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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Partida da nossa LMC Maria Augusta

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A nossa querida LMC partiu na sexta feira, dia 22 de setembro, de Lisboa regressando à missão na República Centro Africana. Eis a mensagem que nos deixou. 

 

Caros amigos Gracas a Deus cheguei bem. A Anna estava à minha espera juntamente com o padre Francisco, missionario mexicano, que agora se encontra na Maison Comboni. O tempo que estive em casa Blanca, cinco horas, li no livro que o Mario enviou para o padre Maurice, sobre a vida do papa Francisco. Por favor, rezem muito pelos missionarios e leigos que estao na missão!

 

Estamos sempre unidos pela oração. Um grande abraço Missionario para todos. 

Maria Augusta

A missão do outro lado do atlântico

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Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser (Santo Agostinho). 

Assim também a missão é deixarmo-nos guiar pelo espírito santo que nos acompanha e espera. 

Chegamos a este caminho com tudo o que somos e assim também partimos. Trouxemos no coração todos os que amamos e nos completam, fizeram-nos chegar até aqui e acompanhar-nos-ão a vida toda, assim dita o amor. Saímos ao amanhecer e também num amanhecer chegámos ao Peru. Conscientes da longevidade da viagem fortalecemo-nos nos abraços que apertados se deram neste longo até jáChegámos à terra à qual chamaremos casa nos anos que se aproximam. 

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À porta do aeroporto já nos esperavam, nos sorrisos e na alegria de finalmente nos receberem. Partilhámos o nosso nome e o nosso carisma. 

Á saída, fomos recebidas pela chuva miudinha que se fazia sentir, e neste turbilhão de sensações percorremos pela primeira vez solo peruano. O período é de puro conhecimento, despojadas de nós damos os primeiros passos junto deste povo que nos acolheu de forma tão amável. Somos nós do outro lado do atlântico vivendo a missão bem ao estilo S. Daniel Comboni. 

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Conhecer os Leigos Missionários Combonianos foi conhecer a nossa família LMC Peruana. Cada um deles partilhou connosco um pouco de si e do seu testemunho de vida e de fé. Pudémos conhecer também os postulantes com quem convivemos e partilhámos bons momentos. Entre conversas, bebidas, comidas e gargalhadas recebemos um pouco deles e demos um pouco de nós, alegres, na certeza de saber que todas estas vidas convergem para Deus. 

Certas de que foi e é Deus quem nos chama a esta missão. Caminhamos juntas certas que chegaremos aonde nos esperam.

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Neuza y Paula

Curso de Missiologia – um presente de Deus (parte III)

Diálogo Inter-religioso

(cont.)

Já quase no término do Curso, dia 26, tivemos connosco o Frei José Nunes que nos abordou o Diálogo Inter-religioso. Neste dia perspetivamos a evolução da comunicação entre religiões ao longo dos tempos. Vemos que hoje a Igreja face às outras religiões propõe um fecundo diálogo, baseado no apreço e respeito por elas. Vemos hoje que as religiões são “vias de salvação”, não pelos seus credos, mas porque conferem a cada ser um sentido de vida. Muito há em comum entre todas as religiões.

 

“(As tradições religiosas da humanidade) merecem a atenção e estima dos cristãos, e o seu património espiritual é um convite eficaz ao diálogo, não só acerca dos elementos convergentes, mas especialmente sobre aqueles em que diferem” (Documento Diálogo e Missão)

Grupo

 

A par destes dias de reflexão e visão da história do Cristianismo e de revisão deste Ser Missionário Cristão, estiveram momentos de partilha em grupo e de reflexão sobre os diversos temas. Momentos muito ricos de partilha de cada cultura, de crescimento pessoal e como comunidade cristã.

 

 

 

EucaristiaConvívio

Uma semana também ela pincelada com a beleza de Eucaristias multiculturais, onde os tons de pele se fundiam e pintavam o quadro da Festa do Senhor, onde ecoava a música em várias línguas e onde a dança preenchia o altar.

E todos estes dias inspiradores, de grande aspiração à vocação missionária, me emocionaram e me preencheram o coração por todo o caminho que a humanidade tem feito enquanto peregrina desta Obra divina que é o Mundo, o Universo. Orgulhosamente missionária com todos aqueles ali presentes, senti-me enviada com esta chama que só Deus inflama. Deus envia-nos. Citando o Padre Adelino Ascenso no seu discurso final: mais do que “ide e ensinai”, a esta igreja missionária Deus proclama:

“Ide e escutai”.

