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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

"Caminhando ao ritmo do Eneagrama"

Novas pegadas marcaram o percurso de formaçao dos futuros LMC no fim-de-semana de 25 e 26 de Abril. Desta vez na casa de Santarém, a Celina, a Sandrina, a Márcia, a Verónica, o Henrique, o Zé Manel, a Maria, a Hélia e a Liliana rumaram para um novo fim-de-semana de formação e convívio.

Um fim-de-semana marcado por diversas emoções causadas, sobretudo, por uma experiência nova para todos, o eneagrama. Conduzidos pela psicóloga Margaret, rumamos ao conhecimento da essência da personalidade de cada elemento do grupo. Através da partilha e análise de experiências, vivenciamos intensos momentos que nos permitiram atingir um conhecimento mais profundo de nós próprios e dos restantes elementos do grupo. Uma experiência importante que permitirá criar laços de amizade mais coesos entre os membros do grupo. 

Dois dias que apesar de intensos a nivel de processamento de novas informações, passaram a correr e deixaram-nos ansiosos pelo próximo encontro a 16 e 17 de Maio.

 

Verónica Guarda

 

 

A alegria e a amizade estão sempre presentes nos encontros!!

Ecos do último encontro

No fim-de-semana de 12 e 13 de Julho tivemos o último encontro de formação. No Sábado de manhã e início da tarde discutimos o tema a Missão em Mudança, tema que já tinha sido trabalhado por alguns de nós para apresentação no ateliê que tivemos em Maio no Luso pelo IIº Grande Encontro dos Jovens e Festa das Famílias. Tivemos a presença de uma pessoa nova, a Sara, que conhecemos precisamente nesse Domingo, no Luso.
O resto da tarde foi de avaliação em relação aos dois últimos anos de formação, e onde foram ouvidas e colhidas algumas opiniões importantes.
A nova Equipa Coordenadora vai reunir-se durante 4 dias em Agosto precisamente para delinear o próximo ano de formação e fazer alguns ajustes necessários para que a nossa formação seja ainda melhor.
Depois do jantar voltamos a reunir para preparar a Eucaristia do dia seguinte e fazer uma pequena surpresa ao Padre Alfredo com uma apresentação powerpoint com fotos que alguns de nós previamente seleccionamos. Foi uma singela homenagem de todos nós ao enorme espírito Missionário que ele teve á frente do Movimento durante estes anos.
No Domingo de manhã, fizemos a recepção aos pais (estiveram presentes os meus pais, os pais do Pedro e os familiares da Maria Augusta).
Às 10:30 a Susana deu o seu testemunho. Foi bonito ver e especialmente sentir a enorme paixão que ela tem por Mongoumba!!! E penso que transmitiu isso mesmo para todos os presentes.
Às 12:00 foi tempo de celebrarmos a nossa Eucaristia. Linda como sempre e como só nós a sabemos viver e celebrar… No fim, na Acção de Graças, lemos alguns mail’s que os leigos em missão nos enviaram, a Vânia, a Emília, o Álvaro, a Sandra e a Maria Augusta. Deu-se ainda o passar de testemunho simbólico, do Padre Alfredo para o Padre Paulo.
Depois do almoço, bastante animado por sinal, tivemos a habitual tarde de convívio.



Carlos Barros

Encontro de Abril - o envio

Neste fim-de-semana realizámos mais um encontro em Coimbra. Tratou-se de um momento muito especial porque foi o último encontro em que eu e a Emília estivemos presentes. Se Deus quiser, dia 19 parto para o Brasil e ela parte dia 29 para a “sua” Venezuela.

