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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Notícias da missão de Piquiá (Brasil)

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Hoje abrimos a caixa do correio e qual não foi a surpresa... Boas Novas da Missão em Piquiá (Brasil) onde se encontram os LMC Liliana Ferreira e Flávio Schmidt.
 
 
Bom dia amig@s, espero que se encontrem tod@s bem. 
Nós estamos bem e muito felizes, pois ontem foi um dia muito especial. O Piquiá de Baixo fez mais uma conquista: o contrato da segunda fase do projecto do reassentamento que possibilita o início da obra de construção do novo bairro foi assinado. A alegria deste momento foi contagiante e entre sorrisos, abraços e lágrimas a esperança foi reavivada!
Dia 17 de setembro ficará marcado em muitos corações como um dia onde um sonho fica mais próximo de se tornar real. A caminhada ainda é grande, mas o povo seguirá lutando pelos seus direitos! 
 
Uma data muito simbólica para nós, por ter coincidido com o dia em que lembramos Dom Franco  Masserdotti, missionário comboniano que trabalhou em Balsas, cidade do sul do Estado do Maranhão. O seu testemunho de vida foi marcado pela defesa dos direitos humanos e dos povos indígenas e pela defesa da família e da justiça social.  Ele insistia que, para além de dar um peixe e de ensinar a pescar, é necessário "limpar o rio" contaminado pela injustiça social. 
 
Agradecemos as vossas orações e sigamos juntos,
 
LMC's Liliana e Flávio
 
 
 
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Regresso da Maria Augusta a Bangui

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Recém-chegada a Bangui, depois de ter estado em Portugal de férias, a LMC Maria Augusta escreve-nos sempre com a sua autenticidade.

 
Bom dia a todos! Graças a Deus cheguei bem. Encontrei o padre Fratelli, comboniano italiano, em Casablanca, já no avião. 
Com as malas não correu bem... uma delas não chegou, mas não foi só a minha! Uma do padre também não chegou e isso aconteceu a muitas outras pessoas. Fomos reclamar e, em principio, tê-las-emos no sábado de manhã.
Quando cheguei aqui soube que o padre Zé Carlos tinha morrido. Estou contente de o ter visitado!  Ele estava a sofrer muito pois tinha dois cancros...Que o Senhor tenha a sua alma em Paz!
Agradeço, a todas as pessoas com quem contatei nas paróquias, o bom acolhimento que me fizeram. Que o Senhor vos recompense por tudo o que vós fazeis, pelos missionários (as orações e a partilha do que tendes) e vos conceda sempre a Sua graça. Obrigada a todos pela vossa generosidade!
Unidos pela oração.
Um grande abraço para todos.
 
Maria Augusta
 
PS: Acabei de chegar do aeroporto, graças a Deus correu tudo bem. Deixaram-nos sair sem abrir as malas. Vinham plastificadas para estarem bem protegidas.
Estava tudo como foi arrumado, pelo que agradeço ao Senhor. Tudo o que lá tinha nos faz falta!
Ainda ficarei em Bangui até segunda.
 
Um grande abraço e beijinhos para todos 
Maria Augusta

Ver, sentir, escutar, tocar, experimentar e anunciar - o anúncio da Boa Nova pela nossa Cristina Sousa

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Olá amigos. :) Espero que todos se encontrem bem!

Estou em Bangui, cidade de soldados e militares, onde o bem e o mal se misturam.
A visita à capital é sempre uma aventura, que começa na saída e termina à chegada de Mongoumba.
Na turbulência da procura do marche (mercado) mais barato, das visitas ao hospital para ver os meninos que connosco vieram - um para operar a uma hérnia inguinal, outro mal nutrido -, um momento me fez parar para refletir sobre o que os meus olhos realmente veem... ou talvez não!
Enquanto uns faziam as compras, outros, neste caso eu, fiquei no carro a tomar conta (sim, porque se assim não é, roubam nos tudo que compramos).
No rodopio das pessoas que passam, um menino orienta um velhinho cego em direção à janela do nosso carro, ele faz-me um sinal com a mão para lhe dar dinheiro. Não resisto e dou um embrulhinho de moedas pequenas que transportamos sempre no cinzeiro do carro! Após um singila (obrigada), eles se afastam... Passados nem uns cinco minutos o mesmo menino logo reaparece com outro velhinho também este cego!! 
Nesse momento penso Se dou alguma coisa, ele volta com outro velhinho..!! Questiono de que forma o embrulhinho das moedas em algo se parece com o anúncio da Boa Nova que me trás aqui!!?? Lá diz o provérbio "mais cego é quem vê e não quer ver!" 
Na verdade isto fez-me refletir na forma que devemos ver, sentir, escutar, tocar, experimentar e anunciar...!! 
(Se outra oportunidade tiver, concerteza não vai faltar, vou-lhe dar um abraço e dizer que sou do país do Cristiano Ronaldo)... todos me conhecem assim!!! Inclusive chamam-me "Cristiano". (LOL) Tenho certeza que um sorriso vou ganhar..!! 

Beijinhos a todos
PS: Desculpem a minha escrita, mas escrever e-mail por telemóvel é difícil..!!

Grande xicoração em Jesus 
Gosto muito de vocês.... 💜

Cristina LMC, Portugal 
Mongoumba 

Um ano de missão em Moçambique

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Faz um ano que cheguei à Missão de Carapira, no norte de Moçambique. Mas, às vezes, muitas vezes, parece que acabo de chegar e que estou ainda a dar os primeiros passos, como se estivesse a começar.  Há momentos em que sinto que a viagem entre Portugal e Moçambique não foi a maior viagem que fiz, apesar do número de quilómetros geográficos sugerir o contrário. As grandes e maiores viagens são aquelas em que tenho de transitar entre a minha mente e o meu coração; de sair de mim e me colocar no lugar de quem está mesmo ao meu lado e, por vezes, me parece tão distante. A verdade é que a missão não é um lugar físico. É antes um lugar impossível de circunscrever e que pede esta atitude permanente de humildade, de audácia, de vontade.

A missão é também uma escola de amor, um lugar onde se aprende ou reaprende a amar. Aqui tenho conhecido bastantes missionários e voluntários. Pessoas que vêm com o desejo de fazer o bem, e que descobrem progressivamente a sua vulnerabilidade. A experiência mais forte que podemos fazer passa por amarmos e sentirmo-nos amados. Mas quando tudo em redor parece estranho, esta aprendizagem torna-se fatigante. Porque aprender a amar significa aprender a acolher o que eu sou, com os meus desejos, a minha fé, mas também com as minhas dificuldades, as minhas compulsões, a minha necessidade de ter razão. Ora, nos encontros e na vida quotidiana, depressa se descobre a fragilidade de que somos tecidos. Todavia, tenho para mim que, na medida em que a descobrimos, talvez sejamos capazes de olhar para a vulnerabilidade de Jesus e de amá-Lo.

É ainda uma escola onde se aprende que a proporção das coisas é distinta. Mas não se aprende a medi-las (muito menos a paciência). O espaço é vasto, e sem grande desgaste perdemos o horizonte de vista.

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O tempo dilata-se no próprio tempo. Tudo, mas mesmo tudo, acontece num ritmo bastante singular, a suave (suavíssimo) compasso. Então, o tempo chega sempre para tudo o que queremos, realmente, fazer, porque a lentidão ensina a evadir ao quadriculado e supera o que seria somente funcional e útil.

Porém, é nestes campos que germinam experiências autênticas. Não é preciso consultar boletins meteorológicos. Não se abre o GPS para simular quanto tempo demora uma viagem daqui para ali, até porque o “daqui-para-ali” é de uma imensidão tão grande que não foi ainda captado e decifrado por mapas de satélite – metemo-nos dentro do carro e seja como Deus quiser. Se o número de buracos for razoável, e o carro não avariar, chegamos mais depressa.

