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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

3º Encontro da FEC – Missão, Culturas e Religiões

Foi nos passados dias 11 e 12 de Março que decorreu a 3ª sessão de formação da FEC – Fundação Fé e Cooperação – subordinada ao tema Missão, Culturas e religiões. Desta vez, toda a formação decorreu na Casa dos Franciscanos Capuchinhos, em Fátima. O formador Ir. Vítor Lameiras, da Ordem Hospitaleira São João de Deus.

 

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Só somos confrontados com a nossa cultura, quando conhecemos outra.

 

O sábado começou com o tema da Inculturação, como desafio de aproximação. O orador fez um breve esclarecimento, acerca do conceito de inculturação. Afirmou que inculturação decorre da capacidade de entrarmos em diálogo com outras culturas e nunca, a imposição da nossa própria cultura. Está intimamente ligada aos valores da fé cristã, e a sua adaptação a um contexto cultural diferente. 

 

A tarde prosseguiu após um almoço partilhado, falámos sobre a Missão e culturas em Diálogo. E aqui tivemos a oportunidade de refletir sobre muitos pré-conceitos que poderão existir sobre as outras culturas e que, acima de tudo, os valores evangélicos patentes em todo o mundo e em todas as culturas, são os mesmos. Não são valores “só dos cristãos” mas sim, valores universais. E que valores evangélicos são estes? São valores que nos permitem o diálogo entre culturas: acima de tudo, o amor (“amar até ao limite de amar o inimigo e de dar a vida”), a tolerância, a humildade, o espirito, a doação, a aceitação, o sacrifício, a confiança, a fé, o ser fiável, a capacidade de escuta ativa, a abertura ao “diferente”, o desapego. Certos de que a nós compete-nos semear, não no compete colher.

 

Tendo a perfeita noção de que, a missão não existe enquanto mecanismo de fuga e a partida, essa, exige uma inteireza da nossa parte, exige um coração aberto ao novo, uma disponibilidade total da nossa alma, exige honestidade e humildade, valores enraizados no mandamento maior: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei”

 

A certeza única que nos acompanha é a certeza do amor, um amor gratuito, este é o principal valor que dará vida à missão.

 

Em seguida, vimos um vídeo sobre a experiência de missão da Catarina Lopes (da equipa da FEC) Timor-Leste. E deste vídeo, fica-nos a imagem de uma grande Missionária. Verdade seja dita: em todas as formações a Catarina nos surpreende e nos faz pensar sobre algo, sobre a sua experiência Missionária e sobre os frutos que nela foram produzidos. Do vídeo ficaram-nos algumas frases que escrevia no seu diário de bordo durante a missão lá e que partilhou connosco:

 

"Aqui (em Timor Leste) chora-se a morte porque se celebra a Vida."

"Compete-nos semear. Não nos compete colher."

"Achei que ia salvar o Mundo (...). Descobri que o Mundo me salvou a mim."

 

E após este vídeo emocionante, mãos à obra: prosseguimos com uma atividade prática de "Tu a tu". Ou seja: o irmão Vítor lançou o desafio de falarmos um par sobre os nossos valores através das mãos. E aqui se desenrolou uma atividade interessante de conhecimento do outro e da sua forma de se dar a conhecer através das mãos. O que, acima de tudo, requer uma atitude de escuta ativa e de "não julgamento" do outro. No fim, cada um transmitiu ao grupo aquilo que o outro lhe tinha falado de si quer com palavras, quer com as mãos. Concluímos que as mãos e o modo como elas se relacionam com o mundo falam muito de nós e que é necessário olhar o outro sem preconceito. Um olhar que, certamente, é necessário quando estamos em relação entre culturas, em inculturação, envolvidos, dentro da outra cultura.

 

E mais uma atividade prática nos foi proposta pelo irmão Vítor em grupos em que havia um grupo (que encarnou uma população portuguesa específica) com necessidades específicas e um outro grupo de missionários. O objetivo era que o grupo com necessidades informasse o grupo de missionários quais as necessidades que tinham e que, desta forma, o grupo de missionários primeiro identificasse quais as capacidades/valências/dons que tinha, de que forma poderia responder às necessidades solicitadas, quais as características da população em causa (ritmo de vida, cultura, tradição, costumes, escolaridade, etc.) e, em segunda instância, em conjunto com o outro grupo concretizasse um plano de ação/missão com objetivos, metodologia e tempo. Desta atividade sortiram várias conclusões, nomeadamente: a existência de uma dificuldade de comunicação entre grupos e intra grupo, a importância da atitude de humildade de saber dizer "eu não consigo".

 

Já à noite ouvimos o testemunho Missionário da Daniela Pereira da Juventude Hospitaleira, que partilhou a sua experiência de missão de um ano, em Moçambique. Uma experiência que a marcou para a vida, pelo menos era isso que reflectiam os seus olhos e a fragilidade da sua voz. O sábado terminou com a oração no Santuário de Fátima. Bem junto de Maria, houve oportunidade de refletir acerca de tudo o que ouvimos, e entregar-lhe o dia seguinte.17191397_1649721365043650_4779940407367523601_n.jp

 

O Domingo começou com trabalho de grupo à semelhança daquilo que tinha sido feito no sábado: um trabalho no qual nos foi proposto uma dinâmica na qual haviam também dois grupos – um grupo de missionários que se preparavam para missão e do qual eram selecionados 4 candidatos para partir; um outro grupo que encarnou um povo de África à sua escolha. O grupo dos “Africanos” selecionou a República Democrática do Congo, identificando como problemáticas a exploração infantil e as condições de saúde. Apresentadas as problemáticas aos missionários “candidatos”, estes apresentaram-se a si e as suas motivações/capacidades/dons. Esta foi uma dinâmica ativa que nos permitiu, entre outras, alcançar uma perspetiva das dificuldades que a formação implica, nomeadamente: a dificuldade no encontro das necessidades especificas do país uma vez que não sabemos muitas coisas especificas de outras culturas; há muitos candidatos mas nem todos podem ir: um momento difícil na formação – o aceitar-se frágil, incompleto, a caminho, incapaz e que isso não é mau. Quando perdemos a capacidade de questionar, perdemos a capacidade de viver intensamente o Dom da vida. Quem Ama, Erra.

O encontro findou da melhor forma, com a Eucaristia no Santuário de Fátima.

 

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Por: Carolina Fiúza e Neuza Francisco

Renúncia Quaresmal

É tempo de Quaresma! 
 
As cinzas lembram-nos do nada que somos face à grandeza de Deus! Contudo, este Deus que é Grande, faz-se pequeno e companheiro de jornada daqueles que sofrem. Assim, neste tempo em que nos predispomos a morrer para, em Cristo, ressuscitar na manhã de Páscoa, é um tempo favorável para nos fazermos próximos daqueles que mais sofrem.
 
Queremos lançar-vos um desafio:
Como sabeis, muitas são as necessidades do mundo. Necessidades às quais vamos, como missionários, procurando responder e, muitas vezes, esta ajuda passa por uma comparticipação monetária. De facto, muitas vezes se fala de dinheiro para a missão. 
Nesta Quaresma, propomos-nos, mais uma vez, a ajudar as mulheres do Quénia, em vista a uma maior dignificação destas num país que se vê abraços com tantas lutas internas que colocam o "ser mulher" no fundo da pirâmide social.
Como habitualmente, este não é apenas um projecto nosso. Toda a Família Comboniana, une-se numa iniciativa conjunta que visa a promoção destas mulheres, nomeadamente, através de:
  1. Curso de Educação Adulta para 90 mulheres, com sessões de duas horas, duas vezes por semana.
  2. Curso de costura para 20 mulheres, com sessões de duas horas, três vezes por semana.
  3. Formação Integrada, com uma sessão de uma hora, duas vezes por semana.
  4. Plantação anual de 12 árvores por cada membro do grupo (fazendo face às necessidades ecológicas deste planeta que é casa comum de toda a Criação)
 
O projecto chama-se "Deus escutou o clamor de ADU..." e, os detalhes do mesmo, podem ser consultados no Flayer que segue em anexo.
 
Recordamos que, todos os anos, a Família Comboniana, se une - com grande generosidade - num projecto comum. Também nós queremos, generosamente, colaborar com esta causa que nos provoca e interpela enquanto missionários e enquanto membros da Família Comboniana. Neste sentido, pedimos que a vossa renúncia quaresmal possa ser direccionada para este projecto, se possível, até ao dia 9 de Abril. 
Esta colaboração pode ser feita de duas formas:
  1. Entregue directamente à Sandra (ecónoma dos LMC) ou aos membros da Equipa Coordenadora nos nossos encontros;
  2. Pelo NIB: 0036 0131 9910 0030 1166 0 (deverá, no entanto, neste último caso, avisar-se a Sandra, por telefone, +351966592658, ou por e-mail - leigos.combonianos@gmail.com -, para sabermos de quem é a oferta e, se for caso disso, passar o respectivo recibo).
 
Juntos vivemos e fazemos a Quaresma tornar-se em anúncio vivo do Evangelho, sobretudo, através da dignificação humana e do cuidado pela nossa Terra, para uma vida abundância para todos os povos.
 

 

 

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UM RETIRO QUE NOS LEVA A SABOREAR A VIDA

O Silêncio é um dom de Deus, um dom capaz de dar muitos frutos a quem se atreve a “perder” tempo para ganhar vida de qualidade, uma vida plena que só Jesus nos pode dar. Ainda estou a saborear tudo o que escutei, meditei e senti no Retiro de Quaresma organizado pelos Leigos Missionários Combonianos e orientado pelo padre Horácio Rossas, MCCJ.

 

Conforme nos foi referido no início, este tempo de Quaresma e, de modo particular, o tempo que estivemos em retiro, é um tempo que Deus nos deu a graça de tirarmos, para “perder” tempo com Jesus. Mas, no fundo, quem quis perder tempo connosco foi o próprio Jesus. É incrível não é? Jesus quis perder tempo comigo e com todos os que se atreveram a ir ao Seu encontro. Alguém tão importante como Jesus, alguém que é Deus, não só quer sabe de mim e quer estar comigo, como é Ele quem quer perder tempo comigo!

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Fomos, pois, convidados, a reflectir sobre várias passagens bíblicas que nos foram propostas! Foi intenso! Foi emocionante! Como já tive oportunidade de referir, a vida espiritual precisa de momentos de grande silêncio exterior e de grande trabalho interior! E este retiro foi muito fértil em momentos de reflexão, em momentos de encontro pessoal com Deus e em momentos de sentirmos o Seu amor puro, de tal modo grandioso, como aquele momento em que deixou o nosso coração limpo, após o sacramento da reconciliação. 

 

Nada é por acaso e de certeza que não foi por acaso termos começado por escutar, no início do retiro, as palavras do salmo 63:

 

“Ó Deus, Tu és o meu Deus! Anseio por ti! A minha alma tem sede de ti”.

 

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Recordo-me de reflectirmos sobre a nossa insistência em querermos fazer tudo por nós próprios. Os discípulos atiraram as redes e não apanharam nada! Mas quando aparece Jesus… Ah quando aparece Jesus, tudo muda! Afinal é Ele que torna tudo possível nas nossas vidas! Que bom é compreender que todos os meus medos, todas as minhas inseguranças, todos os obstáculos podem ser ultrapassados se confiar em Deus, num Deus que é amor e que nos ama até à última gota de amor.

 

Por outro lado, fomos convidados a meditar até que ponto permitimos que Deus nos ame… O discípulo amado posso ser eu, podes ser tu! O discípulo amado é todo aquele que permite que Deus entre na Sua vida e se deixa ser por Ele amado! É que o amor de Deus é um dom gratuito! Ele não nos ama porque somos bonitos ou porque só fazemos o bem! Ele ama-nos como somos! Ama-nos com as nossas limitações! Ama-nos com os nossos erros! Sinceramente, sentir que Deus me ama, apesar de todas as minhas fragilidades e de todos os meus erros, dá-me uma alegria e uma paz interior que só podem vir de Deus…. Não devemos nunca resistir ao amor de Deus! Devemos, antes, deixarmo-nos amar assim como somos!

 

Fomos, ainda, convidados a meditar no Cristo Ressuscitado pois quem não faz a experiência de Cristo ressuscitado ainda não deu um salto na fé.

 

A fé na ressurreição dá-nos um olhar novo sobre a realidade. Passamos a olhar a vida de modo diferente!

 

Acredito, sinceramente, que este retiro me tenha ajudado muito no crescimento da minha fé! Sinto, de verdade, que me encontrei com Deus várias vezes ao longo do fim-de-semana: nas várias explicações da palavra de Deus; nas meditações pessoais; na Eucaristia; na Reconciliação; na contemplação da natureza…

 

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Terminámos o retiro com a celebração da Eucaristia dominical! Tal como a samaritana, todos dissemos a Jesus, “Senhor dá-me dessa água”. Afinal tudo é por Ele! Obrigado Jesus por nos teres convidado a passar este lindo retiro contigo! És importante para mim, és importante para nós, Leigos Missionários Combonianos! Gostamos muito de ti! Na Eucaristia dominical, assistimos ainda ao compromisso da LMC Cristina Sousa. Também ela faz parte do Plano que Comboni sonhou, também ela, é uma das mil vidas para a missão..   

