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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Ser missão na Etiópia - os primeiros olhares

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Para trás ficam Qillenso, Adola e Daaye e os meus olhos durante a viagem neste verde que contrasta com tudo o que tinha visto até agora desde que cheguei a este novo lugar onde Deus nos espera a cada um, pelo menos no abraço de uma oração que pode viajar desde bem longe (espero que desde os vossos corações). Aproveito a duração de uma viagem para tentar partilhar (nem que seja um grão) das maravilhas deste povo que tão bem me tem recebido.

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Estamos numa semana incomum. Aproveitamos que o início das aulas de Amárico apenas terá início a 3 de Junho (semana que vem) para vir conhecer as várias missões dos MCCJ e também dos LMC polacos (em Awassa) na zona sul da Etiópia.
Adis Abeba, onde reina a poluição, o ruído, o frenesim dos muitos carros e pessoas que deambulam sem regra pelas ruas. Poderia chamar-lhe uma comum cidade europeia não fosse a desordem que aqui governa. Viajar de carro é sempre uma aventura, pois a estrada aqui também pertence aos animais e pessoas (afinal, os carros chegaram depois!). De entre as várias e preenchidas ruas que aqui existem, a que me custa mais (até agora) atravessar é a indescritível Mexico Square, ponto de referência para a chegada a casa. Indescritível por não existirem palavras para desenhar a dor que me dá quando vejo aqueles corpos estendidos no meio de chão, corpos magros, sem vida a brotar, uns que não vêem, outros que não têm pés para andar. A estes corpos se encontram anexados muitas vezes o semblante de uma criança, cujo olhar perdido não passa despercebido. Faço histórias na minha cabeça que, provavelmente, são as suas. São mães desnutridas e os seus filhos. Como dói olhar e dói ainda mais não saber o que fazer!

A viagem esta semana pelo Sul da Etiópia permitiu também ter uma visão bem diferente e colorida deste grande e imenso país. À medida que viajamos de Adis Abeba para Awassa, Qillenso, Adola e Daaye, o cenário, a paisagem vão mudando os seus padrões e figuras. Se em Adis e Awassa há um manto de casas até onde a vista alcança, em Qillenso, Adola e Daaye a terra veste-se de vermelho e do verde da vegetação acabada de nascer pelo início das chuvas. Pelo caminho semeiam-se casas, estas já com uma configuração mais rudimentar e que são autênticas obras de arte. E o carro passa e os que o vêm passar olham. Olho-os também através do vidro da carrinha. Que olhar bonito! E sorriem sempre ao ver-nos a passar!

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Estou feliz pela missão que Deus nos entregou aos três e para a qual pedimos as vossas orações. A missão nunca será nossa. Também é vossa. Mais que tudo, é de Deus. Provavelmente, e conscientes disto, sabemos que os grandes e maduros frutos deste trabalho apenas (e Deus queira) serão visíveis daqui a uns largos anos.

Estou bem! A sentir tudo. As pessoas, os seus olhares, as suas palavras que muitas vezes não entendo, mas procuro responder com um sorriso, ou um olhar de ternura, ou usar as poucas palavras que já sei dizer em amárico. Tem sido um tempo de observar, ouvir, tentar perceber. Vantagens também de eu mesma não ter um nível de inglês fluente que me permita falar muito (e muito menos amárico). Tiro partido disso e acabo por escutar mais, observar mais. É tempo disso!

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A nossa passagem na rua é sempre motivo de olhares. As pessoas olham-nos, como se fossemos raros. Para as crianças é uma festa! Olham-nos e de sorriso esboçado lançam atrevidas:

- Farengi! Farengi! Ou China! China!

Na falta de saber o que fazer muitas vezes, olhamo-las e sorrimos. Estendem o braço e trocamos um aperto de mão. Ficam todas contentes de nos tocar… é recíproco! Num destes dias, em Awassa, visitámos as irmãs da Madre Teresa, e o expectável aconteceu: a mesma reação das crianças que se querem pendurar em nós... Correm na nossa direção para nos tocar a mão. E não só a mão. Os braços, a cara. E vão-se assim aproximando, deleitando-se com o nosso calor. Correm à procura do amor. E procuramos dar-lho. Na dificuldade de não saber muito amárico, digo o mesmo de sempre. Não posso limitar-me às mesmas palavras de sempre, pensava. Tento lembrar outras coisas que possa dizer, e lá me sai:

- Mndn new ?(o que é isto?) - pergunto apontando para a minha camisola.

- Makina (carro) - respondem várias, cada uma a seu tempo.

Repito a mesma pergunta para outras coisas, incluindo a cruz que trago ao peito.

E assim me vão respondendo. É uma festa para elas! E para mim. Mal sabem o quanto me estão a ensinar. Confio que são os melhores professores que poderei ter. Ficam contentes daquele pouco. Quem sabe com sede de mais, como eu.

Estou a sentir tudo, inclusive a saudade. Ai a saudade! Essa também me habita, como é claro (não fosse eu uma portuguesa... Daquelas saudosistas e nostálgicas)! Como alguém me disse, a saudade é o amor que fica. Por isso, quero sempre que esta saudade faça parte comigo.

