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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Jornal Astrolábio - A Maria Augusta já está entre nós

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires já está em Janeiro de Baixo, para passar algum tempo do Verão entre nós, à semelhança do ano passado, para depois regressar à Missão de Mongoumba. Mas, antes de chegar, enviou uma mensagem que nos faz bem ler: Cheguei ontem à tarde a Bangui, para amanhã prosseguir viagem até aí. Dou muitas graças a Maria e a seu Filho Jesus, que estiveram ao meu lado, cada dia, nas alegrias e nas tristezas, sobretudo nos momentos de maiores dificuldades.

Bem hajas a toda a minha família, a todos os que oraram por mim e por todos os missionários que trabalham comigo. Muito obrigada! Peço muito ao Senhor pela Paz neste nosso país e também pelos outros países, que tanto a anseiam também! Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos afim de terminarem as guerras. O Senhor toque os corações daqueles que atacam os inocentes, que destroem tudo o que aparece à sua frente.

No Domingo [1 de Julho], celebrámos a festa do 50º aniversário da Paróquia de S. George de Mongoumba, e foram realizados 249 crismas. Graças a Deus que eram dois bispos: Monsenhor Rhino, nosso Bispo (Bispo de Mbaiki); e Monsenhor Jesus [Bispo auxiliar de Bangasso, e que, antes, foi padre em Mongoumba]. Estava a Igreja repleta de gente e fora dela quase que havia outras tantas pessoas. Foi uma celebração muito longa (quase 6 horas) mas vivida com muita alegria e entusiasmo. Os fiéis não saíram da Igreja sem terminar. Estiveram presentes representantes de todas as autoridades e também das diferentes igrejas cristãs. No final da Santa Missa, D. Rhino falou sobre a morte do enfermeiro acusado de "likundu" [feitiçaria] e leu os artigos da constituição que defendem a Vida. Espero que as autoridades e todos os cristãos, tenham ouvido e guardado dentro dos seus corações as suas palavras para que vivamos todos como irmãos, verdadeiros filhos de Deus. Os crismados de Mongoumba percorreram os bairros da vila, cantando cânticos, e à noitinha vieram à igreja rezar e cantar em Acção de Graças por este dia. Peço ao Senhor que os ajude a todos a serem anunciadores do Evangelho, a seguirem Jesus fielmente e a não se deixaram enganar pelas "seitas", que existem muito aqui.

O ano escolar terminou no dia 27 com a proclamação dos resultados. Graças a Deus, este ano foram um pouquinho melhores que no ano passado. A Cristina começou a ir visitar os acampamentos pigmeus, acompanhada pelo senhor Bob, a fim de fazerem animação (prevenção de doenças, higiene ...) e tratarem aqueles que estão doentes e tardam a ir ao hospital. Muitas vezes, só vão ao hospital quando já estão muito mal e alguns acabam por falecer. A Ana voltou de férias no dia 8 de Junho bem animada, cheia de força para continuar a Missão. O Simone e o Padre Samuel estão bem, mas o Padre Fernando veio ontem e tem malária resistente... Ficará na paróquia de Fátima até Agosto, mês em que irá de férias. Que o Senhor o ajude!

Partirei amanhã e chegarei a Lisboa quinta-feira [5 de Julho] pelas 15h35. Sempre unidos pela oração.

Um abraço para todos da LMC Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 124 – 22 de Julho de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Actividade Prática para Voluntários Missionários da FEC

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Já lá vai algum tempo… nós sabemos. Porém, os frutos da actividade prática de Missão para Voluntários Missionários proposta pela FEC – Fundação Fé e Cooperação – estão ainda bem presentes nas vidas das nossas LMC Maria José Martins e Nelly Gomes, que tiveram a possibilidade de nela participar. Esta actividade decorreu entre os passados dias 7 e 10 de Junho na Casa de Saúde do Bom Jesus (Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus) em Braga. Hoje partilhamos a entrevista que fizemos à Maria José, sendo patentes em todas as suas respostas a sua emoção e orgulho em ter feito parte de uma actividade como estas.

Carolina Fiúza - Maria José sabemos que estiveste 4 dias em Braga na actividade prática de Missão para Voluntários Missionários em Braga. Em que consistiu a atividade prática? O que faziam? Como era o programa diário?

Maria José - Ora bem, nós quando chegámos lá fomos organizados em grupos de dois pertencentes a ordens diferentes e decidiram mandar-nos para vários serviços: serviços com acamados que tinham problemas profundos. Eu fiquei com um jovem e fui parar ao serviço em que estavam pessoas que tentaram o suicídio, pessoas com graves problemas familiares e que ficaram afectadas mentalmente. Era um serviço com variadíssimas faixas etárias: tínhamos uma senhora com 90 anos que me encheu o coração porque era a senhora dos abraços e dos beijinhos e eu também sou de abraços e beijinhos. Então ela abraçava toda a gente e, quando ia à missa, abraçava todos; procurava todos nós do grupo para poder dar abraços e dizia «Eu gosto tanto de si! Eu gosto tanto de si!». Então, essa foi uma senhora que ficou marcada para todo o grupo, embora fosse do meu serviço. Nós levantámo-nos e tínhamos o pequeno-almoço às 8h e às 8h30 íamos para os serviços. Cada qual para o seu serviço, para darmos os pequenos almoços, estarmos presentes pelo menos nos pequenos almoços dos utentes.

