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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Ecos do Encontro de Formação de Janeiro 2015

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Na sexta-feira dia 16 chegámos a Viseu onde, depois de uma grande viagem, fomos acolhidos e muito bem acolhidos numa casinha quentinha.

No sábado começamos bem cedinho com a nossa missa às 8.30 e depois conhecemos a Liliane que, segundo ela, veio para nos fazer sofrer (”Hum! O que será que vem dali?”, perguntávamos). Começamos por nos apresentar de uma forma diferente. Perguntas diferentes para as quais tínhamos 5 minutos para responder, e que eu respondi muito confiante.

 

"Senti que na minha vida esteve sempre presente Deus."

 

De seguida construímos a espiral da nossa vida, tudo o que de bom e de menos bom vivemos faz de nós quem nós somos hoje. Ao fazer a espiral senti que na minha vida esteve sempre presente Deus, quer nos bons momentos em que tudo é azul e cor-de-rosa, quer nos momentos menos bons que não podemos dizer que são maus: conseguimos perceber, se olharmos um pouco mais à frente na nossa vida, que todos eles fizeram sentido pois foram também peças do puzzle da vida, tendo a mesma importância que os momentos bons, permitindo-me estar hoje aqui.

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Cada espiral era diferente da outra, cada um de nós viveu a sua vida em espiral que desenhou e pintou. Deus esteve sempre presente, em cada vida, cada dia. Cada nascer do Sol foi planeado e foi-nos dado por Deus com muito amor, tantos dias, tantas coisas que passamos, tão diferentes, tão boas e outras tão menos boas, e naquele momento passámo-las para o papel. Foi um recordar de todos os presentes que Deus nos deu, como alguém dizia, “o momento presente é tão importante e nos é dado com tanto amor por isso é que se chama “presente” e vem de Deus”. Já nos foi dado tantas vezes, vivemo-lo sempre de forma diferente e mesmo hoje, mesmo agora, estamos a vivê-lo e devemos aproveita-lo para que, daqui a uns anos, quando estivermos a fazer novamente a nossa espiral que será maior, seja cheia de momentos que, vividos com mais ou menos alegria, tenham sido

verdadeiramente sentidos.

 

Depois de um agradável almoço, voltámos. E se a construção da nossa espiral foi um momento de reflexão complexo, a tarde incluiu momentos de reflexão tão ou mais complexos, tornando vivas as palavras da Liliane (“Eu vim para vos fazer sofrer”). “A Roda da Vida, avalia as facetas da tua vida e procura aperfeiçoa-las: Qualidade de Vida, Pessoal, Profissional, Relacionamentos”. Ao preencher a minha roda da vida percebi que determinados aspectos, que tinha como certos na apresentação inicial afinal, não eram assim tão certos. Senti mesmo que foi uma reflexão difícil, mas importante. Muitas vezes não sei em que mudar, como ser mais feliz, como posso fazer os outros mais felizes. Há dias (poucos) que quando me deito sinto-me super feliz, sinto-me realizado, sinto que fiz a minha parte naquele dia. Outros (muitos) são aqueles em que não o sinto, e não sei o que mudar. Esta reflexão ajudou-me a perceber, nos vários aspectos da minha vida, aquilo em que posso melhorar: aspectos em que não imaginava que pudesse haver melhorias, afinal há!

 

Reflectir sobre o futuro

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Tive também oportunidade de reflectir um pouco sobre o futuro. Não é coisa que costumo fazer porque gosto muito de viver dia-a-dia e não gosto muito de pensar no futuro porque acho que é complicar demasiado a vida. Mas sinto que foi importante pensar no futuro, o que serei um dia depende do que faço hoje e o que farei todos os dias até lá. Portanto, tenho de pensar o que quero ser, o que quero fazer, que objectivos quero alcançar e, por isso, é importante definir metas. Cheguei à conclusão que pensar no futuro é essencial para não andarmos ao sabor do vento: o que faço hoje, agora, neste momento, constrói o que quero ser o que quero ter um dia? Se sim, óptimo; se não, então devo pensar se é realmente útil.

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No nosso serão tivemos o prazer de poder ouvir a irmã Carmo e o seu testemunho. Que vida, que coragem! Fica a célebre frase “Carmo não te admires”! Realmente dentro do nosso mundo existem vários mundos e tão incrivelmente diferentes!

 No nosso último dia falámos sobre a família. A minha família é muito mais que as pessoas que me rodeiam: a minha família é história, é um passado, é uma construção única. A minha família é o meu berço, sou muito do que aprendo com a nossa família. Apercebi-me fortemente da importância da minha família, principalmente do meu pai e da minha mãe: são muito mais que as pessoas com quem vivo ou que me dão comida, roupa e tecto. O meu pai e a minha mãe são história, são duas vidas que se cruzaram a certo ponto e desde aí construíram uma nova vida. É através dessa construção de vida conjunta entre Pai, Mãe e Deus que eu nasci. “Obrigado Papá por escolheres a Mamã para construíres a tua vida! Obrigado Mamã por escolheres o Papá para construíres a tua vida! Com todo o vosso passado, com toda a vossa infância e crescimento, com todas as vossas experiências, com todas as vossas memórias, com tudo o que era diferente até ali, construíram uma família, construíram um lar grandioso, único, no qual eu nasci e do qual tantas vezes me esqueço de valorizar e agradecer. Obrigado meu Deus pela minha vida, pelos meus pais, pela nossa família, obrigado.” 

Obrigado Liliane por neste encontro nos fazeres sofrer pois aprendi uma coisa que para mim é agora uma certeza:

 

"Há certas realidades que só se vêm bem com os olhos limpos pelas lágrimas!"

Papa Francisco

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Por: Flávio Soares