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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Estar aqui. Com eles e entre eles!

22790782_10215031450241977_2067650889_o.jpgEstamos num dos lugares mais bonitos do mundo. Apenas deveremos acrescentar que neste lugar, algures, perdido entre os vulcões Chachani e Misti, vive um povo, um povo humilde no qual fazemos morada agora.

Ao longo da nossa ainda precoce caminhada, são já muitos os rostos que ficaram cravados em nós. Talvez porque a desumanidade se faz presente de uma forma tão evidente que em última das hipóteses leva à morte. São já muitas as histórias de violência que nos foram contadas não apenas através de palavras, mas através do testemunho vivo de quem diariamente luta pela esperança da mudança. Ou não seja este país, Peru, o país onde os níveis de machismo são dos mais elevados de mundo. Neste testemunho de Manu Tessinari, podemos conhecer de uma forma mais profunda esta realidade:

 

“Peru é um país machista. Muito machista.

No Peru, uma adolescente pode ser espancada pelo pai se flagrada tendo sexo com o namorado. Aqui, a mulher que está em cárcere não tem direito a visitas conjugais. No sistema público de saúde, é proibido a entrega gratuita da pílula do dia seguinte para pacientes vítimas de estupro.

22641683_1205471326251727_267057887_o.jpgAlgo mais absurdo? No Peru, se a mulher é largada pelo marido e não se divorciam, o homem pode refazer a vida e registrar todos os filhos da nova companheira. A mulher não. A lei indica que o filho desta mulher é legalmente do ex-marido (protegido pelo vinculo do matrimonio) e para que o pai biológico consiga registá-lo, é necessário um longo e complexo processo legal.

De 10 mulheres peruanas, 6 são vítimas de violência psicológica e 2 são vítimas de violência física por parte de seu companheiro. 16% das pessoas (homens e mulheres) acham que a culpa é da própria mulher, sendo que 3,7% acham que elas MERECEM ser golpeadas e 3,8% NÃO vêem problemas em o homem forçar relações com suas parceiras.

As peruanas são trabalhadoras. Segundo o INEI (Instituto Nacional de Estatísticas e Informação), 95,4% das peruanas trabalham, a maioria em serviços. Em média, uma peruana ganha UM TERÇO A MENOS do que um peruano ganho, fazendo o mesmo serviço. Infelizmente, somente 36% das mulheres conseguem terminar a escola e pouco mais de 16% conseguem concluir uma faculdade. Isto num país onde as mulheres são 15.800.000, ou seja, 49,9% da população”.

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As vidas de quem nos passa pela porta, não nos ficam indiferentes, e ainda que a realidade seja esta, levamos-lhe a alegria de um Evangelho que não é apenas nosso, um Evangelho que necessita ardentemente de ser levado ao mundo, levado aos confins da periferia.

 

Não tenhais medo de sair e ir ao encontro destas pessoas, de tais situações. Não vos deixeis bloquear por preconceitos, por hábitos, por inflexibilidades mentais ou pastorais, pelo famoso «sempre fizemos assim!». Mas só podemos ir às periferias, se tivermos a Palavra de Deus no nosso coração e se caminharmos com a Igreja, como fez são Francisco. Caso contrário, estamos a anunciar a nós mesmos, e não a Palavra de Deus, e isto não é bom, não beneficia ninguém! Não somos nós que salvamos o mundo: é precisamente o Senhor que o salva!

- Papa Francisco -

 

É aqui que nos sentimos chamadas a habitar entre eles e com eles. É aqui que deixamos de ser nós para ser, instrumentos vivos ao serviço de Jesus Cristo no Peru.

 

 

Comunidade Ayllu,

Neuza y Paula

A nossa casa - Notícias das LMC Paula e Neuza

Chegar à missão é chegar a casa. Não a que nos viu crescer, outra que agora nos acolhe, onde agora dormimos, crescemos e amamos. Chegar à missão é chegar ao povo. Não o que nos viu nascer, outro que nos recebe de braços abertos como se fossemos filhas que tornaram a casa. Chegar à missão é abraçar outro povo. Não aquele que nos viu nascer mas aquele que de braços abertos se predispõe a crescer connosco. Cada pessoa é mundo e tem mundo para nos contar. Em cada pessoa encontramos Deus e é esse Deus e esse mundo que hoje pretendemos mostrar-vos. É nesta paisagem que todos os dias acordamos na confiança e adormecemos no agradecimento. Nesta missão que não é só nossa mas de todos, queremos que percorram cada dia e cada história connosco.

 

LMC's Paula e Neuza

 

 

A missão do outro lado do atlântico

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Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser (Santo Agostinho). 

Assim também a missão é deixarmo-nos guiar pelo espírito santo que nos acompanha e espera. 

Chegamos a este caminho com tudo o que somos e assim também partimos. Trouxemos no coração todos os que amamos e nos completam, fizeram-nos chegar até aqui e acompanhar-nos-ão a vida toda, assim dita o amor. Saímos ao amanhecer e também num amanhecer chegámos ao Peru. Conscientes da longevidade da viagem fortalecemo-nos nos abraços que apertados se deram neste longo até jáChegámos à terra à qual chamaremos casa nos anos que se aproximam. 

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À porta do aeroporto já nos esperavam, nos sorrisos e na alegria de finalmente nos receberem. Partilhámos o nosso nome e o nosso carisma. 

Á saída, fomos recebidas pela chuva miudinha que se fazia sentir, e neste turbilhão de sensações percorremos pela primeira vez solo peruano. O período é de puro conhecimento, despojadas de nós damos os primeiros passos junto deste povo que nos acolheu de forma tão amável. Somos nós do outro lado do atlântico vivendo a missão bem ao estilo S. Daniel Comboni. 

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Conhecer os Leigos Missionários Combonianos foi conhecer a nossa família LMC Peruana. Cada um deles partilhou connosco um pouco de si e do seu testemunho de vida e de fé. Pudémos conhecer também os postulantes com quem convivemos e partilhámos bons momentos. Entre conversas, bebidas, comidas e gargalhadas recebemos um pouco deles e demos um pouco de nós, alegres, na certeza de saber que todas estas vidas convergem para Deus. 

Certas de que foi e é Deus quem nos chama a esta missão. Caminhamos juntas certas que chegaremos aonde nos esperam.

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Neuza y Paula

Vou, sigo-O, mas não vou só!

IMG_16072017_110756_HDR.jpgFoi no dia 16 de Julho que celebrámos em comunidade, em Viseu, na paróquia de Rio de Loba, o envio da nossa LMC Neuza Francisco juntamente com a sua família e amigos, que parte em breve para a missão de Arequipa, no Peru. Partilhamos convosco o seu sentir após este grande dia de festa.

 

É com amor e gratuidade que partilho, mais um “Sim”, mais um, por entre tantos já dados até então, nesta caminhada que é a minha vida. Mais um sim, a simplesmente deixar tudo e segui-Lo. Falo-vos de um sim que nada tem de fácil, mas tudo tem de disponível, um sim que está repleto de entrega e de amor. Um “sim”, dado na humildade do que sou, e do que trago em mim. Um sim completo de perseverança na certeza de que “Deus não escolhe os mais capacitados, capacita aqueles que escolhe” (Dom António Couto)

            Este sim de que vos falo, implica deixar tudo, família, amigos deixar o conforto de uma vida que para mim, assim, não tinha sentido. E numa atitude de desapego, porque só através dele conseguimos experienciar uma relação pessoal com Cristo, sem as dependências e seguranças criadas naturalmente ao longo da nossa vida, confio no chamamento que Ele me faz a ser feliz, aqui ou por onde quer que Ele me leve. É a certeza de que caminho cada vez mais dentro de mim, para me conhecer, para poder chegar ao outro, numa relação que só é possível na certeza de que, caminhe eu por onde caminhar, Deus vai de mão dada comigo.

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            Hoje tenho uma profunda certeza de que Comboni caminha comigo no sonho de Deus para nós, e sou eu também, uma das mil vidas para a missão.

            Hoje, Ele chama-me a mais uma vez deixar o meu barco na praia e com Ele encontrar outro mar. Vou, sigo-O, mas não vou só. Levo em mim a oração de todos aqueles que cruzaram o meu caminho e semearam em mim pequenas sementes de um amor profundo que germinou e germina ainda aqui, bem dentro do meu coração. Vou, mas não vou só. Levo em mim todos os corações que cruzaram o meu caminho e me ensinaram a amar, mais e mais. Levo comigo todos aqueles, cuja história de vida se entrelaçou na minha e me levaram a conhecer um Deus misericordioso e compassivo. Guardo em mim os abraços dados no decorrer de um caminho fecundo e fértil, guardo com amor as mãos estendidas, que apesar das muitas quedas, sempre me ajudaram a levantar. Vou, mas não vou só. E como muitas vezes diz a minha avó: “vou com Deus”.

            Neste momento, sou chamada ao Perú. Sinto que mais uma vez Ele me convida a amar, a partilhar, a estar, a entregar-me, a confiar, para que com o povo ao qual sou chamada, possamos ser juntos. Ele chama-me a ir aos mais pobres e marginalizados das periferias de Arequipa. Chama-me a ser eu, e a deixar que o tesouro que trago em mim frutifique com o outro. Abraço a missão de Arequipa, como quem abraça um sonho, um sonho sonhado e esperado desde sempre. Um sonho ao qual me entreguei e entrego todos os dias. E não, não falo de uma utopia ou de algo surreal; falo sim, de um sonho de ser por inteiro, abrace eu a realidade que abraçar.

            Vou, não porque quero salvar o mundo, mas porque também eu, quero fazer parte dessas feridas abertas no mundo, ferida, composta de pessoas de carne e osso que num lugar distante, também trazem dentro de si, um pedacinho de Deus. Quero ser com eles, quero ver o rosto de Deus, na desumanidade que busca um sentido com os pés na terra e as mãos cheias de nada. Quero ver Deus nos sorrisos espontâneos de quem desconhece o amor, mas vive diariamente para louvar.

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            Caminho, na confiança, entrega e alegria de saber, que é a Cristo que eu sigo, é a Cristo que eu levo e é a Cristo que eu irei sempre encontrar. Caminho e em cada passo que dou, dou-o com a liberdade de saber que serão sempre os Seus braços misericordiosos onde me vou refugiar em cada pôr-do-sol, e será Ele a esperança que me fará erguer a cada amanhecer.

            Parto em nome de uma comunidade, em nome da Igreja, em nome de Jesus Cristo, vou anunciar o Evangelho do Amor. E neste profundo crescer em mim, em Deus e no outro peço-vos: rezem por mim!

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Com Amor e gratuidade,

Neuza Francisco

Encontro de "avaliação" e convívio - 11ª unidade formativa LMC

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Foi nos passados dias 7, 8 e 9 de Julho que decorreu na casa dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus – MCCJ – de Viseu a 11ª unidade Formativa LMC.

O sábado, dia 8, deu lugar a uma “avaliação” dos formandos, ou melhor afirmando… uma conversa entre cada um dos formandos e a equipa coordenadora sobre os passos que se vão traçando neste caminho de descoberta da vida LMC. A formação de dois anos que é proposta aos formandos que aceitam o convite de conhecer o que é ser LMC não se limita a dois meros anos. É uma formação que leva a vida. É a própria vida. Um caminho de avanços e recuos mas que, de x em x tempo merece uma atenção e uma “avaliação”, quer de cada um para consigo mesmo, quer em comunidade na partilha sobre “pontos de situação - em que ponto estou no caminho como LMC”. Ao fim do dia abraçámos uma maravilhosa chegada das LMC’s Neuza e da Paula, acabadinhas de chegar da comunidade de Granada. E connosco partilharam a sua experiência na comunidade Lisanga, que viveram com com os LMC espanhóis Aitana e David. Partilharam ainda um projeto – o projeto que irão abraçar durante os dois anos que estarão em Arequipa em missão. Este projeto terá como pano de fundo a pastoral social e serão trabalhadas situações de violência familiar, a aproximação da população ao novo centro de saúde, bem como a formação de líderes (aproveitando os que já se encontram a trabalhar na paroquia).

 Aqui deixamos um vídeo sobre o projeto em Arequipa de nome Ayllu, o nome que se designa a cada grupo familiar de uma comunidade indígena da região dos Andes.

 

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Já no domingo pudemos receber a nossa família e amigos e juntos celebrar está família que temos. A Paula e a Neuza uma vez mais falaram da sua experiência na comunidade de Lisanga, desta vez não só para LMC's mas para os restantes presentes (familiares e amigos). Seguiu-se a Eucaristia, o almoço convívio e uma tarde animada de músicas, jogos e dança.

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A todos temos a agradecer a presença (física e/ou em oração). Foi um dia muito bom no qual se fez marcar a presença da união que São Daniel Comboni propôs a todos os povos. É um orgulho pertencer a uma família assim. Estamos juntos na e para a vida.

 

Com amor, Carolina Fiúza

Arequipa, siempre Arequipa

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Encontramo-nos no passado fim-de-semana com a nossa comunidade LMC de Granada para avaliar este ano e programar o ano seguinte. Foi um tempo de descanso, de encontro e de convivência. Pudémos também encontramo-nos de novo com Paula e Neuza, LMC Portuguesas que se encontram em Granada na sua preparação imediata antes de partir para missão. Irão em Agosto para Arequipa, onde estivemos e onde temos o nosso coração.

Paula e Neuza além de aprenderem espanhol (que o falam maravilhosamente bem), estão a conhecer a realidade de Peru e da missão. Encontraram-se com Felix e Antonia, LMC de Barcelona que estiveram vários anos em Huánuco, na serra andina e com Isabel e Gonzalo, os nossos companheiros de missão em Arequipa.

Para nós falar com elas sobre Peru, contar-lhes a nossa experiência, mostrar-lhes fotografias, relembrar tantas pessoas e lugares, tem sido maravilhoso. Falar de Peru e de Arequipa é sempre maravilhoso. Elas vão para Arequipa e, de certo modo, nós também vamos com elas. Oxalá pudéssemos acompanhá-las em carne e osso, mas nós sentimo-nos unidos na missão e na certeza de que somos uma só família.

Estamos certos que este tempo que entregam ao serviço direto do próximo de quem mais necessita vai ser um tempo de alegria. Estamos certos que as vão acolher com tanto carinho como fizeram connosco e que elas vão derramar muito amor e muita entrega. Porque Arequipa quando se mete no coração é para sempre.

 

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(retirado de Remaradentro e traduzido por Paula Ascensão)