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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

“Na minha pequenez se detiveram Seus olhos…”

1.jpgChegou a altura de partilhar o que me vem no coração depois de um mês de experiência missionária em Carapira. Tenho alguma dificuldade em organizar as ideias e começar, pois muitas emoções me vêm ao coração… vou procurar escrever um pouco sobre como cresci nesta caminhada.

Primeiro, vou falar um pouco da nossa rotina: tínhamos, todos os dias, momentos de oração. Começávamos e terminávamos o dia em oração, com a comunidade apostólica e da nossa comunidade. Logo no início foram apontados vários trabalhos em que precisavam da nossa colaboração e fomos construindo a nossa rotina em torno desses trabalhos, no Instituto Técnico e Industrial de Carapira e no lar das irmãs; e acompanhávamos os missionários e missionárias nas visitas que faziam a pessoas e comunidades. Participámos, ainda, nas celebrações que se viveram por aqueles dias dos 70 anos da presença Comboniana em Moçambique, os 150 anos da fundação do instituto dos MCCJ e os 25 anos do assassinato do irmão Alfredo Fiorini. E tínhamos as tarefas e momentos específicos da vida em comunidade, da nossa “comunidade Fé e Missão”.

Duas coisas me enchiam o coração: a primeira era um sentimento de pequenez; a segunda era uma grande serenidade, mas uma serenidade alegre. Sentia-me pequeno e leve, alegre, em paz.

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Senti-me pequeno porque fui vendo o melhor e o pior que há em mim. Aprendi mais sobre mim – conheci-me melhor. Fui percebendo os meus limites e os meus dons com mais nitidez. Fui descobrindo limites que não conhecia e qualidades que não pensava ter. E ao crescer sentia-me pequeno. Porque fui percebendo que os trabalhos que íamos fazendo, embora importantes e feitos com toda a dedicação que podíamos dar, não mudam o mundo como queremos. Porque a diferença está em pequenos gestos de amizade, de amor, que crescem e dão fruto. Sentia-me pequeno, sobretudo, porque foi muito mais o que recebi do que aquilo que dei: da comunidade apostólica que acolheu generosamente; da comunidade de Carapira; das comunidades que visitávamos; das pessoas que nos encontravam; das crianças e jovens com quem passávamos mais tempo, no Instituto (a escola industrial) e no lar das Irmãs; e das pessoas com quem fiz comunidade, os restantes membros do Grupo Fé e Missão.

Senti-me, ao mesmo tempo, em paz, porque tinha o coração cheio. Cheio de amor, de alegria. Cheio de Deus. A cada dia que passava, percebi melhor que estava ali porque Deus me quis falar ali. E sentia-O muito próximo, em momentos concretos, na oração, nos trabalhos, nas pessoas que me iam tocando o coração. E percebi que Ele me ia guiando, me ia ajudando a conhecer-me melhor. Isto ajudou-me a ser mais sensível, mais genuíno. Mais eu. Aquele eu que Deus já conhecia e eu ainda não – o meu verdadeiro Eu…

 

Olho para este caminho. Como estava na partida e como estou na chegada. Como mudei: como Deus se deteve na minha pequenez, e como pegou nessa pequenez e foi construindo algo de bonito.

Como fui tocado por Ele. E sinto-me feliz por olhar e por saber que vivi intensamente. Por saber que vivi aquele tempo apaixonado por Cristo e pelas pessoas. E que quero continuar assim, de coração cheio, grato por todas as maravilhas que Deus fez e por tudo o que recebi das pessoas que por mim passaram, os muitos testemunhos de fé e amor que me foram tocando e me fizeram crescer.

Filipe Oliveira (Fé e Missão)

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Curso de Missiologia – um presente de Deus (parte III)

Diálogo Inter-religioso

(cont.)

Já quase no término do Curso, dia 26, tivemos connosco o Frei José Nunes que nos abordou o Diálogo Inter-religioso. Neste dia perspetivamos a evolução da comunicação entre religiões ao longo dos tempos. Vemos que hoje a Igreja face às outras religiões propõe um fecundo diálogo, baseado no apreço e respeito por elas. Vemos hoje que as religiões são “vias de salvação”, não pelos seus credos, mas porque conferem a cada ser um sentido de vida. Muito há em comum entre todas as religiões.