Têm sido dias bonitos, carregados de novidade. Também com a comunidade, o David e o Pedro. Nas nossas diferenças, vejo três peças de um puzzle que se une e que encaixam. Tem sido bonito o irmos percebendo juntos ao que somos aqui chamados a fazer. Sentimos o peso da responsabilidade de estarmos a iniciar, a semear este grão que queremos que outros venham regar, ceifar, colher. A messe aqui é grande! Porém sentimos uma grande força de querer dar passos. Que o Espírito Santo nos ilumine a dar os passos certos, nos tempos e locais certos.

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Rezem por nós, pela missão e sobretudo por este povo que nos acolhe e que procura e luta pela vida, dia a dia.

Com muito amor, 

LMC Carolina Fiúza 

Missa de Envio LMC Carolina Fiúza

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Meus queridos amigos e amigas,

 
O meu coração está pleno e muito agradecido por tantas bênçãos e amor recebido no dia de ontem, 12 de Maio, onde na minha paróquia - Santa Eufémia - foi celebrado o meu envio. Foi uma cerimónia muito bonita... e não só a cerimónia, mas todo o dia em geral e animação missionária, foram momentos de grande partilha e fraternidade.
 

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O meu MUITO OBRIGADA A TODOS por toda a união em oração. Sinto-me uma sortuda... por vos ter a vós como família e tantos amigos que me amam e me dão força!

OBRIGADA!
 
Para quem não pode estar presente na Eucaristia, partilho as palavras que dirigi a todos.
 

Meu querido Pai do Céu,

 Esta é uma prece da Tua filha muito amada, Carolina de Jesus Fiúza, que hoje, com a força desta comunidade, é enviada por dois anos a amar o povo da Etiópia.

Desde há uns bons tempos que oiço o Teu convite a ecoar dentro de mim e que me diz:

“Faz-te ao largo e lança as redes para a pesca. Não tenhas medo: vem comigo ser pescadora de Homens. Vem, segue-me!”

Pois a Ti agradeço este convite e é com muita alegria que, como Maria, digo SIM, Faça-se em mim segundo a Tua palavra!

 A Ti devo um grande OBRIGADA pois este Sim é fruto de uma relação entre nós dois. A Ti muito OBRIGADA por nunca desistires de mim e porque em mim confias. A Ti também agradeço todas estas pessoas que aqui estão das mais diversas formas, física ou espiritualmente. A Ti agradeço estas mil vidas que, muitas vezes, sem o saberem, são também Mil vidas para a Missão, tal como pedia São Daniel Comboni: as Mil vidas para a Missão. Agradeço-Te a coragem e força que dão ao meu Sim e a confiança que em mim depositam.

A todas estas estas vidas e a Ti agradeço e prometo: prometo errar, falhar. É a condição humana! Porém, prometo tentar melhorar sempre, prometo aprender, escutar, calar, aceitar, entender, partilhar o que sou, receber o que são… e, mais que tudo, AMAR. Prometo entregar-me totalmente ao povo etíope e Fazer o que posso, com o que tenho, onde estiver.

Olho para mim e vejo-me pequena. Porém, é com as minhas limitações, com o que trago na minha bagageira, que me quero entregar a Ti e partir para junto dos mais pobres e necessitados, inspirada por São Daniel Comboni. E confio em Ti. Confio que Tu não escolhes os capacitados, mas sim capacitas os escolhidos. Assim, confio que me darás as capacidades para amar este maravilhoso povo da Etiópia, onde Tu já estás desde sempre.

Talvez muitos não entendam porque escolho partir em missão. Compreendo e aceito a incompreensão de muitos. E agradeço o apoio que, ainda assim e de forma incondicional, me dão. Tal como o meu querido pai diz, “o bem pode fazer-se em muitos lados!”. E não é mentira… porém, Tu meu Pai do céu, Tu que és um só Corpo, mas com muitos membros e cada membro com a sua função, Tu chamas-nos a todos a ser missionários, de formas muito distintas. Hoje e a mim, sei que me chamas a partir, chamas-me assim a ser um grão de trigo que morre na terra para que nasça fruto. E isto é um mistério. Tal como o mistério do Teu Filho muito amado que morreu na Cruz. Tal como Ele, também dou o meu Sim, pronta a fazer nascer e crescer a missão aos pés da Cruz. Conseguiremos nós alguma vez entender este mistério da morte de Jesus na Cruz, meu Pai? Talvez não. Da mesma forma, talvez não seja entendível o meu Sim para muitos. É um mistério, também. Também para mim a missão que me entregas em mãos é um mistério. Mas, ainda assim, digo Sim. Digo Sim confiadamente pois sei que nunca, mas nunca me abandonarás.

Meu Deus, Tu sabes a Gratidão que trago dentro a tantas pessoas. Sem oportunidade de mencionar todas, agradeço em especial à minha Família, àquela que me dá sentido, que me deu genes de missionária!

Agradeço-Te em particular a vida dos meus pais, Edite e Manuel Fiúza, que me educaram da melhor forma que sabiam. Sem eles, a minha vida, valores, dons… tudo o que sou, de forma alguma seria possível. Agradeço-Te as suas vidas e o fruto da sua criação que sou eu hoje, este dom que sou e que quero colocar a render. Agradeço-Te porque lhes dás a capacidade de me amarem e apoiarem incondicionalmente, ainda que, muitas vezes, não compreendam as minhas decisões. Peço-Te que os guardes, que olhes sempre por eles e que sempre lhes dês a força para lutar pela Vida, tal como me ensinaram a fazer.

