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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Notícias da missão de RCA

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Caros amigos

Espero que todos estejam bem. Eu e todos os membros da comunidade apostólica estamos bem, graças a Deus.

O padre Fernando acaba de chegar da sua querida terra o México. Damos graças ao Senhor, que ele passou bem as suas férias e deixou toda a família de boa saúde e desejamos-lhe boa pastoral, neste ano.

Este ano começámos a escola só no dia 15 de Outubro, porque os alunos tardaram a inscrever-se. A escola pública começou uma semana mais tarde. Muitos alunos de lá vieram para a escola da missão, porque andam em classes avançadas, mas não sabem ler, nem escrever. Foram inscritos na primeira classe alunos com 10 e mais anos. Ficámos com as classes mais numerosas com uma média de 57 alunos, acho que não devemos ultrapassar o número de 50, mas assim é também mais fácil pagar aos professores. Tenho acompanhado muito a 1ª classe, para que os alunos aprendam a ler e escrever bem…

Esta semana, se Deus assim o quiser, eu e alguns elementos do grupo de jovens vamos começar a trabalhar com os alunos, que andam já há dois ou mais anos na escola e não lêem nem escrevem nada. Vai ser uma tarefa difícil, mas se eles tiverem força de vontade e com a ajuda de Deus vão conseguir aprender.

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No mês de Novembro chegou o Dr. Omnimus, ortopedista, para operar como no ano passado, mas não o pôde fazer em Mongoumba, porque não conseguiu encontrar um anestesista disponível para vir aqui. As doze crianças foram operadas em Bangui e, graças a Deus, estão todas bem. Foi também amputado o dedo médio a uma senhora que tinha um cancro na extremidade do mesmo, agora ela sente-se melhor, porque tinha muitas dores.

Está connosco uma médica reumatologista, reformada polaca, ela tem ajudado essas crianças, gosta de estar com as pessoas.

Partimos de Mongoumba às 9 horas, só chegámos às 18! Damos graças a Deus que chegámos bem, é isso que é importante! Voltaremos na segunda, se Deus quiser.

 Sempre unidos pela oração.

Desejo a todos e a vossas famílias UM SANTO NATAL E UM 2019 REPLETO DE PAZ, AMOR E A GRAÇA DE DEUS MENINO.

Um abraço missionário desde África, da amiga

Maria Augusta 

Uma parte de mim chamada Peru

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Penso muitas vezes no sentido das vidas que cruzam o meu caminho. Penso muitas vezes na condição em que nos conhecemos e no quanto a simplicidade nos aproxima.

Podia enumerar uma quantidade infindável de situações que já vivi aqui. Muitas delas ultrapassadas e outras que viverei para compreender.

São já muitas as vidas que são minhas, são já muitos os sorrisos que me pertencem e os abraços que não nego e me restabelecem as forças. Na sensibilidade de apenas estar, deixo-me horas sem fim entregue às conversas de soleira da porta. A missão para mim não tem tempo.

A nossa casa tem as portas abertas, portas que se abrem para receber as maiores alegrias dos que passam e acolher os sofrimentos daqueles que buscam em nós o seu refúgio. Buscam de ti a única coisa que tens para dar, tu próprio.

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É quando a noite cai que mais gosto de rever os meus dias e ainda que muitas vezes me entregue às lágrimas, estas são de contemplação das maravilhas que Deus opera em mim e através de mim, é impossível não ver, é impossível não dar graças a Deus por tudo. São muitas as vezes em que revejo vezes e vezes sem conta os pequenos milagres e sinais que me chegaram através destas pessoas que agora são minhas.

A missão é dura, mentiria se vos dissesse que não. A missão é árida, aqui, onde a paisagem é coberta pelas chapas do que resta das casas que com os fortes ventos que se fazem sentir quase desabam. É, em Agosto parte de trabalho de um ano se desfaz quando a natureza sopra tão forte que é impossível resistir. Sem medo eles arregaçam as mangas sem desistir e, ainda que seja escasso o que têm, nada é mais forte que a vontade de continuar.