No sábado de manhã tivemos um momento de reflexão pessoal, em que lemos o livro de Leonard Boff "Os Sacramentos da Vida e a Vida dos Sacramentos". Após essa leitura individual, seguiu-se um espaço de partilha sobre o havíamos lido e reflectido. Da parte da tarde, os elementos que participaram no encontro dividiram-se em dois grupos: um grupo formado com os LMC que estão a fazer a formação e outro grupo com os LMC que pertencem ao COM (Cenáculo de Oração Missionária). Os LMC do COM aproveitaram este encontro para fazer um balanço do caminho percorrido e dos objectivos atingidos durante estes poucos meses de existência. Reflectiram também sobre o futuro e sobre os novos desafios que se vão apresentando à medida que o grupo cresce em idade e em espiritualidade. Os outros LMC que estão na formação abordaram o tema “Aprender a rezar com a Igreja sendo Igreja”, onde se estudou o calendário do Ano Litúrgico, cada ciclo em que se divide e as suas respectivas celebrações. De seguida, falou-se dos Salmos. Porquê rezar os Salmos? Que dificuldades existem? Como se classificam? Os salmos em Cristo, para nós cristãos. A Igreja e os Salmos. Após o jantar seguiu-se uma explicação detalhada sobre a estrutura e celebração da Liturgia das Horas.

No domingo de manhã os dois grupos (LMC em formação e LMC do COM) reuniram-se e partilharam o que haviam vivido nos respectivos encontros, fazendo um pequeno resumo do que haviam falado no sábado à tarde. Depois de alguns avisos por parte da equipa coordenadora, formámos pequenos grupos para preparar a missa de envio (minha e da Emília). Os pais dela estiveram presentes, assim como outros familiares e amigos. A celebração foi muito bonita, simples e tocante. Agradeço a Deus por tanto a Emília como eu, partirmos em Missão com a compreensão e o apoio das nossas famílias.

Na hora da minha partida em missão, quero agradecer a Deus pela partilha e caminhada com todos os elementos que formam a família Comboniana - missionários, missionárias e leigos. Todas essas pessoas que se cruzaram no meu caminho desde que iniciei a formação nos LMC foram uma bênção de Deus... Cada uma à sua maneira me foi tocando, transformando e tornando numa pessoa melhor... Cada uma com a sua presença, amizade, carinho e amor à missão foi ganhando um espaço muito especial no meu coração... Que Deus os abençoe a todos e que sempre os encha de amor para dar a quem o não tem. A todas elas dedico estas palavras de Francisco Libermann, um dos fundadores dos Missionários do Espírito Santo:

“Os caminhos da Missão são os caminhos onde Cristo ainda não chegou,
dos pobres que ainda esperam por Ele,
das periferias que os ricos isolaram,
dos paralíticos de há tantos anos,
esquecidos à beira da fonte.

Encontramos os missionários em situações de fronteira e de risco
onde a guerra divide e o ódio afoga toda a esperança.
Missão de presença e de testemunho,
de Páscoa e de martírio,
e da dor de quem nada pode fazer.

Nós os encontramos
nos desertos da primeira evangelização
procurando descodificar culturas novas
e aprender o alfabeto
de um amor que fala todas as línguas.

Nós os encontramos
na onda do ciclone,
lutando pelos direitos de quem os não tem,
pela justiça donde nasce a paz,
pela defesa dos bens da terra e da natureza,
essa Bíblia onde Deus escreveu o seu nome.

Nós os encontramos
embarcados com os emigrantes,
bagageiros das suas esperanças,
levantando a tenda
entre os deslocados e refugiados da guerra,
procurando com eles
os caminhos de regresso à sua história.

Nós os encontramos
nos templos das diferentes religiões
abrindo com eles
o diálogo de uma amizade
que ultrapassa todas as teologias
e procura olhar o diferente
por encima dos muros que nos toldam o olhar.

Nós os encontramos
peregrinos da velha cristandade
reacendendo esperanças,
atiçando valores
e fazendo de chamas quase extintas
um lume novo que volta a ser fogueira.

Nós os encontramos
acampados no planeta jovem
tocando as suas guitarras
procurando ler nos seus sonhos
a promessa de um futuro diferente…”

Triduo Pascal 2008

 

Este ano, ao contrário dos dois últimos em que fomos a Espanha (Palência), o Tríduo Pascal foi celebrado em Coimbra juntamente com os LMC espanhóis (cerca de 20 adultos e 8 crianças). Para mim foi muito especial porque reencontrei os meus irmãos da Comunidade PI – Inma, Carmina, Gonzalo, Marisa (Isabel) e o pequeno Ángel… Foi com uma enorme felicidade que estivemos novamente juntos! Só faltou a nossa querida Vânia que já está em Moçambique (Benfica). Os LMC espanhóis foram chegando na quinta-feira à tarde. Quando já estavam todos, iniciámos o Tríduo Pascal com a Ceia do Senhor. Depois do jantar estivemos a adorar o Santíssimo.

Na Sexta-Feira Santa, da parte da manhã tivemos um Cine-Forum. Assistimos a um documentário excelente chamado “A Quarta Guerra Mundial”, onde são focados muitos problemas e injustiças em vários continentes e o que as pessoas fazem para que as oiçam. São imagens impressionantes conseguidas no meio de manifestações, repressões policiais, bombardeamentos e tiroteios. Acompanham protestos na América Latina, na Europa, no Mundo Árabe e até na Ásia. Algumas imagens são muito duras e chocantes, mas só assim se conseguem abalar consciências. Retenho duas frases deste documentário: “O outro sou eu” e “Já não sou eu que caminho sozinho pelas ruas. Somos nós que caminhamos juntos…”. Da parte da tarde participámos numa Via-Sacra dramatizada, que se realizou numa pequena localidade perto de Coimbra. Foi muito bonita, apesar de longa (mais de 3 horas e sempre a subir) e contou com a participação de muitos populares. Depois do jantar foi o momento da Adoração da Cruz.

No Sábado Santo fizemos uns momentos de reflexão individual da parte da manhã e depois ouvimos o testemunho da Rosa, da Carmen e da Tere que estiveram na missão de Mongoumba, na República Centro-Africana, onde estão actualmente a Susana e a Maria Augusta. Foi uma conversa muito boa, onde todos pudemos participar fazendo perguntas e que girou à volta dos principais problemas que viveram quando lá chegaram e como os conseguiram superar. Foi um momento muito bonito, porque entre nós estavam muitos LMC que já estiveram em missão e que assim também puderam enriquecer a conversa com as suas próprias experiências. A parte da tarde de sábado ficou marcada por uma visita muito agradável a alguns monumentos de Coimbra – A Igreja de Santa Clara, a Sé Nova, as Universidades. Foi uma saída muito agradável! Ao fim da tarde formámos grupos e cada um preparou uma parte da Vigília Pascal dessa noite. Foi uma Vigília muito bonita e muito intensa! Vivi um momento particularmente tocante e emocionante durante a Eucaristia, aquando da cerimónia de envio dos que iremos partir – eu, a Emília, a Inma, a Carmina, a Marisa, o Gonzalo e o pequeno Ángel. Nunca mais me irei esquecer desse momento tão bonito…

No domingo de Páscoa pela manhã, os nossos companheiros de Espanha iniciaram a sua longa viagem de regresso a casa, contentes por ter celebrado connosco o Tríduo Pascal. Dou graças a Deus por me ter permitido viver este momento tão especial. É como se fosse o fecho do círculo – o ano passado na Páscoa em Palência conheci os meus futuros irmãos da PI, depois vivemos em Comunidade em Madrid durante 3 meses e agora deu-se o nosso reencontro em mais uma Páscoa, desta vez no meu país! Se Deus quiser para o mês que vem, partiremos em missão – eu para o Brasil e eles para o Peru…


Durante a Adoração da Cruz na Sexta-Feira Santa, oferecemos a nossa vocação missionária com esta oração:

Deus Pai, te damos graças por teres fundado em Jesus Cristo, a tua Igreja santa e universal, “sacramento universal de salvação”, e por quereres reunir nela todos os homens de todos os séculos, raças, língua e povos, até se consumar o teu Reino, e a Comunhão feliz dos Santos.

Aqui nos tens, Senhor, dispostos à entrega total das nossas pessoas, enviados pela comunidade cristã, para que o teu Reino se estenda até aos confins da terra.

Queremos servir fraternalmente a todos, e em especial aos mais pobres e marginalizados, pois foi neles que quiseste fazer-te presente de um modo singular.

Queremos encarnar-nos nas suas circunstâncias e cultura, renunciando a tudo o que não seja o teu Evangelho, para que eles nos aceitem mais facilmente como irmãos, e para que seja mais credível a nossa proclamação do Evangelho.

Damos-te, Senhor, a fidelidade à tua chamada e à tua mensagem salvadora, para que a anunciemos constantemente com as nossas palavras e com o testemunho das nossas vidas.

Te oferecemos, Senhor, a oblação das nossas vidas, conscientes da pequenez do nosso dom e da grandeza da tua misericórdia, dando-te graças pela nossa vocação missionária, já que sabemos que “não fomos nós que te escolhemos a Ti, mas que foste Tu que nos escolheste a nós”.

Que a Virgem Santa Maria, Rainha e Mãe dos Missionários e os celestiais Patronos das Missões, S. Francisco Xavier e Santa Teresinha de Lisieux, nos ajudem a ser fiéis, humildes, pobres, puros de coração, evangélicos, numa palavra, para ser instrumentos eficazes da tua Salvação em todo o Mundo.

Abençoa as nossas comunidades cristãs e as nossas famílias, em cujo seio brotou a nossa Fé e a nossa vocação missionária, e dá-lhes “o teu cem por um” pela sua oferta e pelo seu sacrifício, associando-os ao grande gozo da Igreja na Evangelização dos Povos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amén


Álvaro Gomes, LMC

Regresso(s) - reencontro(s) - partida(s)

O último encontro realizou-se em Castelo Branco nos passados dias 19 e 20 de Janeiro. Este encontro foi muito especial por dois motivos: em primeiro lugar, porque foi o meu reencontro e da Vânia com os outros LMC. Já não estávamos juntos desde Agosto… E o segundo motivo, foi porque no domingo estivemos na paróquia da Vânia na sua missa de envio! Era um momento tão importante para ela, que não podíamos deixar de a acompanhar neste gesto tão simbólico!

No sábado de manhã o tema girou à volta da importância da partilha da missão entre o missionário e a sua paróquia e de tarde falámos da parte financeira do nosso movimento, analisando o balanço do ano passado.

Primeiro, somos enviados pela Igreja, depois pela nossa paróquia e por fim pelos Combonianos.
Quando estamos em missão o enriquecimento tem de ser mútuo. Tem de existir uma comunhão permanente entre o enviado em missão e a sua comunidade local, que o apoia a nível espiritual e, se possível, também a nível financeiro. Diz-se que partir em missão é atingir a outra margem. O missionário é o elo de ligação, a ponte. O missionário tem um pé em cada margem! É muito importante para ele sentir o apoio e o interesse da sua comunidade local e é muito importante para a sua paróquia receber notícias de como vai o seu trabalho em terras de missão. Acontecendo isto, vai também havendo uma comunhão entre as duas comunidades: a de lá e a de cá. Vai crescendo o interesse mútuo e as duas acabam por partilhar o mesmo caminho espiritual e o crescimento na fé através de esta experiência e através do missionário.

À noite, na paróquia da Vânia, organizámos uma vigília integrada na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Aproveitámos a data para dar alguma relevância ao diálogo ecuménico entre todos os Cristãos: católicos, protestantes e ortodoxos.

No domingo de manhã, realizou-se a Eucaristia de envio da nossa querida Vânia na sua paróquia. Estiveram presentes muitos dos seus amigos e familiares. Ela estava emocionada e muito contente pelo carinho demonstrado por todos!

Foi maravilhoso estar novamente junto de todos os LMC, esta família incrível que me tem acompanhado na caminhada em direcção à Missão! Mas apesar de tantos meses separados fisicamente, foi como se os tivesse visto no mês passado! Nada mudou nem com o tempo, nem com a distância… A cumplicidade, alegria e amizade continuam tão intensas como quando eu e Vânia partimos para Madrid.

Mas tenho de confessar uma coisa: Aquando da partida da Sandra e da Susana e com o "afastamento" da Vânia, pensei que o grupo iria sofrer uma grande quebra. Mas o que aconteceu foi precisamente o contrário! Com a entrada da Bárbara, do Carlos e da Elizabeth (que são pessoas fantásticas), o grupo saiu reforçado e ainda mais unido!


Depois, este ano, com a “saída” da Bela, da Emília e do João, tive o mesmo receio... Mas de novo, uma agradável surpresa! Entraram a Márcia e a Renata. A Renata, infelizmente ainda não conheço, mas o pouco tempo que estive com a Márcia deu para perceber que é uma miúda 5 estrelas e que já está perfeitamente integrada e identificada com o grupo. Tenho a certeza que com a Renata se passa o mesmo!


Dou graças a Deus por ir colmatando as “saídas”, com a entrada de pessoas tão ou mais importantes para o crescimento do grupo do que aquelas que vão “saindo”!

Por falar em saindo, a Vânia já está em Maputo! Que Deus sempre ilumine o seu caminho!

“Deus não tem mãos e serve-se das minhas para fazer o seu trabalho de cada dia.
Deus não tem pés e serve-se dos meus para indicar o caminho aos homens.
Deus não tem lábios e usa as minhas palavras para falar e proclamar a sua Palavra aos homens.
Deus não tem ouvidos e utiliza os meus para escutar os problemas dos homens.
Deus não tem meios e conta com a minha ajuda para levar os homens até Ele.”

 

Álvaro

Encontro de Formação em Castelo Branco

Das tres LMC que partem este ano em Missão a primeira a partir é a Vânia da Costa. Tem já bilhete marcado para dia 25 de Janeiro. No dia 20 teremos a Eucaristia de Envio na sua paroquia. Por esse motivo o encontro de formação que estava marcado para os dias 19 e 20 em Coimbra passa a ser em Castelo Branco na paroquia da Vânia da Costa. Futuramente daremos mais informações por enquanto fica aqui o seu testemunho:

“Quando conheci os Missionários Combonianos, o “bichinho” da missão instalou-se em mim e, apesar de ter estado adormecido durante alguns anos, nunca mais saiu!

“Neste momento que me preparo finalmente para partir em missão, sinto uma enorme alegria e entusiasmo mas também algumas preocupações, pois está claro!...
Mas durante este tempo de formação nos Leigos Missionários Combonianos, aprendi que, para melhor nos adaptarmos ao novo meio que nos acolhe, devemos observar, escutar e até questionar! Apercebi-me também que irmos em missão não significa fazer, mas sobretudo significa estar, pois só a nossa presença já é um sinal de esperança!
Então é isso que pretendo fazer, ser um sinal de esperança no meio do povo que me vai receber, e depois ajudar naquilo que for necessário!
Desta forma, espero corresponder à expectativa dos Leigos Missionários Combonianos,através dos quais vou em missão, mas sobretudo à expectativa d’Aquele que me envia!” 

 
Vânia da Costa

(Di)gerir conflitos

Este fim-de-semana mais um pequeno passito para a missão!

 

Estivemos todos em Coimbra a tentar gerir os nossos conflitos... Não andamos todos à batatada :) mas andamos, sim, a tentar gerir os nossos conflitos internos! Bem mais complicados do que os conflitos externos.... Como tão bem dizia a Maria de Lurdes esta gestão implica um auto-conhecimento... Conhecermo-nos antes de apontarmos o dedo ao outro! Afinal! Quando o fazemos mantemos 4 dedos apontados para nós…

Essa con / sciente / zação implica razão e afecto. Há três dimensões que Deus nos legou com o nosso nascimento: amor, verdade e beleza. Como não temos a perfeição do Criador saímos constantemente destas dimensões... Saímos a todas as horas destas dimensões... E os conflitos surgem quando violamos estes princípios.

Não temos a perfeição do criador! Mas, sem dúvida, almejamos a cada dia tornarmo-nos pessoas melhores e melhores pessoas… por isso este encontro foi um desafio.

Jesus disse-nos "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13, 34). Se o ser humano - se nós! - fossemos capazes de amar, o AMOR seria a única ferramenta que precisaríamos para vivermos a vida. O grande problema é que não somos capazes de nos amar a nós mesmos!

Tudo isto tem a ver com os conflitos. Sempre que nos deparamos com um conflito devemos colocá-lo dentro de nós. Entrar em diálogo connosco, fazer uma audição interna para que melhor possamos amadurecer o que estamos a sentir. Só depois, com base no bom senso, deveremos agir.

"Amai os vossos inimigos"(Mt 5, 44). Tendemos a procurar esses inimigos fora de nós. No exterior. Em regra esquecemo-nos de procurar os nossos inimigos dentro de nós próprios, dentro do nosso coração. Mas é lá que se encontram os nossos inimigos. A nossa superficialidade leva-nos a colocar sempre o problema no exterior. No entanto, de todas essas vezes que procuramos os nossos "males" no exterior deveríamos, antes, virarmo-nos para o interior e encontrar esses inimigos... sem dramas... nem flagelações! Depois de descobertos temos de trabalhá-los, temos de nos amar como somos!

Se calhar não aturamos os outros porque não nos aturamos a nós próprios. Se calhar não suportamos a desorganização dos outros, porque a nossa organização deixa muito a desejar. Se calhar não podemos com determinada pessoa porque também nos custa poder connosco próprios.

Neste fim-de-semana tivemos também a oportunidade de escutar o maravilhoso testemunho da Sandra, acabadinha de chegar de Carapira… para uma merecidas férias! É complicado explicar o que se vive quando alguém vai ou regressa de missão… É uma mescla de bons sentimentos. É um querer saber tudo! É reviver para alguns e para os outros um desejo enorme de também partir, de também estar lá. Obrigada Sandra por teres partilhado connosco um pouco do teu dia a dia na missão.

Bárbara

Darfur, Assertividade e Castanhas

Mais um encontro de formação dos LMC. Este fim-de-semana o tema abordado foi a assertividade. Poderia escrever a necessidade de assertividade… poderia escrever a importância da assertividade! No entanto, e corrijam-me se estiver errada a assertividade não é um estado absoluto! Não é um estado supremo. Não é um estado perfeito. É uma forma de reacção perante uma determinada situação.

 

A assertividade é a capacidade de nos expressarmos aberta e honestamente, sem negarmos os direitos dos outros. Belo conceito! No entanto, custou-nos um pouco interiorizá-lo em toda a sua plenitude. Agora estou a escrever isto e lembrei-me da famosa frase do Zé-Povinho: “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”. Parece-me ter algum sentido aqui, pois afinal de contas ninguém gosta de ser tratado nem com agressividade, nem com desprezo… todos queremos ser tratados com respeito e ser escutados – não só, pura e simplesmente, ser ouvidos!
Por isso, ser assertivo não é ser passivo e também não é ser agressivo ou impetuoso com o intuito de levar os outros à submissão. É antes uma atitude, uma postura que visa a obtenção e a troca de opiniões.

Durante os momentos de partilha todos nos lembramos de situações onde, depois de terem ocorrido, desejaríamos ter actuado de modo diferente! Situações onde sentimos que deveríamos ter falado em vez de ficarmos calados; ou onde falamos e deveríamos ter ficado calados! Todas essas situações tiveram em comum o facto de nos deixarem ficar “mal”, desconfortáveis… Porque ficamos calados? Porque não dissemos o que pensávamos? Porque é que perdemos a cabeça? Três questões simples  que nos fizeram pensarem durante o tempo que tivemos para a reflexão pessoal.

 

Ser assertivo é gozar dos nossos direitos em pleno, é expressar os nossos sentimentos, é pedir aquilo que queremos e expressar os nossos pontos de vista, de modo directo, integro, honesto e com respeito pelos outros.

 

Neste fim-de-semana o nosso encontro coincidiu com o do Fé e Missão… Juntamo-nos aos jovens  na Hora de oração pelo Darfur. Mais um momento em que a oração demonstrou ter um abrangência extraordinária. Rezamos por todos aqueles que sofrem a milhares de kms de distância, no Darfur, na certeza que naquela noite de sábado eles dormiram um sono mais descansado, mesmo aqueles que depois dessa noite não mais acordaram para a “nossa” vida, mas para a vida junto do Pai.

 

Neste fim-de-semana também tivemos oportunidade de dizer disparates, comer as maravilhosas castanhas da Elizabeth e as não menos maravilhosas castanhas assadas dedicadamente pelo Pedro e pelo João – mesmo as que ficaram carbonizadas! Houve também tempo para partilhar um pouco do que a semana passada vivemos no I encontro da FEC sobre “voluntariado missionário e espiritualidade missionária”.

Mais uma vez agradeço a Deus por me ter possibilitado dar mais este passinho da caminhada até à missão.



Bárbara

A promessa de Deus é para TOD@S

Este nosso segundo encontro dos LMC foi muito especial! Para além da habitual formação pudemos ajudar no acolhimento dos/as colaboradores/as dos combonianos, ainda por cima num dia tão importante para nós – o Dia Mundial das Missões.

 

A temática deste encontro de formação foi sobre os Actos dos Apóstolos. Este livro belíssimo da Bíblia trata do período histórico que vai da morte e ressurreição de Jesus Cristo até à constituição da Igreja. E tal como na actualidade, as comunidades cristãs cresceram por atracção, graças às aventuras missionárias de alguns eleitos de Deus, viagens essas sempre animadas e motivadas pelo Espírito Santo. Espírito Santo, esse, que os inspirou a optarem pela “Via” de Jesus Cristo ressuscitado.

Nesta “Via” havia espaço para todos. Para os puros e para os impuros, para os estrangeiros, para os perseguidores. Impressionante o caso de Paulo. Ele, um perseguidor dos que escolhiam a “Via”, o caminho de Deus através de Jesus Cristo, foi chamado a ser testemunha. É Ananias quem lhe comunica a decisão de Deus: “O Deus dos nossos pais predestinou-te para conheceres a sua vontade, para veres o Justo e para ouvires as palavras da sua boca, porque serás testemunha diante de todos os homens (…) E agora porque esperas? Levanta-te, recebe o baptismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome” (Act 22: 14-16).

 

A promessa de Deus é para TODOS. Nós somos os seus eleitos, não devemos recear ir em frente. Não devemos recear exteriorizar esse chamamento do Espírito Santo. E as primeiras comunidades cristãs tinham bem presente esse espírito de eleição divina, inclusive a eleição dos pagãos como testemunhas do amor de Deus que nem sempre foi unânime entre eles. É nos Actos dos Apóstolos que vemos narradas as aventuras missionárias dos primeiros cristãos. A Evangelização dos pagãos não é negligenciável neste livro: “Era primeiramente a vós que a palavra de Deus devia ser anunciada, visto que a repelis e vós próprios vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os pagãos, pois assim nos ordenou o Senhor” (Act 13: 47).

 

Neste livro o Espírito Santo é o protagonista. Ele é o protagonista na escolha do povo eleito de Deus. Ele é protagonista na escolha acertada das suas testemunhas que envia depois em missão, que envia para o anúncio do Evangelho a quem ainda não o conhece.


Aqui entra a outra parte do nosso encontro! Domingo foi o Dia Mundial das Missões. Tal como há 2000 anos atrás, hoje ainda há pessoas que não O conhecem. E o Espírito Santo continua protagonista na vida de tantos homens e mulheres que partem na firme certeza desse anúncio. Por detrás desta linha da frente da Evangelização tem de haver uma retaguarda forte, coesa, que assegure que as “expedições” corram o melhor possível e tenham êxito na sua missão de Evangelização. Essa retaguarda é, sem dúvida, constituída pelos colaboradores, pelos benfeitores, pelos amigos e pelos familiares dos que estão na linha da frente.

 

Como caloiros (e acho que posso falar por todos os LMC! Se eles me deixarem…) nestas andanças missionárias foi com grande prazer e com grande alegria que acolhemos como missionários os colaboradores dos Combonianos! Foi um dia com muita alegria, muitos sorrisos e muito amor. O Papa Bento XVI dizia na sua mensagem para este dia: " não se trata simplesmente de colaborar na actividade de evangelização, mas de se sentir protagonista e co-responsavel da missão da Igreja". E os colaboradores presentes na nossa casa de Coimbra mostraram bem essa sua co-responsabilidade, principalmente enquanto ouviam o testemunho do Pe Francisco (missionário comboniano) que esteve nos últimos anos no Togo e depois lhe colocaram perguntas sobre a sua vida na missão.

 

Depois da celebração da Eucaristia podemos aquecer o estômago com um caldinho verde e petiscar os verdadeiros manjares que os colaboradores (devo admitir mais as colaboradoras, cozinheiras de mão cheia!) trouxeram para partilhar connosco. E não partilharam só a comida, mas também o testemunho da sua ligação com os combonianos, uma palavra amiga, de apreço pelo trabalho missionário e de incentivo para o futuro.
Depois seguiu-se a tarde recreativa. Sempre muito animada.

 

Um dia bonito, mas curto. Deveriam ser todos assim… Dias onde colocamos o amor de Deus, o amor à Missão à frente de todos os outros “amores”, mais narcísicos e menos comunitários.

Obrigada Senhor por mais este encontro! Por mais este pequeno passo de aprendizagem na caminhada até à missão.



Bárbara

Jesus e o Reino

O encontro deste fim-de-semana (29 a 30 de Setembro) foi bastante rico: pela temática e pela dinâmica que se criou entre o “novo” grupo!

 

O tema proposto para este novo ano de formação foi Jesus e o Reino: Jesus, homem que foi e apóstolo da chegada do Reino do Pai – “o Reino de Deus não vem de maneira ostensiva. Ninguém poderá afirmar: ‘Ei-lo aqui’ ou ‘ei-lo ali’, pois o reino de Deus está entre vós” (Lc 17, 20-21). Chegada discreta deste reino, não? Principalmente para nós que vivemos 2000 anos depois de Jesus, habituados à ostentação, à futilidade e ao exibicionismo cultivado pela sociedade em que vivemos!

Jesus é a prova do testemunho vivo do Reino de Deus. Com este exemplo de Jesus e a exemplo dele devemos procurar viver cada dia – os dias melhores e os piores. E como o devemos fazer? Vivendo cada dia a nossa vida, que afinal é a vida que Deus quer para nós, aceitando todos os desafios que nos são propostos e atravessando as adversidades! Como diz Fernando Pessoa “pedras no caminho? Guardo-as todas um dia construirei um castelo”… Nós poderemos aplicar esta máxima à nossa vida de cristãos: pedras no caminho? Guardo-as todas… A cada dia construiremos com elas o Reino de Deus! Afinal… Depois de uma curva, haverá sempre uma recta, ainda que o piso esteja escorregadio, ainda que a visibilidade seja pouco o nosso dever é continuar em frente!


Deixo-vos aqui algumas questões que nos foram colocadas neste encontro, para que possam reflectir e crescer connosco:

 

O que sentiriam as pessoas quando se aproximavam de Jesus?
O que é que eu sinto quando medito profundamente sobre os vários gestos dele?
De que forma posso anunciar o Reino de Deus na minha vida e onde o posso fazer?
Como me sinto quando o faço? O que me impede de viver este anúncio?

 

Depois de muita discussão (saudável) sobre estas e outras questões que o nosso orientador nos colocou (obrigada Pedro!) concordamos que deveremos ter sempre presente este anúncio na nossa vida – no trabalho, na escola, na fila do talho, na paróquia, na família, enfim na nossa vida.

 

Quem era o staff de Jesus? Pessoas simples, sem instrução – pescadores, agricultores, artesãos. Homens e mulheres que sentindo na pele as consequências do rompimento com o sistema instalado (por exemplo José de Arimateia, Nicodemos ou Zaqueu), não hesitaram em segui-lo no anúncio do Reino.

 

Neste fim-de-semana também discutimos bastante a “igreja instituição” e das contradições que ela, por vezes, gera no seu meio! Jesus também se revoltou contra o sistema. No entanto, esta revolta não era motivada por sentimentos de frustração ou de raiva, antes pelo amor à verdade e ao Reino de Deus. A missão de Jesus e com ele, daqueles que o seguiam era clara. Não seria possível continuar e servir a dois senhores, era apenas possível continuar em frente num único sentido, o da construção do Reino.

 

Jesus, sendo homem atravessou momentos da sua vida bastante difíceis e dolorosos: é no Horto que Jesus trava a batalha mais dura da sua vida, refugia-se na amizade dos Homens para se levantar: “A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26, 38); e no amor do Pai para ir até ao fim: “Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade” (Mt 26, 42). A obediência faz com que Jesus seja totalmente transparente e radicalmente livre.

 

Para além do muito trabalho espiritual desenvolvido no fim-de-semana também tivemos tempo para acolher os caloiros LMC: o Zé Carlos, a Renata e a Márcia… Na noite de sábado conjuntamente com um chá quentinho e umas bolachinhas podemos partilhar um pouco das nossas vivências, abrindo o nosso coração aos recém-chegados e eles o seu… É bom saber que temos mais três companheiros de caminhada!

Deus nos acompanhe a todos até ao próximo encontro.

 

Bárbara