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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Encontro de Natal LMC

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Porque onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí Eu estarei no meio deles” (Mateus 18,20).

Eram as palavras que ecoavam em mim, ao chegar ao encontro de Natal dos LMC, na casa dos MCCJ em Viseu, que decorreu no passado fim de semana de 14 a 16 de Dezembro. Assim nos sentíamos: poucos, mas reunidos em Seu nome e em comunhão com os que não estavam presentes pelos mais diversos motivos. Foi este também um encontro para dar graças: dar graças pela nossa união onde as distâncias são encurtadas pelo nosso desejo comum de ser missão, onde quer que estejamos, através da oração.

No sábado, e uma vez que estávamos reunidas diferentes gerações de LMC (com a presença da Milú, Graciete, Sandra, Carolina, Filipe e Mónica), tivemos um momento de apresentação, no qual cada um partilhou um pouco do seu caminho como LMC. E foi bom ter esta perspectiva mais ampla, uma visão de cima, do quanto temos caminhado como Movimento de LMC (justamente no momento em que em Roma se reúnem alguns LMC na Assembleia Geral para ultimar que passos dar nos próximos anos).

Após este momento de partilha, a Sandra conduziu-nos a um percurso de reflexão sobre o porquê de fazer o que fazemos, de viver o que vivemos… o porquê e o sentido de muitos Movimentos de Natal, alguns deles impostos pela sociedade.  E, neste contexto, partilhou connosco alguns excertos do livro de Joana Pedro "Até outro dia – Mpakha Nihiku Nikina”. Neste livro Joana testemunha aquele que foi um ano de Voluntariado Missionário Espiritano em Itoculo, no norte litoral de Moçambique. Do livro a Sandra partilhou os relatos da Joana sobre o que foi para ela o Natal em Itoculo, um Natal de “sem” muitas coisas, mas “com a presença do essencial”, este essencial que muitas vezes nós que “tudo temos”, nos esquecemos. Partilhou ainda os relatos da Joana sobre os imprevistos que vão surgindo na missão (vistos que não são aprovados, tempos que se alongam, etc.) e sobre a importância que teve para a Joana o contacto com outras pessoas em missão, entre as quais, a Sandra (sim… a Sandra e a Joana cruzaram-se em missão!!).

E deste percurso, fizemos uma ponte nosso percurso entre o estar em missão (lá fora) e a FEC. É na FEC (Fundação Fé e Cooperação) que acabamos por estabelecer contacto com outros carismas, pessoas que, quem sabe iremos encontrar em missão, e aqui também nasce a riqueza da missão: o saber que todos temos o ser missão presente nas nossas almas. Falou-nos de um Projeto que está a ser desenvolvido pela FEC – Projeto EaSY (Evaluate Soft Skills in International Youth Volunteering).

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Ao encontro foram chegando mais LMC e formandos, e assim, terminada esta viagem, tivemos um momento de oração: de dar graças e de recordar LMC em missão, a Assembleia Geral em Roma, as nossas famílias… e rezá-los. Após o jantar, um momento de convívio com a partilha de um presente que cada um de nós trouxe.

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Já no Domingo, dia de receber algumas famílias – a minha, a da Cristina, a da Marisa -, iniciámos o dia com oração. Depois, partilhei com os presentes aquela que tem sido a minha caminhada como LMC: o caminho de formação e discernimento, o que foi para mim o Curso de Missiologia em Madrid nestes últimos 3 meses e que expectativas tenho sobre Etiópia. Confesso que me foi difícil transmiti-lo… quando te sentes apaixonado pelos presentes que Deus te tem dado e com esta “alma a cantar de gozo”, torna-se difícil resumir o que te vai dentro. Sobretudo, queria agradecer, louvar este caminho que sinto que não poderá ficar-me dentro; terá este “grão de trigo que morrer na terra”. Partilho também convosco, que sobre a partida para a Etiópia, prefiro não criar expectativas… se não, “descalçar-me” e passear (ou pa’star, como diria a nossa Cristina Sousa, juntando duas palavras metaforicamente – para estar) pelo povo em primeira instância. Prefiro não levar ideias estruturadas de nós ocidentais; prefiro não levar nada. Em vez disso, que seja Deus a levar-me, a guiar-me. Na verdade, Ele já lá está, Ele vai ante mim.

Após o testemunho, seguiu-se a Eucaristia, e terminámos o nosso encontro, à mesa do Senhor, com um almoço convívio entre todos os presentes.

LMC Carolina Fiúza

Terceira Unidade Formativa – Espiritualidade laical é missionária

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Nos passados dias 17 e 18 de Novembro, na casa dos Missionários Combonianos em Viseu, encontrámo-nos mais uma vez para um encontro de formação, orientado pelo LMC Carlos Barros, com o tema “espiritualidade laical e missionária”.

O que é espiritualidade? Espiritualidade, epiritualidades ou espiritualidades dentro de uma espiritualidade maior? O que significa ser leigo, hoje, na Igreja? Qual o lugar e as formas concretas de vivência espiritual da vocação laical? Quais os aspetos que marcam o ser e viver enquanto Leigo Missionário Comboniano, à luz do Diretório dos LMC e dos recém aprovados Estatutos?

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Através dos momentos de formação orientados pelo Carlos, das partilhas e discussões em grupo, da reflexão pessoal e da oração, procurámos responder a estas questões e – sobretudo – perceber para cada um de nós o sentido concreto de tudo o que escutámos e refletimos neste encontro e, daí, retirar propósitos concretos para darmos passos em direção a uma relação cada vez mais profunda e íntima com Cristo e a uma comunhão maior com todas as pessoas.

Acima de tudo, retiramos deste encontro que todos fomos feitos, criados, sonhados para o mesmo: perceber a presença de Deus, abraçá-la e moldar a nossa vida para que esta presença seja cada vez mais profunda e vivida. Cada um por seu caminho; e no concreto da vida de cada um. Mais íntimos com Cristo, testemunhamos mais genuinamente e caminhamos para a santidade.

O Domingo foi um dia diferente: em grupos, discutimos e refletimos propostas concretas no contexto dos trabalhos preparatórios da Assembleia Geral dos LMC que será em Roma, de 11 a 16 de Dezembro. Foi uma ótima oportunidade para cada um partilhar ideias, aprender mais sobre o Movimento dos Leigos Missionários Combonianos e cada um poder contribuir com aquilo que pensa e refletiu e, de algum modo, para a caminhada deste Movimento.

Filipe Oliveira

A beleza da missão imperfeita

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“A grandeza da missão não está em nós, mas n’Aquele que nos envia”

(Pe. Ivo)

 

Um ano de missão. Quanto tempo cabe neste tempo? Quantas vidas couberam nas nossas vidas? Quantos braços couberam nos nossos braços? Quanta vida demos. Quanta vida recebemos. Deixamos de planear a vida para permitir que a vida nos planeasse, para deixar que Deus nos tocasse e as pessoas nos encontrassem. Deixamo-nos encontrar tal e como somos nas nossas feridas, cicatrizes e imperfeições. Assim somos, assim nos entregámos à missão juntas e imperfeitas. Caminhámos certas que “todos estamos feridos, é por aí que entra a luz” não quisemos nunca ser perfeitas. Pelo contrário deixámos que Deus tocasse na nossa imperfeição e dela fizesse caminho até aos irmãos, agora amigos e vizinhos. Agora a nossa família.

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A beleza de uma missão imperfeita está em nós, reside em nós. A beleza não está no momento instantâneo em que te apercebes que a tua missão és tu mesmo e a tua vida mas sim, na capacidade de fazer caminho contigo e pouco a pouco sem medo e deixando que as tuas feridas, cicatrizes ou fragilidades transpareçam como algo que também constitui o teu ser, algo que faz parte. A missão é assim, um caminho a um, contigo mesmo, a dois, porque tu sabes que foste escolhido por um amor maior, a três tu Deus e o outro, na certeza de que o outro existe para fazer caminho contigo.

Permites-te ser, permites conhecer um pouco mais de ti e deixares-te descascar pouco a pouco, e chegar ao outro sempre pronto a caminhar com ele. E, neste seres tu frágil de mão dada com Deus, chegas ao outro e outro chega-te da forma mais imperfeita e completa. É neste caminho a três que encontramos os outros, os irmãos. Os que agora são a nossa casa e caminham connosco. São eles que de forma imperfeita nos completam, aumentam e acrescentam. É o ser imperfeitos que nos faz encontrar os outros caminhando e crescendo com cada pessoa que cruza o nosso caminho. Desta maneira, missão não é somente ensinar ou aprender mas caminhar e crescer juntos sabendo que a imperfeição das partes forma a perfeição do todo. Assim é a lógica de Deus que nos fez de tal maneira que necessitássemos do outro para amar, ser, viver e ser feliz.

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LMC Paula e Neuza

“Eu morro mas a minha obra não morrerá. ” (São Daniel Comboni)

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E para que a obra não morra, permanecemos juntos num momento tão importante como é este em que nós, Leigos Missionários Combonianos, caminhamos passo a passo no sentido de nos tornarmos uma Associação (que, se Deus quiser, nos permitirá ir mais além na missão). Assim, nos passados dias 5, 6 e 7 de Outubro os LMC reuniram-se para a Assembleia Geral LMC de Portugal, na casa dos MCCJ em Viseu. A nós se juntaram também o grupo de formandos com a Missionária Secular Comboniana Clara para a sua 2ª unidade formativa deste ano, sobre o tema “A palavra como con-vocação”.

Em toda a Assembleia o sentimento dos LMC era unânime: vivíamos um grande momento de inspiração, iluminados pelo Espírito Santo. Entre deliberação de Estatutos, análise, reflexão e reformulação do Diretório, conversas, discussões, eleição de novos cargos para os Orgãos Sociais da Associação de Leigos Missionários Combonianos, algumas (poucas e curtas) pausas, tudo foi fluindo. Sempre sentíamos que o espaço para acolher as diversas (e algumas vezes, divergentes) opiniões pautava a Assembleia, o que tornou este fim de semana um momento muito bonito e de forte crescimento! É impossível negar a presença das mãos de Deus e de São Daniel Comboni entre/em nós!

Vários foram os momentos de oração que nos foram permitindo manter-nos a caminho e, acima de tudo, encarnar esta presença de Deus, entregando o trabalho que íamos fazendo – mais que a opinião individual de cada um, que tudo fosse fruto e em prol da obra de Deus.

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Criados os Estatutos, reformulado o Diretório e eleitos os novos Orgãos Sociais, sinto dentro uma enorme gratidão a Deus pelas maravilhas que fez em nós. Colocamos agora o trabalho nas mãos de Deus e que, acima de tudo, o progresso da aprovação da Associação seja marcado pelos tempos de Deus (que tantas vezes são descompassados dos nossos). Rezamos juntos isto!

«As obras de Deus nascem e crescem aos pés da cruz». Assim, aos pés da cruz, rezamos, não só pelos frutos desta Assembleia, como também pelo trabalho dos novos Orgãos Sociais da Associação.

Como sabeis, continuamos juntos (longe ou perto).

Vossa LMC Carolina Fiúza

Momento de Oração - dia 6 de OutubroMomento de convívio

 

Orgãos Sociais

ASSEMBLEIA GERAL
- Presidente: Susana Vilas Boas
- Vice-presidente: Carlos Barros

- Secretário: Pedro Moreira

DIREÇÃO
- Presidente: Márcia Costa
- Vice-presidente: Élia Gomes
- Tesoureiro: Sandra Fagundes
- Suplente: Mário Breda

CONSELHO FISCAL
- Presidente: Vânia Costa
- 1º Vogal: Nelly Gomes
- 2º Vogal: Artur Cruz
- Suplente: Franquelim Lopes

Uma mensagem do Pedro Nascimento para os seus amigos

43950203_1138699312948356_854667323326332928_n.jpgQuantas não são as preces que já se elevam ao mais alto dos céus, intercedendo pelo LMC Pedro Nascimento que no passado fim de semana foi enviado rumo à missão em Etiópia?! Pois foi com grande alegria que celebrámos em comunhão com ele e com a paróquia que desde cedo o acompanhou no crescimento na fé cristã - paróquia do Ervedal (Alentejo).

No fim da Eucaristia de envio, o Pedro discursou orante as seguintes palavras que hoje partilhamos:

Queridos amigos e amigas,

Hoje, de um modo especial, uma palavra inunda o meu coração: obrigado!

Obrigado a Deus pelo grande amor que me tem, pelo Seu perdão constante e pela Sua grande paciência para com as minhas fragilidades!

Obrigado à minha família simplesmente pelo que são para mim, pelo que fizeram de mim, por tanto amor recebido! Diz-nos Saint Exupéry: “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a tornou tão importante para ti”. Foi o tempo que me dedicaram que vos torna tão importantes para mim. Peço ao Senhor que vos fortaleça e rogo à Mãe do Céu que vos acolha no seu regaço, vos proteja e vos dê a paz de coração! Não estão sós, nem eu irei só. Acompanhar-nos-á o Senhor e o Seu Amor, acompanhar-nos-á o amor que me têm e o amor que vos tenho. Nunca tenham medo. Como nos dizia São Daniel Comboni, “não podemos temer nunca quando temos uma mãe poderosa e amorosa que roga por nós”.

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Obrigado à minha paróquia, aqui representada pelo pároco, mestre e amigo, cónego Júlio Rodrigues. Foi nesta comunidade que recebi o Baptismo, a Eucaristia e a Confirmação. Foi aqui que fui catequizado, que dei os primeiros passos na fé, que aprendi os valores do Reino. Posso afirmar que a minha partida para a Etiópia é consequência desta comunidade, que me tornou filho de Deus, me ajudou a sentir-me Igreja e a viver em Igreja. Que São Barnabé acompanhe este seu filho, que o venera!

Estendo este agradecimento às comunidades de Figueira e Barros, Fronteira, Vale de Maceiras e Vale de Seda. Obrigado por tudo o que partilhámos e vivemos juntos, pelo que rezámos, pelas tantas vezes que louvámos o Senhor, pela amizade fraterna. Todos somos missão e a vossa presença aqui é uma presença missionária!

Obrigado Senhor Arcebispo, meu pastor, pela presença amiga. Obrigado por ser um bispo missionário, que desde o início convocou Évora para a missão. Consigo, também eu digo: “Não é a Igreja que faz a missão, é a missão que faz a Igreja”.

Obrigado queridos amigos. Cada um de vós é uma graça para mim, sois dons que Deus me tem dado. Obrigado pela vossa presença que é sinal de Amor e que tanto me enternece o coração. “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós; deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Obrigado à família comboniana por tudo o que tem feito por mim, por me ajudar a perceber a vocação de Deus na minha vida, por tudo o que me ajudou a viver, pelas experiências de fé fantásticas que me proporcionou. Que o Senhor nos ajude a viver a missão segundo o carisma de São Daniel Comboni, que possamos ser as mil vidas que Comboni queria dedicar à missão. Obrigado especial aos Leigos Missionários Combonianos, movimento ao qual pertenço e com o qual caminho na vivência da minha vocação laical, missionária e comboniana. Que o Senhor nos ajude a ser santos e capazes, tal como nos pedia Comboni. Queridos LMC, sendo fracos, é na graça de Deus que somos fortes, santos e capazes.

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Queridos amigos e amigas, a missão faz-se com os pés dos que partem, os joelhos dos que rezam, as mãos dos que repartem e com a generosidade das comunidades que enviam.

Para mim, o mais importante da missão é a oração e a leitura da Palavra de Deus. Sem oração não há missão. Por isso vos peço: rezem por mim! Rezem pela minha fragilidade, pela minha pequenez. Peçam ao Senhor que me acompanhe, me fortaleça e me ajude a amar com gestos e, se necessário com palavras, o povo para onde me envia, que eu saiba amar e tenha compaixão das pesssoas, que eu não tenha medo de me enlamear e de me ferir, por amor às pessoas que passarão a ser a minha comunidade. Agradeço a vossa generosidade!

Etiópia é o destino para onde Deus me envia. Sabem porque parto? Acredito e confio que essa seja a vontade de Deus para mim.

Às várias questões que me colocam: porque vais? Porquê agora? Não gostas do que fazes? Porque deixas a advocacia – curiosamente faz hoje 3 anos que fiz a minha agregação? A todas elas tenho uma só resposta: Sei em quem pus a minha confiança! A decisão que tomei é a resposta às várias inquietações que Deus colocou no meu coração. Depois de muito discernimento, de muita luta interior, de muitas dúvidas e medos, decidi abrir o meu coração e seguir a Sua vontade. Digo-lhE como o profeta Isaías: “eis-me aqui Senhor, envia-me!”. E porque sei em quem pus a minha confiança, também sei que, tal como aconteceu com os profetas de Emaús, o Senhor caminhará comigo a meu lado, será o meu Deus e eu serei o seu filho muito amado. Quando me perguntam se vou sozinho de Portugal, digo sempre que não! Se Deus está comigo, se eu sou templo do Espírito Santo, como poderei ir só?

Tenho consciência de que esta partida terá várias dificuldades: a língua, nova cultura, os medos, a saudade…. Mas, também nesta comunidade, tive exemplos fantásticos de amor, de entrega e de fidelidade na dificuldade que muito me ensinaram e prepararam para agora. Recordo-me, em especial, de um membro desta comunidade. Seu nome era Fausto. Um homem de uma fidelidade a Deus incrível. Apesar das dores, dos problemas de saúde, nunca deixou de participar na Eucaristia. Caiu muitas vezes ao chão no caminho, aleijou-se… Mas sempre foi fiel a Deus e sempre quis viver Deus. Nunca o ouvi queixar-se de dores e era impossível não as ter… Não havia um único dia em que não rezasse o terço. Não sabia ler nem escrever, mas sabia mais de Deus do que eu algum dia saberei… As suas dificuldades eram muitas, mas a sua fidelidade e amor a Deus eram maiores!

Por isso, peço ao Senhor que me ajude a ser fiel ao caminho que escolheu para mim pois, como dizia o Pe. Ivo Martins, missionário comboniano, “a grandeza da missão não está naquilo que fazemos mas naquEle que nos envia”.

LMC Pedro Nascimento

 

Nós te enviamos Pedro. Por ti e pela missão rezamos. 

 

Nós te enviamos Pedro Nascimento, rumo a Etiópia.

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E depois de um fim de semana em grande em Comunidade no Ervedal (Alentejo), paróquia que viu crescer o LMC Pedro Nascimento e que agora o envia, a nossa LMC Rufina partilha connosco a sua grande emoção.

 

Hoje o Alentejo, mais concretamente o Ervedal esteve em festa.

Já se adivinhava que fosse assim, contudo, superou e em muito as expectativas, o que também não é de estranhar, principalmente, quando encontras uma Igreja linda, primorosamente decorada, curiosamente, já a anunciar o Ano Missionário Extraordinário, e, cujo Pastor consegue, seguramente, como fruto do trabalho que, ao longo dos anos, vem desenvolvendo, congregar todas as paróquias que lhe estão confiadas a participarem de forma responsável e alegre no envio do querido Pedro Nascimento para a Etiópia.

O momento alto foi, sem dúvida a Eucaristia, presidida pelo Senhor Arcebispo D. Francisco Senra Coelho e concelebrada por outros sacerdotes convidados, nomeadamente, o P. Francisco Medeiros, Missionário Comboniano e da diocese de Viseu.

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Contou igualmente com a presença de dois Diáconos, familiares, amigos e vários elementos dos Leigos Missionários Combonianos (LMC), que, tal como o Pedro, fazem parte das "Mil Vidas para a Missão".

Seguiu-se um momento de convívio , praticamente, com todos, tendo sido servido um lauto almoço, à boa maneira alentejana e que nos deliciou.

Pedro, como LMC e alentejana não posso deixar de dar graças a Deus pelo teu envio neste Ano Missionário Extraordinário, na certeza de que será um momento de crescimento e de enriquecimento e que te permitirá desenvolver junto do povo etíope, uma missão a transbordar de amor, imbuída de carisma comboniano, e iluminada pelo sorriso que o Senhor amorosamente colocou na tua face e que adoçará essa alma alentejana que tão bem te caracteriza, nos momentos de dificuldades.

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Como diz o Papa Francisco "Missão é ir ao encontro do outro".

E, como referido na Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário “Todos, Tudo e Sempre em Missão".

Então, Vai, Amigo, Vai!

Estamos juntos! Boa Missão!

Bjs

Rufina (14-10-2018)

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Obrigada Rufina. Obrigada Pedro. Obrigada pela entrega de ambos. 

Sobre as Jornadas Missionárias 2018 – “Eu sou missão”

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No fim de semana de 15 a 16 de Setembro deu-se em Fátima, as tão esperadas Jornadas Missionárias 2018 com o tema: “Eu Sou Missão”. Estas Jornadas contaram sobretudo com a presença de vários institutos, congregações, movimentos e especialmente jovens missionários vindos de várias partes do país e do mundo.

Estas Jornadas começaram com o acolhimento e com a oração preparada pela organização, logo de seguida tivemos na abertura a ilustre presença do Senhor Bispo D. Manuel Linda, Bispo do Porto que nos deu, como sempre, umas breves palavras sobre o que é a missão e o que é ser missão no mundo de hoje particularmente no mundo da juventude deste século.

Logo de seguida tivemos o orador de honra destas jornadas o Sr. Doutor Juan Ambrósio, professor de Teologia na universidade Católica de Lisboa que nos veio explicar de uma forma breve e simples o que quer dizer “Eu Sou Missão”. Segundo o Dr. Juan Ambrósio ‘Eu sou Missão’ não é um encontro de experiência vivida de fora para dentro, ou seja, “eu, eu e mais nada”, mas ‘Eu sou Missão de dentro para fora, isto é para “o outro”, porque sim sou Missão, porque sou batizado, sou filho de Deus e fomos escolhidos por Ele para servir e amar os outros.

Daí o cristianismo ter sempre como fundamento, meta e estrutura uma experiência de encontro principalmente com Jesus Cristo (no seu modo de ser e de viver); com Deus (na proposta do Reino) e com o ser Humano e a sua História (no que são os seus anseios, as suas fragilidades e as suas realizações). Por isso e segundo o Dr. Juan, a Missão tem de ser uma experiência de encontro vivido com Jesus Cristo na 1ª pessoa do singular (eu) e na 1ª pessoa do plural (nós) e só assim é que poderemos ser e fazer missão no mundo.

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Mas em bom rigor e segundo esta noção, o Sr. Dr. Ambrósio diz também que não é a Igreja que tem uma Missão, mas é a Missão que tem uma Igreja, ou seja, a Missão tem a ver com todos e com cada um porque a Missão não está reservada só e apenas a “especialistas”, mas a todos os batizados em nome de Cristo. E como tal podemos caracterizar a Missão em três grandes princípios, ou melhor dizendo, o grande tripé onde se assenta toda a identidade cristã que são: Carisma (anúncio da Palavra); Liturgia (Celebração da fé, Eucaristia) e Diaconia (na vivência da caridade), daí a Koinonia ser a fibra que liga estas “três varas” que fazem comunhão do Tripé. Por isso a Missão da Igreja tem que ir em direção a todas as periferias tendo sempre como olhar o anúncio, a celebração e a caridade na plenitude da sua essência para ser considerada Missão cristã.

Depois de uma manhã mais teórica, baseada fundamentalmente sobre o logótipo das Jornadas “Eu Sou Missão”, prosseguimos pela tarde com uma exposição mais prática, vivencial através dos Workshops que tinham como temas: 1. Igreja e diálogo; 2.  Missão e comunhão; 3. Missão nas periferias; 4. Todos, tudo e Sempre em Missão; 5. Ser Missão e 6. Partilhar a viagem.

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No serão noturno tivemos a presença da Banda Missio para alegrar/animar a malta jovem com as suas músicas emocionantes que nos tocam no âmago do nosso ser. Ainda neste primeiro dia das Jornadas tivemos mais alguns testemunhos Missionários. Para concluir o dia fizemos a oração da noite e cada um foi para seu ninho descansar para o dia seguinte.

No Domingo, dia 16 e último dia das Jornadas, tivemos a famosa mesa redonda com vários intervenientes que tinha como tema “Que Igreja pretendemos? Para uma missão mais comprometedora.”

E para concluir as Jornadas Missionárias, celebramos a Eucaristia presidida pelo Bispo do Algarve, o Senhor Bispo D. Manuel Quintas. Logo após a Eucaristia tivemos o envio de alguns missionários que partem em missão Ad gentes este ano e as conclusões destas Jornadas Missionárias “Eu Sou Missão”. Depois foram as despedidas dos participantes e a partida de cada um ao seu modo em missão para as suas vidas quotidianas.

 

David Fernandes Ganilo e Laura Fernandes Ganilo

Regresso da Maria Augusta a Bangui

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Recém-chegada a Bangui, depois de ter estado em Portugal de férias, a LMC Maria Augusta escreve-nos sempre com a sua autenticidade.

 
Bom dia a todos! Graças a Deus cheguei bem. Encontrei o padre Fratelli, comboniano italiano, em Casablanca, já no avião. 
Com as malas não correu bem... uma delas não chegou, mas não foi só a minha! Uma do padre também não chegou e isso aconteceu a muitas outras pessoas. Fomos reclamar e, em principio, tê-las-emos no sábado de manhã.
Quando cheguei aqui soube que o padre Zé Carlos tinha morrido. Estou contente de o ter visitado!  Ele estava a sofrer muito pois tinha dois cancros...Que o Senhor tenha a sua alma em Paz!
Agradeço, a todas as pessoas com quem contatei nas paróquias, o bom acolhimento que me fizeram. Que o Senhor vos recompense por tudo o que vós fazeis, pelos missionários (as orações e a partilha do que tendes) e vos conceda sempre a Sua graça. Obrigada a todos pela vossa generosidade!
Unidos pela oração.
Um grande abraço para todos.
 
Maria Augusta
 
PS: Acabei de chegar do aeroporto, graças a Deus correu tudo bem. Deixaram-nos sair sem abrir as malas. Vinham plastificadas para estarem bem protegidas.
Estava tudo como foi arrumado, pelo que agradeço ao Senhor. Tudo o que lá tinha nos faz falta!
Ainda ficarei em Bangui até segunda.
 
Um grande abraço e beijinhos para todos 
Maria Augusta

Um ano de missão em Moçambique

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Faz um ano que cheguei à Missão de Carapira, no norte de Moçambique. Mas, às vezes, muitas vezes, parece que acabo de chegar e que estou ainda a dar os primeiros passos, como se estivesse a começar.  Há momentos em que sinto que a viagem entre Portugal e Moçambique não foi a maior viagem que fiz, apesar do número de quilómetros geográficos sugerir o contrário. As grandes e maiores viagens são aquelas em que tenho de transitar entre a minha mente e o meu coração; de sair de mim e me colocar no lugar de quem está mesmo ao meu lado e, por vezes, me parece tão distante. A verdade é que a missão não é um lugar físico. É antes um lugar impossível de circunscrever e que pede esta atitude permanente de humildade, de audácia, de vontade.

A missão é também uma escola de amor, um lugar onde se aprende ou reaprende a amar. Aqui tenho conhecido bastantes missionários e voluntários. Pessoas que vêm com o desejo de fazer o bem, e que descobrem progressivamente a sua vulnerabilidade. A experiência mais forte que podemos fazer passa por amarmos e sentirmo-nos amados. Mas quando tudo em redor parece estranho, esta aprendizagem torna-se fatigante. Porque aprender a amar significa aprender a acolher o que eu sou, com os meus desejos, a minha fé, mas também com as minhas dificuldades, as minhas compulsões, a minha necessidade de ter razão. Ora, nos encontros e na vida quotidiana, depressa se descobre a fragilidade de que somos tecidos. Todavia, tenho para mim que, na medida em que a descobrimos, talvez sejamos capazes de olhar para a vulnerabilidade de Jesus e de amá-Lo.

É ainda uma escola onde se aprende que a proporção das coisas é distinta. Mas não se aprende a medi-las (muito menos a paciência). O espaço é vasto, e sem grande desgaste perdemos o horizonte de vista.

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O tempo dilata-se no próprio tempo. Tudo, mas mesmo tudo, acontece num ritmo bastante singular, a suave (suavíssimo) compasso. Então, o tempo chega sempre para tudo o que queremos, realmente, fazer, porque a lentidão ensina a evadir ao quadriculado e supera o que seria somente funcional e útil.

Porém, é nestes campos que germinam experiências autênticas. Não é preciso consultar boletins meteorológicos. Não se abre o GPS para simular quanto tempo demora uma viagem daqui para ali, até porque o “daqui-para-ali” é de uma imensidão tão grande que não foi ainda captado e decifrado por mapas de satélite – metemo-nos dentro do carro e seja como Deus quiser. Se o número de buracos for razoável, e o carro não avariar, chegamos mais depressa.

E se é verdade que Moçambique tem lugares deslumbrantes, é também verdade que aqueles que existem dentro das pessoas são os mais incríveis e preciosos. Tenho tido a delícia de conhecer pessoas que me ensinam muito. Pessoas simples e capazes de manter uma atitude de confiança mesmo na escassez, na pobreza. Que olham para o dia de amanhã com a esperança de que tudo correrá bem, Inshallah [se Deus quiser, como é costume ouvir-se]. Às vezes pergunto-me: confiança, em quê? Confiança, porquê? Confiança. Confiança na vida. São pessoas que me ensinam sobre a fé. Confiantes na proteção de Deus e muito gratas. Dotadas de um lastro de confiança que me convida a olhar para a vida com mais serenidade.

É uma escola onde se aprende também a olhar nos olhos de quem nos repara. Porque, na verdade, é quando reparamos que começamos a ver. Muitas vezes, quando olho à minha volta, posso sentir que não estou preparada para ver tudo o que encontro. Mas até nisso e para isso, Deus me tem capacitado.

Aprende-se também a ver Deus nas coisas pequeninas. Lembro-me muito bem de que, antes de vir para aqui, me tinha proposto a escrever mais: tinha ideia de fazer um diário de bordo ou, pelo menos, registar com mais regularidade as coisas que iriam acontecendo, como me sentia, ... Enfim, de partilhar sobre a missão de maneira a sentirmo-nos, também, mais próximos (a sentir que “estamos juntos”, como aqui se diz). Muitas vezes pergunto-me: mas vou escrever sobre o quê? É muito mais fácil fazê-lo sobre as coisas extraordinárias.   Está claro que não tenho cumprido a intenção à qual me lancei. Porque, de algum modo, quando me propus a tal, talvez tivesse ingenuamente concebido que na missão haveria um cento de coisas extraordinárias para contar. E, na verdade, a missão faz-se de momentos e dias comuns. Os instantes extraordinários podem ser mais coloridos e melódicos, mas são os vulgares que melhor contornam e sedimentam a nossa vida.  São esses mesmos, os momentos simples e ordinários, aqueles que encontramos no serviço e na relação com as pessoas que enchem de sentido e tornam a missão especial, sem precisar que venham os dias extraordinários pedir entrega e doação.

A missão é a cada dia um mapa por decifrar e por conhecer. Por isso, a cada momento sinto-me a começar um tempo novo, não o do calendário, mas o da oportunidade da vida e o da salvação que pode acontecer sempre que Deus nos visita nas coisas mais pequeninas e aparentemente insignificantes.

Cheguei a Moçambique há um ano. Mas continuo a começar e a caminhar para o Senhor das bênçãos a cada dia.

  

LMC Marisa Almeida

Jornal Astrolábio - A Maria Augusta já está entre nós

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires já está em Janeiro de Baixo, para passar algum tempo do Verão entre nós, à semelhança do ano passado, para depois regressar à Missão de Mongoumba. Mas, antes de chegar, enviou uma mensagem que nos faz bem ler: Cheguei ontem à tarde a Bangui, para amanhã prosseguir viagem até aí. Dou muitas graças a Maria e a seu Filho Jesus, que estiveram ao meu lado, cada dia, nas alegrias e nas tristezas, sobretudo nos momentos de maiores dificuldades.

Bem hajas a toda a minha família, a todos os que oraram por mim e por todos os missionários que trabalham comigo. Muito obrigada! Peço muito ao Senhor pela Paz neste nosso país e também pelos outros países, que tanto a anseiam também! Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos afim de terminarem as guerras. O Senhor toque os corações daqueles que atacam os inocentes, que destroem tudo o que aparece à sua frente.

No Domingo [1 de Julho], celebrámos a festa do 50º aniversário da Paróquia de S. George de Mongoumba, e foram realizados 249 crismas. Graças a Deus que eram dois bispos: Monsenhor Rhino, nosso Bispo (Bispo de Mbaiki); e Monsenhor Jesus [Bispo auxiliar de Bangasso, e que, antes, foi padre em Mongoumba]. Estava a Igreja repleta de gente e fora dela quase que havia outras tantas pessoas. Foi uma celebração muito longa (quase 6 horas) mas vivida com muita alegria e entusiasmo. Os fiéis não saíram da Igreja sem terminar. Estiveram presentes representantes de todas as autoridades e também das diferentes igrejas cristãs. No final da Santa Missa, D. Rhino falou sobre a morte do enfermeiro acusado de "likundu" [feitiçaria] e leu os artigos da constituição que defendem a Vida. Espero que as autoridades e todos os cristãos, tenham ouvido e guardado dentro dos seus corações as suas palavras para que vivamos todos como irmãos, verdadeiros filhos de Deus. Os crismados de Mongoumba percorreram os bairros da vila, cantando cânticos, e à noitinha vieram à igreja rezar e cantar em Acção de Graças por este dia. Peço ao Senhor que os ajude a todos a serem anunciadores do Evangelho, a seguirem Jesus fielmente e a não se deixaram enganar pelas "seitas", que existem muito aqui.

O ano escolar terminou no dia 27 com a proclamação dos resultados. Graças a Deus, este ano foram um pouquinho melhores que no ano passado. A Cristina começou a ir visitar os acampamentos pigmeus, acompanhada pelo senhor Bob, a fim de fazerem animação (prevenção de doenças, higiene ...) e tratarem aqueles que estão doentes e tardam a ir ao hospital. Muitas vezes, só vão ao hospital quando já estão muito mal e alguns acabam por falecer. A Ana voltou de férias no dia 8 de Junho bem animada, cheia de força para continuar a Missão. O Simone e o Padre Samuel estão bem, mas o Padre Fernando veio ontem e tem malária resistente... Ficará na paróquia de Fátima até Agosto, mês em que irá de férias. Que o Senhor o ajude!

Partirei amanhã e chegarei a Lisboa quinta-feira [5 de Julho] pelas 15h35. Sempre unidos pela oração.

Um abraço para todos da LMC Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 124 – 22 de Julho de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual