa missão não se reduziu ao ITIC — também nos pediram que ajudássemos através de explicações às raparigas do lar das Irmãs Combonianas, e pudemos ainda participar em várias atividades da pastoral (visitas às comunidades, aos doentes, etc.). Apesar de todas estas tarefas, o que tornou este mês tão marcante não foi o pouco que eu dei mas sim o muito que recebi e aprendi em Carapira!

Acolhimento e partilha são duas palavras que contêm muita da magia deste mês de missão. É incrível a forma como a comunidade missionária de Carapira (padres, irmãs e leigos) esteve, desde a primeira hora, de portas sempre abertas para nos receber, para nos servir um café ou para ajudar no que fosse preciso. E no contacto com o povo percebi que este mesmo espírito de disponibilidade e partilha é também aquilo que melhor caracteriza a cultura do povo Macua, uma cultura riquíssima que contrasta tanto com a europeia... Enquanto que na Europa a vida é cheia de stress e as pessoas desesperam com o mínimo contratempo (um simples atraso de um autocarro, por exemplo), o que eu encontrei em Carapira foi um povo que vive sem pressas, que sabe estar e contemplar. A verdade é que nas minhas primeiras semanas em Carapira eu tive bastante dificuldade em adaptar-me a esta cultura e a este ritmo. Mas valeu a pena, porque este “abrandamento” levou-me a repensar o meu estilo de vida e a encontrar aquele silêncio interior que nos ajuda a escutar a vontade de Deus.

Viver em comunidade foi outro dos grandes desafios que eu tive que enfrentar. Durante este mês, fomos 8 jovens a fazer comunidade "a 100 por cento": fizemos as refeições juntos, rezámos juntos, trabalhámos juntos... Uma rotina que não tem nada a ver com aquilo a que eu estou habituado, pois eu saí de casa dos pais aos 17 anos (quando entrei na universidade) e acostumei-me a uma vida bastante autónoma e relativamente solitária... A adaptação não foi fácil, porque na vivência comunitária surgem constantemente situações que nos levam a errar – basta estarmos um pouco mais cansados para dizermos a palavra errada e gerarmos um desentendimento! São situações inevitáveis que surgiram de vez em quando, mas que foram sempre ultrapassadas graças à força da oração, que nos ajudou a estar mais em sintonia com Deus, a "morrer todos os dias por ir contra o próprio querer" (como diz um cântico de que nós muito gostamos!) e a sermos capazes de perdoar.

Para quem vem de um país como Portugal, é entristecedor ver que uma grande parte da população de Moçambique vive numa situação de enorme pobreza. E ainda mais triste fiquei ao dar-me conta de que a mentalidade dos países ricos é em grande medida a responsável por essa pobreza. Por exemplo, nos passeios pelo bairro fui surpreendido por ouvir tantas vezes a frase “mucunha [branco], preciso de dinheiro”, mas com o tempo percebi que isto acontece porque muitos mucunhas ajudam (dando dinheiro) apenas para tirar o peso da consciência, sem se preocuparem em criar os meios necessários para que o povo saia da pobreza e deixe de depender de esmolas. Mas fiquei cheio de alegria ao ver no terreno o grande e contínuo trabalho de caridade e amor ao próximo que é feito pelas missionárias e pelos missionários Combonianos, fiéis ao lema de S. Daniel Comboni: “Salvar África com a África!”.

Muito mais haveria para dizer sobre esta nossa “aterragem” em Carapira. Podia falar sobre as belezas fantásticas que encontrei nas visitas à praia e à Ilha de Moçambique, ou sobre a grande festa que foi a nossa despedida, ou sobre muitas outras coisas boas. Porém, o mais importante é o que fica guardado no coração, e isso não se traduz em palavras… Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de viver tudo isto. Moçambique: estamos juntos, na amizade e na oração!

 

Rúben Sousa

Vida em comunidade

IMAG2838.jpg

Novidades maravilhosas!

Esta semana, na terça-feira, chegou a Portugal a LMC espanhola Tere. Encontra-se a fazer experiência comunitária com a LMC Cristina Sousa em Braga.

Estão as duas a estudar em Braga, embora línguas diferentes: a Tere o português e a Cristina o francês.

 

Acolhemos a Tere com muita alegria e estamos unidos também a esta comunidade. Rezamos para que nela nasçam frutos que geram vida, "vida em abundância".

 

Bem-hajas Tere. Estamos juntos!

