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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Comunidade PI em Arganil

Olá Amigos e Irmãos,

         Como sabem, estamos a fazer a experiência de Comunidade PI (partida imediata). O que é isso? Para os mais distraídos, quer dizer que estamos a viver em comunidade cujo objectivo é a aprendermos isso mesmo, a viver em comunidade. Esta preparação torna-se importante para quem vai partir.
         Iniciamos a nossa comunidade na última semana de Agosto com o curso de Missiologia. Entretanto, estivemos em Arganil, onde, durante duas semanas, para além da vivência em comunidade, estivemos na Santa Casa da Misericórdia.
         O nosso dia começava sempre com a oração comunitária, as laudes. Era um momento de comunhão com Cristo, “alimento” para o dia.
         A seguir a um bom pequeno-almoço, perfumado pelo cheirinho a café, seguíamos para a Santa Casa da Misericórdia, onde os nossos amiguinhos, os idosos, já nos esperavam. Aí permanecíamos até ao fim do dia. Como nos sabia bem!!!
         Regressando a casa, havia muito que fazer, entre as compras e o preparar o jantar, além da avaliação diária, tínhamos também, a oração das vésperas, um momento de agradecimento e louvor pelo dia com que Deus nos presenteava.

                    No dia em que nos apresentámos na Santa Casa de Misericórdia de Arganil, tivemos uma pequena reunião com o Director geral e outros membros da Instituição, onde nos colocámos ao dispor, para o que fosse necessário dentro das nossas possibilidades. De acordo, com a nossa formação fomos enquadradas na dinâmica da Instituição. Tendo sido, no entanto, apresentado como objectivo principal o estar com os utentes.

                    Em todo o trabalho realizado, fomos respondendo às necessidades que se iam fazendo presentes. Desde o levar utentes à casa de banho, dar-lhes de comer à boca, ajudar na distribuição da alimentação, limpeza e manutenção do refeitório pequeno e copa ao simplesmente estar, que passava por dar um beijo, sentar ao lado, ouvir as alegrias e tristezas, apertar a mão, levar a um passeio até ao exterior, entre tantos outros pequenos milagres da vida, sentimos que o outro era presença de Deus na nossa vida e que nós também o conseguíamos ser. Uma dádiva de Deus pela qual damos Graças ao Pai.

                    Como aprendemos na Formação, sempre que chegamos a um lugar, temos de procurar integrar-nos na vida da comunidade local, assim sendo, e para não desiludir a Equipa coordenadora, foi o que fizemos e, com muito esforço. Tivemos que ir a piscina, à feira semanal, à FicaBeira, onde só por acaso, tivemos direito a música e, provámos uns licores, de se tirar o chapéu.

                    Esta última parte é só para incentivar a Comunidade PI, do próximo ano.

Despedimo-nos com um beijinho.
Fiquem na Paz de Cristo.

 

Élia e Márcia

Comunidade PI

Curso de Missiologia

 Do dia 24 a 29 de Agosto de 2009, decorreu em Fátima o curso de Missiologia. Foi uma semana intensa de formação, que nos fez (re) pensar a actividade missionária da Igreja de hoje, à luz da transformação que foi sofrendo ao longo dos tempos e, do Concílio do Vaticano II.  

Este foi o segundo ano do ciclo bienal do curso de missiologia. Foram abordados os seguintes temas:
·          Na segunda-feira - A Evangelização na Época Moderna, orientado pelo Padre David Sampaio. Foi-nos dado a perceber a evolução e transformação que a Igreja tem sofrido e, a relação desta com a Missão. Deste dia realçamos a frase: “ Para a Missão é necessário convicção e levar como bagagem o coração”;
·         Na terça-feira, o formador Frei José Nunes “agitou as águas” ao falar da Evangelização e as Religiões: O ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Fez uma abordagem ao ecumenismo, referindo a importância de se encontrar “ a unidade pela diversidade”. A unidade em Deus de todos os cristãos reconhecendo que a diversidade eclesial das diferentes Igrejas é uma riqueza. Fez ressaltar também a importância do diálogo Inter-religioso na medida em que Deus nos convida a todos a estar ao serviço do outro;
·          Na quarta-feira Dom António Couto mostrou-nos a figura de S.Paulo como Modelo Missionário. Um Missionário que diz: “ Fui agarrado por Cristo” (Fl 3,12) e dedica-se totalmente a segui-Lo. Deste dia, fica-nos o mote: “ Vós sois a carta de Cristo.” (2 Coríntios 3:3). O que diz a tua carta?
·         Na quinta-feira, o tema - A Mulher, discípula e apóstola: figuras de missionárias, foi abordado pela Irmã Maria José Bruno, que mostrou o papel da mulher na Igreja ao longo da história e desafiou a descobrir qual o papel da mulher no anúncio do Reino de Deus fora e dentro da Igreja, actualmente;
·          Na sexta-feira o Padre José Antunes conduziu-nos pelo Repensamento pós-conciliar da missão. Apresentou-nos o que mudou na Igreja, a forma como essas mudanças foram acontecendo e, o impacto que tiveram e têm na actividade Missionária da Igreja.
·         No sábado tivemos o testemunho missionário do Padre Jorge Amaro que partilhou connosco a sua experiência na Etiópia. Foi uma partilha bastante rica. Como não poderia deixar de ser o curso terminou com a celebração da eucaristia, que foi presidida pelo Padre Durães que procedeu à entrega dos diplomas, aos finalistas.
Esta semana de formação primou pela diversidade de temas abordados, de testemunhos missionários, união e comunhão entre todos os participantes, desde leigos a consagrados, todos unidos na Santíssima Trindade.
 
Márcia e Élia
Comunidade PI

 

 

 

Eu vi o que vi...

 

Descobri o novo álbum de Sara Groves "Tell Me What You Know". O seu coração e os seus desejos estão bem visíveis nas letras das suas canções. A canção que escutaremos mostra um pouco de África numa das visitas que ela fez e aproxima o nosso coração a este belo continente.

"I Saw What I Saw"



Your pain has changed me
Your dream inspires
Your face a memory
Your hope a fire
Your courage asks me
What I am afraid of,
And what I know of love?

 

 

I Saw What I Saw
(Sara Groves - Tell Me What You Know - 2007)

I saw what I saw and I can't forget it
I heard what I heard and I can't go back
I know what I know and I can't deny it

Something on the road, cut me to the soul

Your pain has changed me
your dream inspires
your face a memory
your hope a fire
your courage asks me what I'm afraid of
(what I am made of)
and what I know of love

we've done what we've done and we can't erase it
we are what we are and it's more than enough
we have what we have but it's no substitution

Something on the road, touched my very soul

I say what I say with no hesitation
I have what I have and I'm giving it up
I do what I do with deep conviction

Something on the road, changed my world

 

 

Caixa de Beijos


Na mesa da humilde cozinha, a pequena menina tratava de envolver com papel dourado uma caixa de cartão. Nisso , chegou seu pai. E ao vê-la o pai preguntou: “Como estás, minha filha?... Ei... que estás fazendo, ein?” E a menina respondeu. “Nada, paizinho. Um presente.”
PAI: Um presente?.. Um presente para quem? Quem é que faz anos? Ou já estas fazendo os presentes de Natal?
E a menina respondeu: “É uma surpresa.”
PAI: Que surpresa nem que contos!... E de onde tiraste esse papel tão caro, ein?... Sabes que não temos dinheiro...
MENINA Mas, paisinho, eu só queria…
PAI (INTERROMPE) Basta. Não me faças chatear mais... Estas aqui a fazer presentes quando estamos com esta crise!... Vamos, vamos, fora daqui...
No dia seguinte, quando o pai acordou, tinha a belíssima caixa embrulhada no papel dourado, junto a sua cama.
É para ti, paisinho! – respondeu a menina.
PAI: Mas... Hoje não é meu aniversário nem...
MENINA: Na escola nos disseram que todos os dias é festa, se temos o coração alegre.
Envergonhado pela sua reação do dia anterior, o pai tomou aquela caixa que pesava muito pouco... Tirou o papel dourado, a abriu... e nada. Estava vazia.
O Pai ficou chateado e disse-lhe: “Mas, filha, não sabes que quando fazes um presente tens que dar algo?... Aqui não há nada… A caixa está vazia.
A pequena o olhou com surpresa e seus olhos se encheram de lágrimas. E respondeu ao Pai. “Não está vazia. Eu soprei muitos beijos dentro da caixa... Todos são para ti, paisinho!”
Foi então que o pai abraçou a sua filha lhe pediu perdou e chorou com ela como não o havia feito nunca.
Dizem que aquele pai guardou a caixa dourada muito próximo de sua cama durante muitos anos. E quando se sentia só e derrubado, tomava dela um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha lhe havia presenteado.


Escute o clip de audio aqui (em espanhol)…
Adaptação do site Radialistas Apasionadas y Apasionados
veja a versão original aqui

(Di)gerir conflitos

Este fim-de-semana mais um pequeno passito para a missão!

 

Estivemos todos em Coimbra a tentar gerir os nossos conflitos... Não andamos todos à batatada :) mas andamos, sim, a tentar gerir os nossos conflitos internos! Bem mais complicados do que os conflitos externos.... Como tão bem dizia a Maria de Lurdes esta gestão implica um auto-conhecimento... Conhecermo-nos antes de apontarmos o dedo ao outro! Afinal! Quando o fazemos mantemos 4 dedos apontados para nós…

Essa con / sciente / zação implica razão e afecto. Há três dimensões que Deus nos legou com o nosso nascimento: amor, verdade e beleza. Como não temos a perfeição do Criador saímos constantemente destas dimensões... Saímos a todas as horas destas dimensões... E os conflitos surgem quando violamos estes princípios.

Não temos a perfeição do criador! Mas, sem dúvida, almejamos a cada dia tornarmo-nos pessoas melhores e melhores pessoas… por isso este encontro foi um desafio.

Jesus disse-nos "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13, 34). Se o ser humano - se nós! - fossemos capazes de amar, o AMOR seria a única ferramenta que precisaríamos para vivermos a vida. O grande problema é que não somos capazes de nos amar a nós mesmos!

Tudo isto tem a ver com os conflitos. Sempre que nos deparamos com um conflito devemos colocá-lo dentro de nós. Entrar em diálogo connosco, fazer uma audição interna para que melhor possamos amadurecer o que estamos a sentir. Só depois, com base no bom senso, deveremos agir.

"Amai os vossos inimigos"(Mt 5, 44). Tendemos a procurar esses inimigos fora de nós. No exterior. Em regra esquecemo-nos de procurar os nossos inimigos dentro de nós próprios, dentro do nosso coração. Mas é lá que se encontram os nossos inimigos. A nossa superficialidade leva-nos a colocar sempre o problema no exterior. No entanto, de todas essas vezes que procuramos os nossos "males" no exterior deveríamos, antes, virarmo-nos para o interior e encontrar esses inimigos... sem dramas... nem flagelações! Depois de descobertos temos de trabalhá-los, temos de nos amar como somos!

Se calhar não aturamos os outros porque não nos aturamos a nós próprios. Se calhar não suportamos a desorganização dos outros, porque a nossa organização deixa muito a desejar. Se calhar não podemos com determinada pessoa porque também nos custa poder connosco próprios.

Neste fim-de-semana tivemos também a oportunidade de escutar o maravilhoso testemunho da Sandra, acabadinha de chegar de Carapira… para uma merecidas férias! É complicado explicar o que se vive quando alguém vai ou regressa de missão… É uma mescla de bons sentimentos. É um querer saber tudo! É reviver para alguns e para os outros um desejo enorme de também partir, de também estar lá. Obrigada Sandra por teres partilhado connosco um pouco do teu dia a dia na missão.

Bárbara

Darfur, Assertividade e Castanhas

Mais um encontro de formação dos LMC. Este fim-de-semana o tema abordado foi a assertividade. Poderia escrever a necessidade de assertividade… poderia escrever a importância da assertividade! No entanto, e corrijam-me se estiver errada a assertividade não é um estado absoluto! Não é um estado supremo. Não é um estado perfeito. É uma forma de reacção perante uma determinada situação.

 

A assertividade é a capacidade de nos expressarmos aberta e honestamente, sem negarmos os direitos dos outros. Belo conceito! No entanto, custou-nos um pouco interiorizá-lo em toda a sua plenitude. Agora estou a escrever isto e lembrei-me da famosa frase do Zé-Povinho: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”. Parece-me ter algum sentido aqui, pois afinal de contas ninguém gosta de ser tratado nem com agressividade, nem com desprezo… todos queremos ser tratados com respeito e ser escutados – não só, pura e simplesmente, ser ouvidos!
Por isso, ser assertivo não é ser passivo e também não é ser agressivo ou impetuoso com o intuito de levar os outros à submissão. É antes uma atitude, uma postura que visa a obtenção e a troca de opiniões.

Durante os momentos de partilha todos nos lembramos de situações onde, depois de terem ocorrido, desejaríamos ter actuado de modo diferente! Situações onde sentimos que deveríamos ter falado em vez de ficarmos calados; ou onde falamos e deveríamos ter ficado calados! Todas essas situações tiveram em comum o facto de nos deixarem ficar “mal”, desconfortáveis… Porque ficamos calados? Porque não dissemos o que pensávamos? Porque é que perdemos a cabeça? Três questões simples  que nos fizeram pensarem durante o tempo que tivemos para a reflexão pessoal.

 

Ser assertivo é gozar dos nossos direitos em pleno, é expressar os nossos sentimentos, é pedir aquilo que queremos e expressar os nossos pontos de vista, de modo directo, integro, honesto e com respeito pelos outros.

 

Neste fim-de-semana o nosso encontro coincidiu com o do Fé e Missão… Juntamo-nos aos jovens  na Hora de oração pelo Darfur. Mais um momento em que a oração demonstrou ter um abrangência extraordinária. Rezamos por todos aqueles que sofrem a milhares de kms de distância, no Darfur, na certeza que naquela noite de sábado eles dormiram um sono mais descansado, mesmo aqueles que depois dessa noite não mais acordaram para a “nossa” vida, mas para a vida junto do Pai.

 

Neste fim-de-semana também tivemos oportunidade de dizer disparates, comer as maravilhosas castanhas da Elizabeth e as não menos maravilhosas castanhas assadas dedicadamente pelo Pedro e pelo João – mesmo as que ficaram carbonizadas! Houve também tempo para partilhar um pouco do que a semana passada vivemos no I encontro da FEC sobre “voluntariado missionário e espiritualidade missionária”.

Mais uma vez agradeço a Deus por me ter possibilitado dar mais este passinho da caminhada até à missão.



Bárbara

“Já fiz tudo, fiz-te a ti”

Certo homem passeava num bosque quando viu uma raposa sem patas a ser alimentada por um tigre. Ficou a admirar aquele verdadeiro milagre da vida quando decidiu seguir o exemplo e, também ele, experimentar a bondade de Deus.
Sentou-se ao pé de uma árvore e ali ficou à espera que Deus também o alimentasse.
Passado um tempo perguntou: “Meu Deus, alimentas a raposa e deixas-me aqui à fome?” ao que Deus lhe respondeu: “Seria preferível que tomasses o exemplo do Tigre.”
O homem levantou-se e voltou à caminhada. Um pouco mais à frente viu uma menina cheia de fome e frio que apenas tinha um fino e roto vestido.
O homem indignou-se e perguntou: “Meu Deus, alimentas aquela raposa na floresta e não fazes nada por esta pobre menina”. Depois de um constrangedor silêncio, Deus respondeu em tom suave: “Como – não fiz nada? Fiz tudo. Fiz-te a ti”.



 

Este pequeno conto, que nos foi lido na homilia da Eucaristia de Domingo, acaba por resumir de forma subtil o conteúdo do Curso de Espiritualidade Comboniana que ocorreu no último fim-de-semana no seminário da Maia.
Para entendermos esta analogia, temos apenas que colocar no papel do homem a Igreja, e no papel da rapariga todo o mundo que sofre nos dias de hoje.
É corrente e normal que se pergunte pela acção de Deus nos momentos de catástrofe. Assim como também é corrente e normal não associar-mos todo o bem, que logo vai surgindo do coração de vários homens e mulheres, à infinita caridade do Pai.
No entanto, todo esse bem, que muitas vezes passa no silêncio, é acção concreta de Cristo no mundo através da Igreja que é o seu Corpo… que somos nós.
O gesto de um missionário que pratica o bem em terras longínquas exprime a força das nossas orações, a vontade das nossas partilhas e o amor de Cristo que nos une. Assim ganha sentido toda a nossa acção missionária, por mais insignificante que pareça.
Estejamos longe ou perto de quem sofre, a resposta de Deus às nossas perguntas será sempre a mesma: “Já fiz tudo, fiz-te a ti”.

 

Pedro Moreira

 

 

Ecos do Encontro de Maio

O tema do nosso 6.º Encontro em Coimbra foi “Manejo de Sentimentos”. Para mim, foi como que uma continuação do encontro da FEC, que também tinha decorrido em Coimbra nos dias 28 e 29 de Abril subordinado ao tema “Relações Humanas e Vida em Grupo” (ver o texto imediatamente abaixo com o título ”Ecos do 4º encontro do VMP”). Há muitos aspectos que se tocam em ambos os temas. Neste fim-de-semana abordámos várias questões: qual a definição de sentimentos, de onde surgem, quais os sentimentos que experimentamos mais frequentemente, como reagimos aos nossos sentimentos e aos sentimentos dos outros, porque certas pessoas reprimem e escondem os seus, será que há sentimentos bons e maus, quais os sentimentos mais fáceis de exprimir e opostamente, quais os mais complicados de partilhar, formas de exprimi-los, factores que podem condicionar as reacções aos sentimentos, passos para orientar os diversos sentimentos, regras que nos ajudam a comunicar o que estamos a sentir aos outros, diferenças entre dialogar e discutir.
Foi um tema muito interessante, que me levou a reflectir sobre diversos aspectos em que nunca tinha pensado sequer. E chegámos a algumas conclusões importantes que ainda estou a tentar digerir, como por exemplo, que os sentimentos não são nem bons, nem maus, são neutros. A forma como reagimos a esses sentimentos é que pode ser positiva ou negativa. E que os outros não são culpados por estarmos a sentir algo que não gostamos, como por exemplo, raiva, ciúme, inveja, tristeza. Esses sentimentos já existiam em nós próprios, os outros foram apenas catalisadores. Temos de parar e pensar porque estamos a sentir aquilo, por que estamos a reagir daquela maneira. A resposta está sempre dentro de nós, basta apenas querer ou ter coragem para reflectir sobre isso, sobre qual o motivo e o que isso nos ensina sobre nós próprios…

Como sempre o convívio foi excelente e a interacção entre todos, tornou o tema ainda mais interessante!
Já estou a começar a sentir saudades destes encontros! Só irei estar presente em mais dois, porque se Deus quiser, em Setembro já estarei em Madrid, com a Milu e a Vânia, para iniciarmos a nossa formação de três meses em conjunto com os LMC espanhóis que, assim como nós, vão partir em Missão para o ano que vem…
Obrigado a todos os meus queridos companheiros pela prova de amizade constante que demonstram uns pelos outros!

Álvaro

O Convite

Não me interessa qual é o teu modo de vida.
Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.
Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para ter cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações do ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Quero saber se consegues ser fiel e, por isso, digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à lua prateada, “Sim!”
Não me interessa onde vives e quanto dinheiro tens.
Quero saber se, depois de uma noite de desespero, exausto até ao tutano, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.
Não me interessa quem és, como chegaste aqui.
Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta.
Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

Oriah Mountain Dreamer
Escritora norte-americana, Maio 94

 

Recolhido por Pedro Moreira, LMC

Ecos do Retiro de Anual

Neste fim-de-semana estivemos em retiro na Casa da Sagrada Família em Praia de Mira. Ao contrário do que aconteceu em Setembro, o tempo esteve excelente. Obrigado Senhor, por teres permitido que o nosso retiro fosse vivido naquele local, assim como pelo bom tempo que nos proporcionaste, para podermos estar em comunhão e harmonia com a Natureza. Obrigado também, em nome de todos, à Equipa Coordenadora (Alfredo, Milú e Pedro), que se transformou na Equipa Trabalhadora e que nos assegurou a preparação de todas as refeições!
Nestes dois dias, reflectimos sobre três passagens da Bíblia: o encontro de Jesus com Zaqueu (Lc 19,1-10), a parábola do bom Samaritano (Lc 10, 25-37) e a parábola da figueira que não dava frutos (Lc 13, 1-9).
Na primeira passagem, Zaqueu (um publicano) queria ver passar Jesus, mas não conseguia ver nada por ser pequeno e subiu a uma árvore. E quando Jesus passa por ali, chama pelo seu nome e diz que precisa de ficar em sua casa. E Zaqueu fica cheio de alegria e desce rapidamente da árvore. Sente-se tão privilegiado, que promete dar aos pobres metade de tudo o que possui e àqueles a quem prejudicou pagará quatro vezes mais.
Na parábola do bom Samaritano, o homem assaltado, agredido e abandonado quase sem vida numa valeta, é completamente ignorado por aqueles que passam, até que chega um Samaritano que o socorre, trata, transporta e até paga a sua estadia numa estalagem, deixando para segundo plano os seus afazeres e numa atitude de enorme altruísmo, faz o que está ao seu alcance para ajudar o próximo.
Na parábola da figueira, o dono do terreno espera que ela dê frutos, mas após o terceiro ano sem nada acontecer, farta-se de esperar e manda cortá-la. Mas o vinhateiro pede que não o faça já, que espere pelo menos mais aquele ano, porque vai escavar à sua volta par a poder adubar. Talvez assim ela dê frutos.
São três passagens muito simbólicas e interligadas das quais cada um de nós deve tirar as suas próprias conclusões, mas de certeza que não conseguiremos ficar indiferentes à sua mensagem e ao seu significado.
A frase que trago comigo deste retiro é a seguinte: “… MAS um Samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão…”.
Senhor, ajuda-me a ser um MAS no caminho daqueles que são assaltados, agredidos e abandonados pela indiferença.

 

Álvaro Gomes