Não minto, a missão é dura. Muitas vezes chega a ser cruel, chega a doer. Ver o sofrimento no olhar destes meus irmãos e ver a incapacidade face a tantos desafios pelos quais ultrapassam. São tantas as vezes em que me limito a escutar, a dar a mão, o ombro. São tantas as vezes em que sorrimos juntos em que partilhamos esse amor de Deus tão concreto e livre ao mesmo tempo. São tantos os abraços as mãos estendidas. São tantos os momentos de silêncio e entrega ao outro na mais simplicidade de te sentares no seu chão e seres um com eles.

A missão é dura, sim. Foi nesta dureza que encontrei o sentido mais profundo da minha presença em terras peruanas. Foi nesta terra árida que depositei os meus sonhos e a minha esperança. É neste pequeno pedaço de mundo que oro dia após dia pela integridade e os direitos de um ser semelhante a mim, criado por Deus. É um constante estar frágil e entregares-te na simplicidade e humildade daquele que nada tem. Assim desinteressadamente.

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A missão é dura, mas é esta a missão que sempre sonhei é este constante descobrir quem sou e o que faço aqui. É este saber que não sou nada e ver frequentemente os milagres acontecerem assim, naturalmente. Numa confiança que nos faz carne da mesma carne.

Aos poucos tudo vai encontrando o seu lugar, aos poucos tudo acontece simplesmente nos tempos não humanos mas celestiais.

Com amor e gratidão

Neuza Francisco

Através de vocês Deus faz-me acreditar ainda mais no amor!

DSC_0073.JPGSão muitas as manhãs em que desperto pronta a fazer diferente, pronta a dar de novo o melhor de mim, pronta a deixar-me guiar em mais um dia de descoberta.

Não nego a vontade que tenho dentro de mim de mudar o mundo, não posso dizer-vos que o que se passa aqui, me é indiferente mas, em cada nova caminhada em terras peruanas desperto em mim o desejo de Deus por um mundo com mais amor.

Não, não vim aqui para trazer-lhes a fórmula secreta para a felicidade ou dizer-lhes o secredo de uma vida sem sofrimentos, até porque a fórmula é uma vida com Deus. Vim, anunciar-lhes que o amor é possível na luta diária pelas suas sobrevivências e nas sucessivas histórias de superação, que o sofrimento faz parte do caminho mas que Deus nos chama a ser felizes. Vim para partilhar convosco o que sou e pouco que sei de Deus. Vim para ser convosco. E se alguma dúvida houvesse eu aprendo convosco todos os dias que esse amor pouco a pouco transforma o nosso coração, dá vida às nossas vidas.

É nas visitas à Melchora e ao Policarpo que encontro um Cristo que espera sempre a nossa chegada, é na Maria que vejo um Deus que nos envia aos mais frágeis e abandonados, é no Leonardo que vejo o quanto Deus ama, atravessando os mundos humanamente construídos, ama a diferença de cada um de nós e está nessa mesma capacidade de sermos diferentes, de sermos nós. É na Soledade que vejo diariamente um testemunho de vida de serviço e entrega aos outros. É na Raquel que vejo um verdadeiro testemunho de Maria, mãe que apesar dos obstáculos duros leva a vida adiante só com os seus quatro filhos. No Juan encontro um Deus que espera o teu abraço e o teu sorriso, na alegria do anúncio do Evangelho com a vida, um Deus que te envia a ser vida na vida dos outros. Na Janet encontro a força no constante cuidar a família com amor. E é no olhar de esperança da pequena Ariana que encontro o sentido da minha presença aqui.

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É nos abraços que dou e recebo que todos os dias sinto os braços de Deus que me incentivam a levar dia após dia o Seu olhar misericordioso ao sofrimento dos meus irmãos e plantar neles a esperança não de um caminho sem dor, mas de uma presença que está, e se faz presente, em cada momento das nossas vidas juntos.

