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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Obrigada Pe. Aurélio!

 

PADRE_~1

 

 

Acarinhou-os, mimou-os e ensinou-lhes a rezar!

Bem haja padre Aurélio!

 

A Elisa é uma jovem de 16 anos, aproximadamente, que ainda gosta de se divertir como os mais pequenos. No momento o divertimento das crianças Aka no interior da floresta é montarem sobre os troncos das árvores que são arrastados pelas máquinas da serração, mas os troncos não são estáveis, rolam e a Elisa teve o azar de ficar com um pé esmagado debaixo do tronco em que se fazia transportar.

 

1-Elisa com o pai

 

Tive conhecimento do acidente logo no primeiro dia, quando vieram à missão pedir os medicamentos, mas não tive noção da gravidade, fiquei com a ideia que era uma ferida simples. No segundo dia quando apresentaram nova receita fiquei alerta, mas ainda não ao ponto de procurar saber mais. Dois dias mais tarde quando fui visitar a doente e pedi para ver a ferida constatei que era preciso amputar, pelo menos os dedos do pé, o que não é possível fazer em Mongoumba só em Bangui. Como o chefe do Centro de Saúde era da mesma opinião, ficou acordado que ele falaria com a família sobre a necessidade de transferir a jovem para um hospital da capital. E passaram mais dois dias!

 

Uma semana após o acidente, no nosso carro “todo o serviço”  a Elisa chega a Bangui, referenciada ao hospital Comunitário, onde nos dirigimos e onde nos dizem que não recebem jovens de 16 anos que devemos ir ao Pediátrico...

 

2-Elisa em Bangui

 

E lá vamos nós... No Pediátrico o chefe de equipa, um cirurgião italiano da ONG Emergency, começa por dizer que lamenta, mas só recebem até aos 15 anos. Já me via de novo a regressar ao Comunitário quando ele me diz, em português, que apesar de terem o serviço cheio era fácil  inscrever a Elisa com a idade de 15 anos. Que sorte, alguém lhe havia dito que eu era portuguesa.

 

3-Elisa  hospital

 

No dia seguinte a jovem foi operada tendo perdido apenas metade do pé, menos grave do que o médico pensava. Eu tinha de regressar a Mongoumba, a tomar conta da Elisa ia ficar o pai, mas precisava de alguém que os fosse visitar, saber a evolução e dar apoio, não todos os dias, mas algumas vezes por semana. Em casa, falei com o padre Aurélio que logo se disponibilizou para o fazer e fez muito mais do que lhe pedi! No hospital visitou-os todos os dias e quando tiveram de sair (a Elisa ficou 3 semanas a ser seguida em ambulatório) foi ele quem procurou um sitio onde ficassem alojados e foi ele quem levou a Elisa ao hospital para fazer o penso. Acarinhou-os, mimou-os e ensinou-lhes a rezar! Bem haja padre Aurélio!

 

De regresso a Mongoumba e em breve ao seu acampamento, esperemos que a Elisa seja um exemplo para que outras crianças não sofram acidentes semelhantes ou mais graves.  

 

Desde a RCA com o Projeto Zo Kwe ZO

Um abraço

 

Por: Élia Gomes, LMC na Républica Centro Africana