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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Desconfina o coração e participa na Missão

No fim de semana 3,4 e 5 de junho, realizou-se mais um encontro de espiritualidade missionária destinado aos vários ramos da família Comboniana e, ainda, para amigos e colaboradores. Este ano esteve presente um bom grupo de jovens com o seu catequista, de uma paróquia da Maia. Também três jovens meninas, de Castelo de Paiva, nos alegraram os momentos de convívio e enriqueceram os encontros com suas músicas e cânticos.

Assim, depois do acolhimento e jantar, tivemos o primeiro encontro com as apresentações e introdução feita pelo Pe. Quim. Fomos convidados a “desconfinar o coração e participar na missão”, tema deste fim de semana de espiritualidade. Estamos todos espiritualmente presos, confinados, é preciso libertar o coração.

A manhã de sábado teve início com a oração da manhã orientada pela secular Helena. Com o salmo 8, fomos levados à contemplação do grandioso Deus que tudo criou por amor aos homens e o quanto cada um de nós vale para este Criador. De seguida refletimos na leitura Bíblica 1 Reis3, 5-12 e, tal como Salomão, expressámos pedidos ao nosso Deus para que nos dê um coração que vê e que sabe discernir entre o bem e o mal. Numa dinâmica seguinte escrevemos num coração de papel aquilo que vemos e que nos preocupa ou que nos enche de alegria. Colocámos tudo no Altar do Senhor!

Na sala dos encontros o Pe. Quim iniciou o 1º tema do dia com o título: “Pentecostes: impulso de desconfinamento!”

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A vinda do Espírito Santo, já anunciada por Jesus e esperada pelos apóstolos, foi o que aconteceu naquela manhã, quando estavam fechados com medo dos judeus. Também nós perderemos o medo de desconfinar o coração se deixarmos o Espírito Santo atuar em nossas vidas.

Deixemo-nos questionar pelo Papa Francisco:

- Qual o sentido da minha vida?              - O que me faz correr?

- Qual o sentido dos meus dias?             - Para quem sou?

Para nós cristãos, espiritualidade é o encontro com Jesus e com aqueles que se cruzam no nosso caminho. Mas, de uma forma generalizada será o encontro connosco mesmos no mais profundo do nosso coração.

Três pilares para nos mantermos de pé:

 - Deus que se dá a conhecer por Jesus Cristo;

- Caminho – faz caminho de maturação, com todo o processo de avanços, recuos, desvios, todo aquele que sabe que este caminho é para toda a vida e não desiste de caminhar;

 - Dimensão comunitária – somos um ser em relação: connosco, com os outros. Com o ambiente, com Deus.

O Espírito que nos foi dado no nosso Batismo, coloca-nos em relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A vida de um batizado deve caraterizar-se pela participação do Amor da Santíssima Trindade.

Frases do Papa Francisco que questionam a nossa fé:

            - Uma fé que não nos questiona é uma fé que deve ser questionada!

            - Uma fé que não nos anima é uma fé que deve ser animada!

            - Uma fé que não nos sacode é uma fé que deve ser sacodida!

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Seguiu-se um trabalho de grupo para reflexão e partilha do texto de Teresa Ramos, aci.

In: https://pontossj.pt/especial/o-senhor-espera-nos-na-nossa-vida-reconhecemo-lo/

Durante a tarde foram tratados os temas: ”A missão moldada pelos desafios I e II”, apresentados pelo Pe. Quim e Irmã Arlete.

Se temos dúvidas no caminho devemos ter a seguinte certeza: Tudo o que nos traz vida vem de Deus. A “Palavra” deve ser o nosso alimento pois tudo nasce dela. Devemos crer verdadeiramente na presença de Jesus na Eucaristia e buscá-Lo mais como o verdadeiro Alimento. Eis o verdadeiro milagre: no ofertório levamos ao Altar e ali depositamos todas as nossas canseiras e preocupações e, Jesus dá-nos tudo de volta, transformando tudo em alimento. Jesus também nos dá Maria como Mãe, mas dá-nos a Maria dos evangelhos, não aquela que divinizamos, e sim Aquela que acolhe, que vai ao encontro, que se alegra no seu Deus.

Comboni abraçou a África com paixão, a paixão que nos dá coragem, que nos faz arriscar!

Seguiu-se mais um trabalho de grupo sobre São Daniel Comboni e os seus escritos. Que o seu carisma nos seduza e fortaleça na nossa missão!

Na oração da tarde rezámos o Terço Missionário, orientado pelo grupo LMC.

Terminámos o dia com o jantar em Família Comboniana e um agradável convívio.

No Domingo iniciámos o dia com a oração da manhã. Com a ajuda do salmo 138, colocámo-nos nos braços do Criador que nos conhece no mais íntimo do nosso ser.

Seguiu-se o último tema: “Fratelli Tutti”, encíclica que deve ser para nós como um mapa para desconfinarmos e vivermos a missão!  O Papa Francisco, perante tantas desgraças, pede-nos nesta encíclica, que vivamos a fraternidade, deixando de construir armas e matando a fome a quem a vive com o dinheiro dessas armas.

Fomos questionados com o seguinte: Que queremos levar para casa deste encontro? Não esqueçamos que são as escolhas que fazemos hoje que nos levam ao futuro que queremos viver! Como pensas te comprometer com Jesus e com a missão?

Fizemos o nosso compromisso e apresentámo-lo na Eucaristia, momento forte e conclusivo que tivemos neste encontro.

LMC Glória Rocha

Fazer Voluntariado é Caminhar com o Coração

Segundo a definição das Nações Unidas, "Voluntário é o jovem ou o adulto que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..."

É verdade, ser voluntário é tudo isso e muito mais.

Sou voluntária há mais de 40 anos, num caminhar que começou por fazer catequese, continuou pela Assistência Médica Internacional (AMI), com uma Missão Soliária no Senegal, e, ainda hoje, pela Cáritas Diocesana, num trabalho diário com refugiados e migrantes, pelos Leigos Missionários Combonianos, pelas Irmãs Teresianas de Elvas e por 2 Santuários Marianos, um deles, o Santuário de Nossa Senhora das Dores, em Chandavila, em Espanha, o outro, o Santuário de Fátima.

Embora possam parecer contextos bem diferentes, em matéria de voluntariado, asseguro-vos, há, em todos eles, um elemento comum e fundamental, que se prende com o Acolhimento.

E, apesar do tema Acolhimento merecer um pouco mais de espaço, dada a sua importância,  hoje, farei, apenas, uma breve abordagem.

Por vezes, o trabalho voluntário poderá ser considerado, também, como um hobby, ou, até,  como algo fácil, contudo, asseguro-vos que se reveste de grande exigência, no que toca ao compromisso e à disponibilidade.

E seja em que lugar for, o voluntariado é algo muito exigente, pois, há sempre uma responsabilidade e exigência acrescidas, na medida em que é a imagem das próprias  Instituições, Movimentos, Associações, etc... que está em causa, logo, de um modo geral, e muito concretamente, no voluntariado que faço frequentemente, no Santuário de Fátima, o Acolhimento a Peregrinos merece muita atenção e cuidado, uma vez que, não basta estar bem documentado, informar e passar bem a Mensagem, pois, embora tudo isso seja muito importante, Acolher é essencial e Fátima, é, seguramente, um dos lugares onde esse Acolhimento deverá ser feito sempre com o coração.

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Em Fátima encontramos o Mundo aos pés da Virgem Santa Maria, orando, louvando, pedindo e agradecendo.

Ao longo destes anos, como voluntária do Santuário de Fátima, dou graças a Deus pelos momentos tão únicos e enriquecedores e que guardo no mais intimo do meu coração.  Momentos que me têm permitido crescer como pessoa e fazer uma aprendizagem constante com os peregrinos e que me levam, muitas vezes, a considerá-los, pessoas, bem melhores do que eu, e a admirar e a respeitarr, cada vez mais, a Fé, o Amor e até as Dores que carregam na alma e que os movem, assim como as Flores que generosamente perfumam os inúmeros pedidos e  agradecimentos.

 Neste mês de Maio, como Leiga Missionária Comboniana, como voluntária e também, como eterna peregrina, que eu possa Acolher sempre com o coração, os Peregrinos e Todos os que confiam ao Amor e na  Proteção Materna de Maria.

Rufina Garcia, LMC

Fetais- Camarate

“Eu sou sempre uma missão; tu és sempre uma missão. Cada batizada e cada batizado é uma missão. Quem ama põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo…” 

Papa Francisco

Visitei a Comunidade de Fetais –Paróquia de São Tiago de Camarate, na periferia de Lisboa, de 12 a 15 do corrente mês.

Pouco tempo, mas foram uns dias suaves, que me trouxeram alegria e esperança. Convivi, com a nossa Comunidade LMC lá presente desde setembro de 2021, os LMC´S – Pedro Nascimento, Élia e Maria Augusta. 

Visitei e estive com a Comunidade dos MCCJ.

De perto, assisti à dinâmica e vivência missionária, que envolve Fetais e Paróquia de Camarate.

Conheci, o Projeto Despertar, que visa o acolhimento e acompanhamento de diversas crianças e adolescentes, que de segunda a sexta, realizam atividades, depois do horário escolar, que passam por apoio nas tarefas escolares, mas é muito mais do que isso. Um espaço para os tempos livres, com atividades de desenvolvimento interpessoal e lúdicas também.

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Um projeto que une e envolve três ramos da Família Comboniana.

Vi a ação dos nossos LMC´S.  E também de outros voluntários, coordenados pela equipa da Família Comboniana responsável pelo projeto, em rede em prol do desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Participei no terço, rezado diariamente em comunidade, onde os LMC´S, são presença e testemunhas do Ressuscitado entre o Povo.

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Visitei a Catequese do 1.º ano, a pequenada começa a ter contacto com Jesus.

Visitei e contactei com a população local.

Participei em duas celebrações comunitárias, e no dia 15 de maio, numa outra realizada, no Despertar para crianças e famílias do projeto, que culminou com um bonito almoço partilhado.

A nossa comunidade de LMC´S, vive à luz de São Daniel Comboni: testemunhas de amor, de presença, de serviço. Uma comunidade em movimento…

Sofia Coelho

Uma Nova Missão em Portugal

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Os Leigos Missionários Combonianos (LMC) abriram uma nova missão em Portugal. Desde setembro de 2021 que três leigos iniciaram uma nova presença em Fetais, Camarate.

Os Missionários Combonianos e as Irmãs Missionárias Combonianas já aí estão desde 2010. Agora, a Élia Gomes, a Maria Augusta Pires e o Pedro Nascimento juntaram-se para trabalharem em Família Comboniana.

Com a nossa presença, pretendemos dar testemunho da nossa vocação laical, missionária e comboniana. Durante este tempo temos estado a analisar a realidade e a procurar o nosso espaço de serviço nas atividades sociais e pastorais da paróquia.

No final de setembro, iniciamos a nossa colaboração na Associação Despertar, uma associação criada pela Família Comboniana cuja finalidade é de ajudar, em especial, as crianças e respectivas famílias nas suas necessidades. Durante a semana, todas as tardes, algumas crianças vêm para as instalações do Despertar, onde fazem os seus trabalhos de casa, estudam e brincam. Muitas das crianças chegaram recentemente a Portugal e encontram algumas dificuldades de aprendizagem e adaptação. Mais que um centro de estudos, esta associação pretende ser um espaço de crescimento, de adaptação e de bem-estar. Posteriormente, queremos visitar as famílias, criar contacto com elas e compreender as suas necessidades, fazendo causa comum.

Pretendemos trabalhar em colaboração com a paróquia, com o pároco, com a Obra da Promoção Humana dos Irmãos Combonianos, com as Irmãs Missionárias Combonianas e estar disponíveis para a população local.

Decidimos visitar idosos e doentes, falar e rezar com eles, dando-lhes alguma esperança e sendo pessoas de oração. A vida e a vocação missionária só fazem sentido se partilhadas com as pessoas.

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Também estamos preocupados com os imigrantes, as suas condições de trabalho e a legalização da sua situação em Portugal, pelo que planeamos trabalhar com essa realidade.

Rezem por nós, pelo nosso serviço missionário e pela fidelidade à nossa vocação.

 

 

 

LMC's: Maria Augusta, Élia Gomes e Pedro Nascimento

Que Estrela os guiou até nós?

Dia de Reis. Ontem o celebrámos este dia no qual 3 Reis Magos viajaram de diferentes partes, guiados por uma Estrela, para visitar em Ação de Graças o Menino que acabara de nascer, trazendo no regaço presentes para o Adorar. É sobre estes Reis, esta Estrela e estes Presentes que nos escreve a LMC Rufina Garcia que há vários anos se dedica ao acolhimento de emigrantes e refugiados ilegais em Portugal. Que Magos, que estrelas e que presentes nos chegam até nós, hoje, neste dia de Reis?

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Queridos LMC

Porque hoje é Dia de Reis e não só...
 
Que Estrela os guiou até nós?
 
A proximidade com o dia de Reis e, ou, talvez não, leva-me a reflectir um pouco, e, segundo a tradição cristã, naquele dia em que Jesus Cristo, recém nascido, recebeu a visita de alguns Magos, guiados por uma estrela.
E o primeiro pensamento, perante a origem destes Magos, permite, desde logo, perceber como, desde sempre, Jesus, na sua Infinita Bondade, tinha presente todos os povos, aliás, quase ousando perguntar, quem são e/ou o que simbolizam estes Magos, se não, o reconhecimento de Jesus por todos os povos do Mundo e a Luz que a todos deve iluminar?
Mas, falando destes Reis Magos, como foram designados, no séc. III, os presentes que traziam consigo, o incenso, o ouro e a mirra, e, independentemente do uso e das pessoas a quem se destinavam, mais uma vez, a diversidade surge, não como um factor de separação, embora me pareça importante referir, que, no ritual da antiguidade, o ouro era o presente digno de um rei, e, ainda, como é importante, perceber como estes presentes eram elementos agregadores e em nada diminuíram a beleza da simbologia do Evangelista Marcos sobre a narração do Nascimento de Jesus Cristo.
E, se no Natal, o Presépio, o nosso presépio, hoje, representado de mil formas, continua a fazer cada vez mais memória de uma Família que desesperadamente procurava abrigo para Eles e para o Filho que havia de nascer.
Passados, tantos, tantos anos, igualmente, num momento em que Refugiados e Migrantes, caminham, só Deus sabe como e para onde, também à procura de abrigo, deixo a pergunta: que Magos são estes que chegaram e continuam a chegar até nós, como se o Natal fosse todos os dias, e que estrela os guiou ou continua a guiar e que presentes/dores trazem consigo?
Não sei se alguma vez tivemos tempo para nos debruçarmos sobre este fenómeno, inclusive, se essa agitação humana e diária conseguiu em algum momento deixar-nos comodamente, meio anestesiados e indiferentes, até, perante um cenário mundial que a todos deveria envergonhar, e isto, porque somos responsáveis uns pelos outros, e, sem demora, deveríamos encontrar a forma certa de Cuidar uns dos outros e de proporcionarmos aquele bem estar a que todos temos direito e que deveria ser capaz de quebrar os ambientes mais gélidos, pois calor, seja em que circunstância for, é e será sempre sinal de Vida.

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Normalmente, ouvimos falar destes problemas e associamo-los a países distantes, gente muito diferente de nós, quantas vezes teremos até a tentação de nos considerarmos superiores a toda essa gente, que, para nós não tem nome, quase não tem rosto e, principalmente, gente em quem tão pouco conseguimos ver pessoas, e, mais difícil ainda, perceber e descobrir, que tal como nós, têm um nome, um rosto, uma família, um país, e, que as suas vidas, a sua história nos deveriam merecer o maior respeito.

Sim, que estrela os trouxe e continua a trazer até nós e que presentes carregam?
Claro, que não trazem nem ouro, nem incenso, nem mirra.
São Pessoas que trazem desenhadas no rosto as situações e os problemas mais inimagináveis e em que o seu olhar espelha um grito impressionante de ajuda, que nos diz que a estrela que os terá guiado, chama-se Esperança e que a Luz que esperam encontrar, passará, seguramente, por cada um de nós.

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Então, que todos nós saibamos Acolher essas estrelas de mil cores que hoje e cada vez mais caminham pelo Mundo, de uma forma tão injusta, desumana, insegura, movida por tantos interesses que assustam e que não percebemos.

E que neste Novo Ano, todos nós possamos entender que essas Pessoas são Estrelas com um brilho único, fazem parte do Universo que somos cada um de nós e que, também elas, são um pouco do brilho que, também, nós próprios, precisamos, de forma a que, hoje e sempre, saibamos ser essa Luz de Esperança, que brilha sem cessar, capaz de Cuidar e de Amar todos, como Pessoas!
 
LMC, Rufina Garcia

Notícias do LMC Pedro Nascimento

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Recém chegado à Etiópia, o nosso amigo LMC escreve-nos, transmitindo a alegria que é estar de regresso à missão que Deus lhe entregou e fala-nos ainda um pouco sobre as tensões que se vivem atualmente algumas regiões.

Queridos amigos e queridas amigas,

Encontro-me já na Etiópia, o que me deixa muito feliz! Quando soube que o meu destino missionário era a Etiópia fiquei triste: era um país que não conhecia, que me era  pouco familiar. Agora amo este país, quero bem a esta gente e orgulho-me de aqui estar em missão!

Cheguei no dia um de Novembro e, desde então tenho estado na capital, Addis Abeba! Estes têm sido dias de regresso, após quase quatro meses ausente, de contacto com a realidade do país, de preparação para a dura realidade que a minha região de Benishangul-Gumuz, zona Metekel, atravessa.

Quando cheguei soube da morte de cerca de 35 pessoas de etnia Amara, na região Oromo, perpetuada por rebeldes Oromo. Dois dias depois, na região Tigray, a norte da Etiópia, militares regionais de Tigray atacaram uma base militar do governo federal, que causou a morte de muita gente. Ora, o governo federal decretou guerra à região o que está a causar muitas mortes e refugiados no Sudão. Infelizmente os responsáveis de Tigray não se renderam e até já lançaram misseis para outras cidades da Etiópia e também da Eritreia. Têm sido momentos difíceis os que se vivem na Etiópia.

Na minha região, infelizmente, também surgiu um grupo armado Gumuz e que tem criado insegurança, mortes e feridos. Ainda ontem ouvi dizer que mataram mais de 50 pessoas, normalmente, de outras etnias. As pessoas vivem com medo e sem certeza do futuro.

É, pois, para esta realidade que sou chamado a ser testemunha do amor de Jesus Cristo, a ser portador de esperança e a viver com esta gente que amo. Aguardo o meu regresso com alegria! Sei que tenho que ter cuidado pois sou responsável pela minha vida e responsável perante os que confiaram em mim para estar aqui, mas não vou com medo. O medo supera-se com a fé de que Deus me quer ali. Esta é a realidade a que Deus me chama e quero ser-lhe fiel!

Quero agradecer pelos donativos: dinheiro, roupa e outros materiais! Sem dúvida que a vossa ajuda é preciosa para a continuidade do meu serviço missionário! Estai certos de que a vossa partilha será usada para os trabalhos da missão e ao serviço deste povo lindo! Mas, mais que isso, a vossa contribuição ajuda-me a estar aqui! A vossa contribuição significa que estão comigo, que vieram comigo, que me apoiam e que querem fazer parte da obra de Deus aqui, na Etiópia! Sem dúvida que a missão se faz com os pés dos que partem, as mãos generosas dos que repartem e com os joelhos dos que rezam! Que Deus vos abençoe pelo bem que quereis à Etiópia!

Rezai pela Etiópia! Rezai por este lindo país que vive momentos de dor! Rezai pelos Gumuz! E, se ainda tiverdes um tempinho, rezai por este vosso amigo!

Obrigado pelo vosso apoio e amizade! E não se esqueçam de partilhar comigo sobre vós! É muito importante para mim saber dos amigos e amigas, sentir-me perto, presente!

Beijinhos e abraços,

Pedro Nascimento

Do Pedro Nascimento, um Magnificat e muito mais.

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Queridos amigos e amigas,

Agora mais perto de vós, desde a minha santa terra, Ervedal, no Alentejo.

O tempo de quarentena foi um tempo especial, de descanso, oração, de paragem para reflectir sobre a missão e preparação para este tempo em Portugal.

A casa onde fiquei a fazer a quarentena, casa com todas as condições, por 19 dias, foi cedida totalmente grátis pelo ser missão de alguém que o sente de fazer por inspiração de Nossa Senhora de Fátima.

E os alimentos para esses dias também foram cedidos, principalmente por duas famílias, igualmente generosas no seu ser missionárias.

Com a graça de Deus, também tive quem se disponibilizasse com transporte para tudo.

Mesmo em quarentena ainda fui mimado com várias visitas que me ajudaram imenso.

Depois de feito o teste à Covid-19, de saber o resultado, negativo, foi tempo de agradecer a Deus Pai e à Nossa Mãe e, depois, viajar para casa e estar com a família.

Entretanto, a mãe foi chamada para realizar uma cirurgia à bexiga, o que já aconteceu e correu bem, graças a Deus e à oração e comunhão de tanta gente. Agora continuarei uns dias por casa, estando com a família.

Espero voltar à Etiópia em Setembro, por mais alguns meses entre o povo Gumuz de quem muito gosto.

Agradeço todas as perguntas que me foram feitas e irei responder pessoalmente a cada um e uma de vós. Para além disso, iremos realizar alguns pequenos vídeos inspirados nessas perguntas para que possa partilhar a experiência missionária com todos aqueles que o desejem.

Antes disso, já preparámos um pequeno vídeo com algumas fotos sobre a missão na Etiópia e que podem visualizar aqui https://youtu.be/EXNECqSlWNg.

No vídeo, algumas fotos são sobre o trabalho que realizamos, como o trabalho na biblioteca, as visitas às comunidades e acompanhamento de catequistas, e as actividades com as crianças.

Alguns de vós têm perguntado como poderiam ajudar a missão na Etiópia. Actualmente, das várias actividades, existem dois projectos que carecem de ajuda económica: a biblioteca e os doentes.

A biblioteca continuará com as suas actividades: sala de estudo e consulta de livros, aulas de inglês e de informática. Para isso, precisamos de fundos para continuar a comprar livros e material escolar para serem usados na biblioteca e, por outro lado, a contratação de alguém que possa ser formado e continuar na biblioteca mesmo quando já não estejamos na missão, dando assim continuidade ao projecto.

O projecto dos doentes consiste no acompanhamento das pessoas doentes nas aldeias que visitamos: transportar e acompanhar os adultos e crianças. As distâncias são longas, ao centro de saúde ou a um pequeno hospital gerido pelas Irmãs Combonianas, com bom tratamento e preços acessíveis às pessoas. Por vezes, pagamos a medicação das pessoas que não têm possibilidade de o fazer. Tudo isto significa gastos com a gasolina, taxas dos exames médicos, medicamentos e, por vezes, comida para os que pernoitam no recinto da nossa casa.

Assim os que quiserem contribuírem poderão fazê-lo para a Conta dos Leigos Missionários Combonianos (LMC) que é a seguinte: PT50 0036 0131 9910 0030 1166 0 (Banco Montepio).

Pedia por favor, que enviassem um e-mail a referir o destino do dinheiro para o e-mail dos LMC com o conhecimento da ecónoma dos LMC, Sandra Fagundes.

A vossa ajuda sempre foi e é importante. A missão faz-se em Igreja, com os que vão e com os que ficam, sempre todos em comunhão. A alegria da missão e do Evangelho não é exclusiva de uns mas de todos nós que pertencemos à Igreja! Tu és Missão!

A ajuda mais preciosa será sempre a vossa oração. Essa oração silenciosa mas profunda que tenho sentido na minha vida missionária e que muito agradeço.

Termino com o Magnificat que escrevi, em Portugal, durante o tempo de quarentena, sobre o tempo vivido na Etiópia:

A minha alma glorifica-Te, Senhor, por tudo o que me permitiste viver na Etiópia.

Glorifico-Te, Deus Santo, por tantos rostos que agora habitam no meu coração.

Louvo-Te, Senhor, pela Tua Palavra que tantas e tantas vezes iluminou a minha vida.

Regozijo-me com tantos sinais da Tua presença no meio daquele povo lindo que amo e tanto bem lhes quero.

Quero dar-Te graças, Jesus, por me teres permitido viver o Teu Amor no meio de tantas pessoas, na biblioteca, nas aulas de inglês e de informática, nos jogos de futebol, nas visitas às comunidades, nos encontros de catequistas, nas visitas às famílias, nas idas aos centros de saúde.

As cruzes não faltaram, o desalento, a dor, as lágrimas… Mas onde abundou a minha fragilidade humana e espiritual, superabundaram a Tua Graça e o Teu Amor que sempre senti no meu íntimo.

Agradeço-Te imenso as dificuldades da língua, compreensão da cultura, clima, doenças, que me obrigaram a ser pequeno junto deste povo lindo.

O dom da pequenez ajudou-me a necessitar de ajuda, a ser humilde, a parar para contemplar, a querer aprender…

Obrigado por me ajudares a ser pequeno. Quanto mais pequeno, mais necessitei de Ti, do Teu Amor, do colo terno de Tua Mãe, do Vosso olhar sobre mim.

O meu coração exulta de alegria sempre que penso na Etiópia.

Meu bom Deus, quero cantar as maravilhas da Missão, dizer como os Apóstolos no momento da Transfiguração: como é bom estar aqui, anunciar o Teu Amor e, se necessário, sofrer por Ti.

Pedro

Encontro LMC Europeu Online

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O encontro organizado pelo Comité Europeu para todos os LMC dos diferentes países teve como tema central "Os desafios de viver a nossa vocação missionária como Leigos na Europa".

Cada país teve a oportunidade de expor a sua realidade. Muitas das partilhas ajudaram-nos a entrar na realidade da Igreja na Europa: as dificuldades que vamos encontrando ao partilhar a nossa fé, o recuo da religiosidade e da cultura religiosa entre os jovens e a falta de vocações.

O componente geográfico da missão é algo que, pouco a pouco, vamos superando e entre todos descobrimos as necessidades missionárias que existem na Europa. O velho continente necessita da nossa presença missionária, da esperança do Evangelho e da solidariedade, que é expressão da nossa fé, entre os grupos mais vulneráveis.

Tivemos a oportunidade de partilhar como estamos a realizar o nosso serviço missionário na Europa e também partilhámos os momentos difíceis que temos atravessado com a pandemia e como esta nos tem animado a ser criativos.

As experiências de cada um dos cinco grupos davam-nos novas ideias para estar presentes nestes momentos onde as pessoas necessitam de uma presença de esperança.

Redescobrimos as videochamadas como forma de permanecer unidos, de rezar juntos, de continuar a nossa formação e de realizar acções solidárias. Redescobrimos também a Igreja doméstica, responsável e protagonista da sua própria fé.

O confinamento que, num primeiro momento, nos desconcertou foi dando lugar a numerosas iniciativas que nos permitiam permanecer permanecer unidos e em oração e, ao mesmo tempo, iniciativas que estávamos a abrir para outros que também procuravam compartilhar e continuar a crescer naqueles momentos. 

Também partilhámos as dificuldades de mobilidade destes momentos e como afectaram as nossas companheiras e companheiros que estavam preparados para sair do país para servir na América e África.

São momentos onde pudemos ser solidários com todos aqueles que estão a passar menos bem. As dificuldades que se agudizaram muito, em especial para aqueles que estavam num nível social mais baixo, como a população imigrante e outros sectores precários. Por outro lado, devemos permanecer atentos às necessidades dos irmãos de outros continentes. A pandemia está a atingir quase todos os países, inclusive aqueles que não sofrem grande número de casos estão a ser castigados economicamente pela necessidade de isolar a sua população. Agora, mais que nunca, entendemos a pequena e necessitada que é a nossa casa comum e a necessidade de solidariedade entre todos. 

Devemos contribuir para uma mudança de prioridades no mundo de hoje, seguindo comprometidos com a educação dos jovens para que cresçam conhecendo esta necessidade, e, ao mesmo tempo, continuar a lutar por um mundo mais justo a partir do lugar onde estamos.

A Europa é um lugar de presença missionária, de uma presença missionária que se faz próxima e sinal de esperança entre os mais necessitados do continente (material e espiritualmente, pois não podemos esquecer que alimentar este espirito e os valores que tornam possível uma sociedade mais solidária é fundamental). Ao mesmo tempo, a presença missionária abre a Europa ao mundo, motivando rumo à responsabilidade por um mundo melhor, mais humano e fraterno. Esta presença pode acabar com as desigualdades que o sistema económico impõe em tantos países, colocando a pessoa no centro e a economia e as estruturas ao serviço da sociedade.

A missão continua a ser mais necessária que nunca, no anúncio que todos somos irmãos e irmãs, que devemos ser solidários uns com os outros, construindo um mundo melhor para todos, cuidando da natureza que empréstimo para as gerações vindouras e permitindo a vida digna para todos os povos da terra.

O nosso encontro terminou com uma oração onde cada um, na sua própria língua, pode partilhar esperanças, pedidos e dar graças, colocando tudo nas mãos do Pai que nos cuida e acompanha.

Comboni disse que se tivesse mil vidas as daria todas pela missão. Nós queremos oferecer a nossa e queremos motivar todos os que partilham destas inquietudes para que se unam neste grande trabalho tão necessário.

Saudações,

Alberto de la Portilla

A Vida Continua

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Encontro-me diante do Senhor, em adoração eucarística e recordo-me de vós. Coloco-vos na minha oração: familiares, amigos e amigas, benfeitores, todas as pessoas que continuamente continuam a interessar-se por mim e pela missão na Etiópia.

Quando estou mais distante, a oração torna-se ainda mais importante. Porque acredito em Deus, sei que rezar não é um tempo perdido, mas um tempo ganho, de diálogo com quem me escuta e me fala. E, por isso, a oração torna-se tão importante. Coloco-vos no coração de Deus, peço por vós, pelo nosso Portugal e todo o mundo fustigado pelo Covid-19, pelos nossos cristãos, aqui, todos os Gumuz e por toda a Etiópia. Rezar faz-me sentir mais perto de todos os que amo.

O Covid-19 começa a dar sinais na Etiópia, as pessoas começam a falar mais e sente-se muitas vezes receio pelo futuro. Mas a vida não pára, não pode parar. Há campos para cultivar, casas para arranjar, comida para preparar e muitas bocas para alimentar, ainda que seja uma refeição diária.

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O Covid-19 parou as nossas actividades, parou todas as escolas, o funcionamento da biblioteca, as aulas de inglês e de informática, parou as nossas actividades com as crianças, as celebrações dominicais com os nossos cristãos. Porém, a vida não pára.

O Covid-19 fechou-nos em casa mas a vida não parou. E, por isso, quando decidimos visitar os nossos amigos refugiados, já lá não estavam. Tinham sido mudados para as suas aldeias de origem no dia anterior. Mudados para os locais onde sofreram e que receiam mas, por causa do Covid-19, não devem estar todos juntos na escola que os albergava. O local onde viviam está silencioso, as casas vazias, a escola habitada por soldados … E os nossos amigos? E as crianças com quem brincávamos? Foram-se! E não foi apenas o espaço que ficou vazio. Também eu o fico: vazio de um adeus por dizer, de um último sorriso, de um último jogo de futebol…

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O Covid-19 fechou-nos em casa mas a vida continua. Por isso, esta semana decidimos visitar as comunidades, para saber como estão e para que saibam que continuamos aqui, juntos na mesma luta. A vida, essa, continua.

O Covid-19 fechou-nos em casa e fechará, impede-nos de continuar os nossos trabalhos em plenitude, com as pessoas, mas esta semana confirmou o meu viver a missão: o mais importante da missão são as pessoas. Claro que estamos aqui para trabalhar, para fazer comunhão, dar o melhor de nós e dar testemunho da nossa fé. Mas tão ou mais importante que todo o precioso trabalho que fazemos é o tempo que vivemos com as pessoas. Viver entre as pessoas, fazer comunhão é dizer: és importante para mim! Como nos é dito em O Principezinho, “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que tornou a tua rosa tão importante para ti”.

Obrigado a todos e todas pela vossa preocupação. Que o Senhor vos abençoe sempre!

Abraço apertado desde a Etiópia!

 

Pedro Nascimento

Semana Missionária em Baião com o ANIMAG

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Foi com grande alegria e entusiasmo que participei, de 6 a 15 de Março, na semana missionária nas paróquias do concelho de Baião com 12 missionários e missionárias do ANIMAG (Animadores Missionários Ad Gentes).

É um concelho com 20 paróquias e 5 párocos. Fomos divididos em 5 grupos. O meu grupo animou as paróquias de Santa Marinha do Zêzere, Frende, Tresouras e Loivos da Ribeira. Foi feita animação nas catequeses, missas, creches e jardins paroquiais e na escola básica: do 1º ao 3º ciclo em Santa Marinha do Zêzere. Estava também programada a animação nos lares, mas foi cancelada, devido à pandemia. A nossa visita a duas dezenas de idosos, que estavam nas suas casas, deu-lhes uma grande alegria.

Dou graças a Deus por estes dias de animação missionária nas paróquias de Baião, com Missionários e Missionárias de várias congregações, com as quais nunca trabalhei. Agradeço ao Senhor o bom acolhimento de toda a comunidade cristã, das pessoas que nos receberam em suas casas e dos sacerdotes e leigos empenhados na preparação desta semana missionária. Impressionou-me o carinho e o amor com que os ministros extraordinários da comunhão levam o Senhor aos idosos e aos doentes. 

No dia 15 estava prevista uma Missa campal com a participação de grande parte dos fiéis das 20 paróquias... Terminou dia 14, com a recitação do terço, em que participámos os Missionários, os párocos e poucos leigos. À noite seria transmitido pela Internet para todas as paróquias. Depois do almoço de despedida, cada um regressou à sua comunidade ou à sua família, já com saudades desta semana missionária.

Que o Senhor faça frutificar esta Missão!  

Neste momento, devemos estar unidos pela oração, para que esta pandemia passe depressa, na certeza de que Cristo é a nossa força e o nosso protetor! Não esqueçamos a Mãe, que intercede sempre pelos seus filhos. Que com a maior brevidade possamos celebrar, todos juntos, em comunidade.

Desejo um Santo Tempo Pascal para todos.

Um grande abraço Missionário.

A LMC

Maria Augusta