Estes são para mim os pequenos milagres da vida. Aqueles que nem sempre com a rotina dos dias conseguimos ver ou sentir. Sinto no silêncio das noites a presença misteriosa de Deus numa cultura que desconhece o amor como expressão bélica do dicionário mas que todos os dias são testemunho vivo de um amor que se doa e vive gota a gota.

E, no levar a vida em conjunto convosco encontro o sentido da minha missão. O sentido da partilha da vida e do querer em cada dia crescermos juntos num amor que não vive para ser falado mas para dar testemunho no serviço e entrega ao outro, no desafio de sermos nós e nos deixarmos moldar pela presença do outro.

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E, muitas vezes sem dizer uma palavra, ser parte da construção de um mundo melhor, de um mundo com mais amor possível e concretizável de dentro para fora.

Vocês são a prova viva de que o amor é possível e capaz, em nós e através de nós.
Com amor e gratidão
Neuza Francisco

A beleza da missão imperfeita

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“A grandeza da missão não está em nós, mas n’Aquele que nos envia”

(Pe. Ivo)

 

Um ano de missão. Quanto tempo cabe neste tempo? Quantas vidas couberam nas nossas vidas? Quantos braços couberam nos nossos braços? Quanta vida demos. Quanta vida recebemos. Deixamos de planear a vida para permitir que a vida nos planeasse, para deixar que Deus nos tocasse e as pessoas nos encontrassem. Deixamo-nos encontrar tal e como somos nas nossas feridas, cicatrizes e imperfeições. Assim somos, assim nos entregámos à missão juntas e imperfeitas. Caminhámos certas que “todos estamos feridos, é por aí que entra a luz” não quisemos nunca ser perfeitas. Pelo contrário deixámos que Deus tocasse na nossa imperfeição e dela fizesse caminho até aos irmãos, agora amigos e vizinhos. Agora a nossa família.

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A beleza de uma missão imperfeita está em nós, reside em nós. A beleza não está no momento instantâneo em que te apercebes que a tua missão és tu mesmo e a tua vida mas sim, na capacidade de fazer caminho contigo e pouco a pouco sem medo e deixando que as tuas feridas, cicatrizes ou fragilidades transpareçam como algo que também constitui o teu ser, algo que faz parte. A missão é assim, um caminho a um, contigo mesmo, a dois, porque tu sabes que foste escolhido por um amor maior, a três tu Deus e o outro, na certeza de que o outro existe para fazer caminho contigo.

Permites-te ser, permites conhecer um pouco mais de ti e deixares-te descascar pouco a pouco, e chegar ao outro sempre pronto a caminhar com ele. E, neste seres tu frágil de mão dada com Deus, chegas ao outro e outro chega-te da forma mais imperfeita e completa. É neste caminho a três que encontramos os outros, os irmãos. Os que agora são a nossa casa e caminham connosco. São eles que de forma imperfeita nos completam, aumentam e acrescentam. É o ser imperfeitos que nos faz encontrar os outros caminhando e crescendo com cada pessoa que cruza o nosso caminho. Desta maneira, missão não é somente ensinar ou aprender mas caminhar e crescer juntos sabendo que a imperfeição das partes forma a perfeição do todo. Assim é a lógica de Deus que nos fez de tal maneira que necessitássemos do outro para amar, ser, viver e ser feliz.

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LMC Paula e Neuza

Uma mensagem do Pedro Nascimento para os seus amigos

43950203_1138699312948356_854667323326332928_n.jpgQuantas não são as preces que já se elevam ao mais alto dos céus, intercedendo pelo LMC Pedro Nascimento que no passado fim de semana foi enviado rumo à missão em Etiópia?! Pois foi com grande alegria que celebrámos em comunhão com ele e com a paróquia que desde cedo o acompanhou no crescimento na fé cristã - paróquia do Ervedal (Alentejo).

No fim da Eucaristia de envio, o Pedro discursou orante as seguintes palavras que hoje partilhamos:

Queridos amigos e amigas,

Hoje, de um modo especial, uma palavra inunda o meu coração: obrigado!

Obrigado a Deus pelo grande amor que me tem, pelo Seu perdão constante e pela Sua grande paciência para com as minhas fragilidades!

