Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Seminário sobre tráfico de seres humanos

   

cavitp.jpg

 

    A Comissão de Apoio às Vitimas de Tráfico de Pessoas (CAVITP) promoveu entre 17 e 19 de fevereiro, em Lisboa, um seminário dedicado ao tráfico de pessoas com o tema São Crianças, Não Escravos, o mesmo escolhido para o Dia Internacional de Oração pelas vítimas do tráfico humano que foi no dia 8 de fevereiro, dia de Santa Josefina Bakhita, e que se focou no tráfico de crianças meninos/meninas e adolescentes.

 

20170218_124844.jpg

    As facilitadoras do Seminário foram a Irmã Comboniana Gabriella Bottani, coordenadora da Talitha Kum, rede internacional da vida consagrada contra o tráfico de pessoas que tem lutado contra o tráfico humano, em colaboração com várias outras organizações, e a Dra. Cláudia Pedra, investigadora da NSIS (Netwok of Strategic and International Studies), que nos deram uma visão global e nacional deste flagelo.

 

 

    O Papa diz-nos que “uma das feridas abertas mais dolorosas (no mundo) é o tráfico de seres humanos, uma forma moderna de escravidão, que viola a dignidade, dom de Deus, em tantos dos nossos irmãos e irmãs e constitui um verdadeiro crime contra a humanidade.” O que é bastante preocupante ao olharmos para os milhões de pessoas pobres e vulneráveis em todo o mundo que são traficadas e sistematicamente manipuladas.

 

    As vítimas de tráfico humano estão expostas à exploração sexual, à servidão doméstica, ao casamento forçado, à adoção ilegal (venda de crianças), ao trabalho forçado, ao tráfico de órgãos, às práticas criminosas (crianças soldado, tráfico de droga) e à mendicância, enquanto estão sendo profundamente feridas no corpo e na mente.

 

    No nosso país, o tráfico assume inúmeras nuances, sendo as mais conhecidas para exploração laboral e sexual e ainda para mendicância e pequenos crimes. Neste último caso, muita vezes as próprias vítimas do tráfico são tidas como criminosas. Por isso é frequente encontrar vítimas de tráfico nas prisões, que se remetem ao silêncio por se sentirem ameaçadas, preferindo estrar presas a sofrer represálias dos traficante. Além disso, há uma total incapacidade de perceber/identificar este crime por parte das autoridades, o que o leva a ser tratado como se não existisse.

 

    As estatísticas oficiais tanto a nível nacional como internacional mascaram os casos reais do tráfico de pessoas. Em Portugal, as estatísticas oficiais (2015) são de 193 casos sinalizados, enquanto que um investigador policial deu uma declaração pública onde comentou os dados do seu relatório referindo cerca de 600 casos. Algo se passa ao nível dos serviços públicos, pois os relatórios não mostram o mesmo número de pessoas traficadas. Haverá gente a ganhar com esta situação? O que se pode constatar é que não há um real interesse para combater este crime.

 

    Em Portugal o tráfico de pessoas ainda é tabu, é urgente sensibilizar a população para o perigo para esta realidade. Neste momento, apesar de as Filipinas ter um elevado número de casos de tráfico de seres humanos, um jovem português de 15 anos corre um maior perigo de ser traficado do que um filipino, por não conhecer os riscos a que está sujeito.

 

    As crianças, meninos/meninas e adolescentes estão mais vulneráveis a este tipo de crime. Tendo em conta que quanto mais cedo uma pessoa é “recrutada”, mais anos é explorada e maior é o lucro para os traficantes. No centro de todo este processo está o dinheiro, por isso a impunidade deste crime, muitas vezes envolto em corrupção, o que mostra que a vida humana não têm mais valor e que o modelo de sociedade que se vive hoje está  levar à destruição. O que levanta a questão: o que está a acontecer na relação entre adultos e crianças que leva à exploração de crianças e adolescentes? Como sociedade civil temos de nos questionar e procurar caminhos de modo a resgatar valores. O desafio é colaborar juntos.

 

    Este tipo de flagelo está presente em toda a parte, quer tenhamos 20170218_124912.jpgconsciência disso ou não, e em escala muito superior àquela que nos é dada pelas estatísticas oficiais. É necessário agir e agir rápido. É necessário estar atento a esta realidade tão próxima, a indiferença não é solução, se retirarmos o irmão da nossa vida, destruimo-nos a nós próprios. A conversão individual e o trabalho em rede é fundamental para combater este crime, prova disso é o trabalho realizado pela rede internacional Talitha Kum no combate ao tráfico de pessoas. Em Portugal também precisamos unir esforços, dar a conhecer os trabalhos realizados individualmente por cada instituição e assim fortalecer uma rede de trabalho e informação de modo a termos mais ferramentas nesta luta.

 

    Já o Papa Francisco nos diz «O tráfico de pessoas é um crime contra a humanidade. Devemos unir esforços no sentido de libertar as vítimas e de deter este crime cada vez mais agressivo, que ameaça não só as pessoas como também os valores fundamentais da sociedade...» 

 

O primeiro passo é falar sobre o tema...