 

“(As tradições religiosas da humanidade) merecem a atenção e estima dos cristãos, e o seu património espiritual é um convite eficaz ao diálogo, não só acerca dos elementos convergentes, mas especialmente sobre aqueles em que diferem” (Documento Diálogo e Missão)

Grupo

 

A par destes dias de reflexão e visão da história do Cristianismo e de revisão deste Ser Missionário Cristão, estiveram momentos de partilha em grupo e de reflexão sobre os diversos temas. Momentos muito ricos de partilha de cada cultura, de crescimento pessoal e como comunidade cristã.

 

 

 

EucaristiaConvívio

Uma semana também ela pincelada com a beleza de Eucaristias multiculturais, onde os tons de pele se fundiam e pintavam o quadro da Festa do Senhor, onde ecoava a música em várias línguas e onde a dança preenchia o altar.

E todos estes dias inspiradores, de grande aspiração à vocação missionária, me emocionaram e me preencheram o coração por todo o caminho que a humanidade tem feito enquanto peregrina desta Obra divina que é o Mundo, o Universo. Orgulhosamente missionária com todos aqueles ali presentes, senti-me enviada com esta chama que só Deus inflama. Deus envia-nos. Citando o Padre Adelino Ascenso no seu discurso final: mais do que “ide e ensinai”, a esta igreja missionária Deus proclama:

“Ide e escutai”.

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 LMC Carolina Fiúza

Curso de Missiologia – um presente de Deus (parte II)

Momento cultural no fim do dia 22

 (cont.)

Prosseguimos no dia 23 para o tema da Espiritualidade Missionária contando com a Dra. Teresa Messias como oradora. E o que é isto de Espiritualidade? Algo que não se reduz à vivência cristã, mas sim uma dinâmica de ser. Todos a temos enquanto seres animados de desejo de autotranscedência, de nos realizarmos, de sermos felizes. Falámos concretamente desta Espiritualidade Cristã que tem que ser sempre Missionária. Uma Espiritualidade que me liberta e que tem um sentido escatológico, ou seja, que não acaba. Citando a Dra. Teresa Messias nem no céu a experiência de Deus tem fim. E percebemos a Trindade como fonte de missão, na relação Eu-Cristo-O outro.

 

Missão não é somente fazer coisas; não é sair de um lugar; é ser pessoa; é uma possibilidade de ser vida e gerar vida no outro e na humanidade; é esvaziar-se, a kenosis de que São Paulo fala. (Dra. Teresa Messias)

 

Vimos este Deus Missão, um Deus que também se esvazia quando nos dá o seu Filho, um Deus Parentalidade, que não só é Pai, mas também Mãe, e só assim é fecundo. Um Deus que não só dá, mas que também acolhe o seu Filho, também recebe. E que isto tem tradução no meu ser missionário: quem só sabe dar, não sabe amar. É necessária esta capacidade de receber.

Assim, a Espiritualidade Missionária requer o Desinstalamento – esvaziar-me, “Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza “(2Co 8, 9) –, Confiança – na providência divina que apenas se obtém na oração, na escuta, na leitura dos sinais de Deus, “aspirai às coisas do alto e o resto ser-vos-á dado por acréscimo” (Col 3,1-4) – e Inculturação – descer a cada cultura para encontrar a novidade de Cristo.

Refletimos sobre a missão cristã, as suas potencialidades e dificuldades. Identificámos a necessidade de um êxodo contínuo, da descentralização da Igreja em si mesma – a Igreja não se prega a si, não se serve a si e não se orienta em si, mas sim voltada para Cristo. A Missão não é um fim em si mesma e uma igreja autorreferencial não é uma Igreja de Cristo. Terminámos o dia refletindo sobre qual a minha missão?, na sua dimensão pessoal, irrepetível, personalizante e carismática do seguimento de Jesus. E a resposta é um caminho processual: requer oração e escuta e só nelas percebo o que Deus vai querendo, o que é que Ele me vai propondo para cada dia.

Padre Adelino Ascenso

 

No dia 24 fomos presenteados pela sabedoria e tranquilidade das palavras do Padre Adelino Ascenso com uma abordagem artística sobre a Literatura e teologia: a ficção de Shūsaku Endō. Ficaria ali a ouvir as suas palavras durante dias: palavras sábias, fruto de uma experiência inimaginável no Japão, no contacto com o povo e com o profundo silêncio do Tibete onde o único som audível era o tiritar dos seus próprios dentes, tal não era o frio sentido. Começou por nos fazer uma abordagem da literatura japonesa e das suas tradições, uma cultura do escondimento, do silêncio, da harmonia, da tripla insensibilidade face à morte, por exemplo. Perspetivamos de forma histórica a chegada do Cristianismo ao Japão e é aqui que entra Shūsaku Endō com a sua obra literária de romances, entre os quais O silêncio. Endō lutou toda a sua vida com questões relacionadas com a sua fé, nomeadamente com forma de ser simultaneamente, japonês e cristão. Essa luta está patente nas suas obras com temas que podem contribuir para a elaboração de uma nova imagem de Cristo e do cristianismo no Japão. E desta forma ao longo do dia o Padre Adelino estabeleceu uma ponte entre a realidade do Cristianismo no Japão e o romance “O silêncio” (filme que tivemos oportunidade de ver no fim do dia), falando sobre a apostasia, o silêncio de Deus nos diversos momentos da vida e esta salvação dos apóstatas (e de todos os homens, independentemente das suas crenças). Dotado de uma capacidade artística de se exprimir, o Padre Adelino terminou com algumas palavras que o meu caderno gravou:

 

A igreja não possui Cristo. A Sua presença não se confina à Igreja embora seja nela que se aprende a entender a presença d’Ele fora dela.”

“Só se pode conhecer Deus através das suas feridas” (citação que parte da obra de Tomas Halik, O meu Deus é um Deus ferido)

“O silêncio não é a ausência de palavras, mas sim um murmúrio de Deus para além do silêncio”.

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(cont.)

LMC Carolina Fiúza

 

 

Curso de Missiologia – um presente de Deus (parte I)

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Um presente de Deus que nos permitiu mais e melhor olhar para a obra de Deus com grande graça! Um presente de Deus foi para mim este Curso de Missiologia onde pude participar entre os dias 21 e 26 de Agosto em Fátima, uma iniciativa dos responsáveis do Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias (OMP). Nesta formação pude ver os oceanos a cruzarem-se e unirem-se num só ponto: da cadeira onde me sento para enriquecer a minha sabedoria e apaixonar-me mais por este ser de Cristo, vislumbro uma plateia de cerca de 60 participantes dos 4 continentes – Portugal, Itália, Filipinas, Colômbia, Brasil, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Angola, Moçambique, Congo, entre outros países. Uma semana em que as cores se misturaram e fundiram para aprender e partilhar este “Ser Missionário” nos dias de hoje. Comigo estavam em comunidade o Mário Breda, a Ana Raposo, a Maria José Martins e o Luís: e que rica foi também a nossa experiência quer como comunidade, quer na partilha com os restantes participantes.

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O Curso foi todo ele muito rico em termos de conteúdo. Começámos no dia 21 (segunda feira) por abordar A missão no Evangelho de São Mateus, com D. António Couto, Bispo de Lamego. E D. António Couto apresenta-nos o primeiro dos livros do Novo Testamento pelas suas ligações com o previamente escrito no Antigo Testamento. Apresenta-nos um Evangelho onde o Perdão é marca d’água: Mateus, um cobrador de impostos, abre-se a esta conversão a Jesus Cristo pelo perdão que Este concede a todo o Homem. E assim em todo o Evangelho de Mateus estão patentes 5 discursos (em analogia ao Pentateuco do Antigo Testamento): Discurso da Montanha, Missionário, das Parábolas, Eclesial e Escatológico. E destaco o discurso Missionário (Mt 10, 6-10): “de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10, 8). Graça – a figura maternal biblíca, o olhar (materno) que podemos ter sobre cada um. D. António apelou a que, como missionários, devemos ter esta “pausa e bemol na música da nossa vida para que saibamos deixar o Espirito Santo falar” e realçou a importância de sermos missionários “sempre abertos à surpresa e com a sensibilidade apurada”.