E se é verdade que Moçambique tem lugares deslumbrantes, é também verdade que aqueles que existem dentro das pessoas são os mais incríveis e preciosos. Tenho tido a delícia de conhecer pessoas que me ensinam muito. Pessoas simples e capazes de manter uma atitude de confiança mesmo na escassez, na pobreza. Que olham para o dia de amanhã com a esperança de que tudo correrá bem, Inshallah [se Deus quiser, como é costume ouvir-se]. Às vezes pergunto-me: confiança, em quê? Confiança, porquê? Confiança. Confiança na vida. São pessoas que me ensinam sobre a fé. Confiantes na proteção de Deus e muito gratas. Dotadas de um lastro de confiança que me convida a olhar para a vida com mais serenidade.

É uma escola onde se aprende também a olhar nos olhos de quem nos repara. Porque, na verdade, é quando reparamos que começamos a ver. Muitas vezes, quando olho à minha volta, posso sentir que não estou preparada para ver tudo o que encontro. Mas até nisso e para isso, Deus me tem capacitado.

Aprende-se também a ver Deus nas coisas pequeninas. Lembro-me muito bem de que, antes de vir para aqui, me tinha proposto a escrever mais: tinha ideia de fazer um diário de bordo ou, pelo menos, registar com mais regularidade as coisas que iriam acontecendo, como me sentia, ... Enfim, de partilhar sobre a missão de maneira a sentirmo-nos, também, mais próximos (a sentir que “estamos juntos”, como aqui se diz). Muitas vezes pergunto-me: mas vou escrever sobre o quê? É muito mais fácil fazê-lo sobre as coisas extraordinárias.   Está claro que não tenho cumprido a intenção à qual me lancei. Porque, de algum modo, quando me propus a tal, talvez tivesse ingenuamente concebido que na missão haveria um cento de coisas extraordinárias para contar. E, na verdade, a missão faz-se de momentos e dias comuns. Os instantes extraordinários podem ser mais coloridos e melódicos, mas são os vulgares que melhor contornam e sedimentam a nossa vida.  São esses mesmos, os momentos simples e ordinários, aqueles que encontramos no serviço e na relação com as pessoas que enchem de sentido e tornam a missão especial, sem precisar que venham os dias extraordinários pedir entrega e doação.

A missão é a cada dia um mapa por decifrar e por conhecer. Por isso, a cada momento sinto-me a começar um tempo novo, não o do calendário, mas o da oportunidade da vida e o da salvação que pode acontecer sempre que Deus nos visita nas coisas mais pequeninas e aparentemente insignificantes.

Cheguei a Moçambique há um ano. Mas continuo a começar e a caminhar para o Senhor das bênçãos a cada dia.

  

LMC Marisa Almeida

Jornal Astrolábio - A Maria Augusta já está entre nós

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A Leiga Missionária Comboniana Maria Augusta Pires já está em Janeiro de Baixo, para passar algum tempo do Verão entre nós, à semelhança do ano passado, para depois regressar à Missão de Mongoumba. Mas, antes de chegar, enviou uma mensagem que nos faz bem ler: Cheguei ontem à tarde a Bangui, para amanhã prosseguir viagem até aí. Dou muitas graças a Maria e a seu Filho Jesus, que estiveram ao meu lado, cada dia, nas alegrias e nas tristezas, sobretudo nos momentos de maiores dificuldades.

Bem hajas a toda a minha família, a todos os que oraram por mim e por todos os missionários que trabalham comigo. Muito obrigada! Peço muito ao Senhor pela Paz neste nosso país e também pelos outros países, que tanto a anseiam também! Que Nossa Senhora de Fátima interceda por todos afim de terminarem as guerras. O Senhor toque os corações daqueles que atacam os inocentes, que destroem tudo o que aparece à sua frente.

