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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

De Laclubar, Timor-Leste

O LMC Mário Breda está neste momento em Laclubar, Timor-Leste, e escreveu-nos sobre a sua missão, no dia 7 de outubro:

"Olá!
Depois de uma semana em Dili, ontem viajei para Laclubar, aldeia nas montanhas do centro, 3h desde Dili. Uma parte em boa estrada, já reconstruida, outras partes em estrada ainda mal. Os últimos 10 km demoraram 40 minutos. Mas isso não importa. Correu bem. É aqui que vou ficar, tem o centro de internamento de pessoas com doenças mentais, dos
Irmãos S. João de Deus. Um espaço grande, vários edifícios, grande horta, animais que comem os restos, tudo aproveitado. Montanha e ar puro.

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Hoje já começo a cozinhar para mim e a tratar da minha roupa e das limpezas. Já me abasteci. Para além dos funcionários timorenses, há uma enfermeira portuguesa que já está habituada a tratar dela, por isso assim continuamos. Há aqui um grande mercado ao domingo, para esta região onde vive muita gente em aldeias nas montanhas que demoram horas para chegar aqui, a pé, carga à cabeça ou a cavalo. Com o tempo, espero também ir a sítios desses. Na casa dos irmãos vive o superior, irmão padre hospitaleiro, açoriano. Um irmão timorense jovem, enfermeiro. E mais 5 jovens aspirantes, timorenses, que iniciaram este ano o seu caminho de formação para se tornarem irmãos hospitaleiros. Aqui há muitas vocações de rapazes e raparigas. Dou-me muito bem com todos, são simples, alegres, inteligentes, generosos.  O povo timorense é muito espiritual, de tradição animista. Existe a fonte sagrada, árvore sagrada (vi uma em Dili onde as mamãs vão colocar o cordão umbilical do seu bebé), casa sagrada que algumas famílias têm como habitação dos espíritos dos seus antepassados. Não é bonito? Assim, a ideia de Deus, de Jesus e de Nossa Senhora é muito sentida pelas pessoas, afinal também estão vivos em espírito. A fé no Sagrado Coração de Jesus e na Imaculada Conceição estão muito enraizadas em Timor. Neste momento, aqui na paroquia de Laclubar, a imagem de Nossa Senhora está em circulação ficando uns dias em cada aldeia, com procissão entre aldeias, a pé por caminhos de montanha, com entrega no início da aldeia seguinte, tudo isto com cânticos, orações, discursos protocolares e refeições partilhadas. Não vi, mas ouvi contar ontem e já tinha lido. A imagem volta à igreja paroquial de Laclubar em fim de novembro para a festa da padroeira Nossa Senhora da Graça. Espero um dia poder participar nestes momentos que me tocam profundamente, tal como as missas a que já assisti.

Quem se evangeliza sou eu que fico profundamente impressionado com a fé das pessoas e interiormente tocado pelo Espírito. 

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Entretanto, vou aprendendo Tetum pois é indispensável para comunicar. Já me desenrasco um bocadinho. Mas a missa é em tetum, só entendo algumas palavras. Os cânticos são de uma sonoridade contagiante, igreja cheia e por fora a toda a volta; toda a gente canta, não só o coro. Os cânticos são muito bonitos, em Tetum, um ou outro em Português (também gostam de incluir). Bem, comecei por querer dizer pouco e já me alonguei.

Tenho de ir tratar do almoço que já é tarde, 13h, aqui +8. Envio fotos (poucas) da viagem de Dili para Laclubar e desta aldeia onde vou viver e fazer parte da comunidade, com amor.

Um abraço,

Mário"

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AQUI, ETIÓPIA

Quando Deus coloca no nosso coração o sonho missionário, no nosso coração e mente começam a surgir ideias e desejos. Sonhamos com coisas, por vezes, tão difíceis de alcançar.

Quando chegamos ao local onde Deus nos envia, com as diferenças culturais, com os problemas de língua (mais de 60 línguas são faladas na Etiópia), as diferenças nos sistemas de educação, saúde e segurança, começamos a entender que as nossas ideias preconcebidas não passam de miragens, por vezes sem qualquer utilidade.

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Porém, se colocamos Deus como o centro da missão, compreendemos que Ele não nos pede causas impossíveis ou milagres, mas sim que sejamos testemunhas do Seu Amor (com tudo o que isso implica, incluindo dar a vida), portadores de esperança, que façamos comunhão com as pessoas. Amamos muito pouco a Deus se não amamos as pessoas.