 

Os cristãos têm uma missão vital: "Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça». Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo(…). (in homilia do Papa Bento XVI, Porto, 14 de Maio 2010)

E pela história do Cristianismo ao longo dos séculos viajámos no dia 22; uma viagem com o Dr. José Eduardo Franco como guia – O Cristianismo e Globalização: Estado, Igreja e Missionação na época moderna e contemporânea. E pudemos perceber que a história não é passado, mas sim presente.  É ela que faz cada presente. E nesta viagem percebemos o papel do povo Português através das suas descobertas por mares nunca dantes navegados para a Missionação e Evangelização da Igreja Cristã; e mais: que esta missionação foi, ao longo dos tempos, construtora da globalização que atualmente atinge o seu auge. Nesta viagem visitámos a imagem de Deus e da Igreja desde o século I – um Deus territorial de Isaac e de Jacob, o homem age apenas mediante a vontade de Deus –, passando pela disseminação do Cristianismo pelos discípulos e por missionários que acompanhavam as viagens da época dos Descobrimentos e chegando, por fim, aos dias de hoje. E atualmente percebe-se que o Evangelho pede uma Missionação inculturada: um fazer-se grego com os gregos, romano com os romanos (São Paulo), aproveitando o Cristianismo aquilo que cada cultura tem de excelência. O Evangelho deve levar à humanização e, desta forma, o Missionário é o construtor de uma humanidade nova, que chega a todos pela via, não da imposição mas, da credibilidade.

(cont.)

 

LMC Carolina Fiúza

Um Inesperado plano de Deus para mudar e melhorar os meus planos!

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O meu nome é Filipe Oliveira, sou estudante universitário e tenho 19 anos e, ao fazer a caminhada com o grupo "Fé e Missão" do Movimento J IM -Jovens em Missão. Decidi abraçar uma das propostas desse caminho que era a de uma experiência missionária de um mês, na missão comboniana de Carapira, no Norte de Moçambique.

Quando penso nesse mês ... não sei o que acontecerá! Esta antecipação do concretizar de um desejo que me arde no coração enche-me de uma série de emoções! Posso dizer, resumindo o que me vem cá dentro, que estou muito entusiasmado e ansioso! Será, sem dúvida, uma oportunidade fantástica para me poder doar inteiramente; e crescer, recebendo tudo aquilo com que irei sendo tocado, como dizia o poeta: "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Saint-Exupéry)

Não posso dizer, contudo, que tenho expetativas (nem boas, nem más). Não as tenho - e ainda bem, porque as coisas só fazem sentido se surgirem como uma surpresa - por isso, vou deixar-me surpreender.

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E isto de me deixar surpreender leva-me a falar dos motivos que me levam a partir. Eu gosto de fazer planos: mas raramente os cumpro, ou raramente os concretizo. Muitas vezes o que se planeia é fantástico, é bom, mas não é o plano certo. E, embora tivesse um grande desejo de viver uma experiência destas; e, assim que esta oportunidade me apareceu eu a tenha aceitado sem hesitar muito; talvez não seja aquilo que eu, quando pensava viver algo assim, tivesse pensado. E é esse o motivo que me leva a Carapira: porque eu sei que alguém pensou nisto antes de mim e quis dar a volta aos meus planos. Esse alguém é Deus. Acredito e sinto que é Ele que me "empurra" a Carapira.

A vida de um cristão é um caminho. Esse caminho, não o desenho sozinho: Deus desenha-o comigo. E houve partes do caminho que eu trilhei; e outras que foi Deus quem trilhou. E, não sei mesmo, mas olhando para esses pedaços do caminho ... a sua travessia é desconcertante! Mas, quando chegamos ao fim desse trilho, olhamos para trás e vemos que crescemos tanto ... que somos tão diferentes no fim..., mas, porque mais configurados com Deus, estamos muito melhores, felizes!

Carapira é uma parte do meu caminho que Deus me propõe; uma parte do caminho sobre a qual não tenho expetativas, porque não a planeei ao pormenor, mas que apenas sei uma coisa -que algo de muito maravilhoso terá esse trilho, porque não será atravessado sozinho.

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Preparo-me para partir com um coração vazio: pronto para receber aquilo que Deus, através das pessoas que comigo vão e com as que já lá estão e com quem farei comunidade quiser nele colocar. Assim, parto para fazer um caminho onde espero encher o coração. Um inesperado plano de Deus para mudar e melhorar os meus planos ...

 

Filipe Oliveira

Comunidade PI em Arganil

Olá Amigos e Irmãos,

         Como sabem, estamos a fazer a experiência de Comunidade PI (partida imediata). O que é isso? Para os mais distraídos, quer dizer que estamos a viver em comunidade cujo objectivo é a aprendermos isso mesmo, a viver em comunidade. Esta preparação torna-se importante para quem vai partir.
         Iniciamos a nossa comunidade na última semana de Agosto com o curso de Missiologia. Entretanto, estivemos em Arganil, onde, durante duas semanas, para além da vivência em comunidade, estivemos na Santa Casa da Misericórdia.
         O nosso dia começava sempre com a oração comunitária, as laudes. Era um momento de comunhão com Cristo, “alimento” para o dia.
         A seguir a um bom pequeno-almoço, perfumado pelo cheirinho a café, seguíamos para a Santa Casa da Misericórdia, onde os nossos amiguinhos, os idosos, já nos esperavam. Aí permanecíamos até ao fim do dia. Como nos sabia bem!!!
         Regressando a casa, havia muito que fazer, entre as compras e o preparar o jantar, além da avaliação diária, tínhamos também, a oração das vésperas, um momento de agradecimento e louvor pelo dia com que Deus nos presenteava.

                    No dia em que nos apresentámos na Santa Casa de Misericórdia de Arganil, tivemos uma pequena reunião com o Director geral e outros membros da Instituição, onde nos colocámos ao dispor, para o que fosse necessário dentro das nossas possibilidades. De acordo, com a nossa formação fomos enquadradas na dinâmica da Instituição. Tendo sido, no entanto, apresentado como objectivo principal o estar com os utentes.

                    Em todo o trabalho realizado, fomos respondendo às necessidades que se iam fazendo presentes. Desde o levar utentes à casa de banho, dar-lhes de comer à boca, ajudar na distribuição da alimentação, limpeza e manutenção do refeitório pequeno e copa ao simplesmente estar, que passava por dar um beijo, sentar ao lado, ouvir as alegrias e tristezas, apertar a mão, levar a um passeio até ao exterior, entre tantos outros pequenos milagres da vida, sentimos que o outro era presença de Deus na nossa vida e que nós também o conseguíamos ser. Uma dádiva de Deus pela qual damos Graças ao Pai.

                    Como aprendemos na Formação, sempre que chegamos a um lugar, temos de procurar integrar-nos na vida da comunidade local, assim sendo, e para não desiludir a Equipa coordenadora, foi o que fizemos e, com muito esforço. Tivemos que ir a piscina, à feira semanal, à FicaBeira, onde só por acaso, tivemos direito a música e, provámos uns licores, de se tirar o chapéu.

                    Esta última parte é só para incentivar a Comunidade PI, do próximo ano.

Despedimo-nos com um beijinho.
Fiquem na Paz de Cristo.

 

Élia e Márcia

Comunidade PI

Curso de Missiologia

 Do dia 24 a 29 de Agosto de 2009, decorreu em Fátima o curso de Missiologia. Foi uma semana intensa de formação, que nos fez (re) pensar a actividade missionária da Igreja de hoje, à luz da transformação que foi sofrendo ao longo dos tempos e, do Concílio do Vaticano II.  

