Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

“Só se é Missionário se formos eternamente apaixonados pela vida.”

     Findo o 1º encontro da FEC (Fundação Fé e Cooperação) que decorreu este fim de semana na Casa da Saúde do Telhal, regresso a casa e paro um pouco para arrumar as ideias e os sentimentos que brotaram neste fim de semana, dias 14 e 15 de Janeiro.

 

“Sou Cristão não para ser salvo mas para ter a consciência da graça que tenho por ser amado por Deus. E aí sou salvo: quando tenho a consciência, quando sei e sinto que Deus me ama imensamente, quando deixa de ser místico-gasoso dizer que “Deus é amor” e quando isso passa a ser pleno, concreto na minha vida quando, por exemplo, quero e faço por querer o bem do e para o outro.”

 

15940696_1582965538385900_7073006904890897755_n.jp

     Em primeiro lugar, partilhar que o local do encontro é um lugar privilegiado, especial. A Casa da Saúde do Telhal, uma das unidades de saúde pertencentes à Ordem Hospitaleira de São João de Deus e, desta forma, ao Instituto São João de Deus, é um Centro Assistencial na área da Psiquiatria, Saúde Mental e Reabilitação Psicossocial que presta os mais variados serviços (médicos, enfermagem, psicologia, serviço social, terapia ocupacional, reabilitação, inserção social, formação, etc.) aos seus cerca de 470 utentes internados sempre com o olhar e carisma de São João de Deus. E neste sentido, o início do nosso encontro foi marcado pelo tomar conhecimento do local onde nos encontrávamos e toda a realidade subjacente ao mesmo, através do irmão Paulo Irineu, Superior da Comunidade dos Irmãos. A sua partilha foi uma dádiva e o seu rosto transparecia a paixão com que se dedicava a esta causa, a estas pessoas que, atropeladas por uma demência vivem a vida de uma forma digna. Estando nós ali, naquele meio, éramos com frequência interpelados pelos utentes da casa… e que proximidade se alcançava ali com eles. Fácil era o abraço que cada um pedia e que, de forma espontânea era trocado. Difícil era perceber o que lhes ia na mente.

 

O encontro f15977317_1582965415052579_5502143879171189918_n.jpormativo decorreu, tendo como tema central “Voluntariado Missionário e Espiritualidade”. Fomos brindados com um formador brilhante, Juan Ambrósio, Teólogo e Professor na Universidade Católica Portuguesa. Do que nos falou? Muito sucintamente sobre as “coordenadas para um caminho a partir da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium”, transmitindo-nos alguns “apontamentos para uma reflexão a partir” desta mesma Exortação e a partir da Bula Misericordiae Vultus e da Carta Apostólica Misericordia et Misera. Procurou expor o projeto do Papa Francisco para a Igreja atual, fazendo alusão aos textos por ele produzidos, enquadrando a importância do “ser missionário/cristão”, identidades indissociáveis.

 

     As ideias transmitidas e fundamentadas pelo Prof. Juan Ambrósio não foram, de certo modo, novas… no meu íntimo, já residiam e já tinha a consciência delas. Porém, ouvi-lo com todo o seu fulgor e perceber a intensidade de cada palavra do papa Francisco, deixa-me tremendamente apaixonada pelo “estilo de vida” que me foi proposto desde que nasci e que aceitei, acolhi e adotei – o ser cristã.

 

Diversos temas foram abordados, tendo como pano de fundo textos do Papa Francisco:

 

  • As propostas da Exortação Evangelli Gaudium;
  • A missão como razão de ser e estrutura da Igreja;
  • A ecologia e a preservação da Casa comum;
  • A necessidade da renovação da Igreja;
  • O olhar misericordioso (de ternura e paixão) da Igreja que acolhe todos (“onde não há descartados nem soberanos”);
  • O diagnóstico do papa Francisco da problemática dos crentes na atualidade (o individualismo egoísta e a autorreferencialidade), a terapia por ele proposta (ser DOM para o outro), respetiva metodologia (“A igreja em saída é a comunidade de discípulos missionários que primeireiam, se envolvem, acompanham, frutificam e festejam”) e MISSÃO (“anunciar a alegria do Evangelho”);
  • O anúncio da Boa Nova que tantas vezes hoje é feito com a destruição do outro (que não acredita, não tem fé) e que é errado. O anúncio da Boa Nova deve ser feito com ternura pelo outro que tem vida porque “é possível ter vida, ser feliz sem fé mas não é possível ter fé sem vida”. O anúncio da Boa Nova deve ser feito com uma profunda atração e paixão na mesma;
  • A Espiritualidade Missionária: a minha “marca d’água” (e não um simples rótulo), o meu distintivo, aquilo que me caracteriza, me dá sentido.

   “Ser cristão é ser missionário e ser missionário é ser cristão.”

 

    Ouvir o Prof. Juan Ambrósio foi um prazer, um acreditar de que o seu sonho pode ser concretizado. Pois bem… ele sonha com “uma Igreja profundamente apaixonada por Deus e pelo ser humano, à maneira de Jesus Cristo e, por isso, uma Igreja totalmente comprometida com a construção do reino de Deus e da história humana. Uma Igreja feliz por isso”.

   

15977697_1582965608385893_7238024563039670335_n.jp

     Por fim, partilhar convosco que o contacto com outros carismase realidades de outros que se preparam para partir para a missão ad gentes (na sua maioria, de curta duração) foi um gosto, uma riqueza pela partilha de vida que se gerou. E, sem diminuir os seus projetos que tanto valor têm, confirmo a minha certeza de que sou e quero ser vida à luz da vida de São Daniel Comboni, salvando “África com África”.

 

“A Igreja não é somente um farol (que serve para ser visto e está no “centro”, imóvel, fixa) mas sim lanternas que serve para iluminar o caminho e que está nas periferias, que vai ao encontro do outro.”

 

Por: Carolina Fiúza