De facto, durante este tempo na Etiópia verifico que as dificuldades são muitas, que o meu campo de trabalho fica muito limitado. Mas todos os dias me vou apercebendo que o mais importante não é o número de trabalhos que se fazem ou os projectos que se implementam. O importante é a quantidade de amor que colocamos nas relações com as pessoas! No início, saber o nome de cada um, saber a sua família, conhecer a sua história. Pequenas coisas que ajudam a criar amizade e comunhão. E como é bonito quando vou na rua e as crianças com quem jogo futebol dizem “Opetrosa” (Pedro, em gumuz).

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Durante o tempo em Addis Abeba, enquanto estudava amárico tive oportunidade de fazer voluntariado, alguns sábados, com as Irmãs da Caridade de Madre Teresa de Calcutá. Ver tanto sofrimento, fez-me sofrer imenso! Mas ajudou-me a perceber que o que fazemos, se é por amor a Jesus e aos nossos irmãos nunca será insignificante! O que fazemos não é por dinheiro, interesse ou desejo de reconhecimento! É gratuito!

A vida é um dom de Deus e todas as pessoas são para nós dom e mistério de Deus. O povo gumuz, junto de quem, agora vivo, é um dos povos mais marginalizados da Etiópia. Depois da Páscoa, devido a questões tribais, várias aldeias gumuz foram incendiadas, pessoas mortas. Durante várias semanas, no espaço das irmãs combonianas, em Mandura, viveram mais de 800 pessoas gumuz, sem casa e sem esperança. Em Guilguel Beles, os refugiados foram colocados numa escola estatal. No início, os missionários combonianos ajudaram com comida e roupas, foram visitando as pessoas. Depois o governo assumiu o controlo da situação. Ainda hoje lá estão. Famílias, imensas crianças! Quando lá vou, para cumprimentar as pessoas, sinto que somos chamados a ser portadores de esperança para aquelas pessoas, desanimadas e com medo de regressar às suas aldeias, onde não são desejados pelos povos vizinhos.

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O importante é referir que não existem barreiras ao Amor! Lembremo-nos do Hino da caridade, de São Paulo ( 1Cor 13).

Estou aqui há um mês, junto dos gumuz! Depois de ver a realidade é tempo de iniciar trabalho. Várias ideias começam a surgir! Pedimos a Deus para que o nosso trabalho seja sempre pelas e para as pessoas.

Com humildade vos peço: rezem por mim e pela minha comunidade! Rezem pela Etiópia!

Pedro Nascimento

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Batizados e Enviados | A Missão na ação Evangelizadora do Cristão.

No passado fim de semana, 28 e 29 de setembro de 2019, em Fátima, teve lugar as Jornadas Missionárias Nacionais deste ano.

Intituladas com a temática: “Batizados e Enviados. A Missão na ação Evangelizadora do Cristão.”

As jornadas situaram-se precisamente entre o Mês Missionário Extraordinário convocado pelo Papa Francisco, para outubro e no ano Missionário declarado com a temática: “Todos, Tudo e Sempre em Missão.”

As jornadas surgem assim, como mais um marco importante para a caminhada de cada Missionário, de cada batizado.

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Os Leigos Missionários Combonianos não faltaram à chamada e assim estivemos representados.

Com alegria e ardor missionário, por meio de diversas conferências ficou notória a urgência de uma reflexão sobre a Missão da Igreja no Mundo, sobre um dinamismo evangelizador e universal.

Conferencistas de excelência, que nem D. Manuel Linda, Pe. Eloy Bueno, Pe. José Silva, D. António Couto, D. José Cordeiro, deixaram a certeza de um caminho já iniciado que precisa de ser continuado. Que existem tarefas comunitárias mas também individuais: A responsabilidade é de cada Cristão.

Trabalhou-se conceitos como Interculturalidade e aculturação.

Padre José Silva, Missionário do Verbo Divino, mostrou-nos como urge derrubar muros… “Missão é derrubar muros.”

Nestas jornadas, ficou clara a intensa relação entre os sacramentos de iniciação cristã com a Missão.

D. António Couto, com recurso aos Atos dos Apóstolos – Pentecostes, mostrou-nos que o grande protagonista e mestre dos novos tempos é o Espírito Santo. Chega mesmo a dizer que são precisos “novos Pentecostes”… que são precisos “novos Pentecostes”, em Fátima, Lamego, Lisboa…

Ainda no sábado pelas 21h30, a todos foi possível ver, ouvir e sentir missão, foi a vez dos mais jovens contarem as suas experiências em contexto missionário, jovens que fizeram formação com a FEC.