 

 

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Por: Pedro Nascimento

Primeira Reunião do Comité Europeu LMC

Boa noite a todos,

 

Acabo de ter a primeira reunião do Comité Europeu LMC via Skype.

 

Foi com alegria que pude ouvir as vozes do Alberto de La Portilla (do Comité Central), do Michal Kedzior da Polónia, do Marco Piccione da Itália do Gonzalo  da Espanha e do Pe. Pedro Andrés Miue, (Provincial MCCJ encarregado pelos LMC da Europa).

 

Não pudemos contar com a presença do Isidro (que se encontrava doente) e com os LMC da Alemanha (que não puderam participar).

 

Esta primeira reunião começou com um forte sentido de pertença mas também com alguma falta de treino para o uso do Skype a seis vozes.

Depois de afinar pelo mesmo diapasão, procuramos nos organizar em pequenos serviços e estabelecer alguns propósitos concretos para a próxima reunião.

 

Prosseguiremos assim em Abril com uma avaliação do Encontro de Viseu, com a partilha da vida do Movimento nos vários países e com a discussão de alguns temas propostos na Assembleia.

 

Procurarei dar algum feedback para continuarmos a aprofundar a pertença a este Movimento lindo que é maior do que cada um de nós... porque vem de Deus.

 

Despeço-me com um abraço amigo e votos de continuação de uma Santa Quaresma,

Pedro Moreira

Maria Augusta escreve-nos de Mongoumba

Caros LMC, amigos, familiares ...

 

     Eu e a Anna estamos bem, graças a Deus. O padre Fernando começou, hoje, uma nova malária... cada quinze dias fica doente, já são três medicamentos diferentes que toma... eu penso que terá malária resistente e terá de tomar medicamento diferente, mas antes deverá fazer exames em Bangui! O padre Samuel picou-o um bicho, nao sei qual, nas costas, cresceu como um furunculo e, agora sai pus. O médico receitou-lhe um antibiotico. Também tem malaria...

 

      O padre Jesus está em Espanha, nos primeiros quinze dias acompanhou o cardeal e o Imã de Bangui que foram receber um prémio oferecido pela revista comboniana  "Mundo Negro" e ao mesmo tempo fazer animação missionária. Neste momento está com a sua família, que espero estejam bem, para que ele possa voltar na data prevista, 1 de Março de 2017.

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    A pequena Merveille voltou no dia 13 deste mês depois de dois meses de hospitalização. Fiquei impressionada pois voltou ao peso que tinha aos quatro meses 3,5kg e já pesava quase 5...Sofreu muito! Também lhe descobriram tuberculose que está a curar.. Espero que venha a recuperar depressa o peso perdido. Que o Senhor faça o que for melhor para ela. 

 

 

     A estadia da LMC Irène correu bem, ela deseja voltar para partilhar a sua vida com este povo, durante mais tempo. Aprendi muitas coisas práticas com ela relativas à saúde com medicamentos e  produtos da natureza. Gostei de estar com ela, acho que é uma verdadeira comboniana. No dia 2 de Janeiro quando era para regressar o batelão avariou-se no meio do rio e foi, rio abaixo com quatro carros, parando a dois kilómetros. Só passados três dias voltou ao seu lugar e pudemos ir buscar o carro. Irene tinha o avião dia 3 foi preciso vir um padre de Mbaiki buscá-la, ela passou o rio na piroga. Nessa noite dormiu em Mbaiki e, muito cedo, no dia 3 partiu para Bangui, conseguindo assim viajar para Kinchassa. Foi uma grande aventura!

   

Do dia 23 de Janeiro até dia 15 de Fevereiro estiveram connosco o pai e a irmã da Anna que vieram visitá- la. Foi difícil a comunicação porque só falam polaco. Com gestos e tradução da Anna lá nos fizemos compreender um pouco. Que bom seria que ouvesse uma lingua que toda a gente falasse...

   

    DSCF6632.JPGNo Mês de Janeiro enviámos para Mbaiki 5 jovens da Paróquia para fazerem formação para depois ensinarem as crianças de 3 a 5 anos (pré-primária). Se correr bem serão abertas três classes em três aldeias.

    Ontem troxe para Mbaiki 3 casais, responsáveis das capelas, com seus 8 filhos mais pequenos, deixam tudo... O Senhor os recompensará!

    

    Estamos a ajudar uma senhora pigmeia que tem um cancro do peito. Levámo-la a Bangui, ficou no hospital durante dois meses, foram feito muitos exames e por fim trouxeram-na para Mongoumba pior que partira. Todos os dias vem comer com os alunos pigmeus que vêm à escola, é feito o penso ao peito.  Damos-lhe um chá que ela diz estar a ajudá-la. Só um milagre a pode salvar, rezem por ela, por favor. Que Maria interceda por ela, junto de seu filho Jesus! 

    Já há dois meses que não saía de Mongoumba. Viajar cansa muito porque as estradas estão muito mal, cheias de buracos.

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Desejo a todos os leigos e familiares uma boa Quaresma, santa conversão.

Sempre unidos pela oração.

Um abraço Missionário.

 Maria Augusta

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma

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A PALAVRA É UM DOM. O OUTRO É UM DOM.

 

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

 

A Qusexta-feira-santa.jpgaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

 

1. O OUTRO É UM DOM

 

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

 

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

 

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruzaimages.jpg connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

 

2.O PECADO CEGA-NOS

 

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

 

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

 

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

 

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

 

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

 

3. A PALAVRA É UM DOM

 

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O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

 

 

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

 

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

 

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

 

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

 

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

 

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Vaticano, 18 de outubro – Festa do Evangelista São Lucas – de 2016.

FRANCISCO

2ª Encontro da FEC - Voluntariado e Cooperação para o Desenvolvimento

    Foi no passado fim de semana, 11 e 12 de fevereiro, que decorreu a 2ª sessão de formação da FEC – Fundação Fé e Cooperação – subordinada ao tema Voluntariado e Cooperação para o Desenvolvimento, desta vez em Fátima. Toda a formação foi levada a cabo por La Salete Coelho, Investigadora e técnica de projetos de Educação para o Desenvolvimento, membro da FEC e que, por sinal, já tem páginas de vida marcadas como professora em missões de longa duração em Moçambique e Guiné-Bissau. Uma verdadeira frescura de pessoa, muito cheia de vivacidade e energia!

   

   A formação começou com uma dinâmica em grupos que permitia a consciencialização para as desigualdades no Mundo, fazendo-nos refletir sobre os desequilíbrios que existem em termos de densidade populacional vs necessidades sociais (acesso à saúde, educação, financeiras, alimentares, etc.). Até aqui nada de novo! Esta era uma dinâmica por nós já conhecida com uma realidade retratada para a qual já estávamos sensibilizadas – tanto eu como a Cristina que participámos nesta formação.

 

    Seguiu-se alguma teoria sobre as visões de desenvolvimento e subdesenvolvimentoSem Título.jpg e conceções de Educação para o Desenvolvimento que foram sofrendo modificações ao longo dos anos. Esta viagem nos tempos foi importante para nos consciencializar de todo o caminho que foi feito até aqui, das mudanças de paradigma que foram ocorrendo ao longo dos tempos em relação à noção de desenvolvimento, ao ponto de, atualmente, o conceito de “Desenvolvimento sustentável” ser questionado como solução para alguns dos problemas do mundo; ao ponto de hoje surgirem “Teorias para alternativas ao Desenvolvimento”. E é nestas teorias que surgem conceitos como o FIB – Felicidade Interna Bruta -, um conceito interessante que vos convido a descobrir no seguinte vídeo https://www.youtube.com/watch?v=C0AKr3zvkHc. Nesta contextualização da dimensão das coisas, apercebi-me da importância da Educação para o Desenvolvimento, da tomada de consciência da realidade das diferentes culturas, da sua história e do respeito e, mais que isso, AMOR pela diferença. E a importância que sinto nesta Educação não é somente no sentido do desenvolvimento/desenvolver o mundo, mas também no sentido de ver mais além… em última instância, de me colocar na pele da pessoa da outra cultura, de a olhar como irmão, como ser humano que habita o mesmo planeta que eu e cuja missão é a mesma que a minha: a de concretizar um plano de Felicidade concedido por Deus. E aqui sinto residir a importância da Educação para a Cidadania Global, para o Desenvolvimento. A páginas tantas, La Salete falou-nos sobre o modo como África foi dividida em tempos, segundo interesses de países Europeus, esquecendo algo tão rico como a cultura de povos. Divisões a régua e esquadro. Falou do “mapa cor-de-rosa”, sinceramente, algo sobre o qual nunca tinha ouvido falar. Ignorância minha, ou não, e apesar de fazer parte do passado, sinto que foi um momento na história que ainda se encontra bastante vivo e que poderá, por ventura, justificar tantas revoltas, tanta coisa. E isto é importante – conhecer, saber disto é importante. É a história deles. É a nossa história também.

 

    E nesta história toda do Desenvolvimento, La Salete expôs a opinião de Dambisa Moyo, uma economista Zambiana que publicou o livro Dead Aid (“Ajuda morta”), apelando a que se terminem as ações de Cooperação e de Desenvolvimento com África pois estas estão a estragar o continente. Apercebo-me da polémica social que é c2.jpgriada em redor deste tema e o quanto de verdade podem ter as palavras da economista. E aqui reforço, sublinho, a importância que La Salete atribuiu ao DAR VOZ quando se contacta com outras culturas: nem a perspetiva neste contacto se deve reduzir a questões de desenvolvimento, nem a mentalidade deve residir no “ajudar o outro”. Tudo muda se a perspetiva for a de PARTILHAR A VIDA, com tudo o que isso envolve: seja na escuta da cultura em questão, no conhecimento da história e raízes da mesma, seja no dar o conhecimento sobre a nossa forma de viver em Cristo (que não é melhor, nem pior que a deles – é somente a nossa forma de viver).

 

“Partilhar “mundos”, imergir numa cultura, sem preconceitos; ter tempo, investigar e voltar a ter tempo para estar com o “outro”, é o que permite dialogar em paridade, mas sem falsos inculturamentos fast food. (…) Uma boa intervenção é feita com “os do território”, sem actores individuais ou institucionais. E nós? Levamos o que mais temos – dúvidas! O que já é muito bom!” 

Miguel Filipe Silva, in Orelhas Equipadas com Radar, coordenador Executivo da ONGd de Estudos Africanos da UP

 

    Ao fim da tarde do dia 11 tivemos a oportunidade de ver o filme “Shooting Dogs”, um filme que retrata o genocídio em 1994, em Ruanda, e os conflitos entre tutsis e hutus. E após o filme houve um espaço para discussão e partilha sobre o mesmo, sobre cada uma das personagens e o retrato que cada uma delas dá das diferentes pessoas envolvidas – ONU, militares, Igreja, Governo. E sim, vale mesmo a pena ver o filme!

 

    Durante a formação tivemos ainda o testemunho de Adriana Rente que aos 60 anos partiu em missão em Timor Leste por 2 meses com a Associação por Timor.

 

    A formação terminou com a abordagem ao Ciclo do projeto, às fases inerentes à construção do mesmo. E deparo-me com uma quantidade de etapas e etapazinhas, burocracias e papeladas, análises e planificações que, efetivamente, na construção de um projeto, serão fundamentais. Contudo, sinto terem o risco de caírem por terra se, como marca d’água, não existir algo maior. E de facto, mais uma vez emerge o meu sentimento de que esta marca d’água a encontro aqui, no seio da nossa família Comboniana. Terminada a formação, é de brilho nos olhos que enxergo a família Comboniana com uma realidade um tanto ou quanto diferente (e, claro, sou suspeita a afirmar isto): talvez para nós seja importante também o desenvolvimento e projetos concretos… mas o foco está num PROJETO MAIOR, num PLANO DE DEUS, num sonho de SÃO DANIEL COMBONI, o de partilhar a vida, o de acolher cada pessoa que surge no nosso caminho de missão, o de SALVAR ÁFRICA COM ÁFRICA.

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Por: Carolina Fiúza

Seminário sobre tráfico de seres humanos

   

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    A Comissão de Apoio às Vitimas de Tráfico de Pessoas (CAVITP) promoveu entre 17 e 19 de fevereiro, em Lisboa, um seminário dedicado ao tráfico de pessoas com o tema São Crianças, Não Escravos, o mesmo escolhido para o Dia Internacional de Oração pelas vítimas do tráfico humano que foi no dia 8 de fevereiro, dia de Santa Josefina Bakhita, e que se focou no tráfico de crianças meninos/meninas e adolescentes.

 

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    As facilitadoras do Seminário foram a Irmã Comboniana Gabriella Bottani, coordenadora da Talitha Kum, rede internacional da vida consagrada contra o tráfico de pessoas que tem lutado contra o tráfico humano, em colaboração com várias outras organizações, e a Dra. Cláudia Pedra, investigadora da NSIS (Netwok of Strategic and International Studies), que nos deram uma visão global e nacional deste flagelo.

 

 

    O Papa diz-nos que “uma das feridas abertas mais dolorosas (no mundo) é o tráfico de seres humanos, uma forma moderna de escravidão, que viola a dignidade, dom de Deus, em tantos dos nossos irmãos e irmãs e constitui um verdadeiro crime contra a humanidade.” O que é bastante preocupante ao olharmos para os milhões de pessoas pobres e vulneráveis em todo o mundo que são traficadas e sistematicamente manipuladas.

 

    As vítimas de tráfico humano estão expostas à exploração sexual, à servidão doméstica, ao casamento forçado, à adoção ilegal (venda de crianças), ao trabalho forçado, ao tráfico de órgãos, às práticas criminosas (crianças soldado, tráfico de droga) e à mendicância, enquanto estão sendo profundamente feridas no corpo e na mente.

 

    No nosso país, o tráfico assume inúmeras nuances, sendo as mais conhecidas para exploração laboral e sexual e ainda para mendicância e pequenos crimes. Neste último caso, muita vezes as próprias vítimas do tráfico são tidas como criminosas. Por isso é frequente encontrar vítimas de tráfico nas prisões, que se remetem ao silêncio por se sentirem ameaçadas, preferindo estrar presas a sofrer represálias dos traficante. Além disso, há uma total incapacidade de perceber/identificar este crime por parte das autoridades, o que o leva a ser tratado como se não existisse.

 

    As estatísticas oficiais tanto a nível nacional como internacional mascaram os casos reais do tráfico de pessoas. Em Portugal, as estatísticas oficiais (2015) são de 193 casos sinalizados, enquanto que um investigador policial deu uma declaração pública onde comentou os dados do seu relatório referindo cerca de 600 casos. Algo se passa ao nível dos serviços públicos, pois os relatórios não mostram o mesmo número de pessoas traficadas. Haverá gente a ganhar com esta situação? O que se pode constatar é que não há um real interesse para combater este crime.

 

    Em Portugal o tráfico de pessoas ainda é tabu, é urgente sensibilizar a população para o perigo para esta realidade. Neste momento, apesar de as Filipinas ter um elevado número de casos de tráfico de seres humanos, um jovem português de 15 anos corre um maior perigo de ser traficado do que um filipino, por não conhecer os riscos a que está sujeito.

 

    As crianças, meninos/meninas e adolescentes estão mais vulneráveis a este tipo de crime. Tendo em conta que quanto mais cedo uma pessoa é “recrutada”, mais anos é explorada e maior é o lucro para os traficantes. No centro de todo este processo está o dinheiro, por isso a impunidade deste crime, muitas vezes envolto em corrupção, o que mostra que a vida humana não têm mais valor e que o modelo de sociedade que se vive hoje está  levar à destruição. O que levanta a questão: o que está a acontecer na relação entre adultos e crianças que leva à exploração de crianças e adolescentes? Como sociedade civil temos de nos questionar e procurar caminhos de modo a resgatar valores. O desafio é colaborar juntos.

 

    Este tipo de flagelo está presente em toda a parte, quer tenhamos 20170218_124912.jpgconsciência disso ou não, e em escala muito superior àquela que nos é dada pelas estatísticas oficiais. É necessário agir e agir rápido. É necessário estar atento a esta realidade tão próxima, a indiferença não é solução, se retirarmos o irmão da nossa vida, destruimo-nos a nós próprios. A conversão individual e o trabalho em rede é fundamental para combater este crime, prova disso é o trabalho realizado pela rede internacional Talitha Kum no combate ao tráfico de pessoas. Em Portugal também precisamos unir esforços, dar a conhecer os trabalhos realizados individualmente por cada instituição e assim fortalecer uma rede de trabalho e informação de modo a termos mais ferramentas nesta luta.

 

    Já o Papa Francisco nos diz «O tráfico de pessoas é um crime contra a humanidade. Devemos unir esforços no sentido de libertar as vítimas e de deter este crime cada vez mais agressivo, que ameaça não só as pessoas como também os valores fundamentais da sociedade...» 

 

O primeiro passo é falar sobre o tema...

“COMUNIDADE: Desafio e Oportunidade”

 

Jesus subiu depois a um monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele. Estabeleceu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios. Estabeleceu estes doze: Simão, ao qual pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, isto é, filhos do trovão; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que o entregou.

Mc 3, 13-19

 

    Foi sob o tema “Comunidade: desafio e oportunidade” que nos reunimos no 6º Encontro Formativo deste ano que decorreu no fim-de-semana 17-19 de fevereiro na Casa dos MCCJ de Viseu, onde sempre nos acolhem de portas e coração abertos. Deixo aqui um pequeno e subjetivo resumo, com as minhas impressões pessoais.

    O Encontro foi orientado pelos LMC da Comunidade De Vida do Porto - Carlos Barros, Susana Vilas Boas, Sandra Fagundes e Franquelim Lopes. Ainda não tínhamos tido um Encontro que tanto2.jpg nos aproximasse da realidade da comunidade em missão, quer na sua dimensão espiritual missionária e de relação com Cristo, quer nos aspetos mais práticos do dia-a-dia. Foi, por isso, um encontro muito importante na nossa caminhada e discernimento missionário.

    A reflexão sobre a Palavra de Deus, a partir de alguns trechos dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos, conduz-nos à escolha que Jesus fez dos Doze: os que Ele quis (não necessariamente perfeitos), para estar com Ele, para dar testemunho. Cada um pelo seu nome.

 

E nós, aqui e agora?

 

Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações (…). Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo (…)

 Act 2, 42-47

 

   Da comunidade dos primeiros discípulos para a comunidade dos leigos missionários hoje, somos levados a refletir, cada um a sós, depois a partilhar em grupo:

- Qual a minha definição de comunidade?

- Que significa viver em comunidade?

   O nosso Diretório, referencial importante em que quase tudo está previsto, é também passado em revista. Em particular, refletimos sobre todos os aspetos que dizem respeito à vida em comunidade, em especial o título IV “Os LMC Além-Fronteiras” e o título III “Comunidades de Vida”. Para não citar aqui os seus conteúdos (que qualquer um de nós tem disponível para consultar sempre que queira), refiro apenas algumas frases que foram ditas e que retive:

- o projeto não é pessoal, é de Deus

- comunidade como lugar do perdão, da alegria e da festa

- passagem do “eu” ao “nós”

- rezar o problema em grupo e depois resolvê-lo

- comunidade é viver para servir

- a comunidade na missão é uma referência para o resto da nossa vida

- não existe a Comunidade perfeita

- Diálogo constante!

    A Comunidade é também fonte de problemas e conflitos, não o podemos omitir nem descurar. Através de vários exercícios e dinâmicas de grupo (como o “Bunker”) refletimos sobre as dificuldades da vida em comunidade e da tomada de decisão em comunidade, as quais são sempre superadas se usarmos o diálogo aberto e fraterno, mediado pela presença do amor de Cristo em cada um de nós.

    Foi também desenvolvido o tema “A Missão”, na perspetiva da organização da comunidade de leigos que partilha o mesmo espaço, em especial: a oração, a casa, as tarefas domésticas, a Carta da Comunidade, a economia. Parecem coisas demasiado básicas mas são essenciais para que a missão corra bem e possamos dar verdadeiro testemunho cristão. 

    Houve ainda tempo para, no serão de sábado, fazermos um primeiro levantamento de ideias e temas a propor à Assembleia Internacional dos LMC a realizar em 2018.

E para assistirmos ao filme “Dos Deuses e dos Homens”.

    Realço por fim, e por ser o mais importante, aquilo que constitui a seiva que alimenta a Comunidade e a Missão, ou o fermento que as faz crescer: os momentos de oração e de celebração eucarística que partilhámos em comunidade, em mais este Encontro de aprofundamento da espiritualidade missionária sob o carisma de S. Daniel Comboni.

 

Demos Graças a Deus!

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Por: Mário Breda

Viva os Noivos

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo  suporta.

1 Coríntios 13:4-7

 

 

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É com muita alegria que desejamos as maiores felicidades aos LMC's Liliana e Flávio! Que a vossa união seja abençoada por Deus e se torne fecunda no testemunho cristão e missionário.