Obrigado à minha família simplesmente pelo que são para mim, pelo que fizeram de mim, por tanto amor recebido! Diz-nos Saint Exupéry: “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a tornou tão importante para ti”. Foi o tempo que me dedicaram que vos torna tão importantes para mim. Peço ao Senhor que vos fortaleça e rogo à Mãe do Céu que vos acolha no seu regaço, vos proteja e vos dê a paz de coração! Não estão sós, nem eu irei só. Acompanhar-nos-á o Senhor e o Seu Amor, acompanhar-nos-á o amor que me têm e o amor que vos tenho. Nunca tenham medo. Como nos dizia São Daniel Comboni, “não podemos temer nunca quando temos uma mãe poderosa e amorosa que roga por nós”.

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Obrigado à minha paróquia, aqui representada pelo pároco, mestre e amigo, cónego Júlio Rodrigues. Foi nesta comunidade que recebi o Baptismo, a Eucaristia e a Confirmação. Foi aqui que fui catequizado, que dei os primeiros passos na fé, que aprendi os valores do Reino. Posso afirmar que a minha partida para a Etiópia é consequência desta comunidade, que me tornou filho de Deus, me ajudou a sentir-me Igreja e a viver em Igreja. Que São Barnabé acompanhe este seu filho, que o venera!

Estendo este agradecimento às comunidades de Figueira e Barros, Fronteira, Vale de Maceiras e Vale de Seda. Obrigado por tudo o que partilhámos e vivemos juntos, pelo que rezámos, pelas tantas vezes que louvámos o Senhor, pela amizade fraterna. Todos somos missão e a vossa presença aqui é uma presença missionária!

Obrigado Senhor Arcebispo, meu pastor, pela presença amiga. Obrigado por ser um bispo missionário, que desde o início convocou Évora para a missão. Consigo, também eu digo: “Não é a Igreja que faz a missão, é a missão que faz a Igreja”.

Obrigado queridos amigos. Cada um de vós é uma graça para mim, sois dons que Deus me tem dado. Obrigado pela vossa presença que é sinal de Amor e que tanto me enternece o coração. “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós; deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Obrigado à família comboniana por tudo o que tem feito por mim, por me ajudar a perceber a vocação de Deus na minha vida, por tudo o que me ajudou a viver, pelas experiências de fé fantásticas que me proporcionou. Que o Senhor nos ajude a viver a missão segundo o carisma de São Daniel Comboni, que possamos ser as mil vidas que Comboni queria dedicar à missão. Obrigado especial aos Leigos Missionários Combonianos, movimento ao qual pertenço e com o qual caminho na vivência da minha vocação laical, missionária e comboniana. Que o Senhor nos ajude a ser santos e capazes, tal como nos pedia Comboni. Queridos LMC, sendo fracos, é na graça de Deus que somos fortes, santos e capazes.

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Queridos amigos e amigas, a missão faz-se com os pés dos que partem, os joelhos dos que rezam, as mãos dos que repartem e com a generosidade das comunidades que enviam.

Para mim, o mais importante da missão é a oração e a leitura da Palavra de Deus. Sem oração não há missão. Por isso vos peço: rezem por mim! Rezem pela minha fragilidade, pela minha pequenez. Peçam ao Senhor que me acompanhe, me fortaleça e me ajude a amar com gestos e, se necessário com palavras, o povo para onde me envia, que eu saiba amar e tenha compaixão das pesssoas, que eu não tenha medo de me enlamear e de me ferir, por amor às pessoas que passarão a ser a minha comunidade. Agradeço a vossa generosidade!

Etiópia é o destino para onde Deus me envia. Sabem porque parto? Acredito e confio que essa seja a vontade de Deus para mim.

