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Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Leigos Missionários Combonianos

Servindo a Missão ao estilo de S. Daniel Comboni

Retiro de Páscoa LMC

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Nos passados dias 6 e 7 de Abril tivemos em Viseu o retiro da Quaresma, orientado pelo Pe. José Vieira. Começámos a manhã a escutar uma música da Aline Barros, chamada Renova-me Senhor Jesus, para começarmos a entrar no espírito de retiro. Este momento de paragem, de criar espaços vazios para escutar Jesus e fazê-lo habitar o mais íntimo do nosso ser.

O momento da manhã teve por tema “a missão: santos e capazes”, como pede Comboni, e teve uma pequena introdução pelo Pe. José Vieira, como linhas orientadoras para um momento seguinte de reflexão e oração individual. Tivemos alguns pontos da Gaudete et exultate do Papa Francisco para nos ajudarem a ver a nossa missão em Cristo e que forma devemos ser santos e missionários em todas as componentes da nossa vida. “Sede Santos porque Deus é Santo”. Ganhar este entendimento, esta perceção no coração de uma vida unida a Deus, em que nos deixamos modular por Ele e assim caminhar para a Santidade.

Fizemos depois a via sacra guiados pelo Evangelho e por Daniel Comboni, que nos levou a reviver as últimas horas de Jesus, tendo presentes aqueles em quem Ele continua a sofrer hoje em Moçambique, Malawi, Sudão do Sul, República Centro-africana e em tantos outros lugares.

Durante a tarde refletimos sobre o tema “coração missionário”, novamente com uma pequena introdução do Pe. José Vieira antes da nossa reflexão e oração individual. Este tema surge porque o coração é o verdadeiro destinatário da missão. Assim, não podemos fugir ao nosso coração, daí ser muito importante percebermos o que o faz palpitar. Para nos ajudar na reflexão, pudemos meditar sobre vários pontos dos escritos de Comboni onde surge a palavra coração. É curioso sabermos que esta palavra surge mais de mil vezes nos escritos de Comboni, torna-se também um sinal da importância do coração na missão e no missionário. Foco aqui três citações que marcaram a minha reflexão:

- “Nós os quatro formamos um só coração, uma só alma. Cada um esforça-se por fazer bem aos outros.” – Escrito 1507 – Vejo-o neste sentido de comunidade, de união num só coração.

- “O coração de Jesus seja o nosso centro de comunicação” – Escrito 4764 – Vi este escrito muito ligada à reflexão da manhã, esta união com Jesus Cristo que se torna no nosso centro de comunicação uns para com os outros e que nos encaminha para a santidade.

- “Quando se tem a plena certeza de estar a fazer a vontade de Deus, todo o sacrifício, todas as cruzes e a própria morte são o mais doce conforto dos nossos corações.”- Escrito 3683 – Ressoa em mim a busca que tenho feito para encontrar esta vontade de Deus para mim, esta certeza plena do caminho a seguir. Levantou-me dúvidas e inquietações que pude rezar e entregar ao Senhor neste retiro.

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Ao final da tarde, tivemos a celebração penitencial, que nos ajudou a renovar os nossos corações arrependidos e a revermos aquilo que nos afasta de Deus e do seu Amor. À noite, fizemos uma Lectio Divina com adoração do Santíssimo, com base no Evangelho de Domingo, da mulher adúltera. Foi um momento de abrirmos os nossos corações plenamente perante Jesus Cristo ali presente e de meditarmos a palavra e aquilo que nos falava, a cada um, com as nossas vidas e as nossas dificuldades. Foi para mim uma partilha bonita e um encontro verdadeiro com Cristo.

Na manhã de domingo meditámos, com base na mensagem do Papa Francisco para esta Quaresma, sobre escutar o clamor dos pobres e o clamor da terra. Olhando para os problemas ambientais e olhar para esta quaresma numa forma de conversão plena, não só nas nossas ações para com os outros, mas também pelas nossas atitudes para com a obra da Criação “que se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19). E terminámos o nosso encontro com a Eucaristia, um momento de alegria e comunhão fraterna.