Agradeço-Te a vida do meu namorado, Hélder Neves, que desde sempre me apoiou e me deu a força nos momentos de maior dúvida. Agradeço-Te o amor que nos une e que só de Ti pode vir. E sei que este Sim não é apenas meu, mas de ambos. Também ele aceita o convite de viver em missão comigo. E esta missão aceitamo-la com muita confiança! Peço-Te que olhes sempre por ele, acolhendo-o nos Teus braços. E que aquilo que Tu uniste, o amor que nos une a nós dois, jamais ousemos separar ou danificar. Dá-nos a confiança e a coragem de nos mantermos sempre unos!

Agradeço-Te a vida de todos os paroquianos da minha “terra, ó que linda de terra”, esta linda Santa Eufémia. Esta terra que me viu crescer e que me acompanhou na vida e fé cristãs. Entre catequistas, grupos de coro, sacerdotes que aqui já conheci (e já são três), e tantas pessoas que hoje olho e das quais trago o melhor… agradeço-Te a vida de cada uma. Um agradecimento especial ao Padre Nuno Gil, cuja jovialidade e força para chegar a todos não me deixam indiferente. Peço-Te que lhe sigas dando ânimo para continuar a conduzir e construir o Teu Reino aqui na Terra.

E, por fim, e sabendo que muitas outras vidas teria a agradecer, agradeço-Te toda a Família Comboniana. Agradeço por serem luz neste caminho em que procuro diariamente descobrir-Te e apaixonar-me mais e mais por Ti. Agradeço-Te pelo exemplo que cada um é para mim de vida inspirada em São Daniel Comboni e por possibilitarem que entenda cada vez mais e melhor a minha vocação missionária. Agradeço-lhes verdadeiramente pois em mim confiam a missão na Etiópia, e peço-Te que consiga sempre ser o melhor de mim como LMC.

Meu Deus, tu sabes o que trago dentro, melhor que ninguém. Tu sabes o quanto dói deixar o amor que tenho aqui. Porém, tu também sabes o quanto estou feliz pois, ali onde vou também me espera o amor. Pois vou ao encontro o amor, seguindo os passos de quem me convida.

Bem sabes, que este nunca será um Adeus, mas sempre um Até breve.

Até breve minha comunidade. Nunca tenham medo de dar o vosso Sim, pois Deus, como Pai misericordioso, nunca vos abandonará. Deixo-vos uma lembrança: uma Cruz tipicamente Etíope (que inclusive vos foi enviada por uma irmã Missionária Comboniana da Etiópia), para que recordem que todos formamos parte de uma mesma cruz, a Cruz de Cristo. Rezem por mim e pelo povo e missão na Etiópia. Confiem que nós também rezaremos por vós.

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LMC Carolina Fiúza

Retiro de Páscoa LMC

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Nos passados dias 6 e 7 de Abril tivemos em Viseu o retiro da Quaresma, orientado pelo Pe. José Vieira. Começámos a manhã a escutar uma música da Aline Barros, chamada Renova-me Senhor Jesus, para começarmos a entrar no espírito de retiro. Este momento de paragem, de criar espaços vazios para escutar Jesus e fazê-lo habitar o mais íntimo do nosso ser.

O momento da manhã teve por tema “a missão: santos e capazes”, como pede Comboni, e teve uma pequena introdução pelo Pe. José Vieira, como linhas orientadoras para um momento seguinte de reflexão e oração individual. Tivemos alguns pontos da Gaudete et exultate do Papa Francisco para nos ajudarem a ver a nossa missão em Cristo e que forma devemos ser santos e missionários em todas as componentes da nossa vida. “Sede Santos porque Deus é Santo”. Ganhar este entendimento, esta perceção no coração de uma vida unida a Deus, em que nos deixamos modular por Ele e assim caminhar para a Santidade.

Fizemos depois a via sacra guiados pelo Evangelho e por Daniel Comboni, que nos levou a reviver as últimas horas de Jesus, tendo presentes aqueles em quem Ele continua a sofrer hoje em Moçambique, Malawi, Sudão do Sul, República Centro-africana e em tantos outros lugares.

Durante a tarde refletimos sobre o tema “coração missionário”, novamente com uma pequena introdução do Pe. José Vieira antes da nossa reflexão e oração individual. Este tema surge porque o coração é o verdadeiro destinatário da missão. Assim, não podemos fugir ao nosso coração, daí ser muito importante percebermos o que o faz palpitar. Para nos ajudar na reflexão, pudemos meditar sobre vários pontos dos escritos de Comboni onde surge a palavra coração. É curioso sabermos que esta palavra surge mais de mil vezes nos escritos de Comboni, torna-se também um sinal da importância do coração na missão e no missionário. Foco aqui três citações que marcaram a minha reflexão:

- “Nós os quatro formamos um só coração, uma só alma. Cada um esforça-se por fazer bem aos outros.” – Escrito 1507 – Vejo-o neste sentido de comunidade, de união num só coração.

- “O coração de Jesus seja o nosso centro de comunicação” – Escrito 4764 – Vi este escrito muito ligada à reflexão da manhã, esta união com Jesus Cristo que se torna no nosso centro de comunicação uns para com os outros e que nos encaminha para a santidade.

- “Quando se tem a plena certeza de estar a fazer a vontade de Deus, todo o sacrifício, todas as cruzes e a própria morte são o mais doce conforto dos nossos corações.”- Escrito 3683 – Ressoa em mim a busca que tenho feito para encontrar esta vontade de Deus para mim, esta certeza plena do caminho a seguir. Levantou-me dúvidas e inquietações que pude rezar e entregar ao Senhor neste retiro.

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Ao final da tarde, tivemos a celebração penitencial, que nos ajudou a renovar os nossos corações arrependidos e a revermos aquilo que nos afasta de Deus e do seu Amor. À noite, fizemos uma Lectio Divina com adoração do Santíssimo, com base no Evangelho de Domingo, da mulher adúltera. Foi um momento de abrirmos os nossos corações plenamente perante Jesus Cristo ali presente e de meditarmos a palavra e aquilo que nos falava, a cada um, com as nossas vidas e as nossas dificuldades. Foi para mim uma partilha bonita e um encontro verdadeiro com Cristo.

Na manhã de domingo meditámos, com base na mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma, sobre escutar o clamor dos pobres e o clamor da terra. Olhando para os problemas ambientais e olhar para esta quaresma numa forma de conversão plena, não só nas nossas ações para com os outros, mas também pelas nossas atitudes para com a obra da Criação “que se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19). E terminámos o nosso encontro com a Eucaristia, um momento de alegria e comunhão fraterna.

Para mim foi muito importante e muito bom poder viver este retiro. Ajudou-me a parar, a desacelerar e a quebrar as rotinas desta vida tão cheia de preocupações e trabalho. Ajudou-me a encontrar-me com Jesus Cristo, a olhar a sua cruz, a escutar o que fala ao meu coração. Ajudou-me a tranquilizar receios e dúvidas que tantas vezes agitam o meu coração, na certeza de que quando caminho com Ele, tudo faz sentido.

Ana Sousa

Encontro de Formação - Reler a minha história, organigrama familiar e projeto de vida”

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No passado fim-de-semana de 15 a 17 de março aconteceu mais uma unidade formativa dos leigos missionários Combonianos com  tema: “Reler a minha história, organigrama familiar e projeto de vida”, orientado pela psicóloga Liliane Mendonça.

O encontro marcou inicio na sexta à noite com a chegada e acolhimento de todos os membros, dando tempo para colocar a conversa em dia.

O tema que nos levava a Viseu iniciou no sábado de manhã, após a Eucaristia, estimulando o grupo e o interesse de cada um através de dinâmicas que revelavam algumas particularidades sobre o nosso ser e o da nossa família, aos olhos dos nossos colegas que não nos conheciam assim tão bem. Ao longo da dinâmica, percebemos que mesmo sem conhecer a família conseguimos representar pormenores que se encaixavam completamente na situação em si.

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Depois dessa descoberta, seguimos para outras dinâmicas que nos fizeram percorrer entre as nossas histórias de vida com as raízes familiares, concluindo a forte ligação e implicação que isso tem no rumo da nossa vida.

Este foi um bom tema para muito diálogo com trocas de experiências, referenciando os momentos da vida que mais marcaram a cada um, dentro das suas famílias e até à previsão do que seria o nosso futuro.

Concluindo, assim, que a nossa família é o nosso sistema e o que recebemos dela também iremos dar nas gerações futuras.

No domingo ainda demos seguimento ao tema e terminamos com um testemunho fantástico da Ana e do Artur Valente, que nos falaram da sua experiência e das suas raízes familiares.

Este foi mais um encontro cheio de riquezas que originou debate, compreensão e sabedoria.

Mónica Silva

 

Nova Equipa na Direção dos LMC em Portugal

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Alegria pois uma nova Equipa abraça a missão de Coordenar os LMC de Portugal. Foi na Assembleia Geral LMC de Portugal realizada em Outubro que foram eleitos novos órgãos Sociais para a Direção dos LMC em Portugal e, assim, no passado fim de semana (17 de Março) esta Equipa tomou posse, abraçando uma nova missão.

Na foto está esta nossa grande equipa. Da direita para a esquerda: Márcia Costa (Presidente), Élia Gomes (Vice-presidente), Sandra Fagundes (Tesoureira), irmã Carmo Ribeiro, padre Francisco Medeiros.

Desejamos todas as bênçãos do Senhor, por intercessão de São Daniel Comboni,  para esta nova Equipa. Rezamos para que sejam sempre iluminados pelo Espirito Santo a tomar as melhores decisões pelo futuro dos LMC e que, cada um de nós, seja também capaz de os apoiar sempre e de responder às necessidades: não as necessidades de uma direcção mas, mais que isso, as necessidades que os LMC e a missão do Senhor pedem.

Missão não é experiência, é VIDA

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Talvez a consciência que temos de nós próprios aqui diminuiu dada a grandeza do mundo ao qual te sentes chamado. Talvez a pouco e pouco nos fomos desapegando das coisas para nos apegarmos ao mundo, às pessoas, ao amor. Já não temos coisas. Já nada é nosso. Já não há nada que não possa ser dado, ser partilhado com todos os que caminham lado a lado connosco. Há muito que não somos só nós e que tudo o que somos é partilhado não só entre nós mas com o mundo. Somos parte de um todo que só tem sentido assim na partilha demorada dos dias e das vidas que somos e que sabemos ser juntos.

A paisagem traduz em muito a grandiosidade do que nos vai dentro, a grandiosidade dos pequenos milagres dos quais não somos apenas espectadores, somos o grão plantado em terra fértil, somos rega constante de vidas com sentido. Já não somos somente nós, somos mais que a soma das partes. Somos de Deus. Somos seu instrumento, somos as suas mãos, os seus pés e os seus abraços. Somos imperfeitas e feridas num mundo cheio de dor e de sofrimento onde porém com amor ousamos semear o paraíso do amor de Deus.

Em cada amanhecer saímos ao encontro do outro saímos do conforto do que não temos, nem a nós pertence vamos ao encontro do amor. Vamos na esperança que em cada rua ou esquina teremos sempre dois braços prontos a crescer connosco. Não somos nada e na nossa humildade somos o que de mais verdadeiro existe. Não conseguimos enumerar a quantidade de vidas que já cruzaram a nossa nem a quantidade de sorrisos, lágrimas e abraços que partilhamos na simplicidade da soleira da porta. É mesmo assim, o amor é despojado da superficialidade, é integro não tem cor nem raça, é porque é. E nós somos chamados diariamente a deixá-lo ser e crescer.

Damos a vida todos os dias sem horários, sem planos. Damo-nos. Tantas são as vezes em que deixamos os nossos planos porque Deus nos chama através de uma história. Tantas são as vezes em que sentimos que é o próprio Deus quem nos chama à porta através de tantos rostos, histórias e pessoas. Somos disponíveis ao amor que nos bate, que nos chama em cada momento. Somos disponíveis ao apelo de Jesus que sentimos que nos chama diariamente.

Somos terreno em crescente cultivo aberto ao cuidado do outro e aberto à possibilidade de crescer de mãos dadas no caminho de Jesus. Somos cruz carregada em ombros e braços de quem perdido não consegue caminhar. Isso é missão. Aceitar diariamente o convite de Jesus a um estilo de vida menos nosso e mais d’Ele. Não é fácil. Sabemos com a nossa vida que o caminho nada tem de fácil. Mas só assim para nós tem sentido.

Missão é vida, é a nossa vida, são as vidas deles e a vida que sabemos ser e doar no anúncio de um Evangelho vivo em cada um de nós. Somos em cada passo testemunhas de um Jesus que quer habitar na simplicidade dos nossos corações. É no saber-nos família, que cada dia, em cada visita, nos entregamos e somos mais.

A terra é árida e os montes que nos ladeiam são muitas vezes o caminho de muitos para a sua casa. Protegidas pela força imponente do vulcão Misti e Chachani de vara em mão atravessamos os limites do visível e partimos em busca do rosto de Deus nos mais distantes. Subimos e baixamos os montes, percorremos o caminho mais sinuoso. Ultrapassamos os limites físicos do nosso corpo que por vezes pede descanso. Ultrapassamos os nossos limites, certas de que é Ele a nossa força e a nossa vida. Certas que é nossa a missão de o levar e anunciar onde Ele já habita onde já há sementes d’Ele, onde já há Deus onde só falta quem lembre, quem O diga e anuncie. Ultrapassamos as nossas periferias para ir às periferias do mundo e aí ser símbolo de vida, de amor, ser símbolo d’Ele.

Não temos muito. Vivemos simples e humildes entre o povo de Deus. Somos com eles povo de Deus. Na simplicidade e pobreza da vida que levamos habita o tesouro nos vasos de barro de cada um dos nossos corações: o amor de Deus.

É bom, muito bom deixarmo-nos emocionar com todos aqueles que compõem hoje a nossa história. É bom ser apoio e ombro é bom ser lugar de refúgio é bom podermos ser Neuza e Paula em tudo o que somos e partilhar na simplicidade esse dom que é a nossa vida. E ajudar o outro a descobrir o dom da sua. Somos aqueles que nos chegam, somos dos que nos partem, somos dos que vêm e de todos os que deixámos. E passo a passo não descobrimos a missão, somos missão. Somos uma missão que não é nossa mas daqu’Ele que nos envia todos os dias a um amor maior.

Somos duas das mil vidas para a missão de Comboni. Juntas redescobrimos novas Áfricas, novas periferias. Não nos chega o pouco, não nos chega a planície do conforto. Vamos. Juntas vamos para lá dos montes, para lá de nós. Juntas vamos ao encontro das novas periferias, aquelas onde ainda não estamos e que ainda não chegámos. Soubessem vocês, soubéssemos nós quantas Áfricas faltam descobrir, quantas periferias existem sedentas de Deus, do seu amor e desse milagre de Amor que é a Eucaristia. Por isso estamos aqui. Por isso vamos ao encontro do amor fazendo da nossa vida a missão.

Na oração diária descobrimos os caminhos a seguir, descobrirmos a beleza de uma missão sem fim, sem fronteiras, sem limites. Ele é o limite. Na verdade, Ele não tem limites. Caminhamos na certeza de que não estamos sós pois são os seus braços que encontramos a cada amanhecer e fim de dia. Caminhamos na certeza de que chegamos sempre onde Ele nos espera. E ainda que o dia seja longo e muitas sejam as histórias de vida que nos chegam e nos fazem partícipes e muitas vezes sejam as lágrimas o que partilhamos uns com os outros. A resposta é sempre a mesma. Sim, Senhor, estamos aqui, leva-nos onde queres que estejamos. E ainda que a vida nos leve para longe daqui, somos Peru no mesmo amor que nos trouxe aqui e nos faz irmãos até fim.

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do Peru com amor,
Neuza Francisco & Paula Ascenção

Encontro de Formação - «Comboni: Deus, a Cruz e a Missão»

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Nos dias 18, 19 e 20 de Janeiro tivemos o 5º encontro de formação deste ano, em Viseu. Foi a irmã missionária Comboniana Carmo Ribeiro que nos acompanhou neste fim de semana tão cheio, tão rico, tão intenso, sobre o tema Comboni: Deus, a Cruz e a Missão. Começámos por uma coisa que considerei relevante e que me fez logo ver como o fim de semana ía ser tão bom. A irmã Carmo começou por nos dar um título ligeiramente alterado, verdadeiramente mais completo: Comboni: Deus, o Coração do Filho na Cruz, qual Bom Pastor e a Missão. E aqui começámos logo a ver a grandeza de Comboni e do seu carisma.

Fomos vendo ao longo do Sábado aqueles que são e que se tornaram os grandes pilares da vivência de Deus em Comboni. Em primeiro a Confiança em Deus e o profundo sentido de que a sua vida é de Deus. Um Comboni que sempre deu tempo à oração, ao silêncio e que mesmo nas tribulações confia plenamente e entrega a sua vida nas mãos de Deus. É daqui que vem a vocação de Comboni e é sempre a Ele que recorre, é sempre n’Ele que vive e que vai fazendo luz ao seu caminho. É muito profunda esta relação, fascina-me e faz-me ver como ainda estou tão longe desta vida entregue e de confiança.

Em segundo, o Amor do Coração Trespassado de Cristo Bom Pastor, que deu a identidade e o carisma Comboniano. É de uma experiência mística de oração que surge esta forte ligação ao coração trespassado de Cristo Bom Pastor, é deste coração que Comboni bebeu e se fortaleceu e foi daqui que cresceu a sua vocação e entrega à missão. Este coração que moldou a forma como Comboni viveu e que deverá sempre moldar a nossa vida. Sejamos nós capazes de tal confiança e entrega.

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Em terceiro, o Amor à Cruz, a cruz que nos salva! Este sentido de que a cruz, o sofrimento, as dificuldades mas que ao ser vivida, gera vida! Comboni experimentou o ser pequenino, abraçou a cruz como sua esposa e foi salvo por Deus, pelo seu Amor.

Depois, o Cenáculo dos Apóstolos, ou seja, a comunidade como centro onde a missão se realiza, dentro das suas riquezas, fragilidades e dificuldades. Com aquilo que cada um é e aquilo que cada um é capaz de dar de si. E o saber que a comunidade começa em mim e que a vulnerabilidade faz-nos fazer mais comunhão do que as nossas qualidades.

Em quinto, Maria, como Mãe da Igreja e Mãe da África. Maria, que preparou e acompanhou sempre o seu filho Jesus, ela é parte do cenáculo também. É em Maria que Comboni vê a mãe dos negros e o conforto dos missionários.  E é nela também que devemos buscar a nossa inspiração, as nossas dúvidas e colocar nas suas mãos a nossa vida.

Depois é São José também um dos pilares do carisma Comboniano, aquele que guardou o maior tesouro, o melhor que Deus tinha: Jesus e Maria. São José que sempre guardou e geriu os bens que Deus lhe deu e que nunca foram dele, com silêncio, intenção reta e um cuidado para que nada lhes faltasse.

É também na oração e no zelo que se estabelece um outro pilar da vida de Comboni em Deus, o sentido da importância e da força da oração permanente e sempre no sentido de zelar e cuidar da missão.

E finalmente, e não menos importante, o sentido de Igreja, de pertença, de ser um com os outros. E acima de tudo obediência e respeito pelas decisões que a Igreja tomava, mas sem nunca esquecer a missão que Deus lhe tinha dado, para levar a cabo o Plano para a Regeneração da Nigrícia.

Bom, acima de tudo guardo no coração todos estes pilares Combonianos, e que sinto que os devo procurar também para a minha vida. Foi um dia intenso, muitas coisas partilhadas, muitas aprendizagens e é preciso rezar tudo isto a Deus para que se ilumine o caminho à luz de Comboni.

Terminámos a tarde com uma oração, com um gesto sobre alegrias e cruzes, uma oração comunitária, onde senti este cenáculo que Comboni nos falava, onde as nossas fragilidades, alegrias, cruzes e medos foram postos em comunhão com Jesus e uns com os outros. Foi uma oração muito marcante, intensa e onde consegui ver o rosto de Jesus ali espelhado.

À noite vimos o filme “Dos Homens e dos Deuses”, sobre uma comunidade de monges na Argélia, que vivem a difícil escolha de fugir ou continuar junto do povo e da missão a que foram enviados. É um filme muito intenso, muito vivido, sobre fé, comunidade, entrega, missão… Sobre o Amor de Jesus que se faz presente em cada um e sobre uma entrega total e desmedida, dentro das fragilidades de cada um. Um filme que ajudou de certa forma a visualizar toda a vivência Comboniana que passamos o dia a falar e a aprender.

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No Domingo tivemos o testemunho da irmã Conceição, que partilhou a sua vivência missionária e comunitária. Guardo no coração a sua intensidade a falar da missão, da beleza da comunidade, das maravilhas que Deus foi trabalhando nas missões onde esteve e o sentido de arriscar em nome da missão. Este arriscar que por vezes parece loucura mas sempre na confiança em Jesus Cristo e em Comboni.

Além de tudo isto, que é tanto e tão bom, tivemos um fim de semana muito afortunado, com direito a café em casa das irmãs missionárias Combonianas, que com tanto carinho nos receberam.Tivemos a presença do Padre Luís Filipe que nos acompanhou em todo o fim de semana e que foi deixando o seu testemunho como missionário Comboniano e a irmã Conceição que nos deu o seu testemunho e que partilhou tanto de si connosco. Tivemos também a alegria de viver a Eucaristia com o Artur Valente, com o Padre Luís Filipe e com a irmã Conceição e assim, de certa forma, comemorar as origens e inícios dos Leigos Missionários Combonianos.

Poderia continuar a escrever coisas que vivi, senti e aprendi neste fim de semana mas acima de tudo fica a certeza de que a vida de Comboni é intensa e impactante e que a sua fé o levou nos caminhos mais bonitos da vida e da missão. Que consiga eu digerir todas estas aprendizagens e rezar a Deus para tornar claro o caminho a seguir.

Ana Isabel Sousa

21 anos de Vida, “e Vida em abundância”

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É dia de agradecer ao Senhor o caminho que temos feito como Leigos Missionários Combonianos. Hoje completamos 21 anos de História e Missão; 21 anos desde aquele 25 de Janeiro de 1998 no qual iniciámos este caminho de discernimento e formação para Leigos, animados pelo Espírito Santo e por São Daniel Comboni, na Maia.

 

Tem sido um caminho muito bonito. Um caminho feito aos pés da Cruz, diante do Senhor. E é deste caminho que brota a missão – aquela que é feita de obras de Deus que “nascem e crescem aos pés da Cruz”. Um caminho como família, inspirados por São Daniel Comboni que nos conduz a “Salvar África com África” – esta maravilhosa África que hoje em dia já não tem limites, que está nas nossas periferias.

Muitos foram os que connosco caminharam. Uns foram, outros continuam comprometidos como LMC, mas todos, de algum modo, fomos deixando tragos e gotas que completam hoje este oceano de amor que somos e que une continentes. A todos os nos acompanharam e continuam acompanhando agradecemos do fundo do coração.

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Nestes 21 anos foram vários os LMC que viveram a sua vocação além-fronteiras: em Moçambique, no Brasil, na República Centro-Africana e no Perú . Hoje continuamos difundindo a nossa alma missionária nestes mesmos países: a Marisa em Moçambique; a Liliana no Brasil; a Maria Augusta e a Cristina na República Centro-Africana; a Paula e a Neuza no Perú. Sem esquecer todos quantos somos os que estão comprometidos e que se encontram em Portugal, nas periferias, nas suas famílias, na vida, procurando habitar a missão que Deus lhes pede, e todos os formandos que buscam o discernimento encontrando no Carisma de São Daniel Comboni o chamamento de Deus.

Missionários em Cristo e pelo baptismo, avançamos como nos animava São Daniel Comboni:

«tenham sempre os olhos postos em Jesus Cristo, amando-o ternamente e procurando entender cada vez melhor o que significa um Deus morto na cruz pela salvação das almas» (Escritos 2721).

E salvar almas Comboni afirmava-o como muito mais além de uma simples Evangelização: a salvação da humanidade na paixão e na morte de Cristo, que nasce e vive da identificação do missionário com este mistério pascal, neste morrer para nascer, para viver. "Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." - (Jo 12,24)

É com muito ânimo que seguimos o caminho, as pegadas de São Daniel Comboni, de mãos entrelaçadas para que a sua obra não morra, um caminho de árdua e entusiasmante missão entre os povos e nações sedentos do amor de Cristo.

Este Natal

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Ainda me lembro do cheiro molhado do Natal, do casaco vestido, das luzes cintilantes, reflexo da interioridade daqueles que vivem pelo espírito do mais amor.

Aqui é verão, o sol alumbra a magia dos sorrisos e das lágrimas partilhadas entre as vistas e os convites a ficar um pouco mais. O sol queima a paisagem e deixa transparecer a humanidade de um povo não esquecido mas lutador, deixa resplandecer o coração e a alma de todos os que me recebem de todos os que me chegam.

Aqui não sinto o cheiro dos pinheiros verdes nem o fumo da lareira acesa. Aqui o cheiro é de gente humana e humilde que partilha tudo o que tem contigo. Vivo rodeada de gente que, com o testemunho das suas vidas, acrescenta a minha e juntos somos mais de Deus. Um cheiro de espera e esperança que o amanhã, embora com dificuldades, será bem melhor que o hoje e uma vontade enorme de seguir em frente, sorrindo. Cheira a cozinha de quem prepara não uma grande ceia mas, o seu coração para receber a Jesus.

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Tenho tanto a aprender deles.

Deixo-me todos os dias comover com o testemunho das suas vidas. Vidas compostas por pessoas de carne e osso pessoas que com nada partilham o tudo e me moldam as lágrimas e os sorrisos desde aurora ao pôr do sol. Pessoas que me tocam o coração e me transformam. Não desejaria eu um Natal diferente se aqui, encontrei a família que Deus sonhou para mim. Este Natal desejo apenas ser abrigo dos corações que andam em busca de paz em busca de Deus.

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É, às vezes, esquecemo-nos que a verdadeira essência do Natal e da nossa vida está no reconhecimento diário que a nossa vida é um dom e que, o que fazemos dele, deveria ser uma opção diária pelo amor.

Neste Natal esquece os presentes com grandes invólucros e doa-te, como tempo para viver e partilhar com os que amas e busca o perdão junto daqueles que foram ao longo do ano um desafio para ti. Por aqui andarei de casa em casa a visitar aqueles que são e dão vida aos meus dias.

Neste Natal que a tua mesa seja farta, não de uma quantidade infindável de doces mas, de amor, esperança, carinho e união. Neste Natal, deixa-te ser luz na vida dos outros e agente de reconciliação e paz. Deixa-te pertencer e povoar por todos os que amas e que juntos possam agradecer o dom da vida. Neste Natal, permite que o teu coração humilde seja o berço onde renascerá Jesus.

É Natal onde quer que existe a coragem de sonhar, onde existe a ousadia de manter acordados os sonhos dos olhos fechados. Que a certeza do silêncio interior te inspire a viver uma descoberta de Deus em ti, nos outros e no mundo.

Neste Natal, farei como faço todos os dias e levarei o melhor de mim à Milágros e aos seus filhos, à Marcelina, à Célia, há Maria, à Valentina, à Ariana e os seus irmãos, ao Martim, ao Luís e a tantos outros aos quais o meu coração ardentemente me chama.

 

Votos de um Santo e Feliz Natal

Com amor e gratidão,

Neuza Francisco

Encontro de Natal LMC

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Porque onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí Eu estarei no meio deles” (Mateus 18,20).

Eram as palavras que ecoavam em mim, ao chegar ao encontro de Natal dos LMC, na casa dos MCCJ em Viseu, que decorreu no passado fim de semana de 14 a 16 de Dezembro. Assim nos sentíamos: poucos, mas reunidos em Seu nome e em comunhão com os que não estavam presentes pelos mais diversos motivos. Foi este também um encontro para dar graças: dar graças pela nossa união onde as distâncias são encurtadas pelo nosso desejo comum de ser missão, onde quer que estejamos, através da oração.

No sábado, e uma vez que estávamos reunidas diferentes gerações de LMC (com a presença da Milú, Graciete, Sandra, Carolina, Filipe e Mónica), tivemos um momento de apresentação, no qual cada um partilhou um pouco do seu caminho como LMC. E foi bom ter esta perspectiva mais ampla, uma visão de cima, do quanto temos caminhado como Movimento de LMC (justamente no momento em que em Roma se reúnem alguns LMC na Assembleia Geral para ultimar que passos dar nos próximos anos).

Após este momento de partilha, a Sandra conduziu-nos a um percurso de reflexão sobre o porquê de fazer o que fazemos, de viver o que vivemos… o porquê e o sentido de muitos Movimentos de Natal, alguns deles impostos pela sociedade.  E, neste contexto, partilhou connosco alguns excertos do livro de Joana Pedro "Até outro dia – Mpakha Nihiku Nikina”. Neste livro Joana testemunha aquele que foi um ano de Voluntariado Missionário Espiritano em Itoculo, no norte litoral de Moçambique. Do livro a Sandra partilhou os relatos da Joana sobre o que foi para ela o Natal em Itoculo, um Natal de “sem” muitas coisas, mas “com a presença do essencial”, este essencial que muitas vezes nós que “tudo temos”, nos esquecemos. Partilhou ainda os relatos da Joana sobre os imprevistos que vão surgindo na missão (vistos que não são aprovados, tempos que se alongam, etc.) e sobre a importância que teve para a Joana o contacto com outras pessoas em missão, entre as quais, a Sandra (sim… a Sandra e a Joana cruzaram-se em missão!!).

E deste percurso, fizemos uma ponte nosso percurso entre o estar em missão (lá fora) e a FEC. É na FEC (Fundação Fé e Cooperação) que acabamos por estabelecer contacto com outros carismas, pessoas que, quem sabe iremos encontrar em missão, e aqui também nasce a riqueza da missão: o saber que todos temos o ser missão presente nas nossas almas. Falou-nos de um Projeto que está a ser desenvolvido pela FEC – Projeto EaSY (Evaluate Soft Skills in International Youth Volunteering).

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Ao encontro foram chegando mais LMC e formandos, e assim, terminada esta viagem, tivemos um momento de oração: de dar graças e de recordar LMC em missão, a Assembleia Geral em Roma, as nossas famílias… e rezá-los. Após o jantar, um momento de convívio com a partilha de um presente que cada um de nós trouxe.

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Já no Domingo, dia de receber algumas famílias – a minha, a da Cristina, a da Marisa -, iniciámos o dia com oração. Depois, partilhei com os presentes aquela que tem sido a minha caminhada como LMC: o caminho de formação e discernimento, o que foi para mim o Curso de Missiologia em Madrid nestes últimos 3 meses e que expectativas tenho sobre Etiópia. Confesso que me foi difícil transmiti-lo… quando te sentes apaixonado pelos presentes que Deus te tem dado e com esta “alma a cantar de gozo”, torna-se difícil resumir o que te vai dentro. Sobretudo, queria agradecer, louvar este caminho que sinto que não poderá ficar-me dentro; terá este “grão de trigo que morrer na terra”. Partilho também convosco, que sobre a partida para a Etiópia, prefiro não criar expectativas… se não, “descalçar-me” e passear (ou pa’star, como diria a nossa Cristina Sousa, juntando duas palavras metaforicamente – para estar) pelo povo em primeira instância. Prefiro não levar ideias estruturadas de nós ocidentais; prefiro não levar nada. Em vez disso, que seja Deus a levar-me, a guiar-me. Na verdade, Ele já lá está, Ele vai ante mim.

Após o testemunho, seguiu-se a Eucaristia, e terminámos o nosso encontro, à mesa do Senhor, com um almoço convívio entre todos os presentes.

LMC Carolina Fiúza