Às várias questões que me colocam: porque vais? Porquê agora? Não gostas do que fazes? Porque deixas a advocacia – curiosamente faz hoje 3 anos que fiz a minha agregação? A todas elas tenho uma só resposta: Sei em quem pus a minha confiança! A decisão que tomei é a resposta às várias inquietações que Deus colocou no meu coração. Depois de muito discernimento, de muita luta interior, de muitas dúvidas e medos, decidi abrir o meu coração e seguir a Sua vontade. Digo-lhE como o profeta Isaías: “eis-me aqui Senhor, envia-me!”. E porque sei em quem pus a minha confiança, também sei que, tal como aconteceu com os profetas de Emaús, o Senhor caminhará comigo a meu lado, será o meu Deus e eu serei o seu filho muito amado. Quando me perguntam se vou sozinho de Portugal, digo sempre que não! Se Deus está comigo, se eu sou templo do Espírito Santo, como poderei ir só?

Tenho consciência de que esta partida terá várias dificuldades: a língua, nova cultura, os medos, a saudade…. Mas, também nesta comunidade, tive exemplos fantásticos de amor, de entrega e de fidelidade na dificuldade que muito me ensinaram e prepararam para agora. Recordo-me, em especial, de um membro desta comunidade. Seu nome era Fausto. Um homem de uma fidelidade a Deus incrível. Apesar das dores, dos problemas de saúde, nunca deixou de participar na Eucaristia. Caiu muitas vezes ao chão no caminho, aleijou-se… Mas sempre foi fiel a Deus e sempre quis viver Deus. Nunca o ouvi queixar-se de dores e era impossível não as ter… Não havia um único dia em que não rezasse o terço. Não sabia ler nem escrever, mas sabia mais de Deus do que eu algum dia saberei… As suas dificuldades eram muitas, mas a sua fidelidade e amor a Deus eram maiores!

Por isso, peço ao Senhor que me ajude a ser fiel ao caminho que escolheu para mim pois, como dizia o Pe. Ivo Martins, missionário comboniano, “a grandeza da missão não está naquilo que fazemos mas naquEle que nos envia”.

LMC Pedro Nascimento

 

Nós te enviamos Pedro. Por ti e pela missão rezamos. 

 

Nós te enviamos Pedro Nascimento, rumo a Etiópia.

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E depois de um fim de semana em grande em Comunidade no Ervedal (Alentejo), paróquia que viu crescer o LMC Pedro Nascimento e que agora o envia, a nossa LMC Rufina partilha connosco a sua grande emoção.

 

Hoje o Alentejo, mais concretamente o Ervedal esteve em festa.

Já se adivinhava que fosse assim, contudo, superou e em muito as expectativas, o que também não é de estranhar, principalmente, quando encontras uma Igreja linda, primorosamente decorada, curiosamente, já a anunciar o Ano Missionário Extraordinário, e, cujo Pastor consegue, seguramente, como fruto do trabalho que, ao longo dos anos, vem desenvolvendo, congregar todas as paróquias que lhe estão confiadas a participarem de forma responsável e alegre no envio do querido Pedro Nascimento para a Etiópia.

O momento alto foi, sem dúvida a Eucaristia, presidida pelo Senhor Arcebispo D. Francisco Senra Coelho e concelebrada por outros sacerdotes convidados, nomeadamente, o P. Francisco Medeiros, Missionário Comboniano e da diocese de Viseu.

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Contou igualmente com a presença de dois Diáconos, familiares, amigos e vários elementos dos Leigos Missionários Combonianos (LMC), que, tal como o Pedro, fazem parte das "Mil Vidas para a Missão".

Seguiu-se um momento de convívio , praticamente, com todos, tendo sido servido um lauto almoço, à boa maneira alentejana e que nos deliciou.

Pedro, como LMC e alentejana não posso deixar de dar graças a Deus pelo teu envio neste Ano Missionário Extraordinário, na certeza de que será um momento de crescimento e de enriquecimento e que te permitirá desenvolver junto do povo etíope, uma missão a transbordar de amor, imbuída de carisma comboniano, e iluminada pelo sorriso que o Senhor amorosamente colocou na tua face e que adoçará essa alma alentejana que tão bem te caracteriza, nos momentos de dificuldades.

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Como diz o Papa Francisco "Missão é ir ao encontro do outro".

E, como referido na Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário “Todos, Tudo e Sempre em Missão".