Para mim foi muito importante e muito bom poder viver este retiro. Ajudou-me a parar, a desacelerar e a quebrar as rotinas desta vida tão cheia de preocupações e trabalho. Ajudou-me a encontrar-me com Jesus Cristo, a olhar a sua cruz, a escutar o que fala ao meu coração. Ajudou-me a tranquilizar receios e dúvidas que tantas vezes agitam o meu coração, na certeza de que quando caminho com Ele, tudo faz sentido.

Ana Sousa

Notícias da LMC Cristina Sousa vindas da RCA

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Olá queridos amigos !

Espero que se encontrem todos bem.
Faz dois meses que cheguei RCA, ainda não desfiz a mala mas o meu coração está completamente rendido por Mongoumba.
As emoções aqui são de uma intensidade que nos transcendem.
Nos momentos que penso "vou embora" sinto que a minha vida ganha raiz aqui!
Não é fácil gerir o desconhecido, não é fácil aceitar o diferente, não é fácil controlar a impotência a revolta... Mas é na dificuldade que deixamos de ser cegos, surdos, mudos...
O processo de adptação tem sido "yeke, yeke"* (como se diz em sango), faço desta expressão "palavra de ordem" no meu pensamento.
Num só dia o meu coração bate de várias maneiras, de manhã choro, à tarde riu e à noite , talvez as duas coisas.
 

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Já comecei as aulas de sango. O Simone diz que o prof. monsieur Dominique já começou a falar muito bem o português. Apesar de tudo isto, tenho um segredo a revelar: estou completamente apaixonada por cinco pequenos pigmeus - Paul, Dimanche, Albert, Pauline e François. Ao virem para a escola tomam o pequeno-almoço e almoçam em nossa casa. São o meu balão de oxigénio, onde respiro e alimento o meu corpo e alma. Brincamos, rezamos e conversamos (É verdade! Conversamos.). Já me perguntaram como nós comunicamos! Gosto muito quando passo a ser objeto de estudo. Sou investigada ao pormenor: mãos, veias, marca do elástico no braço, fazem autênticas reuniões à volta da minha cabeça e o meu cabelo é assunto de muita discussão. Pauline neste último dia descobriu um buraco na minha barriga - o meu umbigo. Tem sido grande tema de conversa! (hehehe)

Como não me apaixonar??!!

Assim termino, desejando a todos uma boa Páscoa.
Que a Quaresma seja um momento de grande reflexão e conversão, mas principalmente de acção "humanitária" e que esta accão seja o reflexo das nossas orações.

Beijinhos de todos nós na RCA.
Que Jesus nos proteja e Ilumine a todos, em particular aos meninos da RCA que são os verdadeiros diamantes de África.
 
LMC Cristina Sousa
 
* yeke, yeke - "devagar, devagarinho"

Que Quaresma? Para quê?