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 LMC Carolina Fiúza

Curso de Missiologia – um presente de Deus (parte II)

Momento cultural no fim do dia 22

 (cont.)

Prosseguimos no dia 23 para o tema da Espiritualidade Missionária contando com a Dra. Teresa Messias como oradora. E o que é isto de Espiritualidade? Algo que não se reduz à vivência cristã, mas sim uma dinâmica de ser. Todos a temos enquanto seres animados de desejo de autotranscedência, de nos realizarmos, de sermos felizes. Falámos concretamente desta Espiritualidade Cristã que tem que ser sempre Missionária. Uma Espiritualidade que me liberta e que tem um sentido escatológico, ou seja, que não acaba. Citando a Dra. Teresa Messias nem no céu a experiência de Deus tem fim. E percebemos a Trindade como fonte de missão, na relação Eu-Cristo-O outro.

 

Missão não é somente fazer coisas; não é sair de um lugar; é ser pessoa; é uma possibilidade de ser vida e gerar vida no outro e na humanidade; é esvaziar-se, a kenosis de que São Paulo fala. (Dra. Teresa Messias)

 

Vimos este Deus Missão, um Deus que também se esvazia quando nos dá o seu Filho, um Deus Parentalidade, que não só é Pai, mas também Mãe, e só assim é fecundo. Um Deus que não só dá, mas que também acolhe o seu Filho, também recebe. E que isto tem tradução no meu ser missionário: quem só sabe dar, não sabe amar. É necessária esta capacidade de receber.

Assim, a Espiritualidade Missionária requer o Desinstalamento – esvaziar-me, “Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza “(2Co 8, 9) –, Confiança – na providência divina que apenas se obtém na oração, na escuta, na leitura dos sinais de Deus, “aspirai às coisas do alto e o resto ser-vos-á dado por acréscimo” (Col 3,1-4) – e Inculturação – descer a cada cultura para encontrar a novidade de Cristo.

Refletimos sobre a missão cristã, as suas potencialidades e dificuldades. Identificámos a necessidade de um êxodo contínuo, da descentralização da Igreja em si mesma – a Igreja não se prega a si, não se serve a si e não se orienta em si, mas sim voltada para Cristo. A Missão não é um fim em si mesma e uma igreja autorreferencial não é uma Igreja de Cristo. Terminámos o dia refletindo sobre qual a minha missão?, na sua dimensão pessoal, irrepetível, personalizante e carismática do seguimento de Jesus. E a resposta é um caminho processual: requer oração e escuta e só nelas percebo o que Deus vai querendo, o que é que Ele me vai propondo para cada dia.

Padre Adelino Ascenso

 

No dia 24 fomos presenteados pela sabedoria e tranquilidade das palavras do Padre Adelino Ascenso com uma abordagem artística sobre a Literatura e teologia: a ficção de Shūsaku Endō. Ficaria ali a ouvir as suas palavras durante dias: palavras sábias, fruto de uma experiência inimaginável no Japão, no contacto com o povo e com o profundo silêncio do Tibete onde o único som audível era o tiritar dos seus próprios dentes, tal não era o frio sentido. Começou por nos fazer uma abordagem da literatura japonesa e das suas tradições, uma cultura do escondimento, do silêncio, da harmonia, da tripla insensibilidade face à morte, por exemplo. Perspetivamos de forma histórica a chegada do Cristianismo ao Japão e é aqui que entra Shūsaku Endō com a sua obra literária de romances, entre os quais O silêncio. Endō lutou toda a sua vida com questões relacionadas com a sua fé, nomeadamente com forma de ser simultaneamente, japonês e cristão. Essa luta está patente nas suas obras com temas que podem contribuir para a elaboração de uma nova imagem de Cristo e do cristianismo no Japão. E desta forma ao longo do dia o Padre Adelino estabeleceu uma ponte entre a realidade do Cristianismo no Japão e o romance “O silêncio” (filme que tivemos oportunidade de ver no fim do dia), falando sobre a apostasia, o silêncio de Deus nos diversos momentos da vida e esta salvação dos apóstatas (e de todos os homens, independentemente das suas crenças). Dotado de uma capacidade artística de se exprimir, o Padre Adelino terminou com algumas palavras que o meu caderno gravou:

 

A igreja não possui Cristo. A Sua presença não se confina à Igreja embora seja nela que se aprende a entender a presença d’Ele fora dela.”

“Só se pode conhecer Deus através das suas feridas” (citação que parte da obra de Tomas Halik, O meu Deus é um Deus ferido)

“O silêncio não é a ausência de palavras, mas sim um murmúrio de Deus para além do silêncio”.

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(cont.)

LMC Carolina Fiúza

 

 

Primeiros dias da LMC Marisa em Moçambique (parte III)

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Quinta feira, 17 de agosto de 2017

Esta manhã fui pela primeira vez ao bairro, à comunidade. No caminho de regresso o meu coração vinha cheio de alegria. Brinquei com as crianças. Àquelas que me falavam em macua, não consegui compreender o que me diziam. Assim como elas não me compreendiam também. Mas rimos e brincamos, e com esta alegria de sermos crianças conseguimos assegurar afetivamente alguma comunicação não verbal. Com as crianças, até agora, pelo menos, tem funcionado…

Ao passar na entrada da escola, à conversa com Sérgio estava uma senhora. Cumprimentamo-nos:

- Salama! Ihàli?

- Salama! Khinyuwo?

E não deu para mais. Se não contasse com a ajuda de Sérgio, não teria percebido o que a senhora me tentava comunicar. Por um lado, sentia-me agradecida: pela senhora que, mesmo compreendendo que eu precisava de tradução sistemática, não desistiu de falar comigo e de me contar como estava a família e saúde; pela pessoa que me acompanhou e traduziu pacientemente a conversa. Por outro lado, sentia-me envergonhada por não conseguir alcançar o que me estava a ser dito (não só ali, naquele bocadinho, mas durante toda a manhã, e noutros momentos singulares durante a semana, exemplarmente, na eucaristia de Domingo que fora celebrada em língua Macua).

“Depender de traduções exige paciência e humildade… ajoelha-te Marisa, faz-te pequena e sente-te grata”, consolei-me. 

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Voltei a casa. Estava a arrumar umas coisas quando ouço uma voz jovem:

- Hoti? (Dá licença?)

- Hotìni (faça favor), respondi.

Abri a porta e uma jovem esperava-me com um sorriso. “Oh, bolas! Estou sozinha em casa… se me vem pedir ajuda para o que quer que seja, eu não sei como lhe responder porque ainda não conheço nada…”, pensava enquanto saía...

- Sou Ancha, ouviste falar de mim? Vim me apresentar e dar as boas vindas…

Lá conversamos durante um bocado. «Tempo» … as pessoas aqui conversam e “gastam” tempo uns com os outros - desinteressadamente. Aquele preliminar foi mais uma lição. Aprende, Marisa.

À despedida disse-me qualquer coisa em macua. Não compreendi nem consegui devolver-lhe uma resposta. “Tenho que aprender qualquer coisa de macua… é o mínimo que sinto que posso fazer, para já, como reconhecimento a tamanha hospitalidade do povo…”, disse para mim mesma ao entrar em casa.

Ainda assim… apesar do desconforto que podemos sentir quando não sabemos alguma coisa, não saber «nada» também traz alguma saúde interior e criatividade.

Primeiros dias da LMC Marisa em Moçambique (parte II)

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Sexta feira, 11 de agosto de 2017

Esta tarde, eu e a Kasia, retomamos caminho, agora para Carapira, onde está a nossa missão, a nossa casa. Pelo caminho deliciei-me com a paisagem. A minha primeira ou ‘maior’ impressão de África, de Moçambique, é o espaço – um espaço a perder de vista e em que todos os caminhos são longos, em que há um silêncio da própria paisagem que se faz sentir dentro de nós. Uma paisagem infinda que pede um tempo paciente e demorado para a contemplação. Confio que seja impossível não se ficar extasiado com esta poesia que habita o mundo e que é uma imensidão, o horizonte de Deus.    

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À noite, depois do jantar, recebemos em nossa casa um casal de leigos locais, os Professores Martinho e Margarida, as Irmãs Combonianas (Irmãs Clarinda, Eleonora, Maria José e Teresinha), o Irmão Luigi e o Padre Firmino. Foi um momento bonito e alegre de convivência que provou, uma vez mais, o sentido de hospitalidade, sobretudo, que aqui se vive.

 

Quarta feira, 16 de agosto de 2017

Acordei esta noite a pensar que a hora para me levantar estaria próxima. A falta de luz, dentro e fora do quarto, diziam-me que não. Peguei na lanterna, apontei para o relógio pousado junto à cama e os ponteiros confirmaram-me que era noite, e bem noite. Tinha, pelo menos, umas três horas até aos primeiros sinais do dia.  Não consegui adormecer. Sentei-me na cama, encostei-me à parede e descansei na quietude tão singular que aqui se encontra em horas como aquela. “Que paz!”, pensava, enquanto lembrava aquela bonita expressão que tanto sentido me fez de S. João da Cruz - “a noite é o tempo da casa sossegada”.

 

Primeiros dias da LMC Marisa em Moçambique (parte I)

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Quinta feira, 10 de agosto de 2017

São 5:00 horas da manhã e a agitação dentro do avião sugere que a aterragem em solo moçambicano esteja para breve. Alguns ainda dormem. Está a ser um voo tranquilo, com tempo para tudo: descanso, assistir filmes, impaciência, vontade de esticar as pernas, beliscões – “isto está mesmo a acontecer!”. O senhor que viaja à janela, à minha esquerda, abre a “cortina”. Uau! O dia está a amanhecer, sou uma abençoada: o primeiro, primeiríssimo milagre que testemunho nesta terra é o nascer do Sol. Magnífico. Nada mais vejo senão um quadro pincelado com cores quentes. É impossível ficar estéril a tamanha beleza, aquelas cores enchem-me de alegria e aquecem-me. Fazem-me ter vontade de aterrar agora mesmo.

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Estou em Moçambique! Cheguei a Maputo. Está quente e os cheiros notam-se ainda mais com o calor. As cores contrastam entre si mas o azul da baía parece unir-se ao céu. As pessoas são sorridentes e curiosas. Há alma nova aqui. A vida acontece num ritmo bastante singular.

À minha espera no aeroporto estava o Padre Paulo, Missionário Comboniano. Aguardava-me com uma revista “Audácia”, sorri assim que me apercebi do “código de localização/ identificação” – “menos é mais” e “para bom entendedor meia palavra basta”.

Levou-me até à Casa Provincial. Pelo caminho mostrou-me uma e outra coisa. Passei a manhã com aquela Comunidade de Maputo.

Depois de almoço seguirei para o aeroporto. Se Deus quiser, ao final da tarde estarei em Nampula com a Kasia.             

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Estaria mais ou menos a meio da viagem de Maputo para Nampula quando Samuel, de 6 anos, começou a percorrer o avião de um lado para o outro repetidamente. A almofada com que brincava caiu perto do meu lugar. Apanhei-a e estiquei o braço para a devolver.

- English? Abanou a cabeça para a esquerda. Português? Abanou a cabeça para a direita.

- Português, abanei a cabeça para o lado concordante. Rimos e fizemos “mais cinco!”. 

Brincamos e conversamos um pouco sobre tudo e sobre nada.

A dada altura contou-me:

- Vou encontrar a minha família, os meus irmãos. E tu?

- Eu também – respondi sem pensar.

Apercebi-me instantes depois da resposta que lhe dera: “eu também” … Deus queira e me ajude para que assim seja!

 

Aterrei em Nampula ao final da tarde. Estava já escuro. Ainda estava à procura das malas quando a Kasia entrou na «sala» ... Que bom sentir-me acolhida e recebida com aquele entusiasmo que a fez “invadir” aquele espaço para vir ao meu encontro!

Dali seguimos para a casa das Irmãs. Jantamos, conversamos, descansamos. Ao ir para o quarto dei-me «realmente» conta da novidade que estava a acontecer: rede mosquiteira na cama. Não há como enganar, “isto está mesmo a acontecer!”.

Deitei-me feliz e agradecida a Deus por todas as graças que tive até agora, particularmente, ao longo do dia de hoje. O resto, que seja como Ele quiser. 

 

LMC Marisa Almeida

Visita do Geral MCCJ ao Piquiá, no Brasil

 Família Comboniana Piquiá e comunidade MCCJ de Balsas/MA

No dia 31 de Julho recebemos aqui na missão de Piquiá, no Maranhão, a visita do geral dos missionários combonianos, o Pe. Tesfaye Tadesse, acompanhado do provincial do Brasil, Pe. Dário Bossi. Juntou-se a nós para este momento a comunidade comboniana de Balsas, que também fica no Maranhão.

Sinto que foi um momento importante para o geral "tocar com as mãos" a realidade desta missão, sobretudo do povo do Piquiá de Baixo, que busca o reassentamento do bairro.
Também foi momento oportuno de convivência e partilha como Família Comboniana! Tivémos a oportunidade de partilhar sobre as nossas atividades e perspectivas.
A visita encerrou-se com uma missa solene no dia 02 de Agosto à noite, com a grande participação das comunidades, não somente da paróquia Santa Luzia, mas também de São João Batista, antiga paróquia Comboniana. Após a celebração, houve um momento de convívio entre todos.
Foi bonito ver o carinho das pessoas pela presença e história dos missionários Combonianos nesta missão.
Rezemos sempre mais pelas vocações, combonianas e de toda a igreja!

Visita à comunidade de Piquiá de Baixo

Flavio Schmidt 

Notícias dos LMC Liliana e Flávio - Festa da colheita em Piquiá, no Brasil

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No passado domingo 9 de Junho realizou-se a Festa da Colheita na comunidade São José do assentamento João do Vale da paróquia Santa Luzía de Piquiá (Brasil), que contou com a presença de mais de 1000 pessoas das diferentes paróquias da cidade de Açailândia e do Bispo da Diocese de Imperatriz D. Vilson Basso.

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O objetivo desta grande festa, que já vai na 10ª edição, é celebrar o dom da colheita e refletir sobre a terra como local de trabalho e meio de subsistência das famílias, lembrar as suas lutas e fazerem-se um num grito que clama pela justiça no direito à terra e no respeito pela criação.

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O tema deste ano foi “Agricultura familiar em defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” Gn 2: 15.
A festa iniciou com o acolhimento na quadra desportiva do assentamento e com um café da manhã especial preparado com base nos produtos retirados da terra (macaxeira (mandioca), abóbora e diversas frutas) provenientes da partilha das diferentes comunidades que se fizeram presentes. Depois, seguiu-se a celebração da eucaristia, onde o bispo D. Vilson Basso falou da importância da agricultura familiar e do dever de lutar pela terra e denunciar aqueles que a querem usurpar. Reforçou a importância de não desistir por se tratar de uma luta justa e a necessidade de todos estarem unidos. Relembrou os 10 trabalhadores rurais assassinados numa fazenda no Estado do Pará (https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes-2/destaque/3794-chacina-em-redencao-pa-deixa-pelo-menos-10-posseiros-mortos) e todos aqueles que são perseguidos e pressionados para deixarem as suas terras.

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No momento do ofertório as diferentes comunidades apresentaram alguns dos seus produtos agrícolas no altar do Senhor em sinal de agradecimento e na esperança de uma relação mais respeitosa entre a humanidade e a criação.

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Depois de um almoço partilhado seguiram-se várias apresentações culturais, desde teatro, danças tradicionais e brincadeiras, terminando com a entrega de uma muda de Ipê a cada comunidade e o anúncio da comunidade onde será realizada a festa da colheita no próximo ano.

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LMC's Liliana Ferreira e Flávio Smitch

Lágrimas

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As lágrimas que choramos e as que ficam petrificadas no olhar seguro de Ti, seguro em Ti.

São minhas. São tuas. São nossas. É a humanidade na sua essência e à flor da pele. Pequenas partículas de um amor que suporta, em tudo crê, e em tudo vêem gestos reveladores de Deus. São metáforas de sorrisos que se olham nos olhos, fazem parte real do que somos e do que trazemos em nós de mais belo, de mais frágil, de mais verdadeiro… São essência, são expressão feliz de que, fruto de um Amor transcendente aceitamos, vivemos e somos apenas o que levamos dentro.

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É alma a transbordar de sentimento. São momentos, são pessoas e lugares que nos fizeram casa no coração. É o corpo a preparar-se, a tomar asas para voar quando os pés não bastarem. Lágrimas, lágrimas são também o abraço ao irmão que podemos ser nós. É olhar a miséria, a guerra, as tragédias e sentindo a dor de Deus, ser as suas lágrimas. Lágrimas fazem caminho.

São pureza, uma mística vivida de um amor em comunidade. Um amor que se deixa revelar e em tudo se reveste de silêncios e espaços de liberdade. Que em tudo se ampara e dá sentido. Porta aberta para o outro. Gotas de mútua compreensão de amargura, de esperança multiplicadas por quatro. São encontros de almas, abraços ao coração. São bilhetes de ida ao coração do outro, aos seus mundos indizíveis e invisíveis. São tantas vezes o toque de Deus. É Deus que nos purifica, nos faz missionários e nos prepara para a missão.

São fruto da experiência do simples viver e da entrega diária a Deus. Fazem parte do risco e em tudo moldam os nossos passos. Em tudo fazem parte de duas vidas entregues nos braços de Deus.

São lágrimas.

Serão sempre lágrimas…

(lágrimas de Deus)

 

LMC'S​ Neuza Francisco e Paula Ascenção