IMAG2835.jpgIMAG2836.jpg

 

Oração pelo Brasil

DSC_0499.JPG

O grito dos(as) excluídos(as), é um movimento que sai às ruas no dia 7 de setembro, dia que se comemora a independência do Brasil. Este grito é uma manifestação do povo que procura mostrar que o governo não representa a vontade popular, mas pelo contrário, defende os interesses das elites. Na impossibilidade de realizar esta manifestação simbólica e não podendo ficar indiferentes a esta causa, realizámos na paróquia Santa Luzia, uma vigília de oração pelo Brasil na noite do dia 6.

 

Foi um momento muito bonito e carregado de simbolismo, no qual unimos os nossos corações a Cristo e lembrámos o sofrimento dos que são perseguidos e de todos os que vêem os seus direitos negados. Pedimos por um país mais justo e uma vida mais digna.

DSC_0481.JPGDSC_0496.JPGDSC_0507.JPG

Neste momento de encontro com a comunidade e com Deus senti o meu coração em louvor, dando graças por este povo:

... que se une em oração;

... que não baixa os braços perante as adversidades;

... que não só aponta o dedo, mas também se manifesta perante governantes corruptos;

... que não perde a esperança;

... que me ensina todos os dias que parar é morrer, que sofrer é viver e que o amor é sempre possível.

DSC_0529.JPG

LMC Liliana Ferreira

 

 

Notícias da Liliana e do Flávio - missão de Piquiá

mina.JPG

Fui visitar uma mina a céu aberto, a maior mina do mundo de extração de ferro situada na serra de Carajás. Quando cheguei fiquei impressionada com a sua grandeza, coloquei um olhar técnico sobre aquela exploração e pensei: em tempos daria tudo para trabalhar num local como este... Depois olhei a realidade daquele espaço e senti uma dor muito grande, lembrei-me de todos aqueles que são afetados pelos impactos por ela provocados ao longo de centenas de quilómetros. Não foi por acaso que viajámos uma noite inteira para visitar esta mina: é que entre a Serra de Carajás e o Porto de São Luís está o Piquiá.

 

 

Comboio da Vale.JPGPoluição Piquiá.jpg

E no Piquiá, missão onde nos encontramos, sentimos bem de perto os impactos sócio-ambientais por ela causados. O material extraído nesse local é transportado de comboio para o Piquiá para ser trabalhado nas várias siderúrgicas aqui instaladas e depois encaminhado novamente de comboio para o porto de São Luís de onde sai para diferentes destinos do mundo.

Piquiá é um bairro da periferia de Açailândia, MA, e divide-se em Piquiá de Cima, onde nós vivemos, e Piquiá de Baixo, onde as siderúrgicas estão instaladas nos quintais das casas.

Os habitantes de Piquiá de Baixo sofrem diariamente com a poluição proveniente destas indústrias. Com a chegada do Verão a poluição está a aumentar e todos os dias é possível ver nuvens negras a sair das chaminés sem qualquer tipo de controlo de emissões e sem qualquer tipo de fiscalização por parte do governo. É impressionante a quantidade de pó de ferro que anda no ar, e o incômodo que provoca no nosso bem estar e saúde. Nas visitas que fiz às famílias de Piquiá de Baixo, não pude ficar indiferente às histórias de vida e sofrimento vividas por esta comunidade devido à poluição e ao impacto ambiental destrutivo provocado neste que era um pequeno paraíso.

Visita Piquiá.JPG

Ao longo dos anos as lutas têm sido muitas, a população juntou-se para lutar pelo que é seu de direito, um ambiente saudável e limpo para viver e, pouco a pouco, tem feito as suas conquistas nesta luta contra gigantes por uma moradia digna. Neste momento já tem um terreno e um projeto para a construção de um novo bairro, o Piquiá da Conquista, distante do foco da poluição. Agora o maior entrave é a burocracia, mas a esperança continua viva...

Piquiá de Baixo, reassentamento já!

 

LMC Liliana Ferreira

Testemunho - Fé e Missão em Carapira

Ana Sousa_IMG_0263.JPG

Sei, à partida, que as palavras não vão fazer jus ao que eu vi, ao que eu senti, ao que eu vivi ao longo desta experiência missionária em Carapira. Mas tentarei pôr por palavras aquilo que está escrito no meu coração sobre este mês.

Chegámos a Carapira no dia 19 de Agosto, brindados por uma chuva não esperada, mas que tantas alegrias deu àquelas crianças que encontrámos pelo caminho… Banhavam-se em poças lamacentas… E esta foi a minha primeira imagem de Carapira, a percorrer aquela estrada que vai dar à Igreja, um caminho que já tinha visto em fotos e que vi e vivi ao vivo, e a cores (e molhada!). Esta é a primeira imagem que tenho de Carapira e do seu povo. E é boa! Tão boa!

 

Fomos muito bem recebidos na casa dos MCCJ com um almoço cheio de todos os mimos e que o corpo agradeceu, depois de cerca de 48h de viagens, aviões e aeroportos. Quando vi as nossas ‘instalações’, aquelas que iriam ser a nossa casa durante um mês fiquei muito feliz: espaços simples, com o necessário, e que me iriam ajudar a desprender de coisas que se calhar não eram assim tão importantes. Neste mês percebi que com o pouco podemos ter muito, que a felicidade não precisa de coisas, que a linguagem do Amor é universal!

 

Após uma reunião com o ir. Luís e a ir. Eleonora que nos fizeram algumas propostas de trabalhos para este mês, dividimos as tarefas entre todos e na 2ª feira cada um começou com os seus trabalhos. Sinto que ao longo deste mês não fiz muita coisa. Já sabia que não seria num mês que ia lá mudar o mundo. Mas não esperava sentir-me inútil tantos dias... Não que não houvesse coisas para fazer. Não que não fosse necessária. Não que não passasse o dia ocupada. Mas no final sentia-me sempre inútil. Tinha expectativas no meu coração que não sabia e vivia uma ansiedade constante, diária, sufocante. Demorei a ver que Deus me pediu para parar. Parar a azafama em que vivia para O escutar. E para estar.  Depois de algum tempo e de um dia intenso de oração na praia das Chocas, vivi a tranquilidade que precisava para desfrutar cada segundo da missão. Apesar de que o tempo em África é diferente. Apreciei o estar. Disseram-me uma vez em Carapira “We are not human doing, we are human being”  E isso fez e faz-me todo o sentido! Soube viver o estar. Estar com o outro. Estar com Deus. Estar comigo mesma. Este foi o maior ensinamento que trouxe desta experiência. E dou graças a Deus todos os dias por ter vivido este mês assim, tal e qual como o vivi. Porque foi assim que O consegui ver todos os dias, em tudo e em todos. Em Carapira aprendi a louvar a criação, aprendi a contemplar um céu que parece fogo, um mar pleno e cheio de gotas que fazem a diferença.  Cada gota faz a sua parte. E eu consegui ver isso, contemplar isso, deixei-me maravilhar! E quando o fiz, quando baixei as barreiras que tinha dentro de mim e não sabia, Deus fez a sua parte, e moldou-me; e mudou-me!

 

Ana Sousa_IMG_0230.JPG

Durante este mês apanhámos (por grande sorte nossa!) uma Deuscidência, como ouvi dizer algumas vezes) uma festa que contemplava os 150 anos do Instituto dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, os 70 anos dos mesmos, em Moçambique e os 25 anos de morte do ir Alfredo Fiorini. E haviam algumas coisas a preparar para estes festejos. Trabalhei essencialmente com a ir Eleonora nestes preparativos. Foi muito importante para mim fazer parte disto.  E quando o dia da festa chegou, eu e as outras meninas do Fé e Missão decidimos vestir a capulana comemorativa! E que alegria foi inculturar-me assim! O rosto das meninas do lar, a sorrirem de orelha a orelha e a abraçarem cada uma de nós é algo que dificilmente vou esquecer! Tornámo-nos uma delas, com o nosso pouco jeito, mas foi tão bom! E a Eucaristia do dia da festa foi qualquer coisa de inexplicável. As meninas do lar das irmãs dançaram, os seminaristas orientavam o coro, um altar decorado e cheio de padres e de combonianos, a igreja cheia de pessoas e que participaram na missa de forma tão intensa, que foram várias as vezes em que fechei os olhos e senti cada som, cada voz a ecoar dentro de mim! Consigo, hoje, fechar os olhos e reviver momentos daquela celebração! Cristo esteve ali mesmo presente, vivo, em mim e em cada um dos que ali festejavam!

 

Pedro Nascimento_DSC_0992.JPG

Neste mês vi o trabalho imenso de todos os ramos da família comboniana ali presentes: missionários, irmãs, e leigos. Vi o sonho de Comboni de salvar África com África em tantos momentos.  Vi vidas entregues em plenitude à missão e ouvi testemunhos que me deixaram com o coração em alvoroço. Senti-me em família, mesmo a milhares de km de distância de casa. Senti que faço parte. Senti e sinto que a missão faz parte de mim. E vou lutar por esse amor maior.

Antes de ir, ao longo do último ano, muitas vezes me disseram que mais importante do que aquilo que íamos dar à missão em Carapira, seria o que iriamos receber. Fazia-me sentido isso mas não o sentia verdadeiramente. Agora vejo-o e sinto-o, aconteceu verdadeiramente na minha vida: recebi muito mais do que dei! Recebi amor, recebi alegria, recebi paz, recebi sorrisos, recebi lágrimas também, recebi cânticos, recebi desgostos, recebi angústias, recebi, tranquilidade, recebi amigos, recebi abraços, recebi tantas coisas... E todas elas tão importantes! “Tu ficas eternamente responsável por aquilo que cativas!” E eu sei que a missão me cativou. Agora o resto do caminho só depende de mim...

E se há coisa que tenho a certeza e que se fixou no meu coração desde o 1º dia é que “vive-se bem em África”!

 

Ana Sousa_FullSizeRender.jpg

 Ana Sousa

(Re)Viver um sonho

Pedro 4.jpg

Pelo sonho é que vamos”, escreveu Sebastião da Gama. O sonho comanda muitas vezes a alma de uma pessoa. Consegue levar-nos a sítios que tanto desejamos e que nem sempre conseguimos alcançar de verdade. Carapira, desde 2015, que era um sonho para mim. Regressar a um sítio onde fui tão feliz, rever rostos conhecidos, pessoas que me tocaram profundamente era algo que não imaginava acontecer. Mas, com a graça de Deus, o sonho realizou-se e a alegria de viver a missão que Deus me confiou em terras moçambicanas encheu de novo o meu coração de profunda gratidão a Deus e a todos os que rezaram e trabalharam para que o sonho se tornasse realidade e pudesse ser vivido de novo.

Diferentemente de 2015, em que fui pela primeira vez a Moçambique, este ano a tarefa que Deus me confiou foi a de ser responsável por sete jovens do Grupo Fé e Missão: Ana, Filipe, Inês, Jorge, Mónica, Ruben e Sofia. A minha missão principal foi a de garantir que estes jovens teriam um mês repleto de vivências ricas e profundas com Deus, com o povo que Deus nos deu a conhecer, com eles próprios e com todos os missionários que com o seu exemplo nos viriam a ensinar a Missão. Este ano, a minha maior alegria foi sentir o coração cheio destes jovens, vê-los felizes por se entregarem sem reservas a todas as pessoas que se cruzaram connosco e a todos os trabalhos que nos foram solicitados. Sinto-me grato, uma vez mais, a Deus, pelos jovens que Ele enviou a Carapira, pela sua generosidade e bondade, pela sua alegria e entusiasmo, por tudo o que aprendi com eles e pelo tanto que deram em tão pouco tempo.

Pedro 3.jpg

 

Apesar de só chegarmos a Carapira no dia 19 de Agosto, considero que a longa viagem que fizemos foi muito importante, porque nos permitiu criar ainda mais empatia entre todos e reflectir um pouco sobre a missão. Assim, ao longo da viagem tivemos algumas catequeses sobre o voluntariado e missão, a terra sagrada que seria para nós Moçambique, o outro como “sagrado” e “mistério” e a alegria do encontro.

Muito temos a agradecer a todos os missionários que de coração aberto nos receberam e acolheram em suas casas, que abdicaram do tempo precioso em missão e pararam para estar connosco, para partilharem histórias de vida maravilhosas e para nos levarem a conhecer sítios maravilhosos. Para mim, os lugares mais lindos foram o bairro de Carapira, as comunidades que visitámos e todos os outros lugares onde tivemos oportunidade de estar com pessoas. Sem dúvida que o mais bonito da missão são as pessoas. É por causa das pessoas que Deus nos convida a partir. A missão são rostos: em primeiro lugar, o rosto de Cristo, sedento de amor por todos e, em especial, pelos mais abandonados; depois, o rosto de todas as pessoas com quem nos cruzamos e partilhamos aquilo que somos. Por vezes partilhámos apenas a nossa presença, o estar, como o fizemos com as visitas aos doentes. A verdade é que essa partilha tão simples levou alguns a dizerem aos jovens que estes foram uma bênção de Deus para eles, os doentes. E os jovens deixaram-se tocar tanto. Eu tive a graça de ir acompanhando os que pretendiam ter alguma conversa sobre o que lhes ia na alma, sobre o caminho interior que iam fazendo e digo-vos que muitas vezes fiquei de coração cheio com as partilhas, com as maravilhas que Deus ia operando no coração de cada um. Só um Deus amor é capaz de realizar as maravilhas que o nosso Deus realizou nestes jovens do Fé e Missão.

Pedro 2.jpg

No fim, despedi-me de Carapira. A despedida foi serena pois no meu coração senti a alegria de que não disse “Adeus” mas sim “Até já”. Pode até ter sido um “Adeus” a Carapira mas, no meu coração, foi um “Até já” à missão além fronteiras. Queira Deus que assim seja!

Termino com um pequeno Magnificat pessoal que escrevi desde Carapira até ao aeroporto de Nampula:

 

A minha alma glorifica ao Senhor,

Louvo e bendigo a Deus por todas as maravilhas que voltei a viver em Moçambique.

O pouco que sou e dei, o Senhor multiplicou em graças e dons

Transformados em simples gestos de entrega e partilha.

Louvado seja Deus!

A mim e a todo o grupo do Fé e Missão, o Senhor encheu o nosso coração de maravilhas,

Traduzidas num simples “Ehali”, num sorriso ou num simples olhar.

Louvado seja Deus!

Ao contemplar a beleza natural deste lindo jardim que é Moçambique,

Glorifico a Deus por todas as obras da Sua Criação,

Por tanto amor!

Perante os inúmeros sinais da presença de Deus, que vivemos e contemplámos

Só posso dizer: Deus é Grande!

E a sua grandeza manifesta-se em tudo e todos,

Incluindo em mim e na minha fragilidade!

Louvado seja Deus!

 

Pedro 1.jpg

 Pedro Nascimento

Partida da nossa LMC Maria Augusta

20427436_eYrIK.png

A nossa querida LMC partiu na sexta feira, dia 22 de setembro, de Lisboa regressando à missão na República Centro Africana. Eis a mensagem que nos deixou. 

 

Caros amigos Gracas a Deus cheguei bem. A Anna estava à minha espera juntamente com o padre Francisco, missionario mexicano, que agora se encontra na Maison Comboni. O tempo que estive em casa Blanca, cinco horas, li no livro que o Mario enviou para o padre Maurice, sobre a vida do papa Francisco. Por favor, rezem muito pelos missionarios e leigos que estao na missão!

 

Estamos sempre unidos pela oração. Um grande abraço Missionario para todos. 

Maria Augusta

A missão do outro lado do atlântico

8c3315db-834c-4667-b939-91f8972363ba-1.jpg

Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser (Santo Agostinho). 

Assim também a missão é deixarmo-nos guiar pelo espírito santo que nos acompanha e espera. 

Chegamos a este caminho com tudo o que somos e assim também partimos. Trouxemos no coração todos os que amamos e nos completam, fizeram-nos chegar até aqui e acompanhar-nos-ão a vida toda, assim dita o amor. Saímos ao amanhecer e também num amanhecer chegámos ao Peru. Conscientes da longevidade da viagem fortalecemo-nos nos abraços que apertados se deram neste longo até jáChegámos à terra à qual chamaremos casa nos anos que se aproximam. 

53fb4635-3d4f-4f5c-8398-226a862ac80b.jpg

À porta do aeroporto já nos esperavam, nos sorrisos e na alegria de finalmente nos receberem. Partilhámos o nosso nome e o nosso carisma. 

Á saída, fomos recebidas pela chuva miudinha que se fazia sentir, e neste turbilhão de sensações percorremos pela primeira vez solo peruano. O período é de puro conhecimento, despojadas de nós damos os primeiros passos junto deste povo que nos acolheu de forma tão amável. Somos nós do outro lado do atlântico vivendo a missão bem ao estilo S. Daniel Comboni. 

c7aabc83-28ff-4b80-bf85-03dec9305f53.jpg

Conhecer os Leigos Missionários Combonianos foi conhecer a nossa família LMC Peruana. Cada um deles partilhou connosco um pouco de si e do seu testemunho de vida e de fé. Pudémos conhecer também os postulantes com quem convivemos e partilhámos bons momentos. Entre conversas, bebidas, comidas e gargalhadas recebemos um pouco deles e demos um pouco de nós, alegres, na certeza de saber que todas estas vidas convergem para Deus. 

Certas de que foi e é Deus quem nos chama a esta missão. Caminhamos juntas certas que chegaremos aonde nos esperam.

7292ae8f-1303-4893-beea-450a996116d0.jpg

 

Neuza y Paula