Andei estes dias, a sós comigo mesma, a pensar no verdadeiro sentido da Quaresma.
Na verdade, esta questão, que parece já mais que esclarecida desde o tempo que andava na catequese, ganhou nova forma e nova dimensão este ano.
Perguntei-me se Quaresma seria apenas um tempo para rever e aprofundar a vida de Cristo desde o início da Sua “vida pública” até ao Calvário…
Após alguma reflexão, esta “definição” pareceu-me muito pouco satisfatória.
Perguntei-me, então, se não seria um tempo para fazer a chamada “penitência do corpo”, isto é, um tempo de sacrifício, onde nos abstemos de comer o que mais gostamos…
Achei que esta era uma “definição” interessante, do que é a Quaresma, no entanto, também não a considerei satisfatória.
As definições de Quaresma são muito claras e existem mesmo muitas (e boas) teorias de como viver o tempo de Quaresma. Mas… para quê? Que Quaresma devemos nós, Cristãos, viver?
Devemos ser meros “espectadores emocionados” da vida de Cristo…? Para quê?
Devemos “sacrificar” o corpo para nos tornarmos “exemplos de sacrifício explícito”…? Para quê?
Tentei então ver mais em pormenor a Quaresma de Cristo. Na verdade, Ele foi o protagonista da verdadeira Quaresma.
E… que fez Ele nesse tempo?
Durante esse tempo, Ele deu a vida lutando, pelas leis do Amor, pela igualdade, pela justiça e para que todos conhecessem o Pai.
E… para quê?
Para que todos tivessem Vida em abundância com a certeza do Amor do Pai.
Na verdade, Cristo passou a Sua Quaresma (a Sua vida), dando a vida para que, no fim desse “tempo quaresmal”, a vida vencesse para sempre a morte, para que a vida gerasse vida!
Neste tempo de Quaresma, penso que podemos seguir muitos ritos de penitência e purificação, mas, se tudo isso que fazemos não conduzir a uma “nova vida”, de nada nos servirá o sacrifício.
Se a nossa Quaresma não for vivida segundo as leis do Amor e da Justiça, dando quotidianamente testemunho do Pai, não lhe poderemos chamar Quaresma, porque este tempo não nos servirá para nada.
Viver a Quaresma como Cristão, não é (apenas) seguir alguns ritos, é vivê-la, em verdade, a exemplo de Cristo: é dar a vida todos os dias para que todos possam, no Amor do Pai, ter vida em abundância.


Susana Vilas Boas, LMC

«Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?»

 

 

 

 

 

«Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?»


Novo poema com sabor a oração para este Domingo de Ramos e da Paixão do Senho:

"É também a esta pergunta
Que temos, hoje, de responder:
«Queres que Jesus, através de ti,
Possa continuar a viver?»
«Queres libertar-te das amarras
que te prendem a atenção?»
«Queres mostrar, no teu dia a dia,
Que és um verdadeiro Cristão?»
A pergunta persiste na nossa vida:
«O que fazer com Jesus?
Deixá-Lo fazer parte de nós
Ou condená-Lo, de novo, à Cruz?»!"

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TEMPO DE QUARESMA

Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Com início na quarta-feira de Cinzas e término na quarta-feira da Semana Santa, o tempo da Quaresma é uma dessas ofertas. Estamos falando de um período de quarenta dias que antecede a Páscoa, festa maior do cristianismo: a Ressurreição de Cristo. Pela reflexão somos convidados a confrontar as nossas vidas com a mensagem cristã contida nos Evangelhos, visando o crescimento em todos os sentidos. Ao usufruir das riquezas que a Quaresma oferece, o cristão é conduzido à prática dos princípios essenciais de sua fé, com o objetivo de melhorar a sua vida e o ambiente ao seu redor. Podemos dizer que simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo.
O que devemos fazer neste tempo de Quaresma? A Igreja propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de Cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus: "O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo..." (Mc 1, 15). Ele se manifesta nos sinais de justiça, paz e amor em toda a humanidade. A prática do amor torna-se expressão essencial na vida da Igreja e dos cristãos, conforme nos recorda o papa Bento XVI em sua primeira encíclica, intitulada "Deus é Amor". Durante a Quaresma, a Igreja propõe o jejum como uma maneira de educar-se e perceber que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Numa sociedade de consumo, ante a escandalosa desigualdade social, o jejum ganha maior significado. A busca do equilíbrio é um grande desafio num mundo de desejos ilimitados. É oportuno recordar que nenhuma prática de piedade tem sua finalidade em si mesma, mas deve resultar em ações concretas para melhorar a vida a em sociedade. Nesse sentido, torna-se indispensável a participação dos cristãos na caminhada dos movimentos sociais, na política e no exercício da cidadania.


Jaime Carlos Patias, imc


Fonte:
Adital