No Domingo [1 de Julho], celebrámos a festa do 50º aniversário da Paróquia de S. George de Mongoumba, e foram realizados 249 crismas. Graças a Deus que eram dois bispos: Monsenhor Rhino, nosso Bispo (Bispo de Mbaiki); e Monsenhor Jesus [Bispo auxiliar de Bangasso, e que, antes, foi padre em Mongoumba]. Estava a Igreja repleta de gente e fora dela quase que havia outras tantas pessoas. Foi uma celebração muito longa (quase 6 horas) mas vivida com muita alegria e entusiasmo. Os fiéis não saíram da Igreja sem terminar. Estiveram presentes representantes de todas as autoridades e também das diferentes igrejas cristãs. No final da Santa Missa, D. Rhino falou sobre a morte do enfermeiro acusado de "likundu" [feitiçaria] e leu os artigos da constituição que defendem a Vida. Espero que as autoridades e todos os cristãos, tenham ouvido e guardado dentro dos seus corações as suas palavras para que vivamos todos como irmãos, verdadeiros filhos de Deus. Os crismados de Mongoumba percorreram os bairros da vila, cantando cânticos, e à noitinha vieram à igreja rezar e cantar em Acção de Graças por este dia. Peço ao Senhor que os ajude a todos a serem anunciadores do Evangelho, a seguirem Jesus fielmente e a não se deixaram enganar pelas "seitas", que existem muito aqui.

O ano escolar terminou no dia 27 com a proclamação dos resultados. Graças a Deus, este ano foram um pouquinho melhores que no ano passado. A Cristina começou a ir visitar os acampamentos pigmeus, acompanhada pelo senhor Bob, a fim de fazerem animação (prevenção de doenças, higiene ...) e tratarem aqueles que estão doentes e tardam a ir ao hospital. Muitas vezes, só vão ao hospital quando já estão muito mal e alguns acabam por falecer. A Ana voltou de férias no dia 8 de Junho bem animada, cheia de força para continuar a Missão. O Simone e o Padre Samuel estão bem, mas o Padre Fernando veio ontem e tem malária resistente... Ficará na paróquia de Fátima até Agosto, mês em que irá de férias. Que o Senhor o ajude!

Partirei amanhã e chegarei a Lisboa quinta-feira [5 de Julho] pelas 15h35. Sempre unidos pela oração.

Um abraço para todos da LMC Maria Augusta

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 124 – 22 de Julho de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Conto Africano

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Numa tarde de Verão, depois dos cantos e danças, todos se sentaram em redor do chefe da tribo. Ele fixou o olhar num dos seus guerreiros e começou a falar-lhes assim:

— Se alguém fizer mal ao teu irmão e tu quiseres vingar-te matando-o, faz o seguinte: senta-te, enche o cachimbo e fuma. Compreenderás então que a morte é um castigo desproporcionado e resolverás dar-lhe apenas uma boa sova. Antes, porém, enche novamente o teu cachimbo e fuma até o esvaziares. Convencer-te-ás que, em vez da sova, bastaria uma boa repreensão. Se, entretanto, encheres o cachimbo pela terceira vez e ficares a reflectir até o esvaziares, ficarás persuadido que é melhor ir ao encontro do inimigo e abraçá-lo.

 

- in o Astrolábio

ANO V – Nº 120 – 13 de Maio de 2018

Paróquias de Cabril, Dornelas do Zêzere, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual

Notícias da LMC Maria Augusta vindas da RCA

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Faço votos para que todos os leigos e leigas se encontrem bem e que tudo esteja a correr na normalidade. Nós, comunidade Apostólica, estamos bem, graças a Deus.

Cá estamos de novo em Bangui, desta vez para trazer um rapazinho que tem um problema na coluna, devido a uma tuberculose óssea,” chamada “Mal de Pott”, a fim de ser operado em Dakar, pelo dr- Omnimus, o médico francês  ortopedista, que costuma vir operar  a Mongoumba. Partirá, acompanhado pelo seu pai, no dia 12, amanhã. Iremos acompanhá-los ao avião pelas 5 da manhã. Damos muitas graças ao Senhor por estarmos aqui a acompanhar o Gervelais e o pai.

Esta foi uma viagem com muitas incertezas. Tínhamos programado viajar na quinta-feira a fim de podermos fazer as compras e depois voltarmos para Mongoumba no dia 13, mas o batelão avariou na terça-feira e só recomeçou a trabalhar na sexta à tarde. Chegámos a pensar que seria necessário vir algum missionário de Bangui para transportar e conduzir Gervelais e seu pai ao aeroporto. Ontem, estando no batelão, houve um momento em que tivemos dúvidas se poderíamos continuar viagem porque um camião não conseguiu sair, foi preciso ser rebocado por um camião bem carregado. Como diz o ditado “o homem propõe e Deus dispõe”. O Senhor faz tudo bem feito! É Ele que sabe o que é melhor para nós. Rezo a Maria que interceda pelo Gervelais e peço para ele orações para que possa recuperar a saúde, que possa ficar bem!

A Belvia foi operada, tiraram-lhe todo o peito. Ainda não se sabem os resultados das análises feitas a esses tecidos. Espero que não seja cancro… Ela, agora sente-se melhor, já terminou os tratamentos e agora toma alguns medicamentos. Está muito contente, estava a sofrer muito… que o Senhor a ajude.

A Ana partiu para a Polónia e, em princípio, voltará em Maio. Que o Senhor a recompense com umas boas férias.

A Cristina está bem e animada. Ela começou o sango. Já saúda toda a gente na língua local e as pessoas ficam muito contentes. Está já enamorada pela missão! Deus permita que seja até ao fim do tempo que estiver a servir a missão!

No próximo mês a nossa paróquia vai festejar o 50º aniversário da sua criação, vamos fazer uma grande festa, se Deus quiser.

Estamos sempre unidos pela oração.

Um abraço missionário de toda a comunidade, para todos vós.

LMC Maria Augusta

 

Notícias da LMC Cristina Sousa vindas da RCA

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Olá queridos amigos !

Espero que se encontrem todos bem.
Faz dois meses que cheguei RCA, ainda não desfiz a mala mas o meu coração está completamente rendido por Mongoumba.
As emoções aqui são de uma intensidade que nos transcendem.
Nos momentos que penso "vou embora" sinto que a minha vida ganha raiz aqui!
Não é fácil gerir o desconhecido, não é fácil aceitar o diferente, não é fácil controlar a impotência a revolta... Mas é na dificuldade que deixamos de ser cegos, surdos, mudos...
O processo de adptação tem sido "yeke, yeke"* (como se diz em sango), faço desta expressão "palavra de ordem" no meu pensamento.
Num só dia o meu coração bate de várias maneiras, de manhã choro, à tarde riu e à noite , talvez as duas coisas.
 

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Já comecei as aulas de sango. O Simone diz que o prof. monsieur Dominique já começou a falar muito bem o português. Apesar de tudo isto, tenho um segredo a revelar: estou completamente apaixonada por cinco pequenos pigmeus - Paul, Dimanche, Albert, Pauline e François. Ao virem para a escola tomam o pequeno-almoço e almoçam em nossa casa. São o meu balão de oxigénio, onde respiro e alimento o meu corpo e alma. Brincamos, rezamos e conversamos (É verdade! Conversamos.). Já me perguntaram como nós comunicamos! Gosto muito quando passo a ser objeto de estudo. Sou investigada ao pormenor: mãos, veias, marca do elástico no braço, fazem autênticas reuniões à volta da minha cabeça e o meu cabelo é assunto de muita discussão. Pauline neste último dia descobriu um buraco na minha barriga - o meu umbigo. Tem sido grande tema de conversa! (hehehe)

Como não me apaixonar??!!

Assim termino, desejando a todos uma boa Páscoa.
Que a Quaresma seja um momento de grande reflexão e conversão, mas principalmente de acção "humanitária" e que esta accão seja o reflexo das nossas orações.

Beijinhos de todos nós na RCA.
Que Jesus nos proteja e Ilumine a todos, em particular aos meninos da RCA que são os verdadeiros diamantes de África.
 
LMC Cristina Sousa
 
* yeke, yeke - "devagar, devagarinho"

Notícias da República Centro-Africana

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Todos os membros da comunidade apostólica estamos bem, graças a Deus. Já há muito que não comunico convosco, porque, como as estradas estão muito más, evito vir a Bangui. Hoje a viagem, com as paragens que se fazem, durou 8 horas. Tornam-se muito cansativas... Hoje, chegou uma nova LMC [Leiga Missionária Comboniana], é a Cristina que vem de Gueifães. Ela irá estudar um pouco mais o francês e, de seguida, o sango [dialecto local]. Peço ao Senhor para que ela se adapte bem e aprenda depressa o sango, para depois ir servir este nosso povo, principalmente os mais desfavorecidos que são os pigmeus. Trouxemos connosco uma rapariga de 17 anos que desde 2016 lhe começou a crescer o peito direito. Veio fazer exames mas não lhe fizeram mais nada, agora parece uma bola de futebol... No domingo começou com dores no outro e como vieram pedir ajuda, acompanhou-nos. Em princípio vão tirar-lhe todo o peito, espero que seja um fibroma e não seja canceroso, que possa ficar bem!

A Ordenação Episcopal do Padre Jesus decorreu muito bem! De Mongoumba vieram 80 pessoas e de Espanha chegaram os dois irmãos, a cunhada, dois sobrinhos e quatro amigos. Dos familiares mais próximos só faltaram os pais, porque já têm 86 anos, irão festejar o 63º aniversário de casamento no mês de Fevereiro e será o filho a celebrar a missa de Acção de Graças. Foi uma festa inesquecível! Passada uma semana foi a festa de Acção de Graças em Mongoumba. A igreja estava repleta de gente e havia muitas pessoas fora dela.

A preparar a vinda de Jesus, fizemos a novena de Natal, tendo tido uma boa participação dos fiéis.

No início de Janeiro, tivemos umas noites bem frescas, chegou aos 10 graus, que é muito frio para as pessoas, que não têm casas bem protegidas nem agasalhos para se cobrirem. Eu nunca tinha sentido aqui temperaturas tão baixas...

Sempre unidos pela oração.

Um grande abraço de amizade para todos da LMC Maria Augusta

Notícias da Missão de República Centro-Africana

1.pngEspero que tudo vos esteja a correr bem e a todas as pessoas que me conhecem. Eu e todos os membros da C. A. (comunidade apostólica) estamos bem, graças a Deus.

Estou em Mbaiki a participar no retiro com os combonianos, estou a achar muito bom. Espero que venha a dar bons frutos! Que o Senhor nos ajude a segui-Lo cada vez melhor, com o coração e não só com a cabeça, a sermos-Lhe fiéis, e a nunca perdermos a confiança n´Ele porque Ele é sempre fiel e está sempre ao nosso lado. Na doença e nas dificuldades não devemos duvidar da Sua presença, porque aí Ele nos dá a Sua mão e, muitas vezes nos transporta, quando já estamos a desanimar.

Estes primeiros tempos têm sido difíceis, as matrículas dos alunos, a escolha dos professores que é muito difícil, pois o nível de estudos é muito baixo. São pais professores que têm o 9º, 10º... não temos nenhum professor diplomado. Fazemos testes para os admitir mas os resultados são muito fracos e assim não dá para os colocar diante de uma classe, é preciso saber um certo mínimo. Para além disso as classes têm cerca de 50 alunos o que dificulta mais o ensino. Dou graças a Deus que estão já todas as classes a trabalhar. Que o Senhor ajude os professores e os alunos a conseguirem boas aprendizagens é Ele que faz caminhar, avançar o trabalho na Missão. Nós somos simples servidores.

Domingo será a ordenação episcopal do Padre Jesus, em Bangui. Não se esqueçam de rezar por nós e de também rezar muito por ele. Que a paz volte o mais rapidamente para Bangassou a diocese que lhe está confiada. Eu não me esqueço de rezar por todos, cada dia. Boas melhoras a todos aqueles que estão doentes, que o Senhor vos conceda força e serenidade...

Aqui tem chovido muito. As estradas estão péssimas com muitos buracos, são muito cansativas as viagens. Desde que cheguei só fiz a viagem para Mongoumba que foi grande as outras viagens foram de poucos quilómetros. Espero que já tenha chovido bem aí e que tenham terminado os fogos. Terça voltarei para Mongoumba se o Senhor o permitir.

Estamos sempre unidos pela oração. Um abraço Missionário do tamanho do Mundo!

Maria Augusta