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De forma descontraída, demostraram com as suas palavras e pequenos vídeos e fotos como foi bom, partilharem suas vidas. De louvar a atitude de serviço, empenho e dedicação destes jovens, jovens missionários de coração generoso.

No domingo de manhã teve lugar a conferência de D. José Cordeiro, Bispo de Bragança, que a todos falou da importância da Eucaristia e da Oração para a Missão.

“Sem liturgia não há missão; sem Oração não há Missão.” D. José Cordeiro, dá ênfase e afirma que a Eucaristia é fonte e ponto culminante em toda a Evangelização.

Durante todo o evento, entre os temas, foi possível sempre um pouco de convívio e existiram momentos com dinâmicas engraçadas por parte de um grupinho de Jovens Sem Fronteiras.

Como não podia deixar de ser, as Jornadas Missionárias chegaram ao fim com a Eucaristia partilhada pelos presentes.

Gostaria de terminar esta pequena partilha, fazendo o eco de um pensamento que só os “adultos” na fé talvez entendam: “Se o coração não arde, os pés não andam.”

Um abraço amigo,

Sofia Coelho

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Casamento dos LMC: Laura & David

No fim de semana 7 e 8 de Setembro, alguns LMC e formandos rumaram até à ilha da Madeira para partilhar um momento especial com dois formandos LMC, a Laura e o David. Pudemos partilhar com eles o dia do seu casamento e alguns dos preparativos, juntamente com a sua família e amigos. Foram dias especiais, de alegria e de partilha, de amor e de fé. Foram dias intensos, mas definitivamente inesquecíveis.

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No sábado dia 7 de setembro, pelas 15h celebrou-se o casamento da Laura e do David, na Paróquia do Cristo Rei na Ponta do Sol. Foi uma cerimónia bonita, com simplicidade e emoção próprias de um momento destes de união. Foi acompanhado por um coro infantil que trouxe uma jovialidade e alegria especiais a esta celebração. Foi sem dúvida um momento onde Deus se fez presente nas famílias, nos amigos e principalmente no rosto da Laura e do David.

Que esta união e compromisso os faça crescer na fé e na intimidade com Deus, como casal. E que S. Daniel Comboni interceda sempre por eles e pela família que agora iniciam!

Sejam felizes!

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Missão na Terra Vermelha: Subir ao Monte

Saídas em comunidade – Pedro, David, Pe. Endrias e eu.

Saídas em comunidade – Pedro, David, Pe. Endrias e eu.

 

Entrar na nova cultura é uma viagem que requer dedicação, ir conhecendo de tudo um pouco. Não só ver o cinzento do painel, mas também, e sobretudo, contemplar as diversas cores do mesmo e pintar com mais força os rosas, os verdes, os azuis, os amarelos, os vermelhos,... É saber apreciar, como uma criança curiosa por descobrir este mundo e o outro, embevecida sobre o funcionamento das coisas. Sem juízos. Sempre de olhos novos. O que é muito difícil, principalmente quando já se é adulto, quando já se traz uma bagagem, vícios, opiniões sobre tudo e mais alguma coisa.

Entrar na nova cultura, a tão chamada e bendita inculturação, é também apreciar os momentos em que estamos na escola com os companheiros das aulas de amárico e outras línguas, os serões com a comunidade dos MCCJ (Missionários Combonianos do Sagrado Coração de Jesus), as orações em comunidade, as visitas a museus, a comida (que aqui é bastante diferente e quase sempre com um toque de berber, uma especiaria típica de cá, que a tudo dá o seu travo a picante), as saídas em comunidade para comer um gelado ou beber uma coca-cola (sim, aqui também há disso!).

Entrar na nova cultura, não é só beber do choque cultural que vos falava no último artigo, um choque que nos leva a descer a montanha. É também sentir a sede de encontrar Deus no meio de tudo isto e subir ao monte. Escutá-lo, orar cada dificuldade que vai surgindo. Como agora o faço – subo ao monte. Tivemos cerca de duas semanas de pausa das aulas de amárico (pois a escola entra em férias) que nos deram a possibilidade de ir uma semana a Benishangul-Gumuz, para onde iremos iniciar a missão em Setembro (Deus queira), e de uma semana de Exercícios Espirituais.

Pois é em Exercícios que me encontro. Um tempo que tem sido importante para mim, para me renovar, para subir ao monte e falar com Deus. Tem sido um tempo de rezar tudo o que vi em Benishangul-Gumuz.

E o que viste lá? Recordo como se fosse agora o dia em que fomos às vilas desta região, onde apenas habitam os Gumuz, para celebrar a catequese. Saímos de casa por volta dessas 16h30. Viajei na parte traseira da 4x4, ao ar livre, ainda que houvesse para mim um lugar cativo no seu interior, o que era mais seguro visto que a qualquer momento poderia começar a chover torrentes (o que é muito típico aqui nesta altura do ano, pois estamos na kremt gizê (traduzindo do amárico, estação das chuvas). Porém, preferi a visão do lado de fora por ser sempre mais original! A viagem do lado de fora também iria dar lugar à convivência com os catequistas Gumuz que iríamos recolher pelo caminho (mal eu imaginava que a traseira se iria encher deles). E assim foi: pelo caminho, rumo a uma das vilas Gumuz fomos recolhendo os muitos e jovens catequistas. Não tenho a certeza, mas na traseira da 4x4 poderíamos ser uns 16. Contemplava aquela juventude de catequistas. Falavam e riam imenso entre si. Falavam na sua língua, Gumuzinha (outra que terei que aprender), pelo que eu não percebia nada! Na minha cabeça construía histórias e frases em amárico para tentar conversar com eles. Eles também sabem falar amárico, porém nem todos os Gumuz o sabem. Por isso, estes são catequistas escolhidos pelos MCCJ por poderem ser uma ponte entre nós, missionários, e o povo Gumuz. Além de serem eles a dar as catequeses, são também eles que fazem a tradução amárico-gumuzinha, sendo os intermediários entre nós e o povo Gumuz.

Lá ganhei coragem e iniciei a conversa com um dos catequistas. Trocámos meia dúzia de frases. Senti amizade e o ausente olhar de que sou diferente. O povo Gumuz é um povo amigo. Diferente da reacção comum da parte de muitos outros Etíopes, que à nossa passagem nos chamam de Farengi (estrangeiro), os Gumuz olham para nós com um sorriso. Por eles somos vistos como amigos, como aqueles que se lembraram do seu povo e que os têm vindo a proteger. São bem negros, diferente do típico Etíope que por norma tem uma cor de pele mais castanho-leite. Também por isso, são um povo tão marginalizado, não sendo considerados por muitos a verdadeira “raça” de etíopes.

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Um dos catequistas, Gumuz, a preparar-se para a catequese

A determinada altura, os catequistas foram sendo distribuídos junto de diferentes casas. Com eles saímos da carrinha e fomos chamando crianças e jovens a participar nas catequeses. Um aperto de mão, um olhar nos olhos… como gostava de os olhar nos olhos! Muitos chamámos, mas nem todos vieram. Ainda vivem o medo de sair de suas casas, dada a situação que sucedeu em Junho (em que foram atacados pelo povo Amara). Ainda assim, posso-vos dizer que muitos foram os catequizandos que, no escuro daquele entardecer, encheram aquela casa feita de paus, onde celebrámos as várias catequeses.

O que vi e vivi naquela semana em Benishangul-Gumuz despertou em mim um duplo sentido de emoções. Entre ideias que surgiram de projetos a começar, surgiu também o medo, a sensação de incapacidade. Eis que esta semana de Exercícios foi tempo de renovar a confiança, a mesma que me fez dizer SIM, no dia do meu envio, como Maria, “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim a Tua Palavra”. Ao subir ao monte percebo que, efetivamente, não sou capaz de tamanha missão. Não sou, e não somos. Sozinhos não somos. Assumir a nossa incapacidade humana, as nossas fragilidades e a nossa dependência do Amor de Deus é, por vezes, tão difícil! Ser humano é querer tantas vezes ter o domínio da nossa vida. Porém, que não nos enganemos. Não te enganes Carolina, não és dona da tua Vida. Ela é um presente de Deus. Aqui, curiosamente em Exercícios Espirituais, vivi o dia da Transfiguração do Senhor, encarnando-a. Orei. Deixei (e vou deixando) que esta transfiguração do Senhor aconteça em mim. Na verdade, só tenho que “não temer”! Pois, aqui neste monte aceito novamente o convite de Deus – “Levanta-te, toma a tua enxerga, a tua cruz, segue-Me, assim como és… com medos, fragilidades, erros, mas também, dons. Aceita-te como Eu te criei! Tu, segue-me! E eu sigo-O.

E é seguindo-O que vos deixo o meu terno abraço. Peço-vos especial oração pela missão que Deus quer que ali construamos. Que mais que ela seja fruto das nossas ideias de missionários europeus, que ela seja fruto da inspiração do Espirito Santo, pois a missão nunca será nossa. A missão é de Deus.

Vossa amiga Leiga Missionária Comboniana Carolina Fiúza

 

​in REDE - Revista Digital Diocese Leiria - Fátima, nº30 , 25 de Julho de 2019 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/subir-ao-monte/)

Volto a subir à montanha

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Escrevo-vos contemplando a paisagem. O sol já pouco se vê mas, consigo ver ainda a silhueta do vulcão alumbrado pela lua. Hoje voltei a subir à montanha, um dos lugares onde baixo todas as defesas e, consigo imaginar do outro lado do pôr-do-sol o rosto de todos os que deixei não para trás, mas todos aqueles que me deixaram e deixam voar continuamente, ainda que a medo, todos aqueles que confiam neste plano maior que Deus tem para cada um de nós. Para mim. Fixo no horizonte, eu e Deus. Só eu e Deus. Ele permite que me aproxime, abraça-me através da maravilha que consigo observar. Espera-me em silêncio no cimo desta pequena montanha, todas as vezes em que penso não ser capaz, todas as vezes em que a realidade é cruel, todas as vezes em que tudo parece escuro, em que tudo se torna demasiado pesado para carregar a duas a três, entre todos. Nesses momentos eu subo à montanha, vou largando na subida as pedras mais pesadas que carrego na minha mochila, para poder avançar. Subo em busca do silêncio, em busca da esperança, em busca de mim. Em busca de Deus.

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O sol já deixou a pequena montanha, fico eu e todos os pensamentos, fico eu e o clamor de todos os que me chegam assim, em busca de abrigo, em busca de amor, em busca de Deus. Durante aqueles instantes gigantes sou também parte da natureza que me envolve.

Subir à montanha permite-me sair de mim, observar com tranquilidade a natureza do que me rodeia, sentir tudo o que trago dentro, sentir que o amor também é feito das quedas, também se constrói com as pedras do caminho. Permite-me, ver a luz. Deixo-me abrir os olhos, já não vejo escuridão que carregava na subida, vejo as pequenas luzes que brilham entre este povo, sinto essa presença divina junto de todos nós nessas pequenas luzes, nesses corações dos que buscam, na esperança dos que acreditam, na perseverança dos que não baixam os braços frente à dor, nos joelhos dos que oram, na coragem dos que arriscam ir mais longe, e vejo então a mancha de luzes que permanecem acesas em mim.

E, já baixando a pequena montanha, sinto de novo o envio de Deus. Ele convida-me mais uma vez a ir ao encontro dos mais pobres e necessitados, junto de todos aqueles que me abrem diariamente as suas portas e, junto de todos aqueles que ainda esperam a minha chegada. Ele alivia a minha carga e, faz-me voltar a sentir alegria de ser missão no único caminho possível, o amor.

 

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Que todos sejamos capazes de subir à montanha as vezes que necessitarmos no decorrer desta caminhada que é a vida. Que todos sejamos capazes de esvaziar a mochila que nos acompanha em todos os momentos. Não tenhamos medo de falar de tudo o que nos vai dentro nos momentos em que estamos a sós com Deus.

 

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

Missão na Terra Vermelha

Tudo é necessário, até desenhar o choque cultural.

A comunidade de LMC em Adis Abeba – David, Pedro e eu.

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O choque cultural. O útil e necessário que sempre terá o seu lugar para todo e qualquer um que esteja em contacto com outra cultura, principalmente se uma é tão discrepante da outra. Chegou o meu tempo. Sento-me e contemplo este doce-amargo tempo, prestes a fazer a segunda viagem para o Quénia (uma vez mais, por causa do visto de residência que mostra a sua resistência em dar descanso).

As nuances de cor-de-rosa que se apresentavam no céu de Adis Abeba são agora também tocadas pelo contrastante e frio cinza. Não digo que o tempo da paixão acabou. Haverá sempre coisas bonitas aqui a descobrir. Porém, este é também um tempo necessário para ver a realidade tal qual como é, ainda que seja uma apreciação mediada pelo meu olhar. É este o choque cultural que me tem habitado, desenhado pelo que vou sentindo.

Desenhado pela diferença da língua (amárico e inglês), que muitas vezes me faz pensar que o falar noutra língua nos faz sentir coisas diferentes ou de uma forma diferente. E é uma coisa sobre a qual vale a pena pensar – “como se sente noutra língua?”. Desenha-o também o sentir que sou mesmo diferente do povo etíope e que essa diferença (infelizmente) tem tantas vezes um sentido depreciativo, ainda que teime em recusar essa ideia por querer tomar e fazer parte com eles. Entre vozes e olhares que hoje me fazem caminhar pelas ruas sem direito a olhar muito para os lados, não vá surgir o típico “Farengi (estrangeiro)!” vindo de alguém que apenas quer provocar; entre a tendência para venderem tudo mais caro a partir do momento em que vêem o branco tingindo a pele; entre este ver e sentir a tamanha pobreza de muitos e sentir esta incapacidade de poder fazer o que quer que seja (até porque, muitas vezes, o dar dinheiro não ajudará… pelo contrário, não romperá o ciclo da necessidade de pedir na rua). Também o sentir que os meus olhos muitas vezes já recusam ver a pobreza (porque dói muito vê-la), tornando-se tantas vezes impermeáveis ao sofrimento daquela vida que se encontra ali no chão. É também a situação político-social que hoje se vive aqui parte deste desenho. Curiosamente, foi notícia em Portugal: em meados de Junho o líder do governo da região de Amhara (uma das 9 regiões da Etiópia) e o chefe do Estado Maior do Exército foram assassinados, assim como outras importantes figuras. Desde então, o controlo aqui aumentou: a internet é muito limitada para que através dela não haja fluxo de informação, há mais polícia nas ruas a controlar autocarros e táxis, etc. talvez possa dizer que não sinto, por isso, uma insegurança aumentada. No entanto, inesperadamente, surgem notícias de vidas que partem vítimas de conflitos políticos, de pessoas que querem gerar a desordem e ter poder e supremacia num país onde residem grandes divisões entre regiões e grupos étnicos. E por isto peço a vossa oração para que todo este confronto entre cidadãos e governo apazigue.

Bonito desenho. São estes alguns dos traços que formam o desenho do choque cultural – esse importante e inevitável tempo que nos faz manter ainda mais próximos de Deus. Que me faz perguntar tantas vezes “Onde estás Tu aqui?” e redescobri-Lo, reinventá-Lo nas coisas mais simples. Pois sim, Deus também (e sobretudo) está nas coisas simples. Relembro tantas vezes vários livros, cheios de teorias teológicas mas com muito sentido prático, que li aquando do meu tempo de discernimento para a partida em missão. Um deles, de Vasco Pinto Magalhães. Onde há crise, há esperança. O título não diz tudo, mas já diz muito. É reler nestas várias crises e cruzes uma oportunidade de renascer. Tal como Jesus na cruz. Penso mesmo que a vida é isto – um sucessivo e diário morrer para que se (re)nasça com mais vida. E tantas vezes nos embrulhamos nestas teorias, mas é na dor, na crise que somos mais capazes de bater à porta de Deus e pedir permissão para entrar, pedir aquele colo para nós mesmos e para os demais. Como é lógico, Ele nunca recusa.

Dizia que Deus está sobretudo nas coisas simples. É nas idas às Irmãs de Madre Teresa aqui em Adis Abeba com os meus companheiros de comunidade, que tenho encontrado essa simplicidade de Deus. Enquanto fazia Fisioterapia a uma senhora que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e que por isso ali se encontra há cerca de 6 meses, pude contemplá-la – a ela e à simplicidade. Foi a primeira vez que nos tocámos. E foi nesta primeira vez que senti o quanto queria ser amada. Por cada frase em amárico que eu dizia, esboçava o maior sorriso. Queria “cativar-me”, como a raposa queria ser cativada pelo Principezinho. Pedi desculpa porque o meu amárico não era o melhor, ao que me respondeu:

- Amariña betam go bez! Anchi betam qonjo nesh! (O amárico está muito bem. Tu és muito bonita!)

Sorri. Retribui elogios:

- Yeanchi mulu kemize betam qonjo new! (o teu vestido é muito bonito).

O amor é isto. Simples e só vive se o “usarmos”. “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações” (Sl 94), recordo nos últimos dias este salmo que tantas vezes ouvi a minha querida mãe cantar na Eucaristia das 9h da manhã. E quantas não são as vezes que o nosso coração se fecha e endurece por esta falta da “Voz do Senhor”, do amor. Quando é tão simples; basta isto: não ter medo de amar.

Um terno abraço de quem vos ama,

LMC Carolina Fiúza.

 

​in REDE - Revista Digital Diocese Leiria - Fátima, nº30 , 25 de Julho de 2019 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/tudo-e-necessario-ate-desenhar-o-choque-cultural/ )

Encontro de Avaliação dos Formandos e Convívio com a Presença de Familiares

Nos dias 12, 13 e 14 de Julho de 2019, decorreu em Viseu, mais um encontro de formação da associação LMC.

Como chega ao fim mais um ano de formação, há que fazer a devida avaliação do percurso individual feito pelos formandos, daí que não foi seguido e exposto um tema formativo.

No dia 12, ao fim da tarde, começaram a chegar os primeiros formandos. É sempre uma alegria enorme cada reencontro! Entre sorrisos e abraços, cada um se cumprimenta e conta as novidades! Todos se sentem bem-vindos a esta casa missionária que tão bem nos acolhe!

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No sábado iniciamos o dia, como é habitual, com a celebração da Eucaristia na capela grande, aberta a toda a comunidade local.

Depois do pequeno-almoço dirigimo-nos todos para o cenáculo, onde foi exposto o Santíssimo Sacramento. Assim, diante do Senhor, foi possível rezar e refletir no percurso feito ao longo do último ano de formação. Muitas questões se nos colocam e é necessário encontrar as respostas, as minhas respostas, para cada uma delas! Analisando o passado, aproveitando o presente para nos interrogarmos diante do Senhor da Missão, encontramos respostas e tomamos decisões para o futuro, um futuro que queremos viver com Ele e para Ele, seja onde for e com quem Ele assim quiser!

Renovados e fortificados pelo Espírito Santo fomos, um a um, reunir com a Equipa Coordenadora. E assim se foi passando o dia, o grande dia de avaliação, em que todos desejávamos que fosse positiva.

Vários Leigos Missionários Combonianos com experiência de missão e, alguns com os seus filhos, juntaram-se a nós para a oração do fim da tarde. Que bonito foi ver o envolvimento das crianças nesta oração! Rezámos, sobretudo, por todos os membros da associação LMC que se encontram em terras de Missão ad gentes. Que a nenhum deles, em momento algum, falte a proteção e a esperança! Como é forte este desejo de nos mantermos unidos em oração! Em Jesus Cristo, que nos envia, e no Espírito Santo que nos acompanha, acreditamos que nada há a temer!

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No Domingo, depois da oração da manhã e do pequeno-almoço, começaram a chegar os nossos familiares para passarem connosco este dia em ambiente de festa e convívio! Todos se apresentaram, depois das boas-vindas do padre Francisco Medeiros, e a leiga Vânia passou à apresentação de tudo o foi feito pelos LMC ao longo do ano, dando enfase às notícias que nos foram chegando da República Centro Africana, da Augusta e da Cristina; do Perú, da Paula e da Neuza; do Brasil, da Liliana e seu marido Flávio; de Moçambique, da Marisa e da Etiópia, do Pedro e da Carolina. Perante a emoção dos familiares destes leigos, vimos fotos e vídeos que retratam bem o que é ser missionário junto dos mais pobres e desfavorecidos!

Logo de seguida tivemos o testemunho da Maria Augusta, acabadinha de chegar da República Centro Africana. Na sua simplicidade e simpatia foi-nos contando os acontecimentos, aventuras e desaventuras mais recentes.

Seguiu-se a Eucaristia, momento forte do dia, com a partilha da Palavra e do Pão, assim como da Fé e Carisma Comboniano que nos une a todos.

Depois do almoço partilhado, onde as mesas se encheram e nada faltou, seguiu-se, pela tarde fora o convívio entre todos. Com brincadeiras, jogos, cantares, anedotas e outras coisas mais, nos divertimos à grande e à portuguesa.

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Um muito obrigada a todos, sobretudo aos formadores e equipa Coordenadora, que nos acompanharam por mais um ano!

Glória Rocha

Fim de Semana de Espiritualidade Comboniana de 2019

Faz o Teu Coração Ser Missão

No mês de junho, o nosso encontro não foi o normal encontro de formação em Viseu, mas um encontro em família comboniana na Maia, o fim-de-semana de espiritualidade comboniana, que aí acontece todos os anos e é preparado e organizado pela Comissão da Família Comboniana. Este ano reunimo-nos aí, nos dias 28, 29 e 30 de junho, com o tema “faz o coração ser missão”, tema do ano para a Família Comboniana.

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Foi um encontro muito bonito! Primeiro, participou um grupo pouco numeroso mas muito diversificado, o que enriqueceu em muito as perspetivas e partilhas sobre os temas abordados! Depois, foi um encontro muito rico em temas de reflexão mas também no convívio em família comboniana, reforçando entre todos laços de amizade e comunhão.

Durante a manhã de sábado, após a oração da manhã falou-nos D. António Couto, bispo de Lamego, com o tema “o coração na Bíblia”. Aprofundámos o sentido bíblico do coração, o seu significado. De seguida, olhámos para o que significa “ser missão” e D. António partilhou algumas perspetivas sobre ser missão e realizar trabalho missionário nos dias e circunstâncias de hoje, concretizando com alguns testemunhos concretos de grupos e pessoas que realizam hoje um trabalho missionário muito frutuoso.

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Depois partilhámos entre os participantes sobre o tema formativo dado pelo bispo de Lamego, respondendo a algumas perguntas de reflexão por ele deixadas.

De tarde, foi a irmã Arlete, missionária comboniana, quem nos falou. Falou da vida de são Daniel Comboni, da sua “paixão do coração” pela África, da sua “cordialidade”, ou seja, como o seu coração se movia por todos e “guardava todos no coração”, da sua devoção ao Coração de Jesus.

Depois, voltámos a partilhar em grupos sobre o que ouvimos, procurando refletir juntos no modo de viver hoje e nas circunstâncias de hoje esta mesma paixão e entusiasmo de Comboni.

Ao fim do dia, celebrámos a missa e depois tivemos uma sardinhada, onde pudemos conversar, conviver, fortalecer laços de amizade! Um momento muito bonito e agradável!

805de1d3-5439-49a7-939c-6159a0d7bbd3.jpgNo domingo, após a oração da manhã, juntámo-nos todos para expormos e partilharmos o que no dia anterior tinha sido refletido em pequenos grupos. A partir daí houve novas partilhas, novas reflexões e foi um momento de meditar juntos e enriquecermo-nos mutuamente.

Terminámos com a Eucaristia. Aí, entregámos ao Senhor todos os propósitos que neste encontro pudemos fazer para a nossa vida, bem como entregámos o entusiasmo missionário em cada um gerado e revigorado neste encontro.

Foi um encontro em que, rezando e partilhando juntos, pudemos animar-nos mutuamente enquanto família comboniana a ser missão, a entusiasmarmo-nos pelo anúncio e pelo testemunho, a fazê-lo “apressadamente”, com vigor e perseverança, em qualquer circunstância!

 

Filipe Oliveira

A cor do amor

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Talvez a ideia que temos da missão e do mundo seja ainda um pouco cor-de-rosa, na verdade, para mim, a missão é um arco-íris, de cores, de emoções, de momentos e de aprendizagens. A missão é mais que o céu azul e vasto que todos os dias abraço no início e no fim do meu dia, é mais que o castanho da areia desértica que cobre o chão. É mais que o verde da paisagem de algumas árvores que lutam para permanecer verdes, e que o cinzento dos dias de neblina que encobrem os vulcões. A missão é de uma imensidão de cores. É da cor dos rostos que me comovem e me fazem sorrir, é da cor das histórias que todos os dias ouço horas e horas sem fim e me lembram da matéria simples e humilde de que somos feitos, é da cor de todos os corações que me chegam e me ensinam que é possível amar mais. É da cor dos sorrisos, dos abraços, das lágrimas é da cor da paisagem natural e humana. A missão diária de seguir com eles é tão vasta, é de tantas cores.

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Entre os meninos que me chamam na rua e no jardim de infância, e com os quais partilho a alegria de ser criança uma e outra vez, sem medo entregue a eles. Aos idosos que bailam livres quando vêm ao nosso encontro, e deixem-me dizer-vos, que para muitos, somos a sua única família. Verdadeiras histórias de superação e luta. Às famílias quando nos reunimos para partilhar o todo, na soma individual das partes porque, é nesse meio entre uns e outros que, nos encontramos e nos doamos sem premissas ou condições, só porque sim. É nas visitas diárias que encontro um verdadeiro sentido para a minha caminhada e vejo e revejo as cores do meu mundo aqui e agora. Aqui, nesta pequena vila é onde todos os dias a verdadeira experiência de ser eu, na essência das cores que tenho dentro e de todas aquelas que me permito ver no mundo.

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Confesso-vos que me permito muitas vezes moldar por eles, moldar pela sua experiência de vida e de Deus, que me deixo horas e horas observar o que são e o tanto que me ensinam, que me permito sair de mim para aprender deles. Sempre tive certo dentro de mim que não fui chamada para nada mais que amar. Amar este povo, esta cultura e os seus costumes. Amar, nas suas múltiplas perspetivas, na queda, no erro, no levantar e na esperança de ser a cada dia a melhor versão de mim mesma. E ainda que já tenha passado mais de um ano aprendo deles todos os dias, aprendemos juntos. E assim, todos os dias descubro mais uma cor dentro e fora de mim, neste intercâmbio de vidas, histórias e rostos descubro todos os dias a cor do Amor.

p.s O amor não tem uma só cor, o amor será sempre da cor que tu quiseres!

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

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