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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Casamento dos LMC: Laura & David

No fim de semana 7 e 8 de Setembro, alguns LMC e formandos rumaram até à ilha da Madeira para partilhar um momento especial com dois formandos LMC, a Laura e o David. Pudemos partilhar com eles o dia do seu casamento e alguns dos preparativos, juntamente com a sua família e amigos. Foram dias especiais, de alegria e de partilha, de amor e de fé. Foram dias intensos, mas definitivamente inesquecíveis.

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No sábado dia 7 de setembro, pelas 15h celebrou-se o casamento da Laura e do David, na Paróquia do Cristo Rei na Ponta do Sol. Foi uma cerimónia bonita, com simplicidade e emoção próprias de um momento destes de união. Foi acompanhado por um coro infantil que trouxe uma jovialidade e alegria especiais a esta celebração. Foi sem dúvida um momento onde Deus se fez presente nas famílias, nos amigos e principalmente no rosto da Laura e do David.

Que esta união e compromisso os faça crescer na fé e na intimidade com Deus, como casal. E que S. Daniel Comboni interceda sempre por eles e pela família que agora iniciam!

Sejam felizes!

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Missão na Terra Vermelha: Subir ao Monte

Saídas em comunidade – Pedro, David, Pe. Endrias e eu.

Saídas em comunidade – Pedro, David, Pe. Endrias e eu.

 

Entrar na nova cultura é uma viagem que requer dedicação, ir conhecendo de tudo um pouco. Não só ver o cinzento do painel, mas também, e sobretudo, contemplar as diversas cores do mesmo e pintar com mais força os rosas, os verdes, os azuis, os amarelos, os vermelhos,... É saber apreciar, como uma criança curiosa por descobrir este mundo e o outro, embevecida sobre o funcionamento das coisas. Sem juízos. Sempre de olhos novos. O que é muito difícil, principalmente quando já se é adulto, quando já se traz uma bagagem, vícios, opiniões sobre tudo e mais alguma coisa.

Entrar na nova cultura, a tão chamada e bendita inculturação, é também apreciar os momentos em que estamos na escola com os companheiros das aulas de amárico e outras línguas, os serões com a comunidade dos MCCJ (Missionários Combonianos do Sagrado Coração de Jesus), as orações em comunidade, as visitas a museus, a comida (que aqui é bastante diferente e quase sempre com um toque de berber, uma especiaria típica de cá, que a tudo dá o seu travo a picante), as saídas em comunidade para comer um gelado ou beber uma coca-cola (sim, aqui também há disso!).

Entrar na nova cultura, não é só beber do choque cultural que vos falava no último artigo, um choque que nos leva a descer a montanha. É também sentir a sede de encontrar Deus no meio de tudo isto e subir ao monte. Escutá-lo, orar cada dificuldade que vai surgindo. Como agora o faço – subo ao monte. Tivemos cerca de duas semanas de pausa das aulas de amárico (pois a escola entra em férias) que nos deram a possibilidade de ir uma semana a Benishangul-Gumuz, para onde iremos iniciar a missão em Setembro (Deus queira), e de uma semana de Exercícios Espirituais.

Pois é em Exercícios que me encontro. Um tempo que tem sido importante para mim, para me renovar, para subir ao monte e falar com Deus. Tem sido um tempo de rezar tudo o que vi em Benishangul-Gumuz.

E o que viste lá? Recordo como se fosse agora o dia em que fomos às vilas desta região, onde apenas habitam os Gumuz, para celebrar a catequese. Saímos de casa por volta dessas 16h30. Viajei na parte traseira da 4x4, ao ar livre, ainda que houvesse para mim um lugar cativo no seu interior, o que era mais seguro visto que a qualquer momento poderia começar a chover torrentes (o que é muito típico aqui nesta altura do ano, pois estamos na kremt gizê (traduzindo do amárico, estação das chuvas). Porém, preferi a visão do lado de fora por ser sempre mais original! A viagem do lado de fora também iria dar lugar à convivência com os catequistas Gumuz que iríamos recolher pelo caminho (mal eu imaginava que a traseira se iria encher deles). E assim foi: pelo caminho, rumo a uma das vilas Gumuz fomos recolhendo os muitos e jovens catequistas. Não tenho a certeza, mas na traseira da 4x4 poderíamos ser uns 16. Contemplava aquela juventude de catequistas. Falavam e riam imenso entre si. Falavam na sua língua, Gumuzinha (outra que terei que aprender), pelo que eu não percebia nada! Na minha cabeça construía histórias e frases em amárico para tentar conversar com eles. Eles também sabem falar amárico, porém nem todos os Gumuz o sabem. Por isso, estes são catequistas escolhidos pelos MCCJ por poderem ser uma ponte entre nós, missionários, e o povo Gumuz. Além de serem eles a dar as catequeses, são também eles que fazem a tradução amárico-gumuzinha, sendo os intermediários entre nós e o povo Gumuz.

Lá ganhei coragem e iniciei a conversa com um dos catequistas. Trocámos meia dúzia de frases. Senti amizade e o ausente olhar de que sou diferente. O povo Gumuz é um povo amigo. Diferente da reacção comum da parte de muitos outros Etíopes, que à nossa passagem nos chamam de Farengi (estrangeiro), os Gumuz olham para nós com um sorriso. Por eles somos vistos como amigos, como aqueles que se lembraram do seu povo e que os têm vindo a proteger. São bem negros, diferente do típico Etíope que por norma tem uma cor de pele mais castanho-leite. Também por isso, são um povo tão marginalizado, não sendo considerados por muitos a verdadeira “raça” de etíopes.

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Um dos catequistas, Gumuz, a preparar-se para a catequese

A determinada altura, os catequistas foram sendo distribuídos junto de diferentes casas. Com eles saímos da carrinha e fomos chamando crianças e jovens a participar nas catequeses. Um aperto de mão, um olhar nos olhos… como gostava de os olhar nos olhos! Muitos chamámos, mas nem todos vieram. Ainda vivem o medo de sair de suas casas, dada a situação que sucedeu em Junho (em que foram atacados pelo povo Amara). Ainda assim, posso-vos dizer que muitos foram os catequizandos que, no escuro daquele entardecer, encheram aquela casa feita de paus, onde celebrámos as várias catequeses.

O que vi e vivi naquela semana em Benishangul-Gumuz despertou em mim um duplo sentido de emoções. Entre ideias que surgiram de projetos a começar, surgiu também o medo, a sensação de incapacidade. Eis que esta semana de Exercícios foi tempo de renovar a confiança, a mesma que me fez dizer SIM, no dia do meu envio, como Maria, “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim a Tua Palavra”. Ao subir ao monte percebo que, efetivamente, não sou capaz de tamanha missão. Não sou, e não somos. Sozinhos não somos. Assumir a nossa incapacidade humana, as nossas fragilidades e a nossa dependência do Amor de Deus é, por vezes, tão difícil! Ser humano é querer tantas vezes ter o domínio da nossa vida. Porém, que não nos enganemos. Não te enganes Carolina, não és dona da tua Vida. Ela é um presente de Deus. Aqui, curiosamente em Exercícios Espirituais, vivi o dia da Transfiguração do Senhor, encarnando-a. Orei. Deixei (e vou deixando) que esta transfiguração do Senhor aconteça em mim. Na verdade, só tenho que “não temer”! Pois, aqui neste monte aceito novamente o convite de Deus – “Levanta-te, toma a tua enxerga, a tua cruz, segue-Me, assim como és… com medos, fragilidades, erros, mas também, dons. Aceita-te como Eu te criei! Tu, segue-me! E eu sigo-O.

E é seguindo-O que vos deixo o meu terno abraço. Peço-vos especial oração pela missão que Deus quer que ali construamos. Que mais que ela seja fruto das nossas ideias de missionários europeus, que ela seja fruto da inspiração do Espirito Santo, pois a missão nunca será nossa. A missão é de Deus.

Vossa amiga Leiga Missionária Comboniana Carolina Fiúza

 

​in REDE - Revista Digital Diocese Leiria - Fátima, nº30 , 25 de Julho de 2019 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/subir-ao-monte/)

Volto a subir à montanha

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Escrevo-vos contemplando a paisagem. O sol já pouco se vê mas, consigo ver ainda a silhueta do vulcão alumbrado pela lua. Hoje voltei a subir à montanha, um dos lugares onde baixo todas as defesas e, consigo imaginar do outro lado do pôr-do-sol o rosto de todos os que deixei não para trás, mas todos aqueles que me deixaram e deixam voar continuamente, ainda que a medo, todos aqueles que confiam neste plano maior que Deus tem para cada um de nós. Para mim. Fixo no horizonte, eu e Deus. Só eu e Deus. Ele permite que me aproxime, abraça-me através da maravilha que consigo observar. Espera-me em silêncio no cimo desta pequena montanha, todas as vezes em que penso não ser capaz, todas as vezes em que a realidade é cruel, todas as vezes em que tudo parece escuro, em que tudo se torna demasiado pesado para carregar a duas a três, entre todos. Nesses momentos eu subo à montanha, vou largando na subida as pedras mais pesadas que carrego na minha mochila, para poder avançar. Subo em busca do silêncio, em busca da esperança, em busca de mim. Em busca de Deus.

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O sol já deixou a pequena montanha, fico eu e todos os pensamentos, fico eu e o clamor de todos os que me chegam assim, em busca de abrigo, em busca de amor, em busca de Deus. Durante aqueles instantes gigantes sou também parte da natureza que me envolve.

Subir à montanha permite-me sair de mim, observar com tranquilidade a natureza do que me rodeia, sentir tudo o que trago dentro, sentir que o amor também é feito das quedas, também se constrói com as pedras do caminho. Permite-me, ver a luz. Deixo-me abrir os olhos, já não vejo escuridão que carregava na subida, vejo as pequenas luzes que brilham entre este povo, sinto essa presença divina junto de todos nós nessas pequenas luzes, nesses corações dos que buscam, na esperança dos que acreditam, na perseverança dos que não baixam os braços frente à dor, nos joelhos dos que oram, na coragem dos que arriscam ir mais longe, e vejo então a mancha de luzes que permanecem acesas em mim.

E, já baixando a pequena montanha, sinto de novo o envio de Deus. Ele convida-me mais uma vez a ir ao encontro dos mais pobres e necessitados, junto de todos aqueles que me abrem diariamente as suas portas e, junto de todos aqueles que ainda esperam a minha chegada. Ele alivia a minha carga e, faz-me voltar a sentir alegria de ser missão no único caminho possível, o amor.

 

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Que todos sejamos capazes de subir à montanha as vezes que necessitarmos no decorrer desta caminhada que é a vida. Que todos sejamos capazes de esvaziar a mochila que nos acompanha em todos os momentos. Não tenhamos medo de falar de tudo o que nos vai dentro nos momentos em que estamos a sós com Deus.

 

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

Missão na Terra Vermelha

Tudo é necessário, até desenhar o choque cultural.

A comunidade de LMC em Adis Abeba – David, Pedro e eu.

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O choque cultural. O útil e necessário que sempre terá o seu lugar para todo e qualquer um que esteja em contacto com outra cultura, principalmente se uma é tão discrepante da outra. Chegou o meu tempo. Sento-me e contemplo este doce-amargo tempo, prestes a fazer a segunda viagem para o Quénia (uma vez mais, por causa do visto de residência que mostra a sua resistência em dar descanso).

As nuances de cor-de-rosa que se apresentavam no céu de Adis Abeba são agora também tocadas pelo contrastante e frio cinza. Não digo que o tempo da paixão acabou. Haverá sempre coisas bonitas aqui a descobrir. Porém, este é também um tempo necessário para ver a realidade tal qual como é, ainda que seja uma apreciação mediada pelo meu olhar. É este o choque cultural que me tem habitado, desenhado pelo que vou sentindo.

Desenhado pela diferença da língua (amárico e inglês), que muitas vezes me faz pensar que o falar noutra língua nos faz sentir coisas diferentes ou de uma forma diferente. E é uma coisa sobre a qual vale a pena pensar – “como se sente noutra língua?”. Desenha-o também o sentir que sou mesmo diferente do povo etíope e que essa diferença (infelizmente) tem tantas vezes um sentido depreciativo, ainda que teime em recusar essa ideia por querer tomar e fazer parte com eles. Entre vozes e olhares que hoje me fazem caminhar pelas ruas sem direito a olhar muito para os lados, não vá surgir o típico “Farengi (estrangeiro)!” vindo de alguém que apenas quer provocar; entre a tendência para venderem tudo mais caro a partir do momento em que vêem o branco tingindo a pele; entre este ver e sentir a tamanha pobreza de muitos e sentir esta incapacidade de poder fazer o que quer que seja (até porque, muitas vezes, o dar dinheiro não ajudará… pelo contrário, não romperá o ciclo da necessidade de pedir na rua). Também o sentir que os meus olhos muitas vezes já recusam ver a pobreza (porque dói muito vê-la), tornando-se tantas vezes impermeáveis ao sofrimento daquela vida que se encontra ali no chão. É também a situação político-social que hoje se vive aqui parte deste desenho. Curiosamente, foi notícia em Portugal: em meados de Junho o líder do governo da região de Amhara (uma das 9 regiões da Etiópia) e o chefe do Estado Maior do Exército foram assassinados, assim como outras importantes figuras. Desde então, o controlo aqui aumentou: a internet é muito limitada para que através dela não haja fluxo de informação, há mais polícia nas ruas a controlar autocarros e táxis, etc. talvez possa dizer que não sinto, por isso, uma insegurança aumentada. No entanto, inesperadamente, surgem notícias de vidas que partem vítimas de conflitos políticos, de pessoas que querem gerar a desordem e ter poder e supremacia num país onde residem grandes divisões entre regiões e grupos étnicos. E por isto peço a vossa oração para que todo este confronto entre cidadãos e governo apazigue.

Bonito desenho. São estes alguns dos traços que formam o desenho do choque cultural – esse importante e inevitável tempo que nos faz manter ainda mais próximos de Deus. Que me faz perguntar tantas vezes “Onde estás Tu aqui?” e redescobri-Lo, reinventá-Lo nas coisas mais simples. Pois sim, Deus também (e sobretudo) está nas coisas simples. Relembro tantas vezes vários livros, cheios de teorias teológicas mas com muito sentido prático, que li aquando do meu tempo de discernimento para a partida em missão. Um deles, de Vasco Pinto Magalhães. Onde há crise, há esperança. O título não diz tudo, mas já diz muito. É reler nestas várias crises e cruzes uma oportunidade de renascer. Tal como Jesus na cruz. Penso mesmo que a vida é isto – um sucessivo e diário morrer para que se (re)nasça com mais vida. E tantas vezes nos embrulhamos nestas teorias, mas é na dor, na crise que somos mais capazes de bater à porta de Deus e pedir permissão para entrar, pedir aquele colo para nós mesmos e para os demais. Como é lógico, Ele nunca recusa.

Dizia que Deus está sobretudo nas coisas simples. É nas idas às Irmãs de Madre Teresa aqui em Adis Abeba com os meus companheiros de comunidade, que tenho encontrado essa simplicidade de Deus. Enquanto fazia Fisioterapia a uma senhora que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e que por isso ali se encontra há cerca de 6 meses, pude contemplá-la – a ela e à simplicidade. Foi a primeira vez que nos tocámos. E foi nesta primeira vez que senti o quanto queria ser amada. Por cada frase em amárico que eu dizia, esboçava o maior sorriso. Queria “cativar-me”, como a raposa queria ser cativada pelo Principezinho. Pedi desculpa porque o meu amárico não era o melhor, ao que me respondeu:

- Amariña betam go bez! Anchi betam qonjo nesh! (O amárico está muito bem. Tu és muito bonita!)

Sorri. Retribui elogios:

- Yeanchi mulu kemize betam qonjo new! (o teu vestido é muito bonito).

O amor é isto. Simples e só vive se o “usarmos”. “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações” (Sl 94), recordo nos últimos dias este salmo que tantas vezes ouvi a minha querida mãe cantar na Eucaristia das 9h da manhã. E quantas não são as vezes que o nosso coração se fecha e endurece por esta falta da “Voz do Senhor”, do amor. Quando é tão simples; basta isto: não ter medo de amar.

Um terno abraço de quem vos ama,

LMC Carolina Fiúza.

 

​in REDE - Revista Digital Diocese Leiria - Fátima, nº30 , 25 de Julho de 2019 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/tudo-e-necessario-ate-desenhar-o-choque-cultural/ )

Encontro de Avaliação dos Formandos e Convívio com a Presença de Familiares

Nos dias 12, 13 e 14 de Julho de 2019, decorreu em Viseu, mais um encontro de formação da associação LMC.

Como chega ao fim mais um ano de formação, há que fazer a devida avaliação do percurso individual feito pelos formandos, daí que não foi seguido e exposto um tema formativo.

No dia 12, ao fim da tarde, começaram a chegar os primeiros formandos. É sempre uma alegria enorme cada reencontro! Entre sorrisos e abraços, cada um se cumprimenta e conta as novidades! Todos se sentem bem-vindos a esta casa missionária que tão bem nos acolhe!

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No sábado iniciamos o dia, como é habitual, com a celebração da Eucaristia na capela grande, aberta a toda a comunidade local.

Depois do pequeno-almoço dirigimo-nos todos para o cenáculo, onde foi exposto o Santíssimo Sacramento. Assim, diante do Senhor, foi possível rezar e refletir no percurso feito ao longo do último ano de formação. Muitas questões se nos colocam e é necessário encontrar as respostas, as minhas respostas, para cada uma delas! Analisando o passado, aproveitando o presente para nos interrogarmos diante do Senhor da Missão, encontramos respostas e tomamos decisões para o futuro, um futuro que queremos viver com Ele e para Ele, seja onde for e com quem Ele assim quiser!

Renovados e fortificados pelo Espírito Santo fomos, um a um, reunir com a Equipa Coordenadora. E assim se foi passando o dia, o grande dia de avaliação, em que todos desejávamos que fosse positiva.

Vários Leigos Missionários Combonianos com experiência de missão e, alguns com os seus filhos, juntaram-se a nós para a oração do fim da tarde. Que bonito foi ver o envolvimento das crianças nesta oração! Rezámos, sobretudo, por todos os membros da associação LMC que se encontram em terras de Missão ad gentes. Que a nenhum deles, em momento algum, falte a proteção e a esperança! Como é forte este desejo de nos mantermos unidos em oração! Em Jesus Cristo, que nos envia, e no Espírito Santo que nos acompanha, acreditamos que nada há a temer!

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No Domingo, depois da oração da manhã e do pequeno-almoço, começaram a chegar os nossos familiares para passarem connosco este dia em ambiente de festa e convívio! Todos se apresentaram, depois das boas-vindas do padre Francisco Medeiros, e a leiga Vânia passou à apresentação de tudo o foi feito pelos LMC ao longo do ano, dando enfase às notícias que nos foram chegando da República Centro Africana, da Augusta e da Cristina; do Perú, da Paula e da Neuza; do Brasil, da Liliana e seu marido Flávio; de Moçambique, da Marisa e da Etiópia, do Pedro e da Carolina. Perante a emoção dos familiares destes leigos, vimos fotos e vídeos que retratam bem o que é ser missionário junto dos mais pobres e desfavorecidos!

Logo de seguida tivemos o testemunho da Maria Augusta, acabadinha de chegar da República Centro Africana. Na sua simplicidade e simpatia foi-nos contando os acontecimentos, aventuras e desaventuras mais recentes.

Seguiu-se a Eucaristia, momento forte do dia, com a partilha da Palavra e do Pão, assim como da Fé e Carisma Comboniano que nos une a todos.

Depois do almoço partilhado, onde as mesas se encheram e nada faltou, seguiu-se, pela tarde fora o convívio entre todos. Com brincadeiras, jogos, cantares, anedotas e outras coisas mais, nos divertimos à grande e à portuguesa.

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Um muito obrigada a todos, sobretudo aos formadores e equipa Coordenadora, que nos acompanharam por mais um ano!

Glória Rocha

Fim de Semana de Espiritualidade Comboniana de 2019

Faz o Teu Coração Ser Missão

No mês de junho, o nosso encontro não foi o normal encontro de formação em Viseu, mas um encontro em família comboniana na Maia, o fim-de-semana de espiritualidade comboniana, que aí acontece todos os anos e é preparado e organizado pela Comissão da Família Comboniana. Este ano reunimo-nos aí, nos dias 28, 29 e 30 de junho, com o tema “faz o coração ser missão”, tema do ano para a Família Comboniana.

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Foi um encontro muito bonito! Primeiro, participou um grupo pouco numeroso mas muito diversificado, o que enriqueceu em muito as perspetivas e partilhas sobre os temas abordados! Depois, foi um encontro muito rico em temas de reflexão mas também no convívio em família comboniana, reforçando entre todos laços de amizade e comunhão.

Durante a manhã de sábado, após a oração da manhã falou-nos D. António Couto, bispo de Lamego, com o tema “o coração na Bíblia”. Aprofundámos o sentido bíblico do coração, o seu significado. De seguida, olhámos para o que significa “ser missão” e D. António partilhou algumas perspetivas sobre ser missão e realizar trabalho missionário nos dias e circunstâncias de hoje, concretizando com alguns testemunhos concretos de grupos e pessoas que realizam hoje um trabalho missionário muito frutuoso.

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Depois partilhámos entre os participantes sobre o tema formativo dado pelo bispo de Lamego, respondendo a algumas perguntas de reflexão por ele deixadas.

De tarde, foi a irmã Arlete, missionária comboniana, quem nos falou. Falou da vida de são Daniel Comboni, da sua “paixão do coração” pela África, da sua “cordialidade”, ou seja, como o seu coração se movia por todos e “guardava todos no coração”, da sua devoção ao Coração de Jesus.

Depois, voltámos a partilhar em grupos sobre o que ouvimos, procurando refletir juntos no modo de viver hoje e nas circunstâncias de hoje esta mesma paixão e entusiasmo de Comboni.

Ao fim do dia, celebrámos a missa e depois tivemos uma sardinhada, onde pudemos conversar, conviver, fortalecer laços de amizade! Um momento muito bonito e agradável!

805de1d3-5439-49a7-939c-6159a0d7bbd3.jpgNo domingo, após a oração da manhã, juntámo-nos todos para expormos e partilharmos o que no dia anterior tinha sido refletido em pequenos grupos. A partir daí houve novas partilhas, novas reflexões e foi um momento de meditar juntos e enriquecermo-nos mutuamente.

Terminámos com a Eucaristia. Aí, entregámos ao Senhor todos os propósitos que neste encontro pudemos fazer para a nossa vida, bem como entregámos o entusiasmo missionário em cada um gerado e revigorado neste encontro.

Foi um encontro em que, rezando e partilhando juntos, pudemos animar-nos mutuamente enquanto família comboniana a ser missão, a entusiasmarmo-nos pelo anúncio e pelo testemunho, a fazê-lo “apressadamente”, com vigor e perseverança, em qualquer circunstância!

 

Filipe Oliveira

A cor do amor

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Talvez a ideia que temos da missão e do mundo seja ainda um pouco cor-de-rosa, na verdade, para mim, a missão é um arco-íris, de cores, de emoções, de momentos e de aprendizagens. A missão é mais que o céu azul e vasto que todos os dias abraço no início e no fim do meu dia, é mais que o castanho da areia desértica que cobre o chão. É mais que o verde da paisagem de algumas árvores que lutam para permanecer verdes, e que o cinzento dos dias de neblina que encobrem os vulcões. A missão é de uma imensidão de cores. É da cor dos rostos que me comovem e me fazem sorrir, é da cor das histórias que todos os dias ouço horas e horas sem fim e me lembram da matéria simples e humilde de que somos feitos, é da cor de todos os corações que me chegam e me ensinam que é possível amar mais. É da cor dos sorrisos, dos abraços, das lágrimas é da cor da paisagem natural e humana. A missão diária de seguir com eles é tão vasta, é de tantas cores.

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Entre os meninos que me chamam na rua e no jardim de infância, e com os quais partilho a alegria de ser criança uma e outra vez, sem medo entregue a eles. Aos idosos que bailam livres quando vêm ao nosso encontro, e deixem-me dizer-vos, que para muitos, somos a sua única família. Verdadeiras histórias de superação e luta. Às famílias quando nos reunimos para partilhar o todo, na soma individual das partes porque, é nesse meio entre uns e outros que, nos encontramos e nos doamos sem premissas ou condições, só porque sim. É nas visitas diárias que encontro um verdadeiro sentido para a minha caminhada e vejo e revejo as cores do meu mundo aqui e agora. Aqui, nesta pequena vila é onde todos os dias a verdadeira experiência de ser eu, na essência das cores que tenho dentro e de todas aquelas que me permito ver no mundo.

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Confesso-vos que me permito muitas vezes moldar por eles, moldar pela sua experiência de vida e de Deus, que me deixo horas e horas observar o que são e o tanto que me ensinam, que me permito sair de mim para aprender deles. Sempre tive certo dentro de mim que não fui chamada para nada mais que amar. Amar este povo, esta cultura e os seus costumes. Amar, nas suas múltiplas perspetivas, na queda, no erro, no levantar e na esperança de ser a cada dia a melhor versão de mim mesma. E ainda que já tenha passado mais de um ano aprendo deles todos os dias, aprendemos juntos. E assim, todos os dias descubro mais uma cor dentro e fora de mim, neste intercâmbio de vidas, histórias e rostos descubro todos os dias a cor do Amor.

p.s O amor não tem uma só cor, o amor será sempre da cor que tu quiseres!

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

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Bem-vindas Maria Augusta e Marisa

É com grande alegria que vos recebemos depois deste tempo em que se dedicaram a cultivar o amor e a esperança, a que Cristo nos convida, entre e com outros povos. Temos a certeza que deixaram um pouquinho de vós e trouxeram tanto nessa grande bagageira que é o coração.

Que o Senhor vos continue a abençoar para que façam agora render os vossos dons , em tonalidades de partilha e alegria, entre nós..

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Encontro de Formação - Missão Hoje: Como? Porquê? Para Quê? A igreja em ato

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No fim-de-semana 18 e 19 de maio, o grupo de formação LMC reuniu-se para marcar o encontro do mês, com o seguinte tema: “Missão Hoje: Como? Porquê? Para Quê? A igreja em ato”.

Apesar do grupo estar reduzido, o encontro foi bastante rico e com muito conteúdo. No seu enquadramento, fomos inicialmente interpelados com uma grande questão: “Porquê a Missão?”. As respostas variadas chegavam à mesma conclusão, o amor de Jesus Cristo que nos leva a ir mais longe. E para recordar que Jesus foi o primeiro Missionário, o tema seguiu-se com a passagem do Caminho de Emaús, em que os discípulos, desanimados, reconhecem em Jesus como “aquele” que lhes fazia arder o coração quando falava.

Além das passagens, também aprofundámos e interpretámos um trecho da Carta Encíclica Redemptoris Missio do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a validade permanente do Mandato Missionário, refletindo as palavras-chave sobre o sentido da Missão e do ser Missionário. Nesta carta, o Papa João Paulo II convida a igreja a renovar o seu compromisso missionário, revelando que “A missão é um problema de fé, é a medida exata da nossa fé em Cristo no seu amor por nós”.

Após o almoço de sábado, visitámos a casa das Irmãs Missionárias Combonianas, que partilharam um pouco das suas experiências, testemunhos e vida Missionária.

Após esse momento, regressámos para continuar com o tema e passámos para a leitura da Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário, que convida todos os Cristãos a viver um ano de encontro com Jesus Cristo, em estado permanente de Missão; viver a Missão e a renovação Missionária.

À noite do mesmo dia, vimos o Filme “Francisco e Clara” – filme esse que nos fez refletir sobre as suas vidas de luta por amor a Jesus Cristo e a dedicação aos marginalizados.

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O domingo iniciou com uma bela dedicação à Mãe, Maria Rainha das Missões, celebrando a primeira oração do dia, junto da sua imagem no exterior da casa. Após o pequeno almoço, até à eucaristia, estudamos um excerto da Exortação Apostólica Evangelli Gaudium e entramos em contacto, através de uma videochamada com os leigos Pedro Nascimento e Carolina Fiúza, que partilharam os seus testemunhos, desde que chegaram à Etiópia. E foi com a Eucaristia que terminámos este encontro, cheio de frutos, com a certeza que saímos na Alegria de Jesus Cristo que nos fez e nos quer missionários, todos os dias e em todos os locais.

Mónica Silva

 

 

Uma viagem (in)esperada - Notícias da missão em Etiópia

Em missão, entre o Quénia e a Etiópia, a nossa LMC Carolina Fiúza escreve para a Revista Digital da Diocese de Leiria - Fátima (REDE). Convosco partilhamos o artigo.

No aeroporto, em Adis Abeba

Escrevo-vos já terminando uma semana de estadia em Nairobi, Quénia. Uma viagem turística que não era por mim desejada. Por motivos de força maior tive que sair do país (Etiópia): o visto que trazemos como missionários e que nos permite a entrada no país é um visto de negócios que apenas tem validade de um mês. Para estadias mais duradoiras (como a minha, de dois anos), ao chegarmos à Etiópia temos que conseguir obter nesse mês de validade do visto de negócios um outro visto - o de residência. No meu caso, esse mês não foi o suficiente para conseguir o visto de residência. O visto de negócios caducou e, por forma a não estar ilegal no país, tive que dar um salto até ao Quénia durante uma semana, para depois voltar a entrar e prosseguir o processo de obtenção do visto de residência de novo. Burocracias que traduzem uma exigente e difícil entrada neste país. Talvez possa dizer que, de uma maneira geral, a Etiópia é a tradução de uma história marcada por regimes e imperialismos exigentes, de grande controlo. É esta história que marca um povo! Não bastará dizer que viveram sob o regime de Imperadores até 1974 e que é dos únicos países africanos que nunca foi colonizado… a Etiópia tem história, uma grande história!

Sentimentos de tristeza e frustração assombraram o dia em que soube que teria que vir. Principalmente porque tinha começado as aulas de amárico há cerca de 2 semanas. Iria perder uma semana de aulas e todo um ritmo e envolvência na escola que é porta de entrada para esta cultura, que me põe estes sons das palavras em amárico a ecoar na cabeça, fazendo uma música pela qual me vou apaixonando. Não é uma língua fácil! Confesso sentir um paradoxo entre o entusiasmo de ser uma criança a aprender por imitação as palavras (como se dizem as cores, os alimentos, os animais, etc.), mas também um travo de receio. Receio por sentir que será tarefa complicada aprender rápido a língua.

Não me bastava já o amárico ser uma língua tão complicada, e agora tenho que ir para o Quénia, perder aulas, atrasar mais o domínio da língua! Assim nunca mais poderei prosseguir segura para o que vim – a missão! – pensava.

Temos a tentação de pensar que a missão é fazer, acontecer, programar e tudo o que seja do domínio prático. Porém, desenganemo-nos. Que me desengane eu também se penso que a missão propriamente dita apenas começará no dia em que viajar para permanecer na zona dos Gumuz e iniciar com os meus companheiros um projecto. Esquecemo-nos que não são, por vezes, as grandes coisas, aquelas que observarmos e palpamos, as que trarão mais vida. Não raras vezes, é no maior silêncio que mais operamos.

Poder-vos-ia dizer que é fácil conceber no meu íntimo este paradoxo de tempos de espera. Este que é agora um tempo de aprendizagem da língua faz-me sentir a falta de pôr em prática. Porém, relembro com carinho as palavras da minha amiga LMC Cristina Sousa (e que hoje se encontra em República Centro-África) quando dizia, em jogos de palavras, que partia em missão para pastar. Para pastar, parafraseando o nosso português tão maroto com a piada de que quem pasta nada faz. Mas também Para estar. P'astar. E é nestas palavras sábias que me digo copiosamente a missão, Carolina, já começou! Tal como vos digo a todos vós… para vocês, a missão já começou, a partir do momento em que são e estão no mundo como criaturas de Deus.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Já diz o ditado. Tiradas as teimas de que o Senhor queria que aceitasse a descoberta de um novo e maravilhoso país como o Quénia, posso agora dizer que valeu a pena vir e que foi para mim uma necessária permanência. Nairobi pode dizer-se uma cidade Europeia (ou Norte Americana?) – verde e organizada, ainda que muito cheia de tráfico, carros, pessoas, mas nada que se compare com o ar pesado que transporta Addis Abeba. Além de estudar amárico através de áudios que os meus companheiros de comunidade me enviavam nos intervalos de existência de internet, aproveitei para conhecer o centro de Nairobi com dois Quenianos, membros do coro da missa do Parlamento, na qual participei a convite do Pe. Comboniano Giuseppe Caramazza. É uma cidade de negócios também, bastando para isso vislumbrar o grande (íssimo) Kenyatta International Convention Centre, um edifício de 28 andares, que é palco de várias conferências, seminários, exposições e cimeiras internacionais.

Igreja em Nairobi

A propósito de missas, pelas terras vermelhas a sua preparação é já a premonição de uma grande festa. Muitos e cedo vêm a compor aquele que será o verdadeiro festival. Dizia-me um dos membros do coro: quando vais para um festival, para um concerto, preparaste não é? Pois então, temos que fazer o mesmo (e até melhor) para a Eucaristia, pois não há maior festa que essa! E esta é a lei por aqui. Uma Eucaristia onde ninguém “vem” apenas, senão participa: desde miúdos a graúdos. Todos têm algo para contribuir para este banquete, com a voz, dança, palmas, etc. Uma realidade transversal, não só no Quénia, mas também na Etiópia. Eucaristias que não têm tempo. Não são elas um mero sopro de 50 minutos, ou 1 hora, no qual tantas vezes vemos os que conversam com o relógio, olhando-o na esperança (quem sabe) de que a Festa já esteja a terminar. Não! Aqui, paradoxalmente, a Eucaristia demora um intervalo de 1h30-2h. O ritmo é de danças e músicas alegres, um ritmo definido, que desperta as almas… quando me dou conta, também o meu corpo balança, acorda, desperta. E, de repente, quando estamos cheios deste banquete que nos anima para a vida, a festa dentro da casa do Senhor acaba e os convidados permanecem no seu átrio à conversa. Olho para o relógio e o tempo parece que voou!

E assim é. O tempo aqui tem voado! Assim como voa este grande abraço que vos envio, muito cheio da minha boa saudade.

Com amor, Carolina de Jesus Fiúza (LMC)

 

in REDE - Revista Digital Diocese Leiria - Fátima, nº 26, 27 de Junho de 2016 (disponível em https://leiria-fatima.pt/noticias/uma-viagem-inesperada/ )