Este foi o segundo ano do ciclo bienal do curso de missiologia. Foram abordados os seguintes temas:
·          Na segunda-feira - A Evangelização na Época Moderna, orientado pelo Padre David Sampaio. Foi-nos dado a perceber a evolução e transformação que a Igreja tem sofrido e, a relação desta com a Missão. Deste dia realçamos a frase: “ Para a Missão é necessário convicção e levar como bagagem o coração”;
·         Na terça-feira, o formador Frei José Nunes “agitou as águas” ao falar da Evangelização e as Religiões: O ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Fez uma abordagem ao ecumenismo, referindo a importância de se encontrar “ a unidade pela diversidade”. A unidade em Deus de todos os cristãos reconhecendo que a diversidade eclesial das diferentes Igrejas é uma riqueza. Fez ressaltar também a importância do diálogo Inter-religioso na medida em que Deus nos convida a todos a estar ao serviço do outro;
·          Na quarta-feira Dom António Couto mostrou-nos a figura de S.Paulo como Modelo Missionário. Um Missionário que diz: “ Fui agarrado por Cristo” (Fl 3,12) e dedica-se totalmente a segui-Lo. Deste dia, fica-nos o mote: “ Vós sois a carta de Cristo.” (2 Coríntios 3:3). O que diz a tua carta?
·         Na quinta-feira, o tema - A Mulher, discípula e apóstola: figuras de missionárias, foi abordado pela Irmã Maria José Bruno, que mostrou o papel da mulher na Igreja ao longo da história e desafiou a descobrir qual o papel da mulher no anúncio do Reino de Deus fora e dentro da Igreja, actualmente;
·          Na sexta-feira o Padre José Antunes conduziu-nos pelo Repensamento pós-conciliar da missão. Apresentou-nos o que mudou na Igreja, a forma como essas mudanças foram acontecendo e, o impacto que tiveram e têm na actividade Missionária da Igreja.
·         No sábado tivemos o testemunho missionário do Padre Jorge Amaro que partilhou connosco a sua experiência na Etiópia. Foi uma partilha bastante rica. Como não poderia deixar de ser o curso terminou com a celebração da eucaristia, que foi presidida pelo Padre Durães que procedeu à entrega dos diplomas, aos finalistas.
Esta semana de formação primou pela diversidade de temas abordados, de testemunhos missionários, união e comunhão entre todos os participantes, desde leigos a consagrados, todos unidos na Santíssima Trindade.
 
Márcia e Élia
Comunidade PI

 

 

 

Eu vi o que vi...

 

Descobri o novo álbum de Sara Groves "Tell Me What You Know". O seu coração e os seus desejos estão bem visíveis nas letras das suas canções. A canção que escutaremos mostra um pouco de África numa das visitas que ela fez e aproxima o nosso coração a este belo continente.

"I Saw What I Saw"



Your pain has changed me
Your dream inspires
Your face a memory
Your hope a fire
Your courage asks me
What I am afraid of,
And what I know of love?

 

 

I Saw What I Saw
(Sara Groves - Tell Me What You Know - 2007)

I saw what I saw and I can't forget it
I heard what I heard and I can't go back
I know what I know and I can't deny it

Something on the road, cut me to the soul

Your pain has changed me
your dream inspires
your face a memory
your hope a fire
your courage asks me what I'm afraid of
(what I am made of)
and what I know of love

we've done what we've done and we can't erase it
we are what we are and it's more than enough
we have what we have but it's no substitution

Something on the road, touched my very soul

I say what I say with no hesitation
I have what I have and I'm giving it up
I do what I do with deep conviction

Something on the road, changed my world

 

 

Caixa de Beijos


Na mesa da humilde cozinha, a pequena menina tratava de envolver com papel dourado uma caixa de cartão. Nisso , chegou seu pai. E ao vê-la o pai preguntou: “Como estás, minha filha?... Ei... que estás fazendo, ein?” E a menina respondeu. “Nada, paizinho. Um presente.”
PAI: Um presente?.. Um presente para quem? Quem é que faz anos? Ou já estas fazendo os presentes de Natal?
E a menina respondeu: “É uma surpresa.”
PAI: Que surpresa nem que contos!... E de onde tiraste esse papel tão caro, ein?... Sabes que não temos dinheiro...
MENINA Mas, paisinho, eu só queria…
PAI (INTERROMPE) Basta. Não me faças chatear mais... Estas aqui a fazer presentes quando estamos com esta crise!... Vamos, vamos, fora daqui...
No dia seguinte, quando o pai acordou, tinha a belíssima caixa embrulhada no papel dourado, junto a sua cama.
É para ti, paisinho! – respondeu a menina.
PAI: Mas... Hoje não é meu aniversário nem...
MENINA: Na escola nos disseram que todos os dias é festa, se temos o coração alegre.
Envergonhado pela sua reação do dia anterior, o pai tomou aquela caixa que pesava muito pouco... Tirou o papel dourado, a abriu... e nada. Estava vazia.
O Pai ficou chateado e disse-lhe: “Mas, filha, não sabes que quando fazes um presente tens que dar algo?... Aqui não há nada… A caixa está vazia.
A pequena o olhou com surpresa e seus olhos se encheram de lágrimas. E respondeu ao Pai. “Não está vazia. Eu soprei muitos beijos dentro da caixa... Todos são para ti, paisinho!”
Foi então que o pai abraçou a sua filha lhe pediu perdou e chorou com ela como não o havia feito nunca.
Dizem que aquele pai guardou a caixa dourada muito próximo de sua cama durante muitos anos. E quando se sentia só e derrubado, tomava dela um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha lhe havia presenteado.


Escute o clip de audio aqui (em espanhol)…
Adaptação do site Radialistas Apasionadas y Apasionados
veja a versão original aqui

(Di)gerir conflitos

Este fim-de-semana mais um pequeno passito para a missão!

 

Estivemos todos em Coimbra a tentar gerir os nossos conflitos... Não andamos todos à batatada :) mas andamos, sim, a tentar gerir os nossos conflitos internos! Bem mais complicados do que os conflitos externos.... Como tão bem dizia a Maria de Lurdes esta gestão implica um auto-conhecimento... Conhecermo-nos antes de apontarmos o dedo ao outro! Afinal! Quando o fazemos mantemos 4 dedos apontados para nós…

Essa con / sciente / zação implica razão e afecto. Há três dimensões que Deus nos legou com o nosso nascimento: amor, verdade e beleza. Como não temos a perfeição do Criador saímos constantemente destas dimensões... Saímos a todas as horas destas dimensões... E os conflitos surgem quando violamos estes princípios.

Não temos a perfeição do criador! Mas, sem dúvida, almejamos a cada dia tornarmo-nos pessoas melhores e melhores pessoas… por isso este encontro foi um desafio.

Jesus disse-nos "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13, 34). Se o ser humano - se nós! - fossemos capazes de amar, o AMOR seria a única ferramenta que precisaríamos para vivermos a vida. O grande problema é que não somos capazes de nos amar a nós mesmos!

Tudo isto tem a ver com os conflitos. Sempre que nos deparamos com um conflito devemos colocá-lo dentro de nós. Entrar em diálogo connosco, fazer uma audição interna para que melhor possamos amadurecer o que estamos a sentir. Só depois, com base no bom senso, deveremos agir.

"Amai os vossos inimigos"(Mt 5, 44). Tendemos a procurar esses inimigos fora de nós. No exterior. Em regra esquecemo-nos de procurar os nossos inimigos dentro de nós próprios, dentro do nosso coração. Mas é lá que se encontram os nossos inimigos. A nossa superficialidade leva-nos a colocar sempre o problema no exterior. No entanto, de todas essas vezes que procuramos os nossos "males" no exterior deveríamos, antes, virarmo-nos para o interior e encontrar esses inimigos... sem dramas... nem flagelações! Depois de descobertos temos de trabalhá-los, temos de nos amar como somos!

Se calhar não aturamos os outros porque não nos aturamos a nós próprios. Se calhar não suportamos a desorganização dos outros, porque a nossa organização deixa muito a desejar. Se calhar não podemos com determinada pessoa porque também nos custa poder connosco próprios.

Neste fim-de-semana tivemos também a oportunidade de escutar o maravilhoso testemunho da Sandra, acabadinha de chegar de Carapira… para uma merecidas férias! É complicado explicar o que se vive quando alguém vai ou regressa de missão… É uma mescla de bons sentimentos. É um querer saber tudo! É reviver para alguns e para os outros um desejo enorme de também partir, de também estar lá. Obrigada Sandra por teres partilhado connosco um pouco do teu dia a dia na missão.

Bárbara