Então, Vai, Amigo, Vai!

Estamos juntos! Boa Missão!

Bjs

Rufina (14-10-2018)

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Obrigada Rufina. Obrigada Pedro. Obrigada pela entrega de ambos. 

Notícias da missão de Piquiá (Brasil)

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Hoje abrimos a caixa do correio e qual não foi a surpresa... Boas Novas da Missão em Piquiá (Brasil) onde se encontram os LMC Liliana Ferreira e Flávio Schmidt.
 
 
Bom dia amig@s, espero que se encontrem tod@s bem. 
Nós estamos bem e muito felizes, pois ontem foi um dia muito especial. O Piquiá de Baixo fez mais uma conquista: o contrato da segunda fase do projecto do reassentamento que possibilita o início da obra de construção do novo bairro foi assinado. A alegria deste momento foi contagiante e entre sorrisos, abraços e lágrimas a esperança foi reavivada!
Dia 17 de setembro ficará marcado em muitos corações como um dia onde um sonho fica mais próximo de se tornar real. A caminhada ainda é grande, mas o povo seguirá lutando pelos seus direitos! 
 
Uma data muito simbólica para nós, por ter coincidido com o dia em que lembramos Dom Franco  Masserdotti, missionário comboniano que trabalhou em Balsas, cidade do sul do Estado do Maranhão. O seu testemunho de vida foi marcado pela defesa dos direitos humanos e dos povos indígenas e pela defesa da família e da justiça social.  Ele insistia que, para além de dar um peixe e de ensinar a pescar, é necessário "limpar o rio" contaminado pela injustiça social. 
 
Agradecemos as vossas orações e sigamos juntos,
 
LMC's Liliana e Flávio
 
 
 
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"Tudo posso n'Aquele que me dá força" (Fl 4, 13)

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Que bonita é aquela África de madeira que se encontra aos pés de Cristo. E quanto do olhar de São Daniel Comboni deixo que me penetre, deixo que me contemple. E quanto de mim entra naquele olhar. Recordo as palavras de alguém que um dia me disse "é impossível que aquele olhar não te penetre, não nos interpele". E confirmo-as a cada vez que enxergo esta imagem do nosso incansável São Daniel Comboni.

Esta é a imagem sobre o altar que contemplo na capela da casa dos MCCJ de Madrid (onde hoje me encontrarei até por volta das 16h, hora a que o LMC David me virá buscar para, juntos vivermos o fim de semana em Arenas de San Pedro, a cerca de 160 km daqui) na qual não resisto a entrada para um momento de estar com o Senhor. A Ele lhe peço pela missão. Não somente pela "minha" mas a de cada um. A dos que partem. A dos que ficam. É na partida que está o amor também. A partida, o deixar o que temos para ganharmos algo maior: a liberdade da entrega a Cristo.  E falar de partida não é somente a partida física. Mas também a partida de nós mesmos. O sair de ti próprio todos os dias. A cada momento. É isso que hoje continuo a procurar, mas que hoje se torna fisicamente mais "fazível". Parto da minha terra em busca da sabedoria e graça necessárias para que, de futuro, melhor possa colocar os meus dons a render. Assim nos próximos meses estarei em Madrid junto da família que escolhi, a família Comboniana, num curso de Missiologia (cujo programa desde cedo me deixou de coração ardente e de olhos brilhantes... confesso até que, arde em mim aquela ansiedade miudinha comum nas crianças nos dias antes de tornarem às aulas). É isso que hoje aqui, diante desta África aos pés de Cristo, também agradeço: a possibilidade de crescer mais em sabedoria e graça.

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Na certeza de que sou frágil mas que, no seio de uma comunidade que vive pelo e para o amor, me torno mais forte. Porque "tudo posso nAquele que me dá força" (Fl 4, 13).

"Tudo posso nAquele que me dá força" - repito. Ecoa isto em mim. Só com Ele e através dEle poderei ter esta capacidade de sair de mim, ir ao encontro do amor, ser livre na medida em que confio nEle e nas suas mãos, amar sem medida. "Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos". Hoje entendo tão bem isto... e rezo a Deus para que me capacite para a missão para a qual fui destinada. A mim e a todos quantos vêem comigo! A família. O namorado. Os amigos. As pessoas. Cada uma, à sua maneira, é parte desta missão e sinto-me responsável por trazê-las também comigo.

 

"Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas." (Antoine de Saint-Exupéry)

Assim é... Rezo por cada um, pela missão de cada um. Rezem por mim também, peço-vos. Obrigada do fundo do coração pela confiança... E mais do que em mim, em Deus. Tudo isto - e toda eu - só somos possíveis através dEle.

Tomai, Senhor, e recebei 
toda a minha liberdade
a minha memória
o meu entendimento 
e toda a minha vontade
tudo o que tenho e possuo
Vós mo destes; 
a Vós, Senhor, o restituo
Tudo é vosso
disponde de tudo, 
à vossa inteira vontade. 
Dai-me o vosso amor e graça
que esta me basta.

(Santo Inácio de Loyola)

Estamos juntos, sempre.

 

LMC Carolina Fiúza

Regresso da Maria Augusta a Bangui

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Recém-chegada a Bangui, depois de ter estado em Portugal de férias, a LMC Maria Augusta escreve-nos sempre com a sua autenticidade.

 
Bom dia a todos! Graças a Deus cheguei bem. Encontrei o padre Fratelli, comboniano italiano, em Casablanca, já no avião. 
Com as malas não correu bem... uma delas não chegou, mas não foi só a minha! Uma do padre também não chegou e isso aconteceu a muitas outras pessoas. Fomos reclamar e, em principio, tê-las-emos no sábado de manhã.
Quando cheguei aqui soube que o padre Zé Carlos tinha morrido. Estou contente de o ter visitado!  Ele estava a sofrer muito pois tinha dois cancros...Que o Senhor tenha a sua alma em Paz!
Agradeço, a todas as pessoas com quem contatei nas paróquias, o bom acolhimento que me fizeram. Que o Senhor vos recompense por tudo o que vós fazeis, pelos missionários (as orações e a partilha do que tendes) e vos conceda sempre a Sua graça. Obrigada a todos pela vossa generosidade!
Unidos pela oração.
Um grande abraço para todos.
 
Maria Augusta
 
PS: Acabei de chegar do aeroporto, graças a Deus correu tudo bem. Deixaram-nos sair sem abrir as malas. Vinham plastificadas para estarem bem protegidas.
Estava tudo como foi arrumado, pelo que agradeço ao Senhor. Tudo o que lá tinha nos faz falta!
Ainda ficarei em Bangui até segunda.
 
Um grande abraço e beijinhos para todos 
Maria Augusta

Um ano de missão em Moçambique

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Faz um ano que cheguei à Missão de Carapira, no norte de Moçambique. Mas, às vezes, muitas vezes, parece que acabo de chegar e que estou ainda a dar os primeiros passos, como se estivesse a começar.  Há momentos em que sinto que a viagem entre Portugal e Moçambique não foi a maior viagem que fiz, apesar do número de quilómetros geográficos sugerir o contrário. As grandes e maiores viagens são aquelas em que tenho de transitar entre a minha mente e o meu coração; de sair de mim e me colocar no lugar de quem está mesmo ao meu lado e, por vezes, me parece tão distante. A verdade é que a missão não é um lugar físico. É antes um lugar impossível de circunscrever e que pede esta atitude permanente de humildade, de audácia, de vontade.

A missão é também uma escola de amor, um lugar onde se aprende ou reaprende a amar. Aqui tenho conhecido bastantes missionários e voluntários. Pessoas que vêm com o desejo de fazer o bem, e que descobrem progressivamente a sua vulnerabilidade. A experiência mais forte que podemos fazer passa por amarmos e sentirmo-nos amados. Mas quando tudo em redor parece estranho, esta aprendizagem torna-se fatigante. Porque aprender a amar significa aprender a acolher o que eu sou, com os meus desejos, a minha fé, mas também com as minhas dificuldades, as minhas compulsões, a minha necessidade de ter razão. Ora, nos encontros e na vida quotidiana, depressa se descobre a fragilidade de que somos tecidos. Todavia, tenho para mim que, na medida em que a descobrimos, talvez sejamos capazes de olhar para a vulnerabilidade de Jesus e de amá-Lo.

É ainda uma escola onde se aprende que a proporção das coisas é distinta. Mas não se aprende a medi-las (muito menos a paciência). O espaço é vasto, e sem grande desgaste perdemos o horizonte de vista.

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O tempo dilata-se no próprio tempo. Tudo, mas mesmo tudo, acontece num ritmo bastante singular, a suave (suavíssimo) compasso. Então, o tempo chega sempre para tudo o que queremos, realmente, fazer, porque a lentidão ensina a evadir ao quadriculado e supera o que seria somente funcional e útil.

Porém, é nestes campos que germinam experiências autênticas. Não é preciso consultar boletins meteorológicos. Não se abre o GPS para simular quanto tempo demora uma viagem daqui para ali, até porque o “daqui-para-ali” é de uma imensidão tão grande que não foi ainda captado e decifrado por mapas de satélite – metemo-nos dentro do carro e seja como Deus quiser. Se o número de buracos for razoável, e o carro não avariar, chegamos mais depressa.

E se é verdade que Moçambique tem lugares deslumbrantes, é também verdade que aqueles que existem dentro das pessoas são os mais incríveis e preciosos. Tenho tido a delícia de conhecer pessoas que me ensinam muito. Pessoas simples e capazes de manter uma atitude de confiança mesmo na escassez, na pobreza. Que olham para o dia de amanhã com a esperança de que tudo correrá bem, Inshallah [se Deus quiser, como é costume ouvir-se]. Às vezes pergunto-me: confiança, em quê? Confiança, porquê? Confiança. Confiança na vida. São pessoas que me ensinam sobre a fé. Confiantes na proteção de Deus e muito gratas. Dotadas de um lastro de confiança que me convida a olhar para a vida com mais serenidade.

É uma escola onde se aprende também a olhar nos olhos de quem nos repara. Porque, na verdade, é quando reparamos que começamos a ver. Muitas vezes, quando olho à minha volta, posso sentir que não estou preparada para ver tudo o que encontro. Mas até nisso e para isso, Deus me tem capacitado.

Aprende-se também a ver Deus nas coisas pequeninas. Lembro-me muito bem de que, antes de vir para aqui, me tinha proposto a escrever mais: tinha ideia de fazer um diário de bordo ou, pelo menos, registar com mais regularidade as coisas que iriam acontecendo, como me sentia, ... Enfim, de partilhar sobre a missão de maneira a sentirmo-nos, também, mais próximos (a sentir que “estamos juntos”, como aqui se diz). Muitas vezes pergunto-me: mas vou escrever sobre o quê? É muito mais fácil fazê-lo sobre as coisas extraordinárias.   Está claro que não tenho cumprido a intenção à qual me lancei. Porque, de algum modo, quando me propus a tal, talvez tivesse ingenuamente concebido que na missão haveria um cento de coisas extraordinárias para contar. E, na verdade, a missão faz-se de momentos e dias comuns. Os instantes extraordinários podem ser mais coloridos e melódicos, mas são os vulgares que melhor contornam e sedimentam a nossa vida.  São esses mesmos, os momentos simples e ordinários, aqueles que encontramos no serviço e na relação com as pessoas que enchem de sentido e tornam a missão especial, sem precisar que venham os dias extraordinários pedir entrega e doação.

A missão é a cada dia um mapa por decifrar e por conhecer. Por isso, a cada momento sinto-me a começar um tempo novo, não o do calendário, mas o da oportunidade da vida e o da salvação que pode acontecer sempre que Deus nos visita nas coisas mais pequeninas e aparentemente insignificantes.

Cheguei a Moçambique há um ano. Mas continuo a começar e a caminhar para o Senhor das bênçãos a cada dia.

  

LMC Marisa Almeida