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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

A cor do amor

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Talvez a ideia que temos da missão e do mundo seja ainda um pouco cor-de-rosa, na verdade, para mim, a missão é um arco-íris, de cores, de emoções, de momentos e de aprendizagens. A missão é mais que o céu azul e vasto que todos os dias abraço no início e no fim do meu dia, é mais que o castanho da areia desértica que cobre o chão. É mais que o verde da paisagem de algumas árvores que lutam para permanecer verdes, e que o cinzento dos dias de neblina que encobrem os vulcões. A missão é de uma imensidão de cores. É da cor dos rostos que me comovem e me fazem sorrir, é da cor das histórias que todos os dias ouço horas e horas sem fim e me lembram da matéria simples e humilde de que somos feitos, é da cor de todos os corações que me chegam e me ensinam que é possível amar mais. É da cor dos sorrisos, dos abraços, das lágrimas é da cor da paisagem natural e humana. A missão diária de seguir com eles é tão vasta, é de tantas cores.

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Entre os meninos que me chamam na rua e no jardim de infância, e com os quais partilho a alegria de ser criança uma e outra vez, sem medo entregue a eles. Aos idosos que bailam livres quando vêm ao nosso encontro, e deixem-me dizer-vos, que para muitos, somos a sua única família. Verdadeiras histórias de superação e luta. Às famílias quando nos reunimos para partilhar o todo, na soma individual das partes porque, é nesse meio entre uns e outros que, nos encontramos e nos doamos sem premissas ou condições, só porque sim. É nas visitas diárias que encontro um verdadeiro sentido para a minha caminhada e vejo e revejo as cores do meu mundo aqui e agora. Aqui, nesta pequena vila é onde todos os dias a verdadeira experiência de ser eu, na essência das cores que tenho dentro e de todas aquelas que me permito ver no mundo.

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Confesso-vos que me permito muitas vezes moldar por eles, moldar pela sua experiência de vida e de Deus, que me deixo horas e horas observar o que são e o tanto que me ensinam, que me permito sair de mim para aprender deles. Sempre tive certo dentro de mim que não fui chamada para nada mais que amar. Amar este povo, esta cultura e os seus costumes. Amar, nas suas múltiplas perspetivas, na queda, no erro, no levantar e na esperança de ser a cada dia a melhor versão de mim mesma. E ainda que já tenha passado mais de um ano aprendo deles todos os dias, aprendemos juntos. E assim, todos os dias descubro mais uma cor dentro e fora de mim, neste intercâmbio de vidas, histórias e rostos descubro todos os dias a cor do Amor.

p.s O amor não tem uma só cor, o amor será sempre da cor que tu quiseres!

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

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