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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

"Tudo posso n'Aquele que me dá força" (Fl 4, 13)

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Que bonita é aquela África de madeira que se encontra aos pés de Cristo. E quanto do olhar de São Daniel Comboni deixo que me penetre, deixo que me contemple. E quanto de mim entra naquele olhar. Recordo as palavras de alguém que um dia me disse "é impossível que aquele olhar não te penetre, não nos interpele". E confirmo-as a cada vez que enxergo esta imagem do nosso incansável São Daniel Comboni.

Esta é a imagem sobre o altar que contemplo na capela da casa dos MCCJ de Madrid (onde hoje me encontrarei até por volta das 16h, hora a que o LMC David me virá buscar para, juntos vivermos o fim de semana em Arenas de San Pedro, a cerca de 160 km daqui) na qual não resisto a entrada para um momento de estar com o Senhor. A Ele lhe peço pela missão. Não somente pela "minha" mas a de cada um. A dos que partem. A dos que ficam. É na partida que está o amor também. A partida, o deixar o que temos para ganharmos algo maior: a liberdade da entrega a Cristo.  E falar de partida não é somente a partida física. Mas também a partida de nós mesmos. O sair de ti próprio todos os dias. A cada momento. É isso que hoje continuo a procurar, mas que hoje se torna fisicamente mais "fazível". Parto da minha terra em busca da sabedoria e graça necessárias para que, de futuro, melhor possa colocar os meus dons a render. Assim nos próximos meses estarei em Madrid junto da família que escolhi, a família Comboniana, num curso de Missiologia (cujo programa desde cedo me deixou de coração ardente e de olhos brilhantes... confesso até que, arde em mim aquela ansiedade miudinha comum nas crianças nos dias antes de tornarem às aulas). É isso que hoje aqui, diante desta África aos pés de Cristo, também agradeço: a possibilidade de crescer mais em sabedoria e graça.

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Na certeza de que sou frágil mas que, no seio de uma comunidade que vive pelo e para o amor, me torno mais forte. Porque "tudo posso nAquele que me dá força" (Fl 4, 13).

"Tudo posso nAquele que me dá força" - repito. Ecoa isto em mim. Só com Ele e através dEle poderei ter esta capacidade de sair de mim, ir ao encontro do amor, ser livre na medida em que confio nEle e nas suas mãos, amar sem medida. "Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos". Hoje entendo tão bem isto... e rezo a Deus para que me capacite para a missão para a qual fui destinada. A mim e a todos quantos vêem comigo! A família. O namorado. Os amigos. As pessoas. Cada uma, à sua maneira, é parte desta missão e sinto-me responsável por trazê-las também comigo.

 

"Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas." (Antoine de Saint-Exupéry)

Assim é... Rezo por cada um, pela missão de cada um. Rezem por mim também, peço-vos. Obrigada do fundo do coração pela confiança... E mais do que em mim, em Deus. Tudo isto - e toda eu - só somos possíveis através dEle.

Tomai, Senhor, e recebei 
toda a minha liberdade
a minha memória
o meu entendimento 
e toda a minha vontade
tudo o que tenho e possuo
Vós mo destes; 
a Vós, Senhor, o restituo
Tudo é vosso
disponde de tudo, 
à vossa inteira vontade. 
Dai-me o vosso amor e graça
que esta me basta.

(Santo Inácio de Loyola)

Estamos juntos, sempre.

 

LMC Carolina Fiúza

Regresso da Maria Augusta a Bangui

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Recém-chegada a Bangui, depois de ter estado em Portugal de férias, a LMC Maria Augusta escreve-nos sempre com a sua autenticidade.

 
Bom dia a todos! Graças a Deus cheguei bem. Encontrei o padre Fratelli, comboniano italiano, em Casablanca, já no avião. 
Com as malas não correu bem... uma delas não chegou, mas não foi só a minha! Uma do padre também não chegou e isso aconteceu a muitas outras pessoas. Fomos reclamar e, em principio, tê-las-emos no sábado de manhã.
Quando cheguei aqui soube que o padre Zé Carlos tinha morrido. Estou contente de o ter visitado!  Ele estava a sofrer muito pois tinha dois cancros...Que o Senhor tenha a sua alma em Paz!
Agradeço, a todas as pessoas com quem contatei nas paróquias, o bom acolhimento que me fizeram. Que o Senhor vos recompense por tudo o que vós fazeis, pelos missionários (as orações e a partilha do que tendes) e vos conceda sempre a Sua graça. Obrigada a todos pela vossa generosidade!
Unidos pela oração.
Um grande abraço para todos.
 
Maria Augusta
 
PS: Acabei de chegar do aeroporto, graças a Deus correu tudo bem. Deixaram-nos sair sem abrir as malas. Vinham plastificadas para estarem bem protegidas.
Estava tudo como foi arrumado, pelo que agradeço ao Senhor. Tudo o que lá tinha nos faz falta!
Ainda ficarei em Bangui até segunda.
 
Um grande abraço e beijinhos para todos 
Maria Augusta

Ver, sentir, escutar, tocar, experimentar e anunciar - o anúncio da Boa Nova pela nossa Cristina Sousa

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Olá amigos. :) Espero que todos se encontrem bem!

Estou em Bangui, cidade de soldados e militares, onde o bem e o mal se misturam.
A visita à capital é sempre uma aventura, que começa na saída e termina à chegada de Mongoumba.
Na turbulência da procura do marche (mercado) mais barato, das visitas ao hospital para ver os meninos que connosco vieram - um para operar a uma hérnia inguinal, outro mal nutrido -, um momento me fez parar para refletir sobre o que os meus olhos realmente veem... ou talvez não!
Enquanto uns faziam as compras, outros, neste caso eu, fiquei no carro a tomar conta (sim, porque se assim não é, roubam nos tudo que compramos).
No rodopio das pessoas que passam, um menino orienta um velhinho cego em direção à janela do nosso carro, ele faz-me um sinal com a mão para lhe dar dinheiro. Não resisto e dou um embrulhinho de moedas pequenas que transportamos sempre no cinzeiro do carro! Após um singila (obrigada), eles se afastam... Passados nem uns cinco minutos o mesmo menino logo reaparece com outro velhinho também este cego!! 
Nesse momento penso Se dou alguma coisa, ele volta com outro velhinho..!! Questiono de que forma o embrulhinho das moedas em algo se parece com o anúncio da Boa Nova que me trás aqui!!?? Lá diz o provérbio "mais cego é quem vê e não quer ver!" 
Na verdade isto fez-me refletir na forma que devemos ver, sentir, escutar, tocar, experimentar e anunciar...!! 
(Se outra oportunidade tiver, concerteza não vai faltar, vou-lhe dar um abraço e dizer que sou do país do Cristiano Ronaldo)... todos me conhecem assim!!! Inclusive chamam-me "Cristiano". (LOL) Tenho certeza que um sorriso vou ganhar..!! 

Beijinhos a todos
PS: Desculpem a minha escrita, mas escrever e-mail por telemóvel é difícil..!!

Grande xicoração em Jesus 
Gosto muito de vocês.... 💜

Cristina LMC, Portugal 
Mongoumba 

Um ano de missão em Moçambique

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Faz um ano que cheguei à Missão de Carapira, no norte de Moçambique. Mas, às vezes, muitas vezes, parece que acabo de chegar e que estou ainda a dar os primeiros passos, como se estivesse a começar.  Há momentos em que sinto que a viagem entre Portugal e Moçambique não foi a maior viagem que fiz, apesar do número de quilómetros geográficos sugerir o contrário. As grandes e maiores viagens são aquelas em que tenho de transitar entre a minha mente e o meu coração; de sair de mim e me colocar no lugar de quem está mesmo ao meu lado e, por vezes, me parece tão distante. A verdade é que a missão não é um lugar físico. É antes um lugar impossível de circunscrever e que pede esta atitude permanente de humildade, de audácia, de vontade.

A missão é também uma escola de amor, um lugar onde se aprende ou reaprende a amar. Aqui tenho conhecido bastantes missionários e voluntários. Pessoas que vêm com o desejo de fazer o bem, e que descobrem progressivamente a sua vulnerabilidade. A experiência mais forte que podemos fazer passa por amarmos e sentirmo-nos amados. Mas quando tudo em redor parece estranho, esta aprendizagem torna-se fatigante. Porque aprender a amar significa aprender a acolher o que eu sou, com os meus desejos, a minha fé, mas também com as minhas dificuldades, as minhas compulsões, a minha necessidade de ter razão. Ora, nos encontros e na vida quotidiana, depressa se descobre a fragilidade de que somos tecidos. Todavia, tenho para mim que, na medida em que a descobrimos, talvez sejamos capazes de olhar para a vulnerabilidade de Jesus e de amá-Lo.

É ainda uma escola onde se aprende que a proporção das coisas é distinta. Mas não se aprende a medi-las (muito menos a paciência). O espaço é vasto, e sem grande desgaste perdemos o horizonte de vista.

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O tempo dilata-se no próprio tempo. Tudo, mas mesmo tudo, acontece num ritmo bastante singular, a suave (suavíssimo) compasso. Então, o tempo chega sempre para tudo o que queremos, realmente, fazer, porque a lentidão ensina a evadir ao quadriculado e supera o que seria somente funcional e útil.

Porém, é nestes campos que germinam experiências autênticas. Não é preciso consultar boletins meteorológicos. Não se abre o GPS para simular quanto tempo demora uma viagem daqui para ali, até porque o “daqui-para-ali” é de uma imensidão tão grande que não foi ainda captado e decifrado por mapas de satélite – metemo-nos dentro do carro e seja como Deus quiser. Se o número de buracos for razoável, e o carro não avariar, chegamos mais depressa.

E se é verdade que Moçambique tem lugares deslumbrantes, é também verdade que aqueles que existem dentro das pessoas são os mais incríveis e preciosos. Tenho tido a delícia de conhecer pessoas que me ensinam muito. Pessoas simples e capazes de manter uma atitude de confiança mesmo na escassez, na pobreza. Que olham para o dia de amanhã com a esperança de que tudo correrá bem, Inshallah [se Deus quiser, como é costume ouvir-se]. Às vezes pergunto-me: confiança, em quê? Confiança, porquê? Confiança. Confiança na vida. São pessoas que me ensinam sobre a fé. Confiantes na proteção de Deus e muito gratas. Dotadas de um lastro de confiança que me convida a olhar para a vida com mais serenidade.

É uma escola onde se aprende também a olhar nos olhos de quem nos repara. Porque, na verdade, é quando reparamos que começamos a ver. Muitas vezes, quando olho à minha volta, posso sentir que não estou preparada para ver tudo o que encontro. Mas até nisso e para isso, Deus me tem capacitado.

Aprende-se também a ver Deus nas coisas pequeninas. Lembro-me muito bem de que, antes de vir para aqui, me tinha proposto a escrever mais: tinha ideia de fazer um diário de bordo ou, pelo menos, registar com mais regularidade as coisas que iriam acontecendo, como me sentia, ... Enfim, de partilhar sobre a missão de maneira a sentirmo-nos, também, mais próximos (a sentir que “estamos juntos”, como aqui se diz). Muitas vezes pergunto-me: mas vou escrever sobre o quê? É muito mais fácil fazê-lo sobre as coisas extraordinárias.   Está claro que não tenho cumprido a intenção à qual me lancei. Porque, de algum modo, quando me propus a tal, talvez tivesse ingenuamente concebido que na missão haveria um cento de coisas extraordinárias para contar. E, na verdade, a missão faz-se de momentos e dias comuns. Os instantes extraordinários podem ser mais coloridos e melódicos, mas são os vulgares que melhor contornam e sedimentam a nossa vida.  São esses mesmos, os momentos simples e ordinários, aqueles que encontramos no serviço e na relação com as pessoas que enchem de sentido e tornam a missão especial, sem precisar que venham os dias extraordinários pedir entrega e doação.

A missão é a cada dia um mapa por decifrar e por conhecer. Por isso, a cada momento sinto-me a começar um tempo novo, não o do calendário, mas o da oportunidade da vida e o da salvação que pode acontecer sempre que Deus nos visita nas coisas mais pequeninas e aparentemente insignificantes.

Cheguei a Moçambique há um ano. Mas continuo a começar e a caminhar para o Senhor das bênçãos a cada dia.

  

LMC Marisa Almeida

Jornal Astrolábio - A Maria Augusta já está entre nós

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires já está em Janeiro de Baixo, para passar algum tempo do Verão entre nós, à semelhança do ano passado, para depois regressar à Missão de Mongoumba. Mas, antes de chegar, enviou uma mensagem que nos faz bem ler: Cheguei ontem à tarde a Bangui, para amanhã prosseguir viagem até aí. Dou muitas graças a Maria e a seu Filho Jesus, que estiveram ao meu lado, cada dia, nas alegrias e nas tristezas, sobretudo nos momentos de maiores dificuldades.

Bem hajas a toda a minha família, a todos os que oraram por mim e por todos os missionários que trabalham comigo. Muito obrigada! Peço muito ao Senhor pela Paz neste nosso país e também pelos outros países, que tanto a anseiam também! Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos afim de terminarem as guerras. O Senhor toque os corações daqueles que atacam os inocentes, que destroem tudo o que aparece à sua frente.

No Domingo [1 de Julho], celebrámos a festa do 50º aniversário da Paróquia de S. George de Mongoumba, e foram realizados 249 crismas. Graças a Deus que eram dois bispos: Monsenhor Rhino, nosso Bispo (Bispo de Mbaiki); e Monsenhor Jesus [Bispo auxiliar de Bangasso, e que, antes, foi padre em Mongoumba]. Estava a Igreja repleta de gente e fora dela quase que havia outras tantas pessoas. Foi uma celebração muito longa (quase 6 horas) mas vivida com muita alegria e entusiasmo. Os fiéis não saíram da Igreja sem terminar. Estiveram presentes representantes de todas as autoridades e também das diferentes igrejas cristãs. No final da Santa Missa, D. Rhino falou sobre a morte do enfermeiro acusado de "likundu" [feitiçaria] e leu os artigos da constituição que defendem a Vida. Espero que as autoridades e todos os cristãos, tenham ouvido e guardado dentro dos seus corações as suas palavras para que vivamos todos como irmãos, verdadeiros filhos de Deus. Os crismados de Mongoumba percorreram os bairros da vila, cantando cânticos, e à noitinha vieram à igreja rezar e cantar em Acção de Graças por este dia. Peço ao Senhor que os ajude a todos a serem anunciadores do Evangelho, a seguirem Jesus fielmente e a não se deixaram enganar pelas "seitas", que existem muito aqui.