Depois, durante a manhã nos estávamos com os utentes e com eles íamos conversando. Eles vinham ter connosco. Nós estávamos na parte só das mulheres. Haviam pessoas que já lá estavam há 20 anos, outras que não sabiam há quanto tempo estavam porque, depois de fazerem os seus tratamentos, as irmãs averiguavam o ambiente familiar, e quando o ambiente não é positivo, optam por manter lá as pessoas. Quando as pessoas já estão curadas, ou pelo menos, apresentam a capacidade de serem auto-suficientes, são mandadas para dois apartamentos (salvo o erro) que existem na casa das Irmãs Hospitaleiras, e é-lhes fornecida uma quantia financeira e então tentam administrar o seu dinheiro, organizar-se e viver sozinhas. Claro que tudo isto é orientado pelas Irmãs que vão estando super atentas, até que verificam se a pessoa está ou não apta para viver sozinha, para ser auto-suficiente. Se consideram que sim, que está apta, as pessoas são enviadas para outros apartamentos que as Irmãs têm em Braga, na cidade, aí já de uma maneira completamente auto-suficiente: tiveram a aprovação e vão tentar reiniciar uma vida com orientação das irmãs mas algo mais ligeiro.  Esta situação também me impressionou bastante pela positiva pois demonstra o cuidado das Irmãs com os utentes na vida social e vê-se que elas se preocupam muito para além das 4 portas da Casa do Hospital.

A nota positiva vai também para as instalações. As instalações eram muito boas, com o necessário, com lugares para sentar para todos, com mesas, com televisões. E sobretudo, as instalações muito limpas com cheiro agradável e viam-se instalações muito cuidadas, com muita luz em comparação com outros. Vê-se que ali se preocupam com o proporcionar o bem estar aos utentes.

Às 11h da manhã havia missa e então nós voluntários oferecíamo-nos para acompanhar utentes que quisessem participar na Eucaristia. Para elas eram sempre muito bom e participavam sempre muitíssimo bem. E havia alegria na missa: haviam cânticos, uma irmã que tocava viola e piano. Então eram sempre missas animadas!

Depois tínhamos hora marcada de forma rígida para o almoço: ajudávamos os utentes com o almoço, íamos ajudando de forma discreta sempre sem eles se aperceberem muito porque estávamos sempre no sentido de promover a auto-suficiência. Mas, de vez em quando, cortávamos a carne a uma pessoa mais “aflita”, íamos fazendo assim essas pequenas coisas, íamos vendo se estava tudo bem em cada mesa; ajudávamos também no levantamento dos pratos para a copa e, quando terminavam as refeições dos utentes, nós, comunidade de voluntários, fazíamos as nossas refeições. De maneira que nos encontrávamos aí. Era rígido o horário, tínhamos que estar todos na mesa à mesma hora, e aí fazíamos já um pouco de partilhas mas, mal acabássemos de almoçar, íamos tomar o café e seguíamos para os serviços respectivos para continuarmos a cuidar, a ajudar, a participar no dia-a-dia dos utentes. Mais do que uma vez promovemos desenhos, algumas actividades, conforme eles estivessem ou não interessados. Uns participavam, outros não.

As irmãs têm ateliers de pintura, de tricô, crochet, trabalhos vários de artesanato que vendem. No nosso caso, que tínhamos as utentes que eram praticamente todas independentes e poderiam trabalhar nestas actividades, durante a tarde tivémos oportunidade de ir visitar e ver os trabalhos que faziam. Faziam coisas lindsissímas! E era assim que ocupavam os seus tempos.

À noite nós fazíamos reunião depois do jantar e aí aproveitávamos para falarmos das nossas experiências diárias, falarmos das nossas impressões, o que sentimos, o que não sentimos. Também fazíamos jogos entre nós organizados pela Catarina Lopes António, com objectivos precisos. Os nossos serões eram bastante agradáveis! Acabávamos por nos recolher bastante cedo para o dia seguinte.

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CF - Que dificuldades sentiste?

MJ - Dificuldades: nós não tivemos porque o sistema estava muito bem organizado. Então, não haviam dificuldades. Se precisávamos de alguma coisa havia sempre quem nos ajudasse. De uma forma geral, quando comentávamos entre voluntários, ninguém fazia referência a qualquer tipo de dificuldade. Antes pelo contrário: sempre nos tentaram facilitar tudo, a nossa presença e sempre foram todos muito agradáveis connosco. Fiquei encantada com a jovialidade das irmãs, independentemente da sua idade: aqueles sorrisos lindos de quem vive feliz por aquilo que está a fazer e isso impressionou-me e tocou-me muito.

CF - Sentiste alguma divergência entre os vários voluntários, não só na sua diferente forma de agir enquanto pessoas, mas também enquanto membros de carismas e grupos missionários diferentes?

MJ - Nunca tivemos divergências! De vez em quando havia um elemento que eu não conhecia bem e que acabava por pensar de uma forma um pouco diferente de todos nós voluntários. Mas, de qualquer maneira, conversávamos e estava tudo certo. Não houve qualquer tipo de problemas.

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CF - O que mais te marcou ? Que sentido(s) teve para ti esta atividade?

MJ - A última noite, uma noite muito marcante para todos nós. Fomos convidados pela comunidade religiosa para jantarmos com elas. Então foi realmente um jantar bastante interessante. Desde o ambiente em si – estávamos todos muito próximos uns dos outros -, as irmãs com aquele sorriso maravilhoso! No fim, a irmã mais velha, responsável pela comunidade, resolveu presentear-nos com um fado que foi das coisas melhores que podia ter assistido. A irmã pediu para ser à média luz para não lhe vermos a placa dos dentes (risos). Era uma pessoa cheia de sentido de humor. E então começou a cantar um fado sobre a andorinha. Foi muito engraçado porque, para além de ela ter uma voz esplêndida e a canção ser muito bonita, (a canção) era ela a falar com uma andorinha e, às tantas, ela dizia “E a andorinha respondeu-me…” e toda a comunidade das irmãs fazia de andorinhas e davam uma resposta. Muito bem cantado! Para nós foi muito agradável e foi uma noite excelente que nenhum de nós esquecerá!

Em relação a mim, Maria José, como é que isto tudo me tocou, o que é que eu trouxe no meu coração sobre isto? Eu assisti a uma coisa que me impressionou imenso e que eu resumo numa frase: o respeito pela dignidade humana. As pessoas eram tratadas com um respeito profundíssimo. Eu já trabalhei em lares e já vivi essa experiência e muitas vezes me questionava porque lá não havia uma higiene oral suficiente. E na Casa das Irmãs Hospitaleiras aconteceu uma coisa muito engraçada. Eu fiquei uma hora cidrada a assistir a isto (que pode parecer algo sem muita importância mas, para mim, teve muita importância): as utentes depois do pequeno-almoço dirigiam-se à casa de banho onde estava uma funcionária e, todas em fila, iam-se aproximando dela; dentro de um armário haviam as escovas e copos todos com a respectiva identificação; estavam também umas caixas identificadas onde, no dia anterior, as utentes deixavam as suas placas com água e a funcionária acrescentava água e pastilhas tipo corega. No momento da lavagem dos dentes, a funcionária entregava a respectiva placa. No armário tinham cremes hidratantes para a pele e a funcionária aplicava creme a TODAS as pessoas que lá passavam – de todas as idades – desde a mais jovem, até à de 90 anos. Depois, a seguir, tinha um perfume que punha a todas: todas estavam perfumadas. E tinha uma zona onde haviam bijuterias que elas escolhiam, não de uma maneira exagerada mas sim de uma maneira que as embelezava. Depois, a funcionária ainda as penteava e haviam as mais novas que pediam à funcionária que lhes fizesse uma trança. E ela, tranquilamente, fazia a trancinha à pessoa que lhe pedisse! E aí é que eu vi realmente o valor que dão à dignidade. Ninguém está habituado a ver as pessoas em hospitais psiquiátricos cheirosas, cuidadas… por norma, não acontece nada disto! E então, isto era feito diariamente. Haviam aquelas que tinham os seus próprios perfumes, cremes. Mas havia o geral, para todas, para as que não tinham. Eram todas muito cheirosinhas e cuidadas e isso a mim marcou-me muito, este cuidado com aquelas pessoas que, possivelmente, noutras circunstâncias não teriam isto. E não importava o tempo – a funcionária estava lá para cuidar delas, demorasse o tempo que demorasse. O respeito pela dignidade humana foi aquilo que mais me marcou nesta experiência de 4 dias.

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Depois ali senti que o amor ao próximo é realmente a solução para todas as coisas, para todos os problemas. É o amor que move o mundo. Eu vivenciei isso. A minha vontade não era de vir embora; era de ficar lá! Porque, aqueles 4 dias em que démos… é sempre aquela história: nós damos, mas recebemos muito. Então, havia aquela troca e só faz sentido, e só aconteceu e só continuará a acontecer por causa do amor com que Deus nos encheu o coração e que nós queremos dar ao próximo. E portanto eu continuo a achar que o amor é que move o mundo, é que move montanhas. O amor que nos é concedido por Deus e que nós seguimos através de Jesus Cristo, esse amor é que é o mais importante… e até provas em contrário, será esse o meu lema de vida. De todas as suas formas incondicionais e que o Senhor assim me permita ter alguém a quem possa passar esse amor.

CF - Como avalias toda a atividade?

MJ - Senti-me uma privilegiada por ter vivido esta experiência. Deixou-me profundamente feliz: já não me lembrava de me sentir tão feliz como me senti. Sinto-me tranquila também por ver que há pessoas como as irmãs Hospitaleiras que chegam aos mais necessitados com tanta felicidade e transmitindo tanta alegria, tanto amor que dá para pensar que, apesar de tudo, há quem faça a diferença e obrigada Senhor por isso. Abençoa quem faz a diferença e permite que possamos desempenhar sempre o que nos pedes e que nos ajuda-nos a descobrir verdadeiramente o que requeres de nós.

CF – Muito obrigada Maria José! E apesar de, esta ser uma entrevista em que apenas oiço a tua voz, reconheço o sorriso nos teus lábios enquanto respondes e a o brilho nos teus olhos… e a saudade que fica dessa semana que, acredito, te marcou profundamente, especialmente porque o cuidado ao próximo é a tua área de trabalho e sei que já viste realidades muito distintas das que presenciaste nesta semana! Parabéns pela tua coragem em aceitares este convite de Deus e também à FEC pela iniciativa e possibilidade de permitir aos seus formandos uma semana tão frutuosa como esta.

Festa LMC, a alegria da partilha em Família

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"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". (Jo 14, 6) Uma frase bíblica que ecoou no fim do dia de sábado que compôs o fim de semana da família LMC (em Viseu), na oração do fim de tarde. 

Iniciar este dia de sábado (7 de Julho) trouxe-me aquela sensação saudosista de ver as caras de sempre naquela casa de Viseu dos MCCJ que tantas vezes me acolheu para a formação proposta. O Caminho. Um caminho que é proposto para os que assim sentem no seu íntimo a paixão ardente de pertencer a esta família de LMC. 
Iniciar este dia fez-me recordar a Marisa, a Cristina, a Paula, a Neuza que agora se encontram em missão e que me acompanharam de perto no discernir um compromisso LMC. Recordei o Tiago Santos que entretanto não pode continuar connosco; o Flávio Soares cuja vida se mantém próxima, mas cujo caminho (porquanto) lhe pede outras dedicações; a Rufina que (hoje percebo) tem uma grande missão junto dos refugiados; a Patrícia Bernardino cujo paradeiro desconheço, mas que seguiu um belo caminho de discernimento vocacional. E tantos outros. Tantos que preencheram esta casa e que fazem deste lugar um recordar de crescer que Deus nos vai permitindo desbravar. 
Iniciar este fim de semana (7 e 8 de Julho) pediu-me que saísse de mim e reconhecesse esta família que cresceu, que está a crescer, com pessoas maravilhosas que trazem no seu coração um alma missionária que lhes pede para ir ao coração dos mais pobres e necessitados. E quão bom é reconhecer esta família que cresce e que a ela pertenço orgulhosamente!
Uma família que se reuniu para um momento de avaliação do ano que passou, para entender o caminho que foi desbravado e conversá-lo. Uma família que se reuniu para também conversar sobre documentos importantes e que serão o pano de fundo da nossa Assembleia Internacional em Roma este ano de 2018.  E que discussões se desenrolaram em prol do nosso movimento; conversas que originaram ideias de futuro para nós. E que orgulho ver este empenho de todos os leigos e formandos, também, traduzindo a vontade de nos tornarmos melhores, à imagem daquilo que Deus quer para destino dos LMC. Sábado cansativo que terminou em ritmo de oração. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Juntos rezamos esta vontade de fazer caminho individual, mas também como movimento. 
 

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Domingo, dia de receber os nossos amigos e família. Um grande dia de animação no qual, juntos, pudémos falar com a Marisa e a sua comunidade de Moçambique. E que emoção é sabê-la feliz e em missão (de tal forma inculturada que até já se perde entre pronúncias portuguesas e moçambicanas). Vimos vídeos da Paula e da Neuza que nos transmitiram de forma genuína a sua  missão em Arequipa (Peru) e a importância que há na sua ação junto das pessoas, uma missão muito de olhar A pessoa, A sociedade com as suas particularidades. Uma missão social, de comunidade. Vimos também um vídeo do Flávio e da Liliana que estão em Piquiá (Brasil), testemunhando o trabalho junto de um povo que reclama por condições de habitação, um povo que se reúne para celebrar as colheitas. 

 

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 E, terminando este momento de testemunhos da missão de lá, falou-nos o Padre Joaquim Nogueira (acabado de chegar da missão da Etiópia). E que maravilha de testemunho! Quantas dificuldades, mas quanto de riquezas brilhavam nos seus olhos enquanto nos transmitia o que os Combonianos têm conseguido juntos destes "mais pobres e abandonados, onde ninguém vai". 

 Seguimos com a Eucaristia, o almoço partilhado e terminamos a nossa tarde com um momento para "rir com Deus": uma sessão de risoterapia facilitada pelo Fernando Batista, criador do projeto mais rir e que tem também uma grande missão - a de Evangelizar Cristo de uma forma divertida, descontraída e com Fé. 
 
 Enviados fomos. E partimos. Cada um para sua casa mas na certeza de que caminhamos juntos, seguindo "o Caminho, a Verdade e a Vida".
LMC Carolina Fiúza

Fim de semana de Espiritualidade Comboniana

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No passado fim-de-semana, de 8 a 10 de junho, os Leigos Missionários Combonianos marcaram a presença no Fim-de-Semana de Espiritualidade Missionária Comboniana, realizado na Maia e que teve como tema São Daniel Comboni - desafio para os jovens de hoje.

O encontro iniciou na sexta-feira à noite com a apresentação de todos os participantes, de entre os quais estavam membros dos diferentes ramos da família comboniana e mais alguns amigos e colaboradores.

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A manhã de sábado iniciou com o momento de oração orientado pelos formandos dos LMC presentes.

A Secular Comboniana, Helena Laranjeiro, abriu a temática convocando todos os presentes a enumerarem uma chuva de palavras em volta da palavra Jovem. Entre as várias palavras e expressões citadas, concluiu-se que os jovens são bons e, muitas vezes, são as “pessoas” que os definem como “maus”. Ainda dentro da procura da definição de Jovens, foram feitos pequenos grupos que discutiram entre si a visão da realidade juvenil nos dias de hoje e os seus aspetos positivos e negativos.

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A segunda parte da manhã foi assinalada pelo testemunho do P. Nuno que pertenceu à pastoral universitária de Coimbra, falando sobre o seu trabalho com os jovens no dia de hoje, salientando que não nos poderemos focar no número de jovens presentes nas atividades, paróquias e movimentos, mas sim pela qualidade, sendo essa uma vantagem, uma vez que é mais fácil de trabalhar e acompanhar. Da sua experiência, evidenciou alguns dos erros comuns da Igreja, quanto animadora da comunidade, referindo que devemos falar com entusiasmo e alegria, mostrando aquilo que dizemos sobre a alegria de seguir Jesus Ressuscitado.

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 De tarde, a sessão foi orientada pelo p. Ricardo Gomes que partilhou a sua experiencia como padre jovem e também do que são Daniel Comboni já dizia a respeito dos jovens. Dividiram-se novamente os grupos para refletir e discutir alguns escritos de Comboni destinados a vocações jovens.

Ao final da tarde prosseguiu-se com a Adoração ao Santíssimo, sendo esse um momento forte do dia, uma vez que permitiu refletir e interiorizar sobre o tema, tudo o que se ouviu e partilhou.

Após a Eucaristia com a comunidade da Maia, seguimos para o churrasco em formato convívio, onde não faltaram as sardinhas assadas, o caldo verde, a música animada e uma boa dose de animação!

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 No domingo de manhã, após a oração, seguimos para um painel orientado pela irmã Arlete e com a participação do padre José Vieira (provincial dos Missionários Combonianos), Sofia Coelho, Mónica Silva e Filipe Oliveira, que uma vez ligados a diferentes grupos de jovens e modos de vida, testemunharam sobre a temática “Jovens na igreja”.

Assim, vivemos um fim de semana muito rico em partilhas, testemunhos e, sobretudo, em reflexão e oração, num ambiente muito familiar e caloroso.

Mónica Silva

Últimas notícias de Maria Augusta da Missão de R.C.A.

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires, de Janeiro de Baixo, que está em missão na República Centro-Africana (na Missão de Mongoumba), aproveitou mais uma vinda à capital (Bangui) para enviar notícias. Rezemos pela paz naquele país e por todos os missionários! Eis o texto enviado por ela [para o jornal da sua paróquia, O Astrolábio]  no passado dia 25 de Maio:

Eu e todos os membros da comunidade apostólica estamos de boa saúde, graças a Deus.

Estamos em Bangui para fazer compras... a Ana tinha a viagem marcada para o dia 18, mas, como a adiou para o dia 8 de Junho, tivémos que vir na mesma, porque nos faltavam medicamentos e muitas outras coisas necessárias no dia-a-dia, e também já tínhamos a despensa quase vazia.

No dia 12 de Junho voltam o Gervelais e o pai, de Dakar. Damos graças ao Senhor porque correu bem a operação. Espero que ele esteja contente e de boa saúde.

No dia 11 de Maio, foi morto, espancado, um enfermeiro do hospital acusado de "likundu" (feitiçaria). Ficámos todos muito tristes com este acontecimento. Esperamos que seja feita justiça e que os que lhe causaram a morte sejam bem castigados, a começar pelas autoridades que lhe recusaram protecção... Pedimos ao Senhor que nos ajude a defender as pessoas apontadas de tal maldição. Já houve vários casos de pessoas acusadas e que foram protegidas pela Missão e por alguns cristãos corajosos. Que o Senhor da vida faça que tal nunca mais aconteça com ninguém e que todos os cristãos tenham a força de denunciar tais violências.

No dia 1 de Maio, em Bangui, na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, durante a Eucaristia, foram mortas 16 pessoas e 100 ficaram feridas pelos rebeldes. Acabaram por falecer 22 pessoas, entre elas, um dos padres que estava a concelebrar. Os habitantes deste bairro continuam com muito receio de serem atacados de novo. Rezem muito por este nosso povo, que já está cansado de sofrer...

Eu, se Deus quiser, não voltarei a Bangui antes da partida para Portugal, pois, no mês de Junho, estarei muito ocupada com as avaliações dos alunos e os trabalhos do final de ano. No dia 4 de Julho, parto de Centro África e chego a Lisboa no dia 5, à tarde. É como no ano passado. Voltarei à Missão, se Deus assim o quiser, no início de Setembro. A Cristina está animada, continua a estudar o sango [língua local].

Estamos sempre unidos pela oração, isso dá-nos muita força e coragem. Um grande abraço Missionário, do tamanho do mundo, para o Padre João e Padre Orlando e todos os féis a vós confiados. Até breve!

Com muita amizade

Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 121 – 3 de Junhode 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Conto Africano

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Numa tarde de Verão, depois dos cantos e danças, todos se sentaram em redor do chefe da tribo. Ele fixou o olhar num dos seus guerreiros e começou a falar-lhes assim:

— Se alguém fizer mal ao teu irmão e tu quiseres vingar-te matando-o, faz o seguinte: senta-te, enche o cachimbo e fuma. Compreenderás então que a morte é um castigo desproporcionado e resolverás dar-lhe apenas uma boa sova. Antes, porém, enche novamente o teu cachimbo e fuma até o esvaziares. Convencer-te-ás que, em vez da sova, bastaria uma boa repreensão. Se, entretanto, encheres o cachimbo pela terceira vez e ficares a reflectir até o esvaziares, ficarás persuadido que é melhor ir ao encontro do inimigo e abraçá-lo.

 

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 120 – 13 de Maio de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Relações humanas e vida em grupo - 4ª Formação FEC

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Relações humanas e vida em grupo, foi o tema da formação da FEC no fim-de-semana de 14 e 15 de Abril de 2018, ministrado pela formadora Paula Silva.

O tema foi muito interessante uma vez que nos fez reflectir sobre vários temas musicais e nos colocou questões com perguntas sobre a letra das mesmas projectando-as para a nossa vida e para a missão.

Por exemplo; a “Lista” de Oswaldo Montenegro na qual colocou 10 perguntas referentes a nós que nos fizeram relembrar o passado e reflectir no presente.

Outra foi os “Contentores” do Xutos & Pontapés com 7 perguntas que nos fez reflectir sobre a nossa partida para a missão, questionando-nos sobre o que levávamos, o que deixávamos, o que conhecíamos do lugar para onde íamos e como achávamos que nos iríamos sentir à chegada para recomeço de vida partindo do zero com o objectivo da possibilidade de se poder ir mais além e estabelecendo os objectivos da nossa permanência no voluntariado.

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Ouvimos o testemunho da Susana Querido que esteve 6 meses em Angola e pertence ao grupo missionário Ondjoyetu.

Terminamos com a Eucaristia seguida do almoço e partida para as nossas casas.

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LMC Nelly Gomes

 

 

 

Jornal “Caminho - um testemunho

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Partilhamos mais um pedaço do Jornal Caminho de Abril da Paróquia de Cristo Rei da Vergada. Hoje com o testemunho do casal LMC Sandra Fagundes e Carlos Barros.

 

Um testemunho

 

Os Leigos Missionários Combonianos (LMC) são um Movimento de cristãos que, tocado pelo chamamento de Deus e segundo o Carisma de S. Daniel Comboni, se sentem impelidos a anunciar Jesus Cristo àqueles que ainda O não conhecem. Sendo um sinal da missionaridade das Igrejas locais, partem para outros povos ou culturas, por períodos de 2 anos ou mais, num compromisso apaixonado que se mantém após o regresso.

Veio o SENHOR, pôs-se junto dele e chamou-o, como das outras vezes: «Samuel! Samuel!» E Samuel respondeu: «Fala, SENHOR; o teu servo escuta!» 1.º Samuel 3, 10

O Senhor, ao longo das nossas vidas, chama-nos repetidamente. Às vezes é difícil “ouvir” este chamamento, ou porque estamos distraídos, ou porque simplesmente tapamos os ouvidos.

A nossa experiência, como casal comprometido com a Missão, iniciou precisamente com o “sim” que cada um de nós, individualmente, deu como resposta à vocação à qual o Senhor nos chamou.

Sem medo de arriscar, deixámos aqui os amigos, a família e o trabalho e partimos para o Norte de Moçambique, mais concretamente para a Missão Comboniana de Carapira. (A Sandra de Novembro de 2006 a Janeiro de 2009, o Carlos de Novembro de 2008 a Dezembro de 2011). Em períodos diferentes ali vivemos alguns anos com o povo Macua. Apenas depois namorámos e casámos, agora vivemos a nossa vocação de Leigos Missionários Combonianos e também a vocação do matrimónio não na missão além-fronteiras mas na missão em Portugal, no nosso dia-a-dia.

Partilhámos com o povo Macua, as suas vidas, suas alegrias e tristezas, que apesar de ser um povo que sofre com a falta de cuidados de saúde básicos, com a falta de qualidade no ensino, e de viver com quase nada, é capaz de repartir entre si, e desinteressadamente, o pouco que tem. Ali não existe lugar para o egoísmo nem preocupação em acumular riquezas pessoais e apesar de viverem com dificuldades têm uma alegria contagiante.

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 Esta alegria de Jesus e da sua Boa Nova que levámos connosco, que, na verdade já lá estava, que descobrimos e redescobrimos com aquele povo maravilhoso que tanto nos deu!

Cada reencontro com Deus é uma grande festa para este povo. São pobres e necessitados nos caminhos da vida, mas alegres e felizes na relação com Deus. As danças, os cânticos, os símbolos, os silêncios (especialmente os silêncios)... foi algo de tão eterno, que muitas vezes, compreendemos que ainda somos muito pobres na nossa relação com o Pai...

Voltando ao nosso país não faria sentido deixar de anunciar esta boa nova que Jesus nos deixou, de partilhar e levar a missão a quem encontramos no nosso caminho principalmente o que vivemos como Leigos Missionários Combonianos além-fronteiras, o que sentimos e partilhámos com o povo Macua, as suas alegrias e tristezas! Simplesmente não podemos reter dentro de nós tudo isto!! Continuando a dar resposta à nossa vocação laical, tentamos ser o reflexo do rosto de Cristo, para as pessoas que também aqui sentem essa inquietação do chamamento de Deus. Não podemos deixar de O testemunhar.

Como casal, tentamos viver a nossa vocação como Leigos Missionários Combonianos, sendo testemunho do Amor de Cristo por toda a Humanidade, pela partilha da nossa vida, no seio da nossa família, no nosso meio profissional, com os amigos, com as pessoas com quem nos cruzamos no dia-a-dia, ajudando a formar leigos para a missão, levando um pouco da missão a cada um, que pode não partir mas pode ser missionário na sua paróquia, na sua vida.

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 Este anúncio, através da vocação matrimonial, nem sempre é fácil… mas Ele nunca nos abandona. Sentimos que podemos ser um pequenino farol. Sentimos que Deus nos encoraja a trazer um pouquinho destes povos até às nossas comunidades, dando-lhes a conhecer as suas dores, as suas alegria e a sua cultura. Mesmo estando do outro lado do mundo fazemos comunhão através da oração.

Agora não estamos lá… estamos cá, mas a missão continua e leva-nos a sonhar com uma Igreja cada vez mais aberta ao outro.

Sandra Fagundes e Carlos Barros

Leigos Missionários Combonianos

Jornal “Caminho - notícias da missão no Peru

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Partilhamos mais um pedaço do Jornal Caminho de Abril da Paróquia de Cristo Rei da Vergada.  Hoje com notícias do Peru pela LMC Neuza Francisco. 

Amar é a partida

 

 

Desde que cheguei aqui, tenho descoberto a cada dia que passa, o amor. Um amor que exigiu e exige continuamente uma partida, uma partida de nós próprios, uma partida de tudo o que já conhecemos, uma partida que exige que te ponhas a caminho. Precisamos amar o mundo e tudo o que n’Ele espelha o amor de Deus. Aqui encontrei uma outra forma de amar, encontrei um amor disponível, um amor simples, um amor que brota da honestidade do que tenho e do que partilhando permitimos doar e receber do outro. Assim de forma desinteressada. Um amor que brota de um crescer juntos, como irmãos. É aqui que sinto ardentemente que tenho que estar. É neste irmão que sinto todos os dias o chamamento de Deus. É nas subidas e descidas dos grandes montes que me rodeiam que encontro constantemente sorrisos, lágrimas, encontro braços que me esperam, olhos que refletem história, muita história.

É por estes caminhos de terra que todos os dias caminho, que encontro testemunhos que me convertem e me fazem agradecer a Deus, o milagre da vida. Agradeço, ter sido uma das suas escolhidas. Pouco a pouco, vou conhecendo não apenas os seus rostos, a sua expressão, vou conhecendo cada nome, cada casa, cada família. Já são muitas as vezes em que escuto de longe que me chamam “Andrea, hermanita Andrea”. Sim aqui todos somos irmãos e irmãs.

Um dia vos contarei a história do meu nome. Sinto-me um deles. Somos uma família.

Ai Peru, que roubaste o meu coração!

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Na partilha do que têm, sim, dão-te muitas vezes do pouco que têm e do muito que são. Fazem questão. São muitas as vezes em que no regresso, trago o regaço cheio com meia dúzia de maçãs do senhor que vem ao encontro de idosos, com uma banana que durante o caminho o senhor da pequena mercearia me ofereceu, com os grãos de milho que me ofereceu uma das famílias que visitei ou com duas ou três batatas, da senhora que estava doente, me ofereceu.

Aceitamos a cada dia crescer juntos. Aceitamos a cada visita, ajudar-nos a carregar a cruz de cada um. Somos palavras de aconchego mútuo, somos sorrisos, somos silêncios que se confessam, somos lágrimas. Somos, na consequência do ser-se, frágeis e muitas são as vezes em que de joelhos nos reconciliamos com o amor.

Na humildade de cada pessoa que cruza o meu caminho que encontro o rosto de um Deus, um Deus misericordioso.

Na alegria e na dor do dia a dia encontro o sentido da vida. E cada vez que ao longe, avisto uma família, um conjunto de crianças que me esperam, avisto dois braços, os braços de Cristo.

Neuza Francisco, LMC

Em Missão, no Peru

Jornal “Caminho” – a entrevista a Márcia Costa

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Foi em Abril que os LMC estiveram presentes na Paróquia de Cristo Rei da Vergada. Como tal, o seu Jornal Caminho de Abril, foi especialmente dedicado ao Movimento dos LMC. Neste especial edição, podemos ler uma entrevista à LMC Márcia Costa, um Testemunho do casal LMC Carlos e Sandra e notícias do Peru pela LMC Neuza Francisco. 

 

A entrevista a Márcia Costa, por Sofia Coelho

Márcia Costa, Leiga Missionária Comboniana, natural de Aveiro, nasce a 18 de julho de 1982. Conheci Márcia, em Moçambique, em agosto de 2015 e é lá que tenho o privilégio e consigo realizar este trabalho, mais um testemunho missionário. Já se passaram mais de dois anos e chegou a hora de publicar estas páginas de Missão. Mais um rosto de missão!

 

Sofia Coelho: Como encontraste Comboni? Conta-me um pouco do teu percurso.

Márcia Costa: Bem, eu digo que encontrei Comboni, um bocadinho por acaso, eu estava na universidade em Viseu e na altura era animadora de Juventude Operária Católica (JOC). E umas amigas em partilha…falaram-me de Comboni e do grupo Fé e Missão, convidaram-me para participar numa semana de animação missionária e lembro que na altura coincidia com o acampamento anual da JOC. Com esforço consegui conciliar e fui participar nessa semana, mas não conhecia Comboni, o que sabia ainda era muito pouco. Quando estamos a fazer uma caminhada, estás no teu caminho, respeitas naturalmente as caminhadas dos outros, mas vais passando ao lado. E como dizia, participei, gostei muito da experiência, passamos uma semana a trabalhar num lar de idosos e com outros jovens e foi aí que comecei a conhecer um pouco Comboni.

SC: E depois…?

MC: Depois resolvi fazer a caminhada do Fé e Missão para conhecer melhor, um pouco mais de Comboni. Porque eu sempre quis partir para outros países, mas eu pensava…partir ligada à Cruz Vermelha, ou a alguma instituição. Sempre quis esta parte social, trabalho social, ajudar as pessoas. Mas ao ir caminhando e avançando na espiritualidade começou a fazer sentido fazê-lo num serviço a Cristo. Como uma vocação…

SC: Márcia e Comboni fez sentido?

MC: Sim. À medida que eu fui conhecendo um bocadinho melhor, fez sentido, o seu carisma. O seu lema de “Salvar com África”, é naquilo em que eu acredito, penso que nós devemos trabalhar para formar líderes, deve ser o próprio povo a proclamar a sua autonomia, o seu desenvolvimento e o seu reino de justiça e paz. Ajudar as pessoas a acreditarem em si mesmas, a acreditarem que Deus está no meio deles. Entendi que era por aqui o meu caminho.

SC: E esse caminho? Dúvidas? Como chegaste aos LMC’S (Leigos Missionários Combonianos)?

MC: Claro que tive muitas dúvidas. Sabes ainda por cima existe aquela célebre frase, “Para as Missões, Santos e Capazes…” E eu pensava muitas vezes nem santa, nem capaz, e se é isso que querem então não é para mim…(risos…)

SC: Entendo bem (risos…)

MC: Mas fui querendo conhecer melhor e mais Comboni. E depois da caminhada do Fé e Missão fui então para os LMC´s.

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SC: Márcia os nossos leitores, na sua maioria, talvez nunca tenha ouvido falar dos Leigos, queres explicar, um bocadinho, para todos entendermos?

MC: Um Leigo, é uma pessoa comum… um Cristão comum que decide dedicar um bocadinho a sua vida para uma Vocação. No nosso caso, partilhamos a Espiritualidade Comboniana…este Salvar África com África, estar disponível a partir ao encontro de outros povos de outras culturas e de aprendermos um caminho de salvação/de conversão, o ter a certeza que não caminhamos para salvar, mas que somos salvos com o povo. Porque é Deus quem nos salva. Ser Leiga então é fazer este caminho de Cristo.

SC: Que idade tinhas quando assumiste este caminho?

MC: Upss…dois anos de formação…eu tinha uns 26 anos, quando fiz o meu compromisso. Parti em seguida para França para aprender o francês e só depois fui para a República Centro África.

SC: Muito bem. Antes de contares a tua experiência missionária na República Centro África e mesmo antes de falares desta que hoje vives aqui em Carapira, Moçambique, diz-me o que é a Missão?

MC: Ui…(hesita…) o que é a Missão? (risos…) Não é uma resposta fácil, porque a Missão tem vários aspetos na Missão. Tem a dimensão do eu; a dimensão dos Outros e a dimensão de Cristo. A Missão é Cristo! E dentro da dimensão que é Cristo, tem o encontro com o Outro. E dentro do encontro com o Outro, tens o caminho de conversão pessoal. E Sofia, digo isto porque por vezes quando pensamos na Missão, pensamos só no que vamos dar, porque queremos dar e nós somos assim, gente que gosta de dar, e quando chegamos à Missão encontramos outros povos que vivem de outra maneira, que vivem com diferentes formas e que vivem com diversas dificuldades mas que são felizes e vivem Cristo, não à tua maneira mas à maneira deles vivem Cristo, e é complicado porque quando vês Cristo é a maneira correta, foi a maneira que te transmitiram, a maneira como o vês desde pequenina e por isso é correto. E é difícil por vezes aprender esta abertura. É todo um caminho que é preciso fazer, parece fácil quando fazemos o curso de missiologia, quando falamos de inculturação, nós somos “super disponíveis”, “super tolerantes”, “capazes de amor incondicional”, e aqui falo por mim naturalmente não é assim tão simples, na prática, chegas e vês-te confrontado com uma realidade toda ela diferente e naturalmente tens reservas… Não é assim tão linear, por isso falo em conversão pessoal, porque vais aprendendo as tuas limitações e à medida que estás a “lavar os pés aos outros” eles estão a lavar os teus também e assim mostrar-te que também têm Deus. E percebes que Deus é muito mais do que aquele Deus que conheceste desde pequenino, Deus é muito maior. E nós somos a Imagem de Deus! Não sei se me estou a fazer entender, não te consigo falar em missão numa palavra, ou numa frase.

SC: Sim entendi, e penso que foste muito clara, e creio que o/a leitor/a também irá perceber, agradeço a forma sincera como respondes à questão, sem frases feitas, contando de facto uma realidade. Márcia tenho aqui mais algumas perguntas, mas antes dá-me alguns exemplos em que vês Deus, em que vês esta Imagem de Deus de que falas, consegues dar-me exemplos concretos? A partir da tua experiência pessoal?

MC: Eu lembro, esta imagem que temos de Deus, da Criação do mundo, olha por exemplo na RCA, tinha um Pigmeu, o Gabriel, e eu gosto muito dele, bastante sorridente, sempre a sorrir ele era fantástico. E ia lá muitas vezes a casa. E nós tínhamos uma mangueira (árvore de fruto) que estava seca lá na frente da nossa casa, e então pensei vamos cortar para depois plantarmos uma outra árvore. Então falei com Gabriel, “Gabriel podes cortar a árvore, nós pagamos”, ele disse que sim. E demorou dias para cortar a árvore e a mim fascinou-me o respeito dele pela criação de Deus, estranho como disse a árvore estava seca, mas ele muitas vezes parava e falava com a árvore, o respeito, o pedir-lhe desculpa e o agradecer-lhe por tudo o que ela já nos tinha dado. Aí está a imagem de Deus, quando estás lá (no teu país) a lutar com o mundo porque estás zangada com umas quantas coisas e porque tens a tua maneira de pensar… tu tens ali uma pessoa a falar-te de Deus, não aquele “teu” Deus tradicional, da Igreja, do batismo, mas aquele Deus que nos criou a todos, aquele Deus que criou toda esta natureza fantástica para nós. Por exemplo quando o homem ia apanhar o mel, enquanto o homem subia a árvore as mamãs faziam uma dança de agradecimento cá em baixo, para agradecer a árvore que acolheu a colmeia, para agradecer as abelhas que produziram o mel. Ali com os Pigmeus, aprendi esta simplicidade, vi a Laudato Si, ali ao vivo e a cores. Porque nós quando partimos, por vezes dizemos que vimos ajudar os “coitadinhos”, os “mais desfavorecidos”, ajudar a “miséria humana” e aqui volto a dizer-te que falo por mim, quando chego na missão entendo que a “miséria humana” existe realmente, mas muitas vezes ela vive dentro de mim, com as minhas limitações, com as minhas dificuldades de saber amar os outros, ou de saber escutar o Outro com o respeito que ele merece. Ou de promover mais a sua dignidade. Muitas vezes parece que estamos com um pé a cima, porque estamos com uma atitude de quem está para ensinar, quando nós devemos estar na atitude de aprender. E isto às vezes é complicado, ainda mais quando partes pela primeira vez, e nós vamos para dois anos, o teu primeiro pensamento é muitas vezes o de querer “salvar o mundo”, somos todos muito capazes…(risos…) muito sonhadores (mais risos…). Então tu queres chegar e “fazer” e antes de tudo mais é preciso escutar. Dar tempo de perceber a cultura. E tempo para não te zangares. Eu na RCA no início zangava-me muito. Não foi fácil, nós vivíamos numa situação muito pesada a nível social. O Povo Pigmeu era escravo, existia um sentimento de posse. A criança Pigmeia, não nasce livre. Então depois tem toda a questão da feitiçaria então quase que é impossível não te zangares. Mas precisas de aprender que mais do que falar é melhor ouvir. E é preciso caminhar juntos. Depois é verdade, são os teus católicos que estão a matar aquela pessoa que foi acusada de feitiçaria, é verdade, mas a pergunta é: “E se eu tivesse nascido aqui?”. “Qual era a minha atitude?” Então é preciso este caminho. E não é mais do que um caminho de amor. E Deus é amor. Mas o amor tem diferentes maneiras de ser interpretado. Então a maneira como experimento o amor é diferente, será diferente no Povo Macua, diferente no Povo Pigmeu…Então é preciso aprender como se vive o amor.

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SC: Muito bem, RCA, teu primeiro destino de Missão, tinhas portugueses? Conta um bocadinho?

MC: Fui sozinha. Mas fui ao encontro e fazer comunidade com Susana Vilas Boas e Maria Augusta, ambas portuguesas e Leigas Missionárias Combonianas. Depois eu fui para casa das Irmãs, para aprender a língua local, e fiquei lá uns três meses, então quando regressei, já não estava a Maria Augusta, e fiquei a fazer comunidade com a Susana. Depois a Susana regressou e chegou a Élia também portuguesa e Leiga Missionária Comboniana. Nós não nos conhecíamos antes, mas era a mesma cultura.

SC: Quais eram as tuas funções na RCA? Aqui em Moçambique já vi que existe uma mistura, auxilias na escola, trabalhas na cantina, efetuas tarefas na enfermaria, na pastoral, trabalhas com grupos de Infância Missionária, na consciencialização e evangelização e na República Centro África como era, porque já senti que são realidades diferentes e se me permites senti uma certa paixão da tua parte pela Missão RCA?

MC: Lá nós tínhamos funções concretas, mas depois precisávamos de entrar todas um pouco em tudo. Mas lá existiam escolas de integração para as Crianças Pigmeias, uma no centro da missão e as outras ficavam no meio da Floresta. O meu trabalho era então acompanhar um bocadinho o trabalho realizado nas escolas e acompanhar também os pais, pois tentávamos incluir os pais no processo da educação, mostrar a importância de aprenderem a ler e a escrever até por uma questão de defesa do próprio povo.

SC: Vives a Espiritualidade Comboniana, tens alguma frase assim com a qual te identificas?

MC: Tem vários pensamentos de Comboni que fazem muito sentido, mas como te disse antes concordo muito com o lema de “Salvar África com África!”

SC: Márcia eu agradeço a tua disponibilidade em aceitares responder a estas questões, tinha outras, claro está, mas fica para uma próxima oportunidade. E quem sabe talvez em Portugal ou num outro país de Missão. Obrigada! E em nome da minha equipa jovem, agradeço o testemunho.

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Obrigado Márcia.

Por: Sofia Coelho