Os Sacramentos: Quando Deus derrama o seu Espírito sobre os Homens...

Todo o que nasceu de Deus vence o mundo.
Esta é a vitória que vence o mundo : a nossa fé.
Mais um encontro dos Leigos Missionários Combonianos, em Coimbra! É assim já o 5º encontro.
Nesse fim-de-semana de 21 e 22 de Janeiro fomos convidados a reflectir sobre os Sacramentos, “ acções fundamentais através das quais Jesus Cristo oferece aos fiéis o seu Espírito e os une intimamente a Si e entre eles, tornando-os um povo santo”.
Relembrando os sete sacramentos que aprendemos desde pequenos na catequese (Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Santa Unção, Ordem e Matrimónio) e alguns dos quais recebemos, foi-nos lançado o desafio de aprofundarmos um pouco mais os nossos conhecimentos sobre estes dons que Cristo nos deixou disponíveis para mais intimamente estarmos a Ele ligados.
“Eis aí a missão de cada cristão, anunciar a salvação de Cristo e Testemunhar a Sua Ressurreição.”

Do Baptismo nascemos para uma vida nova em Cristo e assim ficamos de forma indissolúvel ligados ao compromisso da fé.
Através da Confirmação, o Cristão é enviado para o meio dos homens para anunciar a Boa Nova.
Eis aí a missão de cada cristão, anunciar a salvação de Cristo e Testemunhar a Sua Ressurreição. Desta forma o baptizado e crismado é missionário enviado por Deus, missão essa que tem lugar na família, na escola, no trabalho, isto é em todo o lugar onde este se encontre.
“A Eucaristia, (…) não é simplesmente o “memorial” de um acontecimento passado, mas a presença viva e actuante de Cristo Ressuscitado …”

A Eucaristia, centro do culto Cristão, é o memorial da morte e ressurreição de Jesus, que não é simplesmente o “memorial” de um acontecimento passado, mas a presença viva e actuante de Cristo Ressuscitado no interior de cada crente e na comunidade de Baptizados reunida em seu nome. Assim na celebração Eucarística o povo de Deus encontra-se com Cristo e nele recebe o dom da aliança e da comunhão com o Pai.
“…o baptizado e crismado é missionário enviado por Deus, missão essa que tem lugar na família, na escola, no trabalho, isto é em todo o lugar onde este se encontre.”
Mas não quero deixar apenas uma explicação teórica dos sacramentos, mas sim uma reflexão deste fim-de-semana de partilha, nesta descoberta de um tesouro, o dos dons que Cristo nos deixou através dos sacramentos.
Iniciando o nosso dia de trabalho com a Eucaristia, partimos com o espírito de poder compreender melhor cada um dos sacramentos, pois esse é um ponto de partida para vivê- los de forma mais consciente na nossa vida.
Muitos são os baptizados, mas sentir-me e agir com coerência, como verdadeira filha de Deus, cumprindo a missão que Ele me conferiu é um desafio a que nem sempre respondo com um sim aberto e confiante.
Chamados desde o Baptismo à santidade, esta é algo que muitos dizemos “não ser para mim”. É um caminho difícil, porque facilmente caímos e desistimos de viver segundo o mandamento do amor – “amai como eu vos amei”.

Sabendo Cristo a nossa fraqueza humana, deixou- nos o Sacramento da Reconciliação muitas vezes esquecido e menosprezado. No entanto, através deste Sacramento o crente é restituído à comunhão Consigo e com a comunidade dos fiéis. E é neste caminho de conversão, que com Cristo, renascemos para a vida, para uma vida nova.
No entanto é necessário viver esta alegria de “voltarmos à casa do Pai para podermos experimentar a graça de vivermos essa paz com a qual Ele nos envia. A vergonha de dizer o mal cometido e o assumirmos muitas vezes leva-nos a afastarmo-nos cada vez mais de Deus e dos outros impedindo-nos de viver a festa do perdão e da alegria. Como seríamos todos mais livres!
Também a Unção dos doentes, resgata-os, manifestando-se através deste Sacramento a misericórdia de Deus. Assim Cristo torna-se solidário com aquele que sofre, para que a força redentora da caridade sustente o doente e dê esperança ao enfermo, e perseverança e coragem aos que o assistem.

Contudo nem todos os sacramentos afectam a pessoa da mesma forma.
Os presbíteros, que receberam o Sacramento da Ordem, foram configurados a Cristo e consagrados para evangelizar, guiar o povo que lhe foi confiado e essencialmente celebrar o sacrifício eucarístico, onde actuam em nome e com o poder pessoal de Cristo.

O Matrimónio suscita e renova a fé recebida com o Baptismo. Pela fé e pela graça sacramental, os esposos são ajudados a viver o amor conjugal.
São tantos que não encontram sentido neste sacramento! Será que é a falta de sentido? Viver a missão que lhes é dada, é um grande desafio. Viverem generosamente, com a castidade própria à condição de casal, isto é, procurarem viver um amor autêntico sem possuir o outro de forma egoísta. Tantas coisas que por vezes surgem mais importantes que a família e que a destroem, tantos projectos pessoais que são entrave à união. Que dificuldade saber onde começa a incompreensão e o egoísmo pessoal. Perante tantos “ventos” o casal encontra na Eucaristia o sustento, que dá força e são chamados a fortalecer os vínculos da sua união.
Terminamos este encontro com a Eucaristia que nos envia mais uma vez em missão. Muito haverá a fazer, mas procurar viver em maior abertura e comunhão com os sacramentos recebidos é o desafio lançado, pois só assim vivendo podemos testemunhar com a nossa vida o grande tesouro que Ele nos deixou.
“…e assim não podia esquecer S. Daniel Comboni que deu sua vida para libertar os escravos e salvar África, que ainda hoje vive em tanto sofrimento.”
Um dos grandes exemplo daquela que descobre esse tesouro é Bakhita. Vendo o filme que mostra um pouco a vida da Irmã Bakhita, podemos ver que se deixou moldar pelo amor vivendo-o e partilhando-o com os mais pequeninos e desfavorecidos.
Enquanto via o filme só uma coisa me ocorria: agradecer a Deus pelo dom da vida desta Irmã e de tantos outros que viveram e vivem nesta doação, e assim não podia esquecer S. Daniel Comboni que deu sua vida para libertar os escravos e salvar África, que ainda hoje vive em tanto sofrimento.
Assim provavelmente no final do filme cada um se questionou: e eu? Terei a força de responder generosamente, disponível sorrindo perante as dificuldades como a Ir. Bahkita?
Tantas questões! Mas mais uma vez agradeço a Deus pela oportunidade de podermos estar todos reunidos com alegria e amor fraterno. “Oh como é bom e consolador…”
Assim termino esta reflexão questionando-me: Como vivo como filha de Deus e como crismada? Qual o meu contributo para ajudar a santificar a minha comunidade paroquial, eu que como Baptizada sou chamada à santidade? Perante as contrariedades da vida sou testemunha edificante, enfrentando-as com paciência e coragem? Deixo que o rosto de Cristo esteja presente no que faço e faço brilhar a novidade e a força do Evangelho? Sou fermento da Boa Nova na família, no trabalho, ou simplesmente me deixo na comodidade do dia a dia ?
Tanto que tenho para mudar e renovar Senhor, para dizer sim à minha vocação de Baptizada!
Catarina Cardoso, Formanda LMC