O ano escolar terminou no dia 27 com a proclamação dos resultados. Graças a Deus, este ano foram um pouquinho melhores que no ano passado. A Cristina começou a ir visitar os acampamentos pigmeus, acompanhada pelo senhor Bob, a fim de fazerem animação (prevenção de doenças, higiene ...) e tratarem aqueles que estão doentes e tardam a ir ao hospital. Muitas vezes, só vão ao hospital quando já estão muito mal e alguns acabam por falecer. A Ana voltou de férias no dia 8 de Junho bem animada, cheia de força para continuar a Missão. O Simone e o Padre Samuel estão bem, mas o Padre Fernando veio ontem e tem malária resistente... Ficará na paróquia de Fátima até Agosto, mês em que irá de férias. Que o Senhor o ajude!

Partirei amanhã e chegarei a Lisboa quinta-feira [5 de Julho] pelas 15h35. Sempre unidos pela oração.

Um abraço para todos da LMC Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 124 – 22 de Julho de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Actividade Prática para Voluntários Missionários da FEC

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Já lá vai algum tempo… nós sabemos. Porém, os frutos da actividade prática de Missão para Voluntários Missionários proposta pela FEC – Fundação Fé e Cooperação – estão ainda bem presentes nas vidas das nossas LMC Maria José Martins e Nelly Gomes, que tiveram a possibilidade de nela participar. Esta actividade decorreu entre os passados dias 7 e 10 de Junho na Casa de Saúde do Bom Jesus (Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus) em Braga. Hoje partilhamos a entrevista que fizemos à Maria José, sendo patentes em todas as suas respostas a sua emoção e orgulho em ter feito parte de uma actividade como estas.

Carolina Fiúza - Maria José sabemos que estiveste 4 dias em Braga na actividade prática de Missão para Voluntários Missionários em Braga. Em que consistiu a atividade prática? O que faziam? Como era o programa diário?

Maria José - Ora bem, nós quando chegámos lá fomos organizados em grupos de dois pertencentes a ordens diferentes e decidiram mandar-nos para vários serviços: serviços com acamados que tinham problemas profundos. Eu fiquei com um jovem e fui parar ao serviço em que estavam pessoas que tentaram o suicídio, pessoas com graves problemas familiares e que ficaram afectadas mentalmente. Era um serviço com variadíssimas faixas etárias: tínhamos uma senhora com 90 anos que me encheu o coração porque era a senhora dos abraços e dos beijinhos e eu também sou de abraços e beijinhos. Então ela abraçava toda a gente e, quando ia à missa, abraçava todos; procurava todos nós do grupo para poder dar abraços e dizia «Eu gosto tanto de si! Eu gosto tanto de si!». Então, essa foi uma senhora que ficou marcada para todo o grupo, embora fosse do meu serviço. Nós levantámo-nos e tínhamos o pequeno-almoço às 8h e às 8h30 íamos para os serviços. Cada qual para o seu serviço, para darmos os pequenos almoços, estarmos presentes pelo menos nos pequenos almoços dos utentes.

Depois, durante a manhã nos estávamos com os utentes e com eles íamos conversando. Eles vinham ter connosco. Nós estávamos na parte só das mulheres. Haviam pessoas que já lá estavam há 20 anos, outras que não sabiam há quanto tempo estavam porque, depois de fazerem os seus tratamentos, as irmãs averiguavam o ambiente familiar, e quando o ambiente não é positivo, optam por manter lá as pessoas. Quando as pessoas já estão curadas, ou pelo menos, apresentam a capacidade de serem auto-suficientes, são mandadas para dois apartamentos (salvo o erro) que existem na casa das Irmãs Hospitaleiras, e é-lhes fornecida uma quantia financeira e então tentam administrar o seu dinheiro, organizar-se e viver sozinhas. Claro que tudo isto é orientado pelas Irmãs que vão estando super atentas, até que verificam se a pessoa está ou não apta para viver sozinha, para ser auto-suficiente. Se consideram que sim, que está apta, as pessoas são enviadas para outros apartamentos que as Irmãs têm em Braga, na cidade, aí já de uma maneira completamente auto-suficiente: tiveram a aprovação e vão tentar reiniciar uma vida com orientação das irmãs mas algo mais ligeiro.  Esta situação também me impressionou bastante pela positiva pois demonstra o cuidado das Irmãs com os utentes na vida social e vê-se que elas se preocupam muito para além das 4 portas da Casa do Hospital.

A nota positiva vai também para as instalações. As instalações eram muito boas, com o necessário, com lugares para sentar para todos, com mesas, com televisões. E sobretudo, as instalações muito limpas com cheiro agradável e viam-se instalações muito cuidadas, com muita luz em comparação com outros. Vê-se que ali se preocupam com o proporcionar o bem estar aos utentes.

Às 11h da manhã havia missa e então nós voluntários oferecíamo-nos para acompanhar utentes que quisessem participar na Eucaristia. Para elas eram sempre muito bom e participavam sempre muitíssimo bem. E havia alegria na missa: haviam cânticos, uma irmã que tocava viola e piano. Então eram sempre missas animadas!

Depois tínhamos hora marcada de forma rígida para o almoço: ajudávamos os utentes com o almoço, íamos ajudando de forma discreta sempre sem eles se aperceberem muito porque estávamos sempre no sentido de promover a auto-suficiência. Mas, de vez em quando, cortávamos a carne a uma pessoa mais “aflita”, íamos fazendo assim essas pequenas coisas, íamos vendo se estava tudo bem em cada mesa; ajudávamos também no levantamento dos pratos para a copa e, quando terminavam as refeições dos utentes, nós, comunidade de voluntários, fazíamos as nossas refeições. De maneira que nos encontrávamos aí. Era rígido o horário, tínhamos que estar todos na mesa à mesma hora, e aí fazíamos já um pouco de partilhas mas, mal acabássemos de almoçar, íamos tomar o café e seguíamos para os serviços respectivos para continuarmos a cuidar, a ajudar, a participar no dia-a-dia dos utentes. Mais do que uma vez promovemos desenhos, algumas actividades, conforme eles estivessem ou não interessados. Uns participavam, outros não.

As irmãs têm ateliers de pintura, de tricô, crochet, trabalhos vários de artesanato que vendem. No nosso caso, que tínhamos as utentes que eram praticamente todas independentes e poderiam trabalhar nestas actividades, durante a tarde tivémos oportunidade de ir visitar e ver os trabalhos que faziam. Faziam coisas lindsissímas! E era assim que ocupavam os seus tempos.

À noite nós fazíamos reunião depois do jantar e aí aproveitávamos para falarmos das nossas experiências diárias, falarmos das nossas impressões, o que sentimos, o que não sentimos. Também fazíamos jogos entre nós organizados pela Catarina Lopes António, com objectivos precisos. Os nossos serões eram bastante agradáveis! Acabávamos por nos recolher bastante cedo para o dia seguinte.

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CF - Que dificuldades sentiste?

MJ - Dificuldades: nós não tivemos porque o sistema estava muito bem organizado. Então, não haviam dificuldades. Se precisávamos de alguma coisa havia sempre quem nos ajudasse. De uma forma geral, quando comentávamos entre voluntários, ninguém fazia referência a qualquer tipo de dificuldade. Antes pelo contrário: sempre nos tentaram facilitar tudo, a nossa presença e sempre foram todos muito agradáveis connosco. Fiquei encantada com a jovialidade das irmãs, independentemente da sua idade: aqueles sorrisos lindos de quem vive feliz por aquilo que está a fazer e isso impressionou-me e tocou-me muito.

CF - Sentiste alguma divergência entre os vários voluntários, não só na sua diferente forma de agir enquanto pessoas, mas também enquanto membros de carismas e grupos missionários diferentes?

MJ - Nunca tivemos divergências! De vez em quando havia um elemento que eu não conhecia bem e que acabava por pensar de uma forma um pouco diferente de todos nós voluntários. Mas, de qualquer maneira, conversávamos e estava tudo certo. Não houve qualquer tipo de problemas.

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CF - O que mais te marcou ? Que sentido(s) teve para ti esta atividade?

MJ - A última noite, uma noite muito marcante para todos nós. Fomos convidados pela comunidade religiosa para jantarmos com elas. Então foi realmente um jantar bastante interessante. Desde o ambiente em si – estávamos todos muito próximos uns dos outros -, as irmãs com aquele sorriso maravilhoso! No fim, a irmã mais velha, responsável pela comunidade, resolveu presentear-nos com um fado que foi das coisas melhores que podia ter assistido. A irmã pediu para ser à média luz para não lhe vermos a placa dos dentes (risos). Era uma pessoa cheia de sentido de humor. E então começou a cantar um fado sobre a andorinha. Foi muito engraçado porque, para além de ela ter uma voz esplêndida e a canção ser muito bonita, (a canção) era ela a falar com uma andorinha e, às tantas, ela dizia “E a andorinha respondeu-me…” e toda a comunidade das irmãs fazia de andorinhas e davam uma resposta. Muito bem cantado! Para nós foi muito agradável e foi uma noite excelente que nenhum de nós esquecerá!

Em relação a mim, Maria José, como é que isto tudo me tocou, o que é que eu trouxe no meu coração sobre isto? Eu assisti a uma coisa que me impressionou imenso e que eu resumo numa frase: o respeito pela dignidade humana. As pessoas eram tratadas com um respeito profundíssimo. Eu já trabalhei em lares e já vivi essa experiência e muitas vezes me questionava porque lá não havia uma higiene oral suficiente. E na Casa das Irmãs Hospitaleiras aconteceu uma coisa muito engraçada. Eu fiquei uma hora cidrada a assistir a isto (que pode parecer algo sem muita importância mas, para mim, teve muita importância): as utentes depois do pequeno-almoço dirigiam-se à casa de banho onde estava uma funcionária e, todas em fila, iam-se aproximando dela; dentro de um armário haviam as escovas e copos todos com a respectiva identificação; estavam também umas caixas identificadas onde, no dia anterior, as utentes deixavam as suas placas com água e a funcionária acrescentava água e pastilhas tipo corega. No momento da lavagem dos dentes, a funcionária entregava a respectiva placa. No armário tinham cremes hidratantes para a pele e a funcionária aplicava creme a TODAS as pessoas que lá passavam – de todas as idades – desde a mais jovem, até à de 90 anos. Depois, a seguir, tinha um perfume que punha a todas: todas estavam perfumadas. E tinha uma zona onde haviam bijuterias que elas escolhiam, não de uma maneira exagerada mas sim de uma maneira que as embelezava. Depois, a funcionária ainda as penteava e haviam as mais novas que pediam à funcionária que lhes fizesse uma trança. E ela, tranquilamente, fazia a trancinha à pessoa que lhe pedisse! E aí é que eu vi realmente o valor que dão à dignidade. Ninguém está habituado a ver as pessoas em hospitais psiquiátricos cheirosas, cuidadas… por norma, não acontece nada disto! E então, isto era feito diariamente. Haviam aquelas que tinham os seus próprios perfumes, cremes. Mas havia o geral, para todas, para as que não tinham. Eram todas muito cheirosinhas e cuidadas e isso a mim marcou-me muito, este cuidado com aquelas pessoas que, possivelmente, noutras circunstâncias não teriam isto. E não importava o tempo – a funcionária estava lá para cuidar delas, demorasse o tempo que demorasse. O respeito pela dignidade humana foi aquilo que mais me marcou nesta experiência de 4 dias.

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Depois ali senti que o amor ao próximo é realmente a solução para todas as coisas, para todos os problemas. É o amor que move o mundo. Eu vivenciei isso. A minha vontade não era de vir embora; era de ficar lá! Porque, aqueles 4 dias em que démos… é sempre aquela história: nós damos, mas recebemos muito. Então, havia aquela troca e só faz sentido, e só aconteceu e só continuará a acontecer por causa do amor com que Deus nos encheu o coração e que nós queremos dar ao próximo. E portanto eu continuo a achar que o amor é que move o mundo, é que move montanhas. O amor que nos é concedido por Deus e que nós seguimos através de Jesus Cristo, esse amor é que é o mais importante… e até provas em contrário, será esse o meu lema de vida. De todas as suas formas incondicionais e que o Senhor assim me permita ter alguém a quem possa passar esse amor.

CF - Como avalias toda a atividade?

MJ - Senti-me uma privilegiada por ter vivido esta experiência. Deixou-me profundamente feliz: já não me lembrava de me sentir tão feliz como me senti. Sinto-me tranquila também por ver que há pessoas como as irmãs Hospitaleiras que chegam aos mais necessitados com tanta felicidade e transmitindo tanta alegria, tanto amor que dá para pensar que, apesar de tudo, há quem faça a diferença e obrigada Senhor por isso. Abençoa quem faz a diferença e permite que possamos desempenhar sempre o que nos pedes e que nos ajuda-nos a descobrir verdadeiramente o que requeres de nós.

CF – Muito obrigada Maria José! E apesar de, esta ser uma entrevista em que apenas oiço a tua voz, reconheço o sorriso nos teus lábios enquanto respondes e a o brilho nos teus olhos… e a saudade que fica dessa semana que, acredito, te marcou profundamente, especialmente porque o cuidado ao próximo é a tua área de trabalho e sei que já viste realidades muito distintas das que presenciaste nesta semana! Parabéns pela tua coragem em aceitares este convite de Deus e também à FEC pela iniciativa e possibilidade de permitir aos seus formandos uma semana tão frutuosa como esta.

Festa LMC, a alegria da partilha em Família

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"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". (Jo 14, 6) Uma frase bíblica que ecoou no fim do dia de sábado que compôs o fim de semana da família LMC (em Viseu), na oração do fim de tarde. 

Iniciar este dia de sábado (7 de Julho) trouxe-me aquela sensação saudosista de ver as caras de sempre naquela casa de Viseu dos MCCJ que tantas vezes me acolheu para a formação proposta. O Caminho. Um caminho que é proposto para os que assim sentem no seu íntimo a paixão ardente de pertencer a esta família de LMC. 
Iniciar este dia fez-me recordar a Marisa, a Cristina, a Paula, a Neuza que agora se encontram em missão e que me acompanharam de perto no discernir um compromisso LMC. Recordei o Tiago Santos que entretanto não pode continuar connosco; o Flávio Soares cuja vida se mantém próxima, mas cujo caminho (porquanto) lhe pede outras dedicações; a Rufina que (hoje percebo) tem uma grande missão junto dos refugiados; a Patrícia Bernardino cujo paradeiro desconheço, mas que seguiu um belo caminho de discernimento vocacional. E tantos outros. Tantos que preencheram esta casa e que fazem deste lugar um recordar de crescer que Deus nos vai permitindo desbravar. 
Iniciar este fim de semana (7 e 8 de Julho) pediu-me que saísse de mim e reconhecesse esta família que cresceu, que está a crescer, com pessoas maravilhosas que trazem no seu coração um alma missionária que lhes pede para ir ao coração dos mais pobres e necessitados. E quão bom é reconhecer esta família que cresce e que a ela pertenço orgulhosamente!
Uma família que se reuniu para um momento de avaliação do ano que passou, para entender o caminho que foi desbravado e conversá-lo. Uma família que se reuniu para também conversar sobre documentos importantes e que serão o pano de fundo da nossa Assembleia Internacional em Roma este ano de 2018.  E que discussões se desenrolaram em prol do nosso movimento; conversas que originaram ideias de futuro para nós. E que orgulho ver este empenho de todos os leigos e formandos, também, traduzindo a vontade de nos tornarmos melhores, à imagem daquilo que Deus quer para destino dos LMC. Sábado cansativo que terminou em ritmo de oração. "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Juntos rezamos esta vontade de fazer caminho individual, mas também como movimento. 
 

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Domingo, dia de receber os nossos amigos e família. Um grande dia de animação no qual, juntos, pudémos falar com a Marisa e a sua comunidade de Moçambique. E que emoção é sabê-la feliz e em missão (de tal forma inculturada que até já se perde entre pronúncias portuguesas e moçambicanas). Vimos vídeos da Paula e da Neuza que nos transmitiram de forma genuína a sua  missão em Arequipa (Peru) e a importância que há na sua ação junto das pessoas, uma missão muito de olhar A pessoa, A sociedade com as suas particularidades. Uma missão social, de comunidade. Vimos também um vídeo do Flávio e da Liliana que estão em Piquiá (Brasil), testemunhando o trabalho junto de um povo que reclama por condições de habitação, um povo que se reúne para celebrar as colheitas. 

 

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 E, terminando este momento de testemunhos da missão de lá, falou-nos o Padre Joaquim Nogueira (acabado de chegar da missão da Etiópia). E que maravilha de testemunho! Quantas dificuldades, mas quanto de riquezas brilhavam nos seus olhos enquanto nos transmitia o que os Combonianos têm conseguido juntos destes "mais pobres e abandonados, onde ninguém vai". 

 Seguimos com a Eucaristia, o almoço partilhado e terminamos a nossa tarde com um momento para "rir com Deus": uma sessão de risoterapia facilitada pelo Fernando Batista, criador do projeto mais rir e que tem também uma grande missão - a de Evangelizar Cristo de uma forma divertida, descontraída e com Fé. 
 
 Enviados fomos. E partimos. Cada um para sua casa mas na certeza de que caminhamos juntos, seguindo "o Caminho, a Verdade e a Vida".
LMC Carolina Fiúza

Fim de semana de Espiritualidade Comboniana

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No passado fim-de-semana, de 8 a 10 de junho, os Leigos Missionários Combonianos marcaram a presença no Fim-de-Semana de Espiritualidade Missionária Comboniana, realizado na Maia e que teve como tema São Daniel Comboni - desafio para os jovens de hoje.

O encontro iniciou na sexta-feira à noite com a apresentação de todos os participantes, de entre os quais estavam membros dos diferentes ramos da família comboniana e mais alguns amigos e colaboradores.

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A manhã de sábado iniciou com o momento de oração orientado pelos formandos dos LMC presentes.

A Secular Comboniana, Helena Laranjeiro, abriu a temática convocando todos os presentes a enumerarem uma chuva de palavras em volta da palavra Jovem. Entre as várias palavras e expressões citadas, concluiu-se que os jovens são bons e, muitas vezes, são as “pessoas” que os definem como “maus”. Ainda dentro da procura da definição de Jovens, foram feitos pequenos grupos que discutiram entre si a visão da realidade juvenil nos dias de hoje e os seus aspetos positivos e negativos.

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A segunda parte da manhã foi assinalada pelo testemunho do P. Nuno que pertenceu à pastoral universitária de Coimbra, falando sobre o seu trabalho com os jovens no dia de hoje, salientando que não nos poderemos focar no número de jovens presentes nas atividades, paróquias e movimentos, mas sim pela qualidade, sendo essa uma vantagem, uma vez que é mais fácil de trabalhar e acompanhar. Da sua experiência, evidenciou alguns dos erros comuns da Igreja, quanto animadora da comunidade, referindo que devemos falar com entusiasmo e alegria, mostrando aquilo que dizemos sobre a alegria de seguir Jesus Ressuscitado.

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 De tarde, a sessão foi orientada pelo p. Ricardo Gomes que partilhou a sua experiencia como padre jovem e também do que são Daniel Comboni já dizia a respeito dos jovens. Dividiram-se novamente os grupos para refletir e discutir alguns escritos de Comboni destinados a vocações jovens.

Ao final da tarde prosseguiu-se com a Adoração ao Santíssimo, sendo esse um momento forte do dia, uma vez que permitiu refletir e interiorizar sobre o tema, tudo o que se ouviu e partilhou.

Após a Eucaristia com a comunidade da Maia, seguimos para o churrasco em formato convívio, onde não faltaram as sardinhas assadas, o caldo verde, a música animada e uma boa dose de animação!

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 No domingo de manhã, após a oração, seguimos para um painel orientado pela irmã Arlete e com a participação do padre José Vieira (provincial dos Missionários Combonianos), Sofia Coelho, Mónica Silva e Filipe Oliveira, que uma vez ligados a diferentes grupos de jovens e modos de vida, testemunharam sobre a temática “Jovens na igreja”.

Assim, vivemos um fim de semana muito rico em partilhas, testemunhos e, sobretudo, em reflexão e oração, num ambiente muito familiar e caloroso.

Mónica Silva

Últimas notícias de Maria Augusta da Missão de R.C.A.

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires, de Janeiro de Baixo, que está em missão na República Centro-Africana (na Missão de Mongoumba), aproveitou mais uma vinda à capital (Bangui) para enviar notícias. Rezemos pela paz naquele país e por todos os missionários! Eis o texto enviado por ela [para o jornal da sua paróquia, O Astrolábio]  no passado dia 25 de Maio:

Eu e todos os membros da comunidade apostólica estamos de boa saúde, graças a Deus.

Estamos em Bangui para fazer compras... a Ana tinha a viagem marcada para o dia 18, mas, como a adiou para o dia 8 de Junho, tivémos que vir na mesma, porque nos faltavam medicamentos e muitas outras coisas necessárias no dia-a-dia, e também já tínhamos a despensa quase vazia.

No dia 12 de Junho voltam o Gervelais e o pai, de Dakar. Damos graças ao Senhor porque correu bem a operação. Espero que ele esteja contente e de boa saúde.

No dia 11 de Maio, foi morto, espancado, um enfermeiro do hospital acusado de "likundu" (feitiçaria). Ficámos todos muito tristes com este acontecimento. Esperamos que seja feita justiça e que os que lhe causaram a morte sejam bem castigados, a começar pelas autoridades que lhe recusaram protecção... Pedimos ao Senhor que nos ajude a defender as pessoas apontadas de tal maldição. Já houve vários casos de pessoas acusadas e que foram protegidas pela Missão e por alguns cristãos corajosos. Que o Senhor da vida faça que tal nunca mais aconteça com ninguém e que todos os cristãos tenham a força de denunciar tais violências.

No dia 1 de Maio, em Bangui, na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, durante a Eucaristia, foram mortas 16 pessoas e 100 ficaram feridas pelos rebeldes. Acabaram por falecer 22 pessoas, entre elas, um dos padres que estava a concelebrar. Os habitantes deste bairro continuam com muito receio de serem atacados de novo. Rezem muito por este nosso povo, que já está cansado de sofrer...

Eu, se Deus quiser, não voltarei a Bangui antes da partida para Portugal, pois, no mês de Junho, estarei muito ocupada com as avaliações dos alunos e os trabalhos do final de ano. No dia 4 de Julho, parto de Centro África e chego a Lisboa no dia 5, à tarde. É como no ano passado. Voltarei à Missão, se Deus assim o quiser, no início de Setembro. A Cristina está animada, continua a estudar o sango [língua local].

Estamos sempre unidos pela oração, isso dá-nos muita força e coragem. Um grande abraço Missionário, do tamanho do mundo, para o Padre João e Padre Orlando e todos os féis a vós confiados. Até breve!

Com muita amizade

Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 121 – 3 de Junhode 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Conto Africano

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Numa tarde de Verão, depois dos cantos e danças, todos se sentaram em redor do chefe da tribo. Ele fixou o olhar num dos seus guerreiros e começou a falar-lhes assim:

— Se alguém fizer mal ao teu irmão e tu quiseres vingar-te matando-o, faz o seguinte: senta-te, enche o cachimbo e fuma. Compreenderás então que a morte é um castigo desproporcionado e resolverás dar-lhe apenas uma boa sova. Antes, porém, enche novamente o teu cachimbo e fuma até o esvaziares. Convencer-te-ás que, em vez da sova, bastaria uma boa repreensão. Se, entretanto, encheres o cachimbo pela terceira vez e ficares a reflectir até o esvaziares, ficarás persuadido que é melhor ir ao encontro do inimigo e abraçá-lo.

 

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 120 – 13 de Maio de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual