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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

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Aprender a Acolher

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“Aqueles que passam por nós,

não vão sós, não nos deixam sós.

Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

Antoine de Saint-Exupéry

 

Portugal, ao longo da sua história sempre soube manter um contato com o mundo e uma generosa abertura a outras gentes. Caraterística essa, que nos vem, seguramente, da época dos descobrimentos, talvez, por isso, estejamos espalhados pelos cinco continentes, numa caminhada como eternos marinheiros.

 

Navegámos em muitos mares, passámos e vencemos várias tempestades, com isso, aprendemos não só a olhar, mas, principalmente, a sentir e a ver o mundo com outros olhos.

Aprendemos a partir, com medo e sem medo, à aventura, ao desconhecido, e, hoje, embora num contexto diferente, continuamos a partir com alguma esperança.

 

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Mas, se aprendemos a partir, aprendemos igualmente a acolher os que, como nós, pelas mais variadas razões, sentiram, um dia, a necessidade de deixarem os seus países. Somos um país de emigrantes e de imigrantes, cada vez mais, vivemos numa sociedade multicultural, num país que também deverá ser intercultural.

 

Claro que, com o nascimento de uma sociedade multicultural, deparamo-nos com hábitos diferentes dos nossos, tradições diversificadas, línguas desconhecidas, contudo, passámos a poder viver e a experimentar um universo novo.

 

“… a diversidade ajuda o nosso crescimento

e o nosso enriquecimento.”

 

Perante este novo universo, é preciso ter em atenção que esta realidade não nos deverá causar medo ou apreensão, antes, permitir perceber que, todos temos a ganhar com esta troca de conhecimentos a vários níveis (cultural, social, religioso, económico, etc…), pois a diversidade ajuda o nosso crescimento e o nosso enriquecimento.

 

Neste mundo globalizado, será importante, ainda, compreender que, cada vez mais, não podemos continuar seres isolados; mas, sim, perceber que “somos seres para o outro e com os outros”. Todos sabemos e conhecemos a dificuldade, principalmente dos meios mais pequenos em se abrirem, em resistirem ao desconhecido, ao diferente, ao considerado fora do habitual.

 

Assim, pergunto como vêem, a cidade de Portalegre e as várias Instituições, apesar do jeito hospitaleiro dos alentejanos, estas pessoas que, dos mais variados países aqui têm chegado? Que medos/receios, desconfianças causam aos habitantes e a essas Instituições? Que comentários lhes merecem, por vezes os passos destas pessoas pelas ruas da cidade?

 

Mas, se, a pouco e pouco, se foram habituando aos imigrantes com que, no dia a dia se vão cruzando, como irá Portalegre continuar a acolher e a conviver com os Refugiados? Como os irá, realmente, acolher? Contarão apenas para os dados estatísticos, ou, alguém terá a disponibilidade de os considerar gente, descobrir que têm nome, têm família e são pessoas, logo, merecem ser tratadas como tal? Que desafios se propõem para cultivar e, desenvolver a diversidade cultural em Portalegre; permaneceremos monoculturais ou empenhar-nos-emos na construção de uma sociedade multicultural? E como trabalhar/criar esta diversidade cultural?

 

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Se me permitem, apenas algumas sugestões: 

  • Aprender a Acolher (com profissionalismo mas com coração);
  • Descobrir que todos são pessoas (têm nome, têm família);
  • Respeitar as diferenças (culturais, religiosas, etc…)
  • Não julgar ou emitir opiniões sobre o que não sabemos bem ou desconhecemos;
  • Não se colocar sempre no degrau acima como “técnico”;
  • Estar disponível a escutar;
  • Não substimar ninguém;
  • Gerar confiança;
  • Partilhar conhecimentos/informações;
  • Por-se sempre no lugar do Outro.

 

Só vemos e temos a verdadeira noção das coisas,

quando calçamos os sapatos dos refugiados

e damos o primeiro passo para entender a sua situação.

 

Poderão, até, não serem estas, as chaves para o “sucesso”, mas ajudarão, seguramente, a ter uma maior sensibilidade e consciência na forma como cuidar melhor, da situação de fragilidade dos que, pelos mais variados motivos, como referido, anteriormente, estão longe do país, da família, das suas raízes. Como sabemos, trata-se, evidentemente, de um trabalho difícil, mas não impossível.

 

No caminho a percorrer, será fundamental o empenhamento e o envolvimento de todos e deverá passar forçosa e urgentemente, por uma aprendizagem individual, cuidada e permanente. Contudo, convem sublinhar, ainda, que as ações desenvolvidas ou a desenvolver, devem ter sempre, como principal objetivo, contribuirem, para a promoção da dignidade humana dessas pessoas.

 

Muitas vezes na vida e esta nova realidade a que poderemos chamar de Refugidos, não foge à regra, só vemos e temos a verdadeira noção das coisas, quando, como alguém, um dia, escreveu: “vamos calçar os sapatos dos refugiados e dar o primeiro passo para entender a sua situação.”

 